LOGINParte 4...
Comecei a comer, pensando nas palavras deles. Eu não tenho um problema, só acho que casamento é uma bobagem, uma instituição falida. Na verdade não passa de um acordo que deve ser muito bem feito para não ter nenhuma surpresa desagradável depois.
— Seu irmão já está casado, Matteo.
— Eu sei disso, Otávio, mas ele só se casou para esconder duas coisas - ergui os dedos — Que ele é gay e que a filha que a esposa falsa dele está esperando, na verdade é do amante dele - eu disse entre os lábios apertados.
— Nossa, isso seria um escândalo gigante - Sandro balançou a cabeça — Será mesmo que o Pietro não sabia disso ou fazia de conta que não sabia?
— Eu realmente nunca cheguei a falar com ele sobre isso, é muito pessoal e se o Lucas nunca quis se abrir com ele sobre seu modo de vida, não seria eu quem iria fazer isso.
Lucas nunca se abriu comigo sobre ser gay. Eu descobri. Mas isso nunca fez diferença para mim, ele é meu irmão e vai continuar sendo, independente do modo de vida que ele tenha. Até porque, eu também não sou nenhum santo.
Gosto de viver do meu modo e detesto que alguém se intrometa nisso, que é justamente o que meu avô Pietro está fazendo agora, querendo que eu abandone minha vida de solteiro para me casar ou não poderei receber a herança.
E o pior que o Lucas nem mesmo se importa com a propriedade. Tudo o que ele quer é o dinheiro, mas meu avô deixou nossa parte bem dividida, só que ele quanto mais tem, mais quer. E eu não vou deixar que ponha a mão na propriedade que sei que será vendida de imediato.
— Bem, sabendo ou não, seu avô não queria que esse fato viesse à tona e causasse outro escândalo para o nome da família - ele abaixou o tom de voz — Me desculpe, Matteo, mas aquele episódio com a bailarina foi um horror para seu avô.
— Eu sei, nem me lembre disso.
Eu tive um caso com uma bailarina de muita fama, apesar de ainda ser nova nesse meio, mas prometia ser uma grande revelação dos palcos. Samara tinha muitas ambições e nem todas eram sobre dançar para um grande público.
Ela também queria enriquecer mais rápido do que seus pés podiam girar seu corpo esbelto no tablado. E era capaz de tudo, até de criar falsas acusações que terminaram trazendo um problema muito pesado para mim e que deixou meu avô muito contrariado comigo por um bom tempo.
— Bom, mas isso não é motivo para que ele ponha essa cláusula besta no meio do testamento. E ele nem pensou que isso poderia me colocar contra o Lucas? - bati na testa.
— É, isso é verdade, mas eu acho que Pietro tinha algo em mente por trás dessa atitude - Sandro mordeu o naco de filé preso no garfo.
— Eu ainda não entendi.
— Calma, uma hora isso vai ser revelado - Otávio disse — Mas enquanto não chegarmos a esse ponto, acho melhor você começar a se mexer e rápido. O testamento será aberto na semana que vem e depois disso é correr contra o tempo.
— Merda! - cruzei os braços e parei de comer.
— Nós vamos continuar a pensar em um modo de passar por isso, mas vai ser bem complicado e de forma alguma isso pode vazar - Otávio me disse, de modo sério — Nós podemos nos ferrar muito mais do que você, Matteo.
— Eu sei disso e agradeço. Mas... Se por acaso for algo que vá causar um prejuízo fora do normal para vocês e para o escritório, eu vou repensar - suspirei.
É muito ruim ter que abandonar planos que venho fazendo desde que sou pequeno. Eu até posso entender o que meu avô fez, talvez possa, mas isso não quer dizer que eu tenha que aceitar e gostar.
Eu gosto da vida que levo, de ser solteiro, de curtir festas e passeios ao lado de mulheres maravilhosas, bonitas e sexys que estão sempre ao meu dispôr e isso que eu saiba, nunca foi crime. Nunca me escondi de ninguém e não tenho nada para me arrepender sobre meu comportamento.
— Eu quero aquela propriedade para mim - apontei para os dois — E sou capaz de cometer uma loucura para conseguir que fique comigo e que meu irmão não ponha a mão nela. Ele não vai valorizar aquele lugar como eu e sei que em menos de um mês estará com uma placa de venda na frente do portão - disse muito irritado.
— Você pode comprar dele - Sandro deu de ombros.
— Não! - bati na mesa e assustei um pobre garçom que foi pego de surpresa ao passar — Eu não tenho que dar mais dinheiro a ele por algo que por direito, é meu. Lucas saiu de casa com quinze anos e quem cuidou de tudo fui eu.
Os dois sabiam de minha história e me davam razão, mas realmente estavam de mãos atadas com relação ao testamento porque coisas jurídicas não podem ser contestadas apenas por caprichos particulares.
— Tudo bem, Matteo, vamos te ajudar. Acima de sermos advogados, somos seus amigos - Otávio ergueu a mão para que eu me acalmasse.
— Temos esta semana toda até a terça-feira que vem, para encontrar um modo de mudar isso.
Ele quer dizer que eu tenho esse curto tempo para encontrar uma mulher que aceite ser minha esposa apenas no papel e que não me dê dor de cabeça depois, porque é o que mais acontece no final dos casamentos. E se ela se sentir em vantagem, pior pra mim.
Eu não posso apenas pedir em casamento alguma das amantes que já tive. No momento estou sozinho desde que terminei meu caso com Vanessa, uma linda comissária de bordo que trabalhou para mim por dois meses. Ela era uma negra linda, com um corpo escultural e um sorriso de arrasar. Mas era só isso. Eu nunca pensei em levar esse caso adiante. Foi apenas uma diversão enquanto estava fazendo vários voos para a Alemanha, negociando uma nova filial.
— Eu nunca pensei que teria que correr para conseguir o que quero - bati o pé com força no chão — Justo eu, que gosto de fazer as coisas com calma para não passar do ponto e errar na decisão.
— Você está falando sobre sua vida profissional. Agora estamos falando sobre sua vida pessoal e aí é mais sério ainda.
Parrte 2...Ana— Para com isso, você vai se machucar - Matteo disse, tentando me segurar na cadeira — Eu te ajudo, calma.Eu estou impaciente. Quero ir ver a Acácia, mas sair de casa com cadeira de rodas é muito ruim e Matteo vai ter que sair para levar o irmão para depor. Mark ainda tentou manipular a situação para sair como vítima e jogou tudo nas costas de Jules, mas não deu certo.Fiquei com pena de Lucas, ele realmente acreditava que era amado pelos dois. Isso machuca muito. Pelo menos minhas dores sobre isso foi quando eu era muito pequena e o trauma que ficou apenas me ajudou depois, ainda que me deixe travada às vezes.— Pode me dizer porque você está tão impaciente hoje?— Ah... Não sei.. - suspirei — Quero sair de casa, Matteo. Quero ir ver a Acácia.— Tá bom, eu te levo até lá - ele saiu e voltou carregando um par de muletas — Que tal usar isso aqui?— Onde você escondeu isso? - ri me animando — Me dá... Quero testar.— Calma... Deixa eu te ajudar.Ele me ajudou a levantar
Parte 1...— Você ficou maluco? - Jules bateu na mesa — Eu dei minha imagem e meu nome para você... Aceitei ir para a cama com vocês dois para que o casamento se fortalecesse.— Não, Jules... Você pensou no dinheiro e em tudo o que Mark lhe oferecia. Você se deixou manipular, enquanto pensava que era você que manipulava. O tiro saiu pela culatra - Otávio disse.Matteo apertava os lábios. Sei que ele deve estar doido para estourar, mas os amigos já tinham dito a ele que fosse com calma, que tudo ia se resolver. Eles já tinham provas de tudo.— Jules, vamos resolver isso, está bem? - Mark ergueu a mão.— Vocês dois estão destruindo a vida do meu irmão - Matteo olhou com seriedade pa
Parte 4...AnaEu fiquei pasma com tudo o que Otávio e Sandro revelaram sobre o que Jules e Mark estavam fazendo com o irmão de Matteo. Eu sei que existem tipos de pessoas que são capazes de tudo, mas como eu ainda prefiro ter uma visão boa das pessoas, me admira sempre quando algo assim acontece.Patty deixou algumas coisas preparadas e eu também encomendei de um restaurante sofisticado, alguns pratos e doces. Não é o meu paladar, mas sei que eles estão acostumados a esse tipo de comida.Quem chegou primeiro foi o Sandro. Ele trouxe uma pasta e pelo que eu entendi, cheia de provas contra a Jules. Até que acho bom estar em uma cadeira de rodas, vai ser mais fácil sair da sala se a coisa começar a ficar pesada pra mim.Matteo está muito bonito, como sempre. Ele me ajudou a trocar de roupa porque dispensou a enfermeira, para evitar que gente de fora esteja presente durante o jantar. Ele quer manter tudo apenas em família.E eu ainda acho estranho me considerar da família dele. É muito b
Parte 3...MatteoSentamos perto. Ela com a bandeja ao lado na cadeira e eu no banco mais alto. Patty entrou e sorriu ao nos ver juntos.— Ah, que bom que já está comendo aqui na cozinha - ela lavou as mãos — Como se sente hoje?— Um pouco melhor, Patty - Ana suspira e torce a boca — Mas faz tempo que não passo tanto tempo deitada. É muito ruim.— Mas não se preocupe, em breve vai poder sair - ela me olha e cruza os braços — E por falar nisso, Matteo, você poderia levar a Ana no hospital para ver a mãe dela.— Seria ótimo - Ana disse — Só estou falando com ela por telefone e queria ver como está mesmo.— Mas eu estou cuidando dessa parte também - limpei a boca com o guardanapo — Acácia está bem, eu levo notícias suas para ela sempre.— Sempre? - ela fez uma cara de dúvida — E quantas vezes você foi até lá?Duas?— Apesar de sua cara de desconfiança - ergui o dedo — O que me ofende, diga-se - fiz um pequeno drama e Patty riu — Eu estou indo visitar a Acácia dia sim e dia não, ou seja, m
Parte 2...MatteoEu tenho que sair, mas antes preciso ver como está a Ana. O quarto está banhado pela luz suave da manhã. Ainda é cedo.Logo que me aproximei da porta já ouvi a voz dela lá dentro. Empurrei a porta e vi a Ana na cama, visivelmente frustrada enquanto tenta se mover, mas a recuperação da cirurgia no quadril a impede. Ainda é cedo para se movimentar bem como antes.Parei ao lado da cama, olhando para ela e tomando meu café. A cadeira de rodas está ao lado, pronta para uso. Ela me encara.— Bom dia, minha paciente favorita. Como está se sentindo hoje?— Bom dia, Matteo... - ela resmunga — Eu estou... Bem, irritada. Eu odeio ficar aqui, imóvel, parecendo um pássaro com asas quebradas.Achei engraçado. Ana irritada é uma outra faca que ainda não tinha presenciado, mas desde que voltou para casa após a cirurgia, ela estava tendo alguns momentos desses. Eu sorri e deixei a xícara em cima da mesinha ao lado da cama.— Ah, mas até os pássaros com asas quebradas precisam de u
Parte 1...MatteoAcácia, deitada na cama, olhava pela janela, perdida em seus pensamentos. Vejo que ela está preocupada, assim como Ana também está. Eu insisti para que ela fizesse logo a cirurgia. Não gosto de ficar adiando coisas assim, tenho até um trauma dessa coisa de doença, desde minha avó.— Acácia - falei de modo calmo — Pode ficar tranquila. A cirurgia vai ser bom para Ana. E eu vou cuidar dela, prometo.— Eu sei, filho - ela suspira — Mas é que assim, tão depressa?— Eu sei que é muita coisa para lidar, mãe - Ana senta ao lado dela na cama — Mas eu queria mesmo fazer, estava só esperando que chegasse o momento certo.— E já chegou - coloquei a mão em seu ombro — Não tem mais que esperar - eu sorri para Ana — A gente não vai mais se separar.Vi Acácia arregalar os olhos, mas parecia contente.— É mesmo? - ela olhou de mim para Ana — Vocês estão dizendo isso de verdade ou é só para que eu fique tranquila?Ana deu uma risadinha, balançando a cabeça.— Não... É verdade mesmo -







