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CAPÍTULO 03 - O AMOR QUE FERE!:

last update publish date: 2026-08-23 07:50:45

Tá.

Ele nem questionou, me puxou para fora da sua casa, adentramos seu carro e seguimos em silêncio ao hospital.

O caminho até o hospital foi um borrão. As luzes da cidade passavam depressa pelas janelas, e o som dos pneus contra o asfalto parecia mais alto do que deveria. Ele não falou uma palavra. As mãos firmes no volante, o maxilar travado, como se estivesse lutando contra algo dentro dele.

Assim que paramos, ele saiu rápido e deu a volta para abrir minha porta. Me puxou pela mão outra vez com força, com urgência. Não havia mais espaço para dúvidas.

A recepção do hospital estava fria, tanto pela temperatura quanto pela atmosfera. Um enfermeiro nos levou até um corredor lateral, onde um médico de jaleco branco já nos esperava.

— Aqui está ela.

— Me acompanhe.

As paredes claras e os quadros de campanhas de doação de sangue não me distraíam. Meu coração martelava dentro do peito. Tudo aquilo era real? Eu estava mesmo ali para doar sangue…

Fomos levados para um corredor lateral, onde um médico nos esperava.

Olhei pra ele antes de qualquer gota do meu sangue ser tirada e disse:

— Você me deu sua palavra.

— Faça o que tem que fazer. Eu farei a minha.

Ele respondeu seco e rápido.

Acenei e entrei com o médico.

— Sente-se, por favor. Preciso que assine algo. Algustus já meu deu seus exames, recentes, por sinal.

Deu? Nossa, Ele foi rápido!

Assinei o termo de responsabilidade, que estava fazendo aquilo por livre e espontânea vontade como voluntária.

— Aqui..

empurrei a caneta com o papel.

O médico não pegou. Apenas ajeitou meu braço, amarrou a faixa e limpou a pele com álcool. O frio do algodão me fez estremecer.

— Vou amarrar para fazer a coleta, não vai doer.

É.. mas doeu.

— Aí…

— É só uma picada.

Tentei manter a calma, mas não estava preparada. O cheiro do hospital, o toque do elástico apertando meu braço… tudo me deixava tensa.

— O que houve com ela?

Perguntei curiosa.

— Com a Cora?

Assenti, sem forças para perguntar em voz alta de novo.

— Acompanha ela a muito tempo?

Ele acenou que sim.

— Ela tem uma doença genética chamada Talassemia. É assintomática, mas precisa de transfusão de sangue a cada 20 dias.

— E ela só teve isso agora?

— Ela tem desde os 3 anos, mas infelizmente a mulher doadora faleceu há uma semana.

Aquilo me atingiu como um soco no estômago.

Ele sabia disso? Sabia que uma mulher poderia morrer a qualquer momento?

Que ela precisava depender de outra pessoa para se manter viva?

— Não vai precisar tirar a cada 20 dias, mas precisaremos fazer coletas regulares para guardar o sangue.

— Entendi.

— Não é algo que se faça sem pensar. Não poderá viajar ou sair para lugares muito distantes.

— Já entendi, doutor!

Estava ficando impaciente. Nervosa. Mas no fundo… apavorada.

— Farei consultas constantes para acompanhar o seu bem-estar.

— Tudo bem!

O sangue continuava escorrendo pelo tubo transparente. Eu sentia uma leve tontura. Ou era o peso daquela situação que me deixava assim?

— Pronto.

Ele se aproximou. Os olhos fixos em mim.

— Já posso ir?

— Sim.

Ele me encarou em silêncio.

Fiquei de pé devagar, ajeitando a blusa. Ele não disse nada, mas sua presença era como um muro firme, intransponível.

Saimos da sala e Algustus veio até nós com sua preocupação eminente perguntando:

— E então?

— Vamos fazer a transfusão.

O médico respondeu.

— Nossa, ainda bem!

O médico apenas deu um aceno pra nós dois e se afastou, olhei pra ele com seriedade.

— Vinte dias… É o que temos para esse casamento.

Dei o intimato.

— Não precisa repetir. Eu já entendi.

— Não vai me perguntar por que estou sugerindo isso?

— Pode ser porque você e sua família estão em falência!

Permaneci sem esboçar reações.

— Ou porque sempre foi louca por mim.

Arqueei a sobrancelha, indignada.

— Eu sempre soube!

Ele se quer me deixou falar se afastou dizendo:

— Vou organizar os documentos. Faça o resto como preferir!

Suspirei, porém sorri convencida, eu consegui! finalmente consegui o que queria.

— Aí… rsrs…

soltei um grito baixo e empolgado.

E sair saltitante para fora daquele hospital. em preparação ao meu casamento com Augustus Wolter!

....

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