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Capítulo 3

Author: Lua Brilhante
Lucia comeu metade do bolo, enquanto eu terminei de engolir o macarrão instantâneo que estava intragável.

Na tela, o outro celular dela se acendeu. Assim que olhou para o aparelho, seus olhos ficaram vermelhos, e a surpresa tomou conta de seu rosto.

Segundos depois, Lucia começou a chorar desesperadamente diante de mais de cem mil espectadores, e a transmissão foi encerrada de repente.

Ainda atordoada, recebi uma ligação de Ignazio. Sua voz transbordava de fúria.

— Stella, por causa de uma tigela de caldo e de alguns criados, você resolveu vazar na internet as fotos de Lucia comigo?

Ele não me deu tempo para responder.

— Se alguma coisa acontecer com Lucia, nem que você morra dez vezes será suficiente para pagar pelo que fez!

Abri a boca para me explicar.

— Não sei do que você está falando. Desde que cheguei em casa, eu só—

— Ainda vai negar? Lucia disse que enviou aquelas fotos apenas para você, e por engano! Nem eu tinha aquelas imagens!

Ignazio continuou, cuspindo cada palavra com raiva:

— Além disso, você conhecia a pousada onde almoçamos hoje. E estava assistindo à transmissão ao vivo. Eu vi.

Se estivesse diante dele, Ignazio provavelmente já teria me chutado e me obrigado a ajoelhar para pedir perdão a Lucia.

Foi exatamente o que aconteceu no inverno anterior, quando Lucia sentiu cólicas menstruais e pediu que eu fosse cuidar dela. Eu ainda estava debilitada por causa do aborto e mal consegui recusar quando Ignazio agarrou meus ombros e me forçou a ficar de joelhos.

Naquele dia, bati a testa contra o chão tantas vezes que fiquei coberta de sangue. Só então Lucia, chorando, disse que me perdoava.

A respiração furiosa de Ignazio ao telefone me arrancou daquela lembrança. Baixei os olhos para o caldo que restava no copo de macarrão e respondi:

— Não fui eu. Eu não tinha motivo para fazer isso.

Do outro lado da ligação, Lucia voltou a soluçar.

— Ignazio... tem alguém lá fora me observando. Estou com muito medo...

A ligação foi encerrada no mesmo instante, e permaneci sentada à mesa, entorpecida.

Como eu esperava, apenas dez minutos depois, os homens de Ignazio abriram a porta com a senha e me arrastaram para fora como se eu fosse um saco.

— Rápido! Ignazio precisa que você sirva de sombra para Lucia!

A pousada de águas termais tinha uma enorme janela panorâmica. Os homens me obrigaram a sentar diante dela, com um livro nas mãos, para que todos do lado de fora pudessem me ver.

No canto mais protegido do quarto, Ignazio consolava Lucia em voz baixa.

— Não tenha medo. Estou aqui e vou proteger você.

Ela se aninhou no peito dele, agarrando com as mãos delicadas a camisa de algodão cara e feita sob medida.

— Ignazio, eles vão me matar? Estou com tanto medo. Só de pensar nisso já dói.

— Não vão. Você está segura aqui. Prometo que nada vai acontecer com você.

Aos poucos, Lucia parou de chorar e assoou o nariz.

— Ignazio, o que seria de mim sem você?

— Não diga bobagens. Eu sempre estarei ao seu lado, até ficarmos velhos.

O som dos beijos ficou tão evidente que, por mais que eu tentasse me concentrar no livro, ainda chegava com nitidez aos meus ouvidos.

Eles continuaram assim por meia hora, parando apenas antes de ir até o fim.

— Ignazio, Stella ainda está ali. No fim das contas, ela é sua esposa. Talvez você devesse mandar alguém protegê-la.

Ignazio lançou um olhar gélido em minha direção.

— Se ela não tivesse vazado nossas fotos e nossa localização, você não estaria passando por isso. Ela merece.

Tentei voltar a atenção para o livro, mas as letras ficaram borradas diante dos meus olhos.

"Se aquilo já não deveria doer, por que eu ainda chorava?"

Eu não entendia e já não queria entender.

Não soube quanto tempo se passou. A dor acumulada e o cansaço acabaram me vencendo, e adormeci.

Quando despertei, ouvi o zumbido do sistema ecoando em meus ouvidos ao mesmo tempo que uma bofetada de Ignazio atingiu meu rosto.

— Stella, como pôde ser tão baixa? Você entrou aqui às escondidas enquanto eu dormia?

Ao me levantar depressa, forcei o ferimento no ventre e deixei escapar um gemido.

— Pare de fingir! Diga onde Lucia está!

Só então percebi que, sem saber como, eu estava no quarto.

Lucia havia desaparecido.

— Eu não sei. Só me lembro de que, ontem à noite, eu estava perto da janela...

— Chega de desculpas! Para onde você levou Lucia?
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