Share

Curioso

Author: Lya Flor
last update publish date: 2026-08-06 07:39:16

Magdalena

_ Licença... _ Murmurei tentando me afastar, mas ao passar por ele sua mão me segurou.

_ Espere! _ O toque dele foi desconfortável, e puxei bruscamente meu braço, como se estivesse queimando.

_ S-Sim?

_ Você não quer saber o meu? _ Seu tom era arrogante, carregado.

Pelo jeito que ele me perguntou, parecia até que meu ato foi de pura falta de educação.

_ Não. _ Respondi na hora, sem hesitar. _ Como eu disse, se precisar de algo é só pedir pelo interfone, se não for eu, outro funcionário estará à disposição. Com licença.

Dessa vez não esperei resposta. Passei por ele e saí pela porta o mais rápido que consegui sem correr. Meu coração batia descompassado. Não era medo… era outra coisa. Uma irritação misturada com algo quente que eu não queria nomear.

Voltei para a área de serviço da sede principal ainda sentindo o toque fantasma da mão dele no meu braço. Peguei o carrinho de roupa suja e comecei a separar os lençóis das cabanas já desocupadas. O trabalho repetitivo sempre me acalmava. Dobrar, separar, colocar na máquina. Era simples e controlável.

“Homens como ele são sempre iguais”, pensei enquanto jogava os lençóis na lavadora. Acham que o mundo inteiro existe para servi-los.

Terminei o serviço e estava guardando o último travesseiro quando ouvi passos leves atrás de mim.

_ Surpresa!!

Virei-me assustada. Era Clara, a única colega que trabalhava comigo no turno da tarde. Ela segurava um bolinho simples de chocolate com uma velinha acesa e alguns confetes coloridos na outra mão, sorrindo de orelha a orelha.

_ Eu não esqueci, viu? _ Disse ela, orgulhosa. _ Feliz aniversário, Maggie!

Por um segundo, meu peito apertou. Fazia anos que ninguém lembrava. Meus olhos arderam e eu pisquei rápido, forçando um sorriso.

_ Clara… você não precisava.

_ Claro que precisava! Come logo antes que a velinha derreta.

Eu soprei a velinha, rindo baixinho enquanto ela jogava confetes sobre mim. Alguns caíram no meu cabelo e ombros. Era uma comemoração pequena, quase boba… mas foi o suficiente para aquecer um pedacinho meu que vivia congelado.

Estávamos rindo de algo que Clara falou quando o telefone da recepção tocou. Ela atendeu, franziu a testa e olhou para mim.

_ Cabana 3 pediu um cobertor extra. Disseram que está mais frio do que esperavam.

Suspirei. Era meu trabalho.

_ Eu levo. Já terminei aqui mesmo.

Peguei um cobertor de lã macia, daqueles que os hóspedes ricos adoram, e saí pela trilha. O sol já estava baixo, pintando a floresta de tons dourados e alaranjados. Enquanto caminhava, um sorriso bobo ainda permanecia no meu rosto. Alguém tinha lembrado. Alguém tinha se importado, mesmo que fosse só um bolinho simples e confetes.

Eu me sentia… leve.

Só quando parei em frente à porta é que percebi. Cabana 3. A mais isolada. A que tinha sido reservada para o novo hóspede.

A porta se abriu antes mesmo que eu batesse.

O homem estava ali, sem camisa, apenas com uma calça de moletom preta baixa na cintura. A luz quente do interior iluminava os músculos definidos do peito e abdômen. Ele parecia ainda maior do que na cozinha.

Seus olhos desceram por mim devagar, parando nos meus ombros. Um confete rosa brilhava preso na minha blusa.

Ele estendeu a mão e, com surpreendente delicadeza, tirou o pequeno pedaço de papel colorido do meu ombro. Girou-o entre os dedos, curioso.

_ O que é isso? _ Perguntou com a voz grave e baixa.

_ Confete… _ Respondi, sentindo o rosto esquentar. _ Eu estava comemorando um aniversário.

Ele ergueu uma sobrancelha, claramente interessado.

_ De quem?

Engoli em seco. Por um momento considerei mentir. Mas para quê?

_ Meu... _ Respondi, levantando o queixo levemente. _ Hoje é meu aniversário.

_ Hum... e quantos anos você está fazendo hoje, Magdalena? _ Mais uma vez ele proferiu meu nome daquele jeito estranho.

_ Trinta e cinco... _ Murmurei

Por um segundo ele ficou em silêncio. Então um sorriso lento se abriu em seu rosto. Um sorriso largo, predatório, que deixou à mostra as presas afiadas. Seus olhos amarelos brilharam com algo perigoso, uma certa diversão misturada com fome.

_ Trinta e cinco. _ Murmurou, como se já soubesse. _ Interessante…

Ele deu um passo para o lado, abrindo mais a porta.

_ Entre, Magdalena. Você pode colocar o cobertor na minha cama pessoalmente.

Meu coração disparou. O ar entre nós pareceu engrossar. Parte de mim queria virar as costas e correr. A maneira como esse hospede se comporta é muito estranha e assustadora. Porém, eu já vi homens assim. Arrogantes e prepotentes. Porém, havia uma pequena parte que queria tentar entender qual era o problema desse maluco.

E ele continuava sorrindo, como se soubesse exatamente o que eu estava pensando.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • O Bebê Milagroso do Alpha    Epílogo / Fim

    MagdalenaO vento suave da tarde balançava as folhas das árvores, trazendo aquele cheiro gostoso de terra molhada. Eu estava sentada na varanda da mansão, tomando um chá quente e olhando a cena mais linda da minha vida.Um pouco mais à frente, no gramado, um lobo gigante de pelos castanhos estava deitado de costas. A pequena Vitória, com quatro aninhos, subia no peito dele e rindo alto enquanto tentava puxar as orelhas do pai. Ela já mostrava os primeiros sinais de ser uma lobinha, sendo muito rápida e tendo os mesmos olhos dourados do Darius.Ver os dois brincando me enchia de gratidão.Muita coisa mudou de um tempo pra cá. Coisas que trouxeram paz para a nossa vida, e nos permitem dormir tranquilos pela noite.Faz um ano que o Abraão morreu de um infarto fulminante. Saber disso me trouxe um alívio enorme no peito. Aquele homem que me deu tanto pavor finalmente não podia mais fazer mal a ninguém.Os meus pais também desistiram de me procurar. Sem o dinheiro e a influência do Abraão,

  • O Bebê Milagroso do Alpha    Ethan e Gabi

    MagdalenaA sala de jantar da mansão estava linda. A grande mesa de madeira rústica estava posta com velas acesas, pratos bonitos e arranjos de flores novinhas da reserva. O cheiro de assado e temperos caseiros vinha da cozinha, deixando o ambiente quentinho e muito acolhedor.Logo que a campainha tocou, Darius foi até a porta e eu o acompanhei com a Vitória no colo.Quando a porta se abriu, dei de cara com um homem gigante, muito parecido com o Darius no porte e na presença marcante. Aquele era o Ethan. Mas ao lado dele estava uma mulher baixinha, de cabelos escuros e um sorriso enorme e radiante no rosto. Essa era a Gabriela._ Darius, meu amigo! _ Ethan falou, com a voz grave, dando um abraço forte no Darius._ É muito bom ver você, Ethan. Engordou? _ Darius respondeu, sorrindo de verdade.Gabriela não esperou formalidades. Ela olhou para mim, abriu os braços e me deu um abraço apertado e sincero, como se a gente já se conhecesse há anos._ Ah, Maggie! Que prazer finalmente te conh

  • O Bebê Milagroso do Alpha    Família

    MagdalenaDarius me informou que hoje receberemos uma visita muito especial aqui na alcateia. Trata-se de outro Alfa, que há muito tempo é amigo de infância de Darius. Parece que esse homem encontrou a companheira dele, e Darius gostaria de dar um jantar à altura para comemorar que ambos os amigos estão vivendo suas vidas da melhor maneira possível.O clima na casa estava calmo e gostoso. Coloquei um vestido de tecido fino e leve, já que a noite estava bastante quente. Na pequena Vitória, fiz o mesmo. A garotinha riu o tempo inteiro enquanto eu tentava vestir a pequena peça de roupa nela. Vitória adora ficar sem roupa, e esses dias Darius a colocou direto na terra, mesmo sendo uma bebê ainda. A garota fez a festa, gargalhou tanto no meio do jardim que chegou a dormir de cansaço. Eu fiquei toda boba, observando a interação dos dois.Vitória já está com quatro meses, crescendo como uma criança humana normal na aparência, mas com uma força sobrenatural. O único realmente capaz de lidar c

  • O Bebê Milagroso do Alpha    Doutor..

    HelenaA estrada parecia não ter fim. O barulho do motor do carro e o balanço constante do asfalto já estavam me deixando um pouco agitada, mas a presença do Marcus ao meu lado deixava tudo surpreendentemente agradável. Ele dirigia com uma calma impressionante, com uma das mãos firmes no volante e a outra repousando bem perto da minha.Depois de três longas horas de viagem, finalmente entramos na cidade antiga dele.Era um lugar completamente diferente da nossa reserva. A paisagem de árvores altas e terra molhada dava lugar a prédios cinzentos, calçadas movimentadas e um trânsito mil vezes maior do que o da alcateia._ Chegamos! _ Disse Marcus, soltando um suspiro longo enquanto manobrava o carro para entrar na garagem subterrânea de um edifício antigo._ Finalmente! Eu já estava quase virando uma estátua nesse banco! Minha bunda até ficou amassada. _ Brinquei, me espreguiçando assim que o motor foi desligado.Subimos pelo elevador pequeno que rangeu um pouco até o quarto andar. Marcu

  • O Bebê Milagroso do Alpha    Notícias da familia

    MagdalenaO dia amanheceu bonito e tranquilo na alcateia. As flores da entrada da mansão pareciam mais vivas sob o sol fraco da manhã, e o ar trazia aquele cheiro gostoso de terra molhada. Mesmo com toda essa calma ao meu redor, o meu peito ainda continuava apertado e de certa forma aflito.Depois de tudo o que passamos, era difícil simplesmente relaxar. Por mais que o Darius me garantisse que o Abraão estava sendo monitorado de perto e que a nossa casa estava segura, uma vozinha no fundo da minha mente dizia que algo ainda podia dar errado. A sensação de que a tempestade não tinha acabado de todo não saía de mim.Para tentar distrair a cabeça e respirar um ar diferente, decidi ir até a feirinha do centro da cidade. Coloquei a pequena Vitória no carrinho bem protegido e avisei a guarda da alcateia que iria dar uma volta rápida.A feira estava movimentada e cheia de vida. Barracas coloridas vendiam frutas frescas, pães caseiros e tecidos bordados. As pessoas andavam devagar, conversand

  • O Bebê Milagroso do Alpha    Contagem regressiva

    MagdalenaOs primeiros raios de sol do amanhecer começavam a pintar o céu com tons de rosa e alaranjado, cortando a névoa fria que subia da terra úmida. Eu estava encostada no batente da janela do quarto de segurança, olhando para a direção da floresta. Não tinha conseguido pregar o olho durante a noite inteira.A pequena Vitória dormia tranquila no seu berço portátil, mas meu coração continuava acelerado, martelando no peito a cada minuto que passava sem notícias.Helena e Marcus tinham ido descansar há pouco tempo, garantindo que a mansão e o perímetro estavam calmos. Mas o silêncio da casa só aumentava a minha ansiedade. Eu apertava o ombro do meu casaco de lã contra o corpo, sentindo a brisa gelada da manhã entrar pela fresta da janela.De repente, uma onda de calor diferente atravessou o meu peito. Uma sensação quente, viva e familiar inundou os meus sentidos pelo nosso laço.Darius.Meus pés se moveram sozinhos. Saí do quarto a passos rápidos, descendo os degraus da grande escad

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status