MasukElara acordou com uma sensação estranha no estômago.Permaneceu imóvel por alguns segundos, esperando que o desconforto desaparecesse. Ao seu lado, Kael dormia profundamente, com um braço sobre sua cintura.Ela afastou o braço dele com cuidado e levantou-se.Mal chegou ao banheiro, sentiu uma onda de náusea.Apoiou as mãos na pia e respirou devagar.Quando o mal-estar passou, olhou para o próprio reflexo.Não era a única coisa diferente.Nos últimos dias, sentira mais sono que o habitual, perdera o interesse por alguns alimentos e percebera uma sensibilidade incomum aos cheiros.Havia uma possibilidade que ainda não tivera coragem de considerar seriamente.Elara levou a mão ao ventre.— Será? — murmurou.Kael despertou pouco depois e encontrou a cama vazia.Vestiu uma camisa e saiu à procura da esposa.Ela estava na varanda, observando o mar.— Bom dia, meu amor.Elara virou-se rapidamente.— Bom dia.Ele se aproximou e beijou seu rosto.— Está pálida.— Acho que alguma coisa do janta
O mar apareceu depois da última curva da estrada.Elara se inclinou para a janela da carruagem, encantada com a extensão azul que se espalhava até o horizonte. O vento trazia o cheiro de sal e movimentava as árvores que cercavam a propriedade costeira.— Kael, é maravilhoso!Ele não olhou imediatamente para a paisagem.Estava ocupado observando o sorriso dela.— Gostou?— Você está brincando? É ainda mais bonito do que imaginei.Kael segurou sua mão.— Então espere até conhecer a casa.A propriedade ficava sobre uma pequena elevação, cercada por jardins e com acesso particular à praia. Era uma construção de pedras claras, com varandas amplas e janelas voltadas para o oceano.Quando a carruagem parou, Elara desceu antes que Kael pudesse ajudá-la.Ele ergueu uma sobrancelha.— Minha esposa parece impaciente.— Sua esposa quer conhecer a praia.Kael riu e a acompanhou.A casa havia sido preparada para recebê-los.Havia flores frescas sobre a mesa, frutas na cozinha e uma varanda com vist
O vento suave movimentava as flores brancas ao redor do lago quando Amara Solen abriu o pequeno livro que segurava.Kael e Elara estavam frente a frente, de mãos dadas.Os convidados acompanhavam a cerimônia em silêncio.— Uma união verdadeira não nasce da obrigação de permanecer — começou a celebrante. — Nasce da vontade de escolher a mesma pessoa, mesmo sabendo que a vida trará mudanças, desafios e dias difíceis.Elara sentiu os dedos de Kael apertarem os seus.Ele estava emocionado.Ela também.Amara sorriu.— Hoje, Kael Draven e Elara Ravencrest decidiram compartilhar suas vidas. Não para que um pertença ao outro, mas para que ambos construam um futuro juntos.A celebrante voltou-se para Kael.— Pode fazer seus votos.Ele respirou fundo.Durante alguns segundos, apenas observou a mulher diante dele.— Elara, quando você entrou na minha vida, eu acreditava que precisava controlar tudo para impedir que as pessoas que amava sofressem.Ela sorriu suavemente.— Você me mostrou que amar
A primavera chegou ao Norte acompanhada pelo perfume das flores brancas que cercavam o lago da residência Draven.Faltavam apenas cinco dias para o casamento.Elara estava diante do espelho, experimentando o vestido que usaria na cerimônia, quando Lyris entrou carregando uma caixa de veludo.— Tenho uma surpresa.— Mais uma? — Elara perguntou, sorrindo. — Se continuar assim, vou precisar de outro quarto para guardar os presentes.Lyris colocou a caixa sobre a penteadeira.— Este não é exatamente um presente.Elara abriu a tampa.Dentro havia uma coroa delicada, feita de prata e pequenas pedras azuladas.Era bonita, mas o símbolo gravado na parte central fez seu sorriso desaparecer.Tratava-se do antigo emblema das consortes do Supremo Alfa.— De onde veio isso?— Odette Varn enviou pela manhã. Disse que pertence às tradições da cerimônia.Elara retirou a coroa da caixa.Na parte interna havia uma inscrição.Àquela que pertence ao Supremo.Ela respirou fundo.— Não vou usar isso.Lyris
Kael estava ajustando os botões da camisa quando Elara entrou no quarto.Ela vestia um conjunto azul-escuro e havia prendido os cabelos em um coque elegante. Aproximou-se sem dizer nada e ajeitou a gola dele.— Você não dormiu bem — observou.— Dormi o suficiente.— Kael.Ele suspirou.— Sonhei com minha mãe.Elara interrompeu o movimento das mãos.— Quer me contar?— Estávamos na estufa. Ela tocava violino e reclamava porque eu havia sujado o tapete com terra. Era uma lembrança da minha infância.— Parece um sonho bonito.— Foi. Até eu acordar e lembrar que hoje ouviríamos a sentença.Elara segurou seu rosto.— Não importa o que aconteça naquele tribunal, você não precisa enfrentar o restante do dia sozinho.Kael beijou a palma de sua mão.— Quero que saiba de uma coisa. Depois de hoje, não pretendo continuar permitindo que Seraphiel determine como me sinto todos os dias.Ela sorriu.— Então vamos ouvir a decisão e voltar para a nossa vida.O tribunal estava silencioso quando a magis
O salão do tribunal estava lotado quando Kael chegou acompanhado de Elara.Depois de meses de investigações, o julgamento de Seraphiel Asterion finalmente começaria.As famílias das vítimas ocupavam as primeiras fileiras. Alguns sobreviventes preferiram acompanhar a audiência em salas reservadas, protegidos das câmeras e da exposição pública.Kael observou aquelas pessoas em silêncio.Durante anos, acreditara que a morte de Helena era uma tragédia familiar. Agora sabia que ela fazia parte de uma sequência de abusos cometidos contra indivíduos que haviam ousado desafiar o Conselho.Elara entrelaçou os dedos nos dele.— Está preparado?— Tanto quanto posso estar.Ela apertou sua mão.— Estarei aqui.Kael voltou-se para ela.— Eu sei.Seraphiel entrou escoltado por dois guardas.Vestia roupas escuras e mantinha a postura rígida. Mesmo diante das acusações, parecia determinado a conservar a autoridade que já não possuía.A magistrada Verena abriu a sessão.— Este julgamento examinará as r







