MasukKael encontrou uma contradição nos depoimentos sobre a morte de Helena.Cássio Veyr afirmara que tentara examiná-la quando soube da reação à substância N-17, mas fora impedido por Leôncio Marvek. Entretanto, Marta Velk relatara que Seraphiel discutira com Leôncio no corredor, enquanto Damião Voss permanecera próximo da enfermaria.Quem, afinal, havia impedido Cássio de prestar atendimento?E quem dera a ordem?Na manhã seguinte, Kael reuniu Tomás, Aldren e Elara na biblioteca.— Não quero mais respostas baseadas apenas em lembranças — declarou. — Precisamos reconstruir os movimentos de cada pessoa naquela noite.Tomás colocou três documentos sobre a mesa.— Temos o depoimento de Cássio, o registro de circulação de Damião e as comunicações internas da residência.Elara aproximou-se.— Então vamos comparar os horários.Aldren assentiu.— E separar quem executou a ordem de quem a autorizou.O depoimento de Cássio indicava que Damião o procurara por volta das vinte e uma horas e trinta e
O nome de Damião Voss não constava no prontuário médico de Helena.Entretanto, ele havia recebido a ampola preparada por Cássio Veyr e estava autorizado a circular pela ala particular da residência Draven na noite em que ela morreu.Kael examinou a ficha de transferência.— Leôncio contratou Damião três dias antes da morte da minha mãe. Quero saber de onde ele veio e por que foi colocado justamente na enfermaria.Tomás abriu o histórico profissional.— Oficialmente, ele foi cedido pelo Conselho para reforçar a equipe médica durante a visita de Seraphiel.Elara franziu a testa.— Mas a visita só aconteceu três dias depois.— Exatamente — respondeu Tomás. — A transferência foi preparada antes de Augusto receber a confirmação da reunião.Aldren aproximou-se.— Isso indica que Seraphiel já planejava ter alguém dentro da residência.Kael ficou sério.— Alguém que pudesse agir sem depender dos funcionários de Helena.A ficha de Damião apresentava informações aparentemente comuns.Tinha trin
Kael acordou com a sensação de que havia alguém ao seu lado.Abriu os olhos e encontrou Elara sentada junto à janela, com um livro sobre os joelhos e os cabelos soltos sobre os ombros.A claridade da manhã atravessava as cortinas.Durante alguns segundos, permaneceu observando-a.Havia passado tantos anos acreditando que amar significava proteger alguém de todos os perigos que quase não percebera o quanto desejava compartilhar momentos simples com ela.— Está me observando há muito tempo? — perguntou Elara, sem erguer os olhos do livro.Kael sorriu.— O suficiente para descobrir que você finge ler quando está preocupada.Ela fechou o volume.— E você finge dormir quando quer evitar uma conversa.Ele estendeu a mão.— Venha aqui.Elara se aproximou da cama, mas não se sentou imediatamente.— Está tentando me distrair?— Estou tentando convencer a mulher que amo a ficar comigo mais alguns minutos.Ela arqueou uma sobrancelha.— Uma proposta bastante interessante, Supremo Alfa.Kael puxo
A mensagem enviada por Seraphiel às vinte e uma horas e quarenta e dois minutos mudou o rumo da investigação.Até então, Kael sabia que Augusto havia autorizado o bloqueio das comunicações da residência e atrasado o atendimento médico de Helena. Agora existia uma prova de que seu pai fora informado de uma intervenção realizada pelo Conselho antes da piora fatal da esposa.O que ainda faltava descobrir era quem executara o procedimento e com qual finalidade.Na manhã seguinte, Kael acompanhou Elara até a sede da magistrada Verena, onde Seraphiel seria interrogado.A audiência ocorreria em uma sala protegida, com a presença de um defensor, dois investigadores e uma perita responsável pelos documentos recuperados.Kael não poderia conduzir as perguntas.A decisão o incomodava, mas compreendia sua importância.— Ele vai tentar provocar você — observou Elara enquanto atravessavam o corredor.— Provavelmente.— E pode usar o nome de Augusto para isso.Kael olhou para ela.— Não vou permitir
Kael voltou à biblioteca antes das oito horas.Sobre a mesa estavam três documentos: a ordem D-47, assinada por Augusto Draven; o registro da farmácia que comprovava a retenção do medicamento solicitado para Helena; e a autorização de liberação emitida apenas um minuto antes de sua morte.Até aquele momento, as provas mostravam o que Augusto havia feito, mas não explicavam completamente por quê.E Kael precisava compreender essa diferença.Elara entrou acompanhada de Aldren.— Encontraram alguma coisa? — perguntou.Aldren colocou uma pasta diante deles.— Uma correspondência de Augusto com Seraphiel, datada da manhã anterior à morte de Helena.Kael ergueu os olhos.— Onde estava?— No arquivo particular de Leôncio Marvek. Estava anexada à ordem de preparação da visita do Conselho.Tomás aproximou-se com a confirmação da perícia documental.— O papel, a assinatura e o registro de recebimento são compatíveis com os documentos administrativos daquele período. Ainda teremos uma análise co
Kael não dormiu naquela noite.Às cinco horas e quarenta minutos, estava novamente na biblioteca, examinando a ordem que impedira a comunicação externa da enfermaria nos minutos finais de Helena.O registro mencionava Augusto Draven, mas ainda não havia sido encontrado o documento original que autorizara Leôncio Marvek a suspender o pedido de ajuda.Kael sabia que uma referência administrativa não bastava para estabelecer toda a responsabilidade do pai.Precisava descobrir o que Augusto realmente ordenara.Elara entrou carregando duas xícaras de chá.— Você prometeu descansar algumas horas.Kael ergueu os olhos.— Tentei.Ela colocou uma xícara diante dele.— E passou a noite procurando respostas?— Não consegui parar de pensar na mensagem de minha mãe. Ela pediu ajuda. Alguém impediu que o pedido saísse da casa.Elara sentou-se ao seu lado.— Vamos descobrir quem fez isso. Mas você precisa estar em condições de reconhecer a verdade quando a encontrarmos.Kael soltou um suspiro.— Ten







