LOGINCapítulo 4: Território Inimigo
POV: Luna Carvalho Puxei meu braço com força, desfazendo o aperto dos dedos dele. O contato físico deixou minha pele queimando, uma reação ridícula do meu corpo que me irritou ainda mais do que as palavras dele. Encarei Gabriel, recusando-me a recuar um único centímetro, o rosto dele era de uma perfeição irritante: o maxilar forte marcado por uma barba por fazer perfeitamente desenhada, os cabelos escuros e levemente ondulados desalinhados de um jeito intimidador, e aqueles olhos claros e cortantes que pareciam ler meus pensamentos mais profundos. — Eu não sou sua propriedade, Montenegro — sibilei, ajeitando a jaqueta com um movimento rápido. — E essa criança também não é. Se você acha que pode me trancar em uma redoma de vidro porque tem uma conta bancária com muitos zeros, está muito enganado. — Não brinque comigo, Luna — Gabriel deu um passo à frente, a altura dele me obscurecendo, mas mantive o queixo erguido. — Eu não me tornei o CEO da maior empresa de tecnologia deste país sendo benevolente. Você não tem a menor ideia do circo que a mídia vai fazer quando isso vazar. E vai vazar se você insistir em agir por conta própria. — O que está acontecendo aqui? — Uma voz estridente e afetada cortou o ar, interrompendo nossa discussão. Olhei em direção à porta da sala e vi uma mulher entrar sem bater. Era Valentina Alcântara. Exatamente como nas colunas de fofoca que Camila vivia me mostrando na editora, ela exalava luxo e arrogância. Vestia um vestido de grife justo e carregava uma bolsa que custava mais do que o meu salário anual. Os olhos dela herdaram uma expressão de profundo nojo ao me avaliar da cabeça aos pés. — Gabriel, amor, o que essa... essa garota está fazendo na sua sala? — Valentina caminhou até ele, entrelaçando o braço no dele com possessividade. — Os advogados disseram que era uma emergência da clínica, mas não me disseram que envolvia uma suburbana qualquer. Gabriel não se moveu, a expressão dele voltando a ser uma máscara de gelo intransponível. Ele desfez o toque de Valentina com sutil frieza, afastando-se um passo. — Valentina, este não é o momento. Espere na recepção. — Não vou esperar! — Ela cruzou os braços, batendo o salto alto no chão de mármore. — Eu sou sua noiva. Se essa garota está tentando dar um golpe da barriga em você usando aquela história ridícula do laboratório, eu tenho o direito de saber! Soltei uma risada alta, incapaz de me conter. As duas cabeças se viraram para mim de imediato. Olhei para Valentina com todo o deboche que consegui reunir. — Golpe da barriga? Olha aqui, boneca de porcelana, eu preferia estar grávida de qualquer um, menos do seu noivo controlador — dei um passo na direção dela, fazendo-a recuar instintivamente. — Eu fui a vítima de um erro médico absurdo. Se você quer segurar o seu bilionário com medo de perder a sua vida mansa, o problema é seu. Eu não quero um centavo dele. E muito menos ele. — Como você ousa falar assim comigo? — O rosto de Valentina se contraiu de fúria, as bochechas vermelhas sob a maquiagem pesada. — Gabriel, tire essa mulher daqui agora! — Chega, as duas! — a voz de Gabriel ecoou como um trovão pela sala, fazendo Valentina se calar imediatamente. Ele me encarou, os olhos faiscando com uma intensidade que quase me fez perder o fôlego. — Senhorita Luna, nós não terminamos. Você vai para o apartamento que meus advogados providenciaram. Pelo menos até a poeira baixar. — Eu vou para a minha casa — respondi, pegando minha bolsa no sofá. — E se você tentar colocar aqueles brutamontes atrás de mim de novo, eu mesma ligo para o primeiro jornalista que encontrar e conto que o grande Gabriel Montenegro não consegue controlar nem o próprio laboratório. Virei as costas e caminhei em direção à saída, sentindo o olhar dele queimando minhas costas a cada passo. Valentina ainda tentou gritar algo, mas eu bati a porta dupla de madeira com força, deixando o casal de elite para trás. O trajeto de volta para o meu apartamento foi um borrão de pura exaustão. Quando finalmente abri a porta de casa, o silêncio me atingiu como um soco. Olhei para o sofá vazio onde Rafael costumava sentar. Ele ainda não tinha ligado. Nenhuma mensagem. O homem que dizia me amar tinha me deixado sozinha no pior momento da minha vida porque o orgulho dele valia mais do que a minha palavra. Sentei-me no chão da sala, abraçando meus joelhos. Pela primeira vez no dia, uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto. Eu estava grávida. Sozinha. E sendo caçada por um bilionário implacável. Meu celular vibrou no chão. Peguei o aparelho correndo, esperando ler o nome de Rafael na tela. Mas não era ele. Era uma mensagem de texto de um número privado, contendo apenas uma foto. Aproximei o visor e meu sangue congelou. Era uma imagem minha, tirada há poucos minutos, saindo do prédio de Gabriel. Abaixo da foto, uma mensagem em letras garrafais: “Nós sabemos o seu segredo, Luna Carvalho. O bebê do bilionário vai ser a nossa maior manchete de amanhã.”Capítulo 116: A Chama Acesa POV: Luna Carvalho O peso do corpo de Gabriel sobre o meu trazia uma sensação de preenchimento que minha pele clamava há meses. A urgência com que ele despia a própria camisa de algodão, expondo o peitoral largo e os músculos tensos da barriga, fez o meu ventre contrair num aperto quente de pura ansiedade. — Você não tem ideia do quanto eu desejei este momento, Carvalho... — Gabriel rosnou contra a minha boca, os olhos verdes pegando fogo na penumbra do quarto. — Então para de falar e me toca, Gabriel — exigi num arfar necessitado, puxando o rosto dele para o meu e envolvendo o seu pescoço com os braços. Ele soltou uma risada baixa e perigosa, descendo os beijos quentes pelo meu queixo, pescoço e tórax. Quando a mão grande dele alcançou a renda do meu sutiã, desabotoando a peça com agilidade, a boca de Gabriel envolveu o bico do meu seio sensível em uma sucção lenta e deliciosa. Um gemido alto escapou da minha garganta, e eu arqueei as costas na ca
Capítulo 116: O Fogo da Espera POV: Gabriel MontenegroSeis semanas haviam se passado desde o nascimento de Helena Arthuria. A rotina na mansão finalmente encontrara um compasso suave: nossa filha dormia blocos de quatro horas no berço, forte e saudável, enquanto dona Helena e Lindalva assumiam com alegria os cuidados do final da tarde. Mas a verdadeira transformação estava diante de mim, a poucos passos da grande cama da nossa suíte.Luna estava de pé em frente à penteadeira, tirando os brincos de pérola após o jantar de comemoração do sucesso da pré-venda do seu livro. Ela usava um vestido de seda preta com alças finas que desenhava as curvas do seu corpo de forma tentadora. A gestação e a maternidade haviam deixado sua pele ainda mais vistosa, com um quadril levemente mais largo e seios fartos que me enlouqueciam a cada olhar discreto.Com a liberação médica confirmada no início da semana, a tensão acumulada de meses de abstinência e perigos velados cobrava o seu preço. Eu n
Capítulo 115: O Próprio NomePOV: Luna CarvalhoO SUV preto de Gabriel parou suavemente em frente ao suntuoso prédio espelhado da editora, no coração da Avenida Paulista. O movimento de pedestres e o ruído do trânsito do meio da tarde contrastavam com o silêncio confortável que mantínhamos dentro do carro. Marcos estacionou na vaga privativa da diretoria, enquanto Camila, que viera no banco do passageiro com a pasta de contratos, virou-se para nós no banco traseiro.— A equipe de imprensa já está reunida na sala de conferências do oitavo andar, Luna — Camila avisou, conferindo o relógio de pulso. — Temos quinze minutos antes do horário marcado.— Nós já subimos, Camila — Gabriel respondeu por mim, mantendo a mão firme entrelaçada à minha sobre o meu joelho. — Quero mostrar uma coisa para a Luna primeiro.Camila assentiu com um sorriso cúmplice, pegou as bolsas e saltou do veículo, deixando-nos a sós no interior do carro blindado.Girei o corpo no banco para encarar meu marido. G
Capítulo 114: Marcas do TempoPOV: Luna CarvalhoA manhã de quinta-feira começou com o movimento prático que há meses não experimentávamos na mansão. Às oito e meia, Camila já estava sentada comigo à mesa do café da manhã, devorando uma fatia de bolo de fubá enquanto espalhava as vias impressas do contrato da editora sobre o jogo de mesa de linho.— Você tem noção do barulho que esse lançamento vai fazer, Luna? — Camila falou com a boca meio cheia, os olhos brilhando por trás dos óculos de armação fina. — A pré-venda entra no ar na próxima segunda-feira. O departamento de marketing já montou o plano de imprensa e eles querem uma entrevista presencial com você na sede da editora às duas da tarde.Ajeitei Helena no colo, trocando o lado da amamentação antes de olhar para as páginas do documento. Ver meu nome impresso no topo do cabeçalho de uma das maiores casas editoriais do país trazia um alívio imenso.— Eu nem sei como agradecer por você ter segurado as pontas do meu projeto no
Capítulo 113: A Força da TerraPOV: Luna CarvalhoO fim de tarde na mansão trazia um tom de dourado suave que atravessava as venezianas da biblioteca, cobrindo as estantes de madeira escura com uma luz quente e serena. Três dias haviam se passado desde a tentativa fracassada de Maurício de arranhar a reputação da holding com a falsa auditoria. Como Gabriel previra, o juiz indeferira o pedido por falta absoluta de provas, condenando a bancada do meu tio-torto por litigância de má-fé e selando, de uma vez por todas, o encerramento daquele pesadelo corporativo.Eu estava sentada no divã de veludo verde, com o notebook apoiado nos joelhos e uma xícara de chá fumegante sobre a mesa lateral. Após semanas focada apenas nas tempestades da família, voltar a olhar para as linhas do meu novo romance trazia uma sensação profunda de reconexão comigo mesma.O som de passos calmos no corredor anunciou a chegada de dona Helena. Minha sogra trazia a pequena Helena no colo, aninhada em uma manta br
Capítulo 112: O Último Golpe do XadrezPOV: Gabriel MontenegroO som do telefone fixo parecia ecoar nas paredes da suíte como o estalo seco de uma ruptura. Mantive o aparelho junto ao ouvido, sentindo o maxilar travar em uma linha rígida enquanto a voz de Felipe continuava do outro lado da linha, denotando a gravidade técnica do que acabara de ser protocolado.— Eles usaram uma brecha obscura na lei de sociedades anônimas, Gabriel — Felipe explicou, com o tom de quem avaliava um estrago milimetricamente calculado. — O Maurício assinou a petição de dissolução parcial de ativos e pedido de auditoria geral dos últimos dez anos antes de cruzar a fronteira. Oficialmente, é uma manobra vexatória e sem fundamento legal sólido, mas o juiz de plantão foi obrigado a acionar o protocolo inicial de verificação contábil devido ao volume de capital envolvido na holding.— Isso é um blefe de desespero — respondi, com a voz grave e gélida que cortava o silêncio do quarto. — O meu tio sabe perfeit







