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Capítulo 2

Author: Lua Brilhante
Quando Ignazio entrou, encontrou Lucia com os olhos cheios de lágrimas, curvando-se diante de mim várias vezes.

— Stella, você está criando confusão de novo? Lucia veio até aqui porque estava preocupada com você!

A empregada tentou se explicar, mas Lucia se adiantou:

— Ignazio, não fique bravo. A culpa foi da minha gula. Senti o cheiro do caldo e não resisti a experimentar. Quando percebi, já tinha tomado tudo. Stella tem razão em ficar chateada.

Lucia chorava com tanta tristeza que Ignazio se comoveu na mesma hora.

— Foi apenas uma tigela de caldo. Quando sair do hospital, você poderá tomar o quanto quiser. Por que precisou culpar Lucia por isso?

Em seguida, ele lançou um olhar frio para a empregada.

— Lucia anda sem apetite. É raro encontrar alguma coisa de que ela goste tanto. Volte para casa, prepare outra panela e leve para a mansão dela.

A mulher saiu depressa. Ignazio logo substituiu a frieza no rosto por uma expressão cheia de ternura e enxugou as lágrimas de Lucia.

— Não chore mais. Você parece uma criança.

Entre risos e soluços, Lucia se jogou nos braços dele.

— Você está sempre zombando de mim.

Os dois saíram do quarto rindo juntos, deixando para trás um silêncio sufocante.

Foi então que percebi algo surpreendente: aquela cena de mal-entendidos, acusações e repreensões, que se repetiu tantas vezes ao longo dos anos, já não despertava nenhuma emoção em mim.

Eu não queria discutir, protestar ou me explicar.

Uma hora depois, enquanto o médico examinava meu ferimento, um dos homens de Ignazio entrou no quarto sem a menor cerimônia. Ele me apressou para que eu deixasse o hospital o quanto antes, pois os inimigos de Ignazio ainda estavam à espreita.

Talvez por sentir um pouco de pena, outro homem perguntou se eu queria mais analgésicos.

Neguei com a cabeça.

— Não precisa.

Eu já estava acostumada com aquela dor.

Os homens me deixaram na entrada de casa, largaram a sacola de remédios ao meu lado e foram embora sem olhar para trás.

Ignazio nunca se importou comigo, e seus homens jamais me respeitaram.

Entrei com a sacola nas mãos e fui recebida por um silêncio gélido. Nem mesmo os empregados responsáveis pela limpeza estavam ali.

Pouco depois, Ignazio me ligou. Sua voz continuava tão fria e distante quanto sempre.

— Lucia não está se sentindo bem. Os criados da sua casa são muito atenciosos, então mandei todos para cuidar dela. Fique sozinha por alguns dias. Quando ela melhorar, eles voltarão.

Ele falava com toda a naturalidade, como se Lucia fosse a pessoa que recebeu cinco facadas dos inimigos dele, e não eu.

— Tudo bem.

Meu tom indiferente o fez permanecer em silêncio por alguns segundos antes de continuar:

— Faça uma lista do que quiser comer. Quando os criados voltarem, eles prepararão tudo para você.

— Tudo bem.

Mesmo através do telefone, quase consegui vê-lo franzindo a testa.

— Agora vai fazer drama por causa de uma tigela de caldo?

Sua voz ficou ainda mais fria.

— Stella, não se esqueça de que, quando me casei com você, deixei tudo muito claro: você é apenas a sombra de Lucia. Não pense que, só porque é minha esposa há três anos, tem o direito de maltratá-la!

Assenti mecanicamente, embora ele não pudesse me ver.

— Tudo bem.

— Você—

A irritação de Ignazio começava a aumentar quando a voz de Lucia surgiu ao fundo:

— Ignazio, venha! Tem bolo!

A ligação foi encerrada.

Restavam apenas 48 horas para que o sistema me eliminasse.

Eu estava com fome, mas, quando entrei na cozinha, descobri que levaram toda a comida. A geladeira estava completamente vazia.

Por causa da natureza delicada dos negócios de Ignazio, eu nunca tive permissão para pedir comida por aplicativo.

Sem outra escolha, revirei a despensa até encontrar um copo de macarrão instantâneo vencido.

A chaleira elétrica estava quebrada fazia semanas, e ninguém se deu ao trabalho de consertá-la. Precisei usar a água quente que ainda restava na garrafa térmica para preparar o macarrão e, em seguida, deixei o copo sobre a mesa.

Naquele momento, meu celular enviou uma notificação informando que Lucia tinha começado uma transmissão ao vivo.

Dessa vez, eles não estavam na mansão das colinas. Pelo cenário ao fundo, pareciam estar em uma pousada de águas termais.

Vestida com uma camiseta larga, Lucia comia bolo de chocolate enquanto conversava com seus seguidores. Fora do enquadramento, a mão de um homem aparecia de vez em quando, pegando pequenos pedaços com um garfo e levando-os carinhosamente até os lábios dela.

[Vocês não podem mesmo mostrar um pouco do dia a dia de vocês? Só por essas mãos, dá para perceber que ele é um gato!]

Lucia mostrou a língua de forma brincalhona.

— Meu namorado é o homem mais bonito do mundo. Toda vez que ele sorri, meu coração derrete com a doçura dele.

Com as bochechas coradas, ela continuou:

— Foi ele quem me conquistou primeiro, mas eu era tímida demais e hesitei. Por isso, só agora dei o meu sim.

Então, levou outro pedaço de bolo à boca e sorriu.

— O bolo é doce, mas não chega nem perto do nosso amor.

O homem acariciou os cabelos dela. Lucia sorriu, com o rosto ainda mais corado.
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