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CAPÍTULO 8

Autor: BZ02
Quando Heitor voltou para a mansão, Bárbara se agarrou a ele na mesma hora.

— Heitor, você voltou. O dinheiro daqueles homens… você já transferiu? — A voz dela era doce demais.

— Você me chamou de volta só por causa disso? — O rosto dele esfriou na hora. Sem alarde, afastou a mão dela. — O dinheiro que você queria, eu já mandei transferir. Bárbara, essa é a última vez.

Ele a encarou, palavra por palavra:

— Quando a Lívia tiver alta, eu vou levá-la para fora por um tempo. Você fica aqui sozinha. Se comporta.

— Depois que a Lívia voltar, se controla. O que você queria, eu já te dei. Quando a criança nascer, pega o dinheiro e some da minha vida de vez.

A cada frase, Bárbara ia empalidecendo.

Ela viu Heitor se virar sem nenhum apego e subir as escadas direto, sem sequer lhe dar um olhar a mais.

Com um estrondo, a porta do escritório se fechou.

Bárbara ficou sozinha na sala vazia. As mãos se fecharam em punhos, as unhas cravando fundo na palma.

Por quê?

Por que a Lívia sempre tinha tanta so
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Último capítulo

  • Não Te Ver, Não Te Querer, Não Te Ter   CAPÍTULO 23

    Um ano depois.Em outro país, um campo de refugiados na fronteira.Lívia limpava a câmera. Os movimentos eram precisos, quase automáticos.— Li… Lívia.A lona da tenda foi aberta. Cecília entrou com um copo de água nas mãos, visivelmente hesitante.— O que foi? — Lívia ergueu os olhos e sorriu de leve.— Eu queria te agradecer. — Cecília estendeu o copo, com gratidão no olhar. — Se você não tivesse me puxado hoje, eu teria sido atingida por aquele caminhão armado.— Não foi nada. — Lívia pegou a água. — Aqui a gente cuida um do outro. Nunca esquece, segurança vem primeiro. Notícia nenhuma vale mais do que a vida.Cecília ficou olhando para ela, os dedos se enroscando nervosos.— Lívia… você parece não ter medo de nada. Por que você veio pra cá?A mão de Lívia parou por um instante.Ela levantou o olhar e observou a jovem à sua frente. Aquele rosto ainda imaturo a fez lembrar de si mesma, anos atrás, a mesma dor de amor, a mesma tentativa de anestesiar um coração quebrado se jogando no

  • Não Te Ver, Não Te Querer, Não Te Ter   CAPÍTULO 22

    Cidade A. Último andar do Grupo Lopes, escritório do CEO.Do lado de fora das enormes janelas de vidro, a cidade brilhava. Por dentro, o escritório estava frio e vazio. Heitor permanecia de costas, parado diante da vista.No telão à sua frente, a cerimônia de Genebra passava ao vivo, sem som. Ele tinha desligado o áudio, como se quisesse apenas confirmar algo com os próprios olhos.Ele observava aquela mulher tão familiar e, ao mesmo tempo, tão distante. Via os passos seguros dela, lia cada palavra que saía de seus lábios, e sentia o coração ser apertado por uma mão invisível, lenta e cruel, até quase ficar dormente.Cinco anos.Ele não voltou a procurá-la, como se estivesse cumprindo a promessa de deixá-la ir.Ainda assim, usou todos os canais que tinha para acompanhar cada notícia dela. Sabia em quantas zonas de conflito mais perigosas ela tinha entrado. Sabia da foto premiada internacionalmente, que expôs o uso de crianças-soldado e quase lhe custou a vida. Sabia como ela tinha d

  • Não Te Ver, Não Te Querer, Não Te Ter   CAPÍTULO 21

    — Lídia, o que você está viajando aí? Vem logo ver, o Enzo trouxe coisa boa. — Um colega gritou da porta.Lívia voltou a si, enfiou o celular na bolsa e saiu sorrindo.No pátio, Enzo descarregava de um jipe várias caixas de pão fresco.Num lugar onde tudo era escasso, pão recém-assado valia mais que ouro.— Uau, melancia. Enzo, de onde você tirou isso?— Meu Deus, acho que faz quase um ano que eu não vejo uma melancia!Todo mundo começou a comemorar.Enzo sorriu, pegou a faca e abriu uma das melancias, revelando a polpa vermelha.— Um amigo local me deu. Tem pra todo mundo, venham pegar.Lívia também recebeu um pedaço.Deu uma mordida, e o suco gelado e doce explodiu na boca, adoçando até o peito.Ela olhou para os rostos ao redor, todos sorrindo por causa de um simples pedaço de melancia. Olhou também para Enzo, mais ao longe, brincando com as crianças locais. E, de repente, sentiu que a vida talvez não fosse tão ruim assim.É.Ela tinha perdido muita coisa.Mas também tinha ganhado m

  • Não Te Ver, Não Te Querer, Não Te Ter   CAPÍTULO 20

    Naquela noite, Heitor teve um sonho estranho.Sonhou que Lívia morria num acidente de carro.Sonhou que ela estava coberta de sangue, o corpo gelado, e ainda assim, com o último fôlego, dizia para ele:— Heitor, nós… vamos nos divorciar. Na próxima vida, eu não quero mais te encontrar.Ele acordou em sobressalto, o corpo inteiro encharcado de suor frio.Do lado de fora, a lua do País L estava grande e cheia, mas trazia um tom frio, melancólico.Heitor foi até a janela, pegou o binóculo e olhou para aquele pequeno ponto de luz, a base dos jornalistas ao longe.Ele sabia. Ela estava ali.Naquele mundo ao qual ele já não tinha mais acesso, vivendo com esforço, com liberdade.Solta.Solta isso. Uma voz sussurrou dentro dele.Você já destruiu metade da vida dela. Vai mesmo querer destruir também o futuro?Você não pode lhe dar a liberdade que ela quer, nem o respeito que ela merece.A única coisa que ainda pode fazer por ela é desaparecer da vida dela.Heitor baixou o binóculo devagar.Olha

  • Não Te Ver, Não Te Querer, Não Te Ter   CAPÍTULO 19

    Do outro lado, Heitor não deixou o País L depois de esbarrar na recusa dela.Ele alugou, a peso de ouro, uma casa numa cidadezinha perto da base dos jornalistas e mandou Artur de volta ao país.— Vá investigar aquele homem chamado Enzo Torres. Quero tudo, o máximo de detalhes possível.Vendo o semblante sombrio de Heitor, Artur não ousou perguntar nada. Pegou um voo naquela mesma noite.Pouco depois, o dossiê de Enzo chegou, junto com a foto da noiva.Heitor encarou o casal sorrindo na imagem e, em vez de se irritar, soltou uma risada.— Então ele tem um noivado no país… — Murmurou, com um brilho doentio nos olhos.Na cabeça dele, tudo fez sentido.Lívia estava encenando. Aproximava-se de Enzo de propósito. Tratava-o com frieza de propósito. Era só para provocá-lo. Para se vingar dele.Essa ideia estranha trouxe a Heitor uma espécie de alívio torto.Ela ainda se importava. Enquanto isso fosse verdade, ele ainda tinha chance.Então ele mudou de tática.Parou de tentar forçá-la a voltar

  • Não Te Ver, Não Te Querer, Não Te Ter   CAPÍTULO 18

    Lívia ficou um pouco atônita, sem entender por que ele tinha trazido aquilo do nada.Enzo não esperou que ela respondesse. Continuou por conta própria:— Quando alguém atravessa uma ponte suspensa, morrendo de medo, o coração começa a disparar. E se, nesse momento, essa pessoa encontra alguém, pode acabar confundindo esse coração acelerado com estar se apaixonando por quem está ali.A voz dele era calma, como se estivesse apenas explicando um conceito de psicologia. Mas Lívia entendeu na hora.O rosto dela esquentou sem que conseguisse evitar.Então ele sabia.Sabia que ela tinha sentido algo que não devia. Sabia daqueles pequenos sinais, daquelas mudanças quase invisíveis. E, mesmo assim, não a expôs, não deixou nada virar algo ambíguo. Escolheu, em vez disso, esse jeito respeitoso e gentil de fazê-la enxergar.Ele estava dizendo a ela que aqueles sentimentos confusos talvez fossem só o efeito de viverem sob risco o tempo todo.Dependência. Admiração. Laço de quem enfrenta a morte jun

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