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Capítulo 02 – O Amor que Fere

last update Data de publicação: 2026-08-23 07:49:21

— O que faz aqui? Não sabia que estava na empresa.

— Ela anda muito por aqui. Talvez queira seguir os passos do pai. — Algustus rovocou.

— Ficaria muito orgulhoso...

Abri um sorriso rápido.

— Já imaginou eu fazendo engenharia?

Algustus riu, descrente, e coçou levemente o nariz.

— O quê? Eu posso! Consigo tudo o que quero.

— Exatamente. — Meu pai reforçou orgulhoso.

— Não disse nada!

Algustus zombou, irônico.

Eu estudaria muito e me formaria naquilo que ele duvidava.

....

Mas os negócios do meu pai já não eram os mesmos. Ele sempre chegava em casa enfurecido, nervoso. Dizia que havia algo errado acontecendo, mas ninguém descobria.

Ao longo do tempo, entre minhas idas e vindas na empresa, Algustus apareceu com uma nova mulher.

Uma que me fez sentir ânsia de vomito.

— Esta é Cora, minha namorada.

Tinha acabado de chegar quando ouvi ele a apresentando ao meu pai.

— É um prazer conhecer o senhor!

A voz melosa que me deu nos nervos.

— O prazer é meu. Uma linda mulher! Meu afilhado tem gostos excelentes.

Meu pai a elogiou de forma exagerada, e senti meu sangue ferver.

— Obrigada.

Algustus sorriu largo, beijando a mulher com devoção.

Entrei na sala, e meu pai alertou minha chegada.

— Maitê, venha conhecer a namorada do seu primo.

Nem era meu primo! Ele era apenas afilhado do meu pai, mas ele insistia em nos tratar como família.

— Prazer, Cora! Você deve ser a Maitê. Algustus fala muito de você!

Olhei para ele, surpresa. Falava de mim? O que ele dizia para essa mulher?

— Prazer, Maitê.

Ela sorriu de forma forçada e estendeu a mão. Apertei-a com firmeza.

Naquela mesma noite, Pérola me ligou chorando.

— Calma, Pê!

— Ele está namorando, amiga… namorando! Eu sempre soube que ele não prestava, mas… havíamos ficado na noite passada!

— Você o quê?

— Eu recaí! Dormi com ele de novo… e agora ele está namorando, postando fotos apaixonadas! Que ódio!

Ódio senti eu. Ela não sabia da minha paixão avassaladora por aquele homem. Mas senti tanta raiva naquele dia.

— Se você sabe que ele não presta, por que ficou com ele de novo?

— Porque fui uma tonta!

Falei um monte para ela naquela noite.

Porque eu também estava furiosa, estava com ódio dele, e só expus minha indignação, mas ela não compreendeu, ninguém nunca me compreenderia.

.....

Duas semanas depois, ouvi um som alto, vozes alteradas, Desci as escadas da minha casa, vendo meu pai ser arrastado pra fora por policiais.

— O que está acontecendo!?

— Filha… filha, isso tudo é mentira!

Saí correndo para a sala e encontrei meu pai sendo algemado.

— Pai!!

— Estão tramando contra mim, filha! Não acredite em nada que disserem!

— Pai!!!

Corri para fora, mas ele foi levado para a delegacia. Lá fora, vi Algustus.

— Algustus!

Joguei-me em seus braços, e ele acariciou meus cabelos.

— Fica calma… eu vou resolver isso.

— Por que estão levando ele!?

— Ao que tudo indica, seu pai está desviando dinheiro há anos.

— Não! Ele não faria isso…

Meu pai era o homem mais honesto que eu conhecia, ele nunca faria isso! Porque roubaria dinheiro da própria empresa?

Todo bem que ele não era maioritário, mas ele tinha dinheiro!

Ele foi levado, e ficou detido.

— Eu vou cuidar de você.

Abracei Algustus com força.

todos os nossos bens foram bloqueados, Nossa casa vasculhada e apreenderam muitas coisas nossas, até que comprovassemos que era tudo legal.

Eu não tive escolha, Fiquei na casa dele, Mas uma semana depois ele chegou nervoso.

— Maitê!!

Sentei-me na cama, assustada quando o vi entrar no quarto em que estava abruptamente.

— O que aconteceu?

— Eu preciso de você!

Franzi o cenho, confusa.

— É a Cora! Ela tem talassemia, precisa de transfusão de sangue, e só você pode ajudar!

— Eu?

Ele assentiu, segurando minhas mãos com força.

— Vi seus exames na empresa. Seu tipo sanguíneo é compatível! Preciso que me ajude. Ela precisa de doação a cada vinte dias ou pode morrer!

Fiquei perplexa. Sem muito tempo para raciocinar, assenti, mas não de graça...

— Eu sabia… vamos!

Ele puxou minha mão, mas travei os pés no chão.

Ele me olhou, confuso.

— Mas você precisa casar comigo!

...

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