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Luz da Primavera

Luz da Primavera

By:  Quinn Adora CoentroCompleted
Language: Portuguese
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Sempre que alguém em Marisola elogiava aquela mulher, considerada a beleza do século, todos riam em uníssono: — Ela não é só bonita, é generosa! Já criou dois filhos do marido e da amante! Então, quando eu falei em me divorciar, ninguém deu a mínima. Rafael Monteiro nem pestanejou e me atirou um cheque sem cerimônia: — Não faça drama, vá e compre duas bolsas. O filho mais velho estava vidrado no videogame: — Não incomode o meu pai. Se quer ir embora, vá logo, o que está esperando? O filho mais novo ligou direto para a mãe biológica: — Aquela velha bruxa parece que vai sair de casa. Mãe, se prepare! Até os empregados balançavam a cabeça, tentando me convencer a não insistir. Mas diante de todas as dúvidas e críticas, eu não senti nem tristeza nem raiva. Apenas disquei com calma o número que sabia de cor e salteado. — Sra. Isabela, chegou o momento do nosso acordo de dez anos. Já paguei a dívida pela vida da minha irmã.

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Chapter 1

Capítulo 1

Isabela Monteiro ficou em silêncio por alguns segundos, mas acabou respondendo.

— Daqui a três dias, você vai poder ir embora.

Afinal, tinham sido dez anos de relação entre sogra e nora, e a voz dela ainda carregava um nó de emoção.

— Renata, você se esforçou muito todos esses anos. Eu sei que deu o seu melhor.

Fiquei um pouco zonza por um instante. “Deu o seu melhor”... Muitas pessoas já haviam dito isso para mim ao longo dos anos.

Com pena, com ironia ou apenas para ver o caos acontecer.

Mas eu não me arrependia. Justamente por ter dado o meu melhor, ao partir, só restava a sensação de alívio.

Depois de desligar o telefone, saí, e André Monteiro quase esbarrou em mim.

Ao me ver, o rosto dele se encheu de pânico, que logo se transformou em raiva e humilhação:

— Você está cega? No meu aniversário, você não quis aparecer, e agora fica aqui de bobeira!

Franzi a testa. Ele e Pedro Monteiro nunca gostaram que eu participasse dos aniversários deles.

“Hoje ele está estranho...”

Sem pensar muito, continuei andando.

No instante seguinte, um grande telão no centro da sala exibiu fotos minhas de cunho extremamente ousado, provocativo e vulgar.

Todos os pais presentes taparam imediatamente os olhos dos filhos.

A forma como me olhavam era de puro desprezo.

Mesmo sem dizer nada, eu sabia do que se tratava.

Aquelas eram fotos comprometedoras que meus concorrentes haviam manipulado enquanto eu ainda era atriz.

Assim que surgiram online, a web inteira se encheu de insultos contra mim:

— Que vadia, deve ter passado pela mão de todo mundo.

— Dá para ver que ela é toda falsa. Provavelmente até o rosto é falso!

André e Pedro riam descontroladamente, apontando para o meu rosto pálido com escárnio:

— Olha como ela está assustada. Aposto que, em menos de três minutos, ela vai estar chorando feito louca!

Mal terminaram de falar, Rafael, ao saber do ocorrido, saiu correndo da biblioteca e desligou o telão.

Tomou os dois filhos pelo braço e começou a repreendê-los com raiva.

Um zumbido tomou meus ouvidos. Cansada, encostei-me à parede e acendi um cigarro.

Com a nicotina, minha mente começou a se acalmar devagar.

De repente, alguém arrancou o cigarro da minha mão.

— Se você continuar fumando, como ainda quer engravidar?

Rafael apagou o cigarro com irritação, olhando para mim com reprovação.

“Engravidar?” Soltei uma risada estranha.

Talvez, no passado, eu tivesse desejado isso.

“Ele ao menos se lembra de como perdi meu primeiro filho?”

Quando Matheus tinha um ano e cinco meses, André o levou para o quintal enquanto eu estava no banheiro.

Quando terminei de me arrumar, percebi que Matheus tinha sumido e revirei toda a mansão.

O que encontrei foi o corpo dele boiando na piscina do quintal.

Naquele instante, meu grito de desespero cortou o ar. Rastejando, consegui tirá-lo da água.

O rostinho de Matheus estava pálido. Em uma das mãos, ele ainda segurava o bolinho que eu tinha feito.

Desesperada, tentei reanimá-lo inúmeras vezes, até que Rafael, finalmente, não suportou mais.

Tirou-o dos meus braços.

Quando tentei pegá-lo novamente, ele me deu um tapa:

— Acorda! Ele já morreu!

Ajoelhei-me, implorando, com a minha dignidade no chão:

— Por favor, devolva-o para mim. Vou levá-lo embora, nunca mais atrapalharei vocês!

Mas ele segurou meu rosto, obrigando-me a assistir à cremação do meu filho.

Meu olhar ficou vazio, como o de uma marionete.

A fumaça cinzenta saía sem parar da chaminé.

Naquele instante, metade da minha alma foi embora com ele.

Ele morreu de forma terrível.

Eu tinha medo.

Ao perceber meu estado, Rafael me envolveu em seus braços, me consolando como se eu fosse uma criança:

— Já passou. Precisamos seguir em frente. Sua menstruação não está atrasada há dois meses? Vá ao hospital...

Antes que pudesse terminar, a porta foi aberta com força.

Gabriela Almeida, com os olhos vermelhos e se contendo ao máximo, disse:

— Como você pôde bater em uma criança?
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