Mag-log inPreparei todos os convites, mandei um por um…
Escolhi cada nome com cuidado, chamei só os íntimos, os que ainda restaram depois de tantos anos me afastando de quase todos. Contratei a decoração, a cerimônia seria no jardim da casa da minha família. Um lugar simples, mas cheio de lembranças. Achei que seria especial. Escolhi flores brancas, mandei arrumar o altar com tecidos leves, pendurei luzes como se cada uma delas fosse uma esperança acesa. Alguns dias depois ele foi em minha casa, a funcionária me avisou. — Algustus… Desci as escadas com um sorriso largo, o coração acelerado como se estivesse prestes a viver meu grande momento. — Trouxe os documentos. E o contrato pra você assinar. — Contrato? Estranhei, descendo os últimos degraus. — Não achou que faria esse acordo de boca, achou? Peguei o papel de suas mãos. Li com atenção. Cada linha parecia cravar algo dentro de mim. Afirmava que eu seria a doadora de sangue… da mulher dele. Durante aquele casamento. Ele estendeu a caneta. — Assine. Olhei a caneta em suas mãos. A peguei, caminhei até uma mesinha de centro e assinei o contrato. O entreguei de volta com a mesma firmeza com que disfarçava minha dor. — O casamento será daqui a 6 dias... — Eu sei. — Já organizei tudo. Convidei apenas alguns íntimos… e um site colunista de respeito. — Estarei aqui, não se preocupe. Abri um sorriso largo. Ele me olhou. Seu sorriso foi breve, carregado de ironia. Negou com a cabeça e se afastou. — Aonde vai? — Já fiz o que tinha que fazer. Ele foi embora. Soltei um suspiro com satisfação. — Eu vou conquistar você, Algustus… Disse esperançosa. (...) MAITÊ O dia estava lindo. Vesti o vestido de noiva e me olhei no espelho, cheia de orgulho. Ia me casar com o homem que amei por tantos anos. Não era do jeito que eu queria, mas estava acontecendo. — Onde ela está!? Ouvi do lado de fora. Me virei e, de repente, a porta se abriu com tudo. Pérola entrou com o rosto cheio de raiva e, sem dizer mais nada, me deu um tapa. A dor me fez virar o rosto. Fiquei sem reação, chocada. — Sua falsa do caramba! — Pérola… — Como você pôde, Maitê? Como foi capaz de ser tão falsa? Balancei a cabeça, tentando entender. — Você sabia que eu amava ele! Dias atrás você tava falando horrores dele… e agora vai casar com ele!? — Pê… eu… — Não! Cala a boca! Ela me cortou, os olhos cheios de mágoa. — Como eu não percebi antes? O jeito como você olhava pra ele, os sorrisos… Que cretina você foi! Dois seguranças entraram na sala. — Não encostem em mim! Eu já tô indo embora… Antes de sair, me olhou com nojo. — Tomara que ele te faça sofrer. Tomara que você nunca seja feliz com ele. Ela saiu, me deixando zonza. Me olhei no espelho mais uma vez, ajeitei o cabelo e puxei o ar com força. Aquilo não ia me derrubar. Não mesmo! Eu estava conseguindo o que sempre quis, o que desejei por tantos anos. Uma funcionária se aproximou: — Ele chegou. — Tô descendo… Organizei meu vestido, respirei fundo e saí do quarto. Desci sozinha até o altar. Lá estava ele. Lindo. De terno azul-marinho, exatamente como imaginei. Mas ao lado dele… um pouco afastada… ela. Cora. Por que ele trouxe ela? Eu não convidei… Cheguei até ele e fiquei na frente dele. Os olhos de Algustus me encararam, como se tentassem me decifrar. O cerimonialista começou a cerimônia, havia poucas pessoas, mas eu precisava que houvesse testemunhas. Ele fez a pergunta pra mim primeiro, e eu respondi sem pensar: — Sim! Quando foi a vez do Algustus, ele ficou em silêncio por alguns segundos. Parecia que ia desistir. Olhei em volta, a vergonha me tomando, Mas então respondeu: — Sim… O alívio me tomou, ele não podia dar pra tras, não agora depois de ter sugado meu sangue pra dar para aquela mulher. Assinamos os papéis. Agora éramos oficialmente casados. Na hora de beijar a noiva, ele sorriu de um jeito estranho. Colocou as duas mãos no meu rosto e, pela primeira vez, senti seus lábios nos meus. O fotógrafo aproveitou cada segundo com flashes. E eu… eu me entreguei àquele beijo, mesmo sabendo que não era como eu sonhei. Logo depois, ele se afastou. A festa começou, mas Algustus sumiu. Fiquei sozinha. Alguns convidados me olhavam com pena. Até que Theo, o médico. O mesmo que tirou meu sangue, que compactuava com aquela loucura, apareceu. — Tá tudo bem? — Tá sim. Respondi com um sorriso forçado. Ele se sentou do meu lado. — O que aconteceu com o Algustus? Ele saiu com a Cora? Acenei que sim. Não sabia onde eles estavam. A raiva começava a me tomar, ele assinou aquele papel e me abandonou aqui. — Não entendi… por que vocês se casaram, se ele namora ela? Suspirei. — Eu pedi. Ele me olhou, confuso. — Como assim? — Era parte do acordo… ele casava comigo, e eu deixava ele coletar meu sangue pra Cora. Ele ficou em choque. Dava pra ver a quantidade de perguntas e confusões que ele tinha só naquele olhar. — Por que você faria isso? Casar com alguém sem amor? — Quem disse que não tem? Ele balançou a cabeça, sem acreditar. Mas eu sabia. Tinha muito sentimento, sim. Eu amava aquele homem. E agora… ele ia ter que me assumir como esposa. Ia fazer ele se apaixonar por mim. Nem que fosse a última coisa que eu fizesse. ...MAITÊ Desci as escadas sentindo o coração pesar no peito. Meu pai estava ali, sentado no sofá da sala, olhando para o nada. Parecia que tinha envelhecido dez anos em uma noite. — Pai... chamei com a voz mais firme do que eu realmente sentia. — Tudo acabou... Foi só uma briga. O Theo mentiu pra mim... disse o que sabia que iria me machucar. Ele ergueu os olhos, perdidos. — Eu não sei mais o que dizer, filha... não sei como te proteger disso. Nem como encarar o Algustus. Olhei pra porta do quarto onde Algustus estava. Eu sabia que ele tinha ouvido tudo. Sabia que não queria confrontar meu pai. Estava tentando se conter, por mim. — Ele vai precisar de tempo... Você também. murmurei. — Talvez o senhor devesse voltar pra sua casa. — Não vou sem você. Balancei a cabeça, respirando fundo. — Meu lugar é aqui. Foi aqui que eu escolhi ficar, e eu... eu vou me cuidar agora. Ele suspirou, resignado. — Vou pra empresa. Você devia ir também. Assenti. .... Levamos vários dia
Nossos corpos se entendiam como velhos cúmplices. Um encaixe de vilões e amantes. Era perigoso. Era errado. E era inevitável.— Eu... sussurrei contra sua boca, arfando.— Meu pai não vai fazer nada. Nem você contra ele. Ele nunca vai saber que você tentou incriminar ele. Vocês não vão ser mais inimigos. Nunca mais. Ou enterra esse passado, ou acabou algustus! Você me perde de vez. Pra sempre. Ele tentou responder, mas eu não deixei. Apertei seu rosto entre as mãos, o olhar fixo, decidido.— Eu tô pensando só no bebê, Algustus. Só nisso.Ele cerrou os olhos e balançou a cabeça, como se não quisesse aceitar.— Acabou, eu juro! Mas você não pode deixar eles ganharem assim. Aqueles dois infelizes. Isso é tudo o que eles queriam! Cora se fazendo de mártir, e o idiota do Theo fingindo ser o cavaleiro branco pra você... pra quê? Pra quando sairmos daqui, você procurar por ele? Você não vê, meu amor?! Não faz isso... Não joga tudo que a gente viveu fora!Ele me puxou mais forte pra ele, su
Porque o meu corpo tremia... mas não era de medo. Era de raiva, desejo, confusão. Um misto insuportável de querer e odiar. Eu queria gritar. Queria chorar. Queria cair nos braços dele. E isso... isso me matava. Inclinei o queixo, desafiando. Meus olhos presos nos dele, tão fixos que o ar pareceu evaporar entre nós. E eu só pensei no meu bebê, em tudo que a gente viveu. Tudo. Não tinha como ser mentira, não... Eu sei que dessa vez não foi ilusão da minha cabeça. Eu tinha mesmo conseguido dobra-lo a mim. Eu tinha! Era mérito meu, e a tudo que eu tanto desejei. E agora eu tinha, aqui na minha frente, implorando por mim. Por segundos eu quis matar ele, xingar e fazer ele lamber meu chão, e ainda quero. Mas também sinto um a imensa vontade de ligar o foda-se... Foda-se todos eles, foda-se essa vingança. E ser dele... De novo e de novo. E fazê-lo meu, mais uma vez. — É tarde demais pra fugir. Silêncio. O chão pareceu sumir sob os nossos pés. — O que você está dizendo, filha?!
Ele diz com toda indignação. Crápula enganador! Destruiu meu pai, ficou com a mulher que ele amava. Tomou tudo que era dele e agora é o efendido? — E eu?! Maitê gritou, chamando minha atenção. — Eu tenho culpa de quê, Algustus?! Que mal eu te fiz? — Nenhum! eu rugi. — Porra, você é a mulher da minha vida! Sempre foi! Eu só fui cego demais pra não enxergar isso desde o início. Mas agora eu vejo, e não vou te perder! Ela deu um passo atrás. Eu avancei. — Você já me perdeu, Algustus. No segundo em que mentiu pra mim. Você disse que não tinha nada naquela droga de gaveta! Aquilo me quebrou. Me virou do avesso. Mas eu não deixaria acabar ali. Avancei, segurei seus braços. — Você não vai sair daqui. Não vai. minha voz saiu baixa, mas feroz. — Só nós dois entendemos esse amor. Ninguém mais. Ninguém mais vai entender. Mesmo que seja insano, mesmo que seja doente. Eu não me importo. Você é minha. Minha mulher, Maitê. O pai dela veio pra cima de mim. — Solta minha filha!
E então… ela vai embora. Com meu coração nas mãos dela. Com minha vida desmoronando em silêncio. Levando com ela tudo que eu tenho... Ou tinha agora. Estava desnorteado. Joguei a droga daqueles papéis todos pelo chão. O coração parecia fora do compasso, batendo alto demais, rápido demais.. Pressionei os cabelos fechando os olhos com força, tentando controlar meu interno enfurecido, achar uma saída, como se tentasse me alertar de que eu estava prestes a perder tudo. Ela. Porra, ela! Não! Gritei, sem nem pensar, e minha mão voou contra a prateleira de vidro do escritório. Os cacos voaram, cortando minha mão, mas eu não senti. Não doía. Nada doía mais do que ver Maitê destruída… por minha causa. — Eu não vou desistir! rosnei, ofegante. Corri até os papéis espalhados pelo chão. Cada maldita prova, cada maldito pedaço de um passado que eu jurei enterrar. Peguei tudo, o sangue pingando por onde andava, e enfiei todos os papéis dentro da lata metálica de lixos ao lado da mesa
MAITÊAs mãos tremiam. Mas eu não hesitei.Abri a porta da sala dele com tudo, ignorando a voz desesperada da assistente que tentava me impedir.— Você não pode entrar! Senhorita, São ordens. ela gritou.Mas eu podia. E eu ia.Fui direto até aquela maldita gaveta. Aquela que me despertou suspeitas e que ele negou!Negou que tinha algo, que... Eu estava imaginando coisas. Mas meu instinto nunca me engana, nunca!Puxei com força. Mas, Nada.Destravei ela das corrediças e arremessei no chão.Nada ainda.— Senhora! Pare com isso!— SOME DAQUI! gritei com a alma em chamas, sem nem olhar na cara dela.Ela saiu quase correndo. Levantei a gaveta de novo e joguei contra o chão com mais força. O estrondo ecoou na sala. Um pedaço quebrou.E então… a verdade se derramou diante de mim.Papéis. Vários. Uma chuva de provas, documentos, fotos. Tantos que meus olhos não conseguiam focar em nada por alguns segundos.Caí de joelhos, os dedos buscando desesperados em meio à bagunça.— Não... não







