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Capítulo 4 - A casa do lago

Autor: Mai Maia
last update Data de publicação: 2026-08-21 06:27:42

Darían parecia meio pensativo, como se alguma coisa estivesse ocupando sua mente.

— Você está meio pensativo... E se adivinhasse? Foi porque pensei em pedir demissão, já que você disse que eu ia te abandonar?

— Não, Leonor.

— Então, o que foi?

— Coisa de família. Estou só pensativo.

— Entendo.

Olhei novamente ao redor.

— E essa casa? Por que você me trouxe para cá? E o seu apartamento? Eu poderia ficar lá. Ou você queria apenas se mostrar para mim?

Falei rindo.

Ele sorriu de canto.

— Incrível você achar que eu ia tentar te impressionar com isso.

A voz dele ficou mais grave, e eu engoli em seco.

Então o desafiei:

— Você me impressionaria com o quê, então?

— Você precisa assistir a uma reunião feita por mim.

— O quê?

Falei sem querer, e minha expressão de decepção ficou evidente. Ele percebeu.

E eu não sabia por que tinha feito aquela cara.

*Preciso me controlar. Não sei o que está acontecendo comigo.*

*Aquele menino com cara de anjo agora não parecia mais tão meigo. Parecia mais um caçador do que um príncipe.*

— Parece que você não gostou muito, Leonor.

— O quê? Eu estava apenas pensando no quanto uma reunião com a sua apresentação poderia ser um tédio.

— Está enganada, querida...Leonor.

— Querida?! — repeti, encarando-o. — Como assim, Darían? Só porque cuidou de mim? Ou está com pena?

Ele ergueu os olhos rapidamente.

— Não é nada disso, Leonor.

— Então o que é?

Por um instante, nossos olhares se encontraram. Darían pareceu prestes a dizer alguma coisa, mas desistiu. Passou a mão pelos cabelos e desviou o rosto.

— Esquece.

— Esquecer? Você me chama de *querida* e depois manda eu esquecer?

Ele soltou um suspiro baixo.

— Leonor...

— Não, agora você vai me explicar. — Cruzei os braços. — Porque, até onde eu sei, você nunca me chamou assim.

Darían ficou em silêncio.

A expressão dele mudou. O sorriso havia desaparecido completamente, dando lugar a algo que eu não conseguia decifrar.

*Tem alguma coisa incomodando ele.*

— Darían, me fala. O que foi?

Ele me olhou novamente. Por alguns segundos, parecia travar uma luta consigo mesmo.

— Não estou a fim de falar no momento.

— Está bem.

Tentei esconder a decepção na minha voz.

Mas, por alguma razão, aquilo me incomodou mais do que deveria. Talvez porque Darían sempre tivesse sido meu amigo. E amigos não deveriam guardar segredos um do outro. Ou, pelo menos, era isso que eu sempre pensei.

—Está ficando tarde, Leonor! É melhor eu mandar alguém deixar você em casa...

—Não precisa, Darían. Eu peço um Uber ou um Táxi.

— Mas é claro que não. Vou chamar o Xavier!

Darían permaneceu em silêncio por alguns instantes, como se estivesse tentando decidir até onde poderia me contar.

— Olha, sobre o que está acontecendo comigo. É...ainda estou tentando resolver algumas coisas. Se você pudesse me salvar... talvez eu falaria para você. Caso eu me sinta à vontade.

Franzi a testa.

— Desde quando temos segredos assim?

Ele desviou o olhar por um instante antes de voltar a me encarar.

— Leonor, eu sei que você também esconde coisas de mim, está bem? Eu tenho meus motivos para não falar agora.

As palavras dele me atingiram de uma forma que eu não esperava.

— Nossa... essa magoou, Darían.

Ele ficou em silêncio.

— Talvez eu tenha segredos — continuei. — E você tenha os seus. Mas eu sei que, quando precisar de ajuda, você vai estar lá para me ajudar.

A expressão dele suavizou.

— Nossa amizade de infância... os negócios das nossas famílias... todos esses laços entre nós são bem... interessantes.

Inclinei a cabeça, tentando entender o que ele realmente queria dizer.

Mas, antes que eu pudesse perguntar, olhei para o relógio.

— Darían, já são nove da noite!

Levantei-me do sofá em um susto.

— Preciso ir!

Passei a mão pelos cabelos.

— Nossa, perdi completamente a noção da hora. E o meu carro ficou na empresa??

— Vou mandar alguém deixar você. E, pela manhã, seu carro estará na sua casa.

— Não precisava de tanto...

— Leonor.

Apenas uma palavra.

Mas foi suficiente para que eu me calasse.

Sorri.

— Tudo bem. Obrigada.

Aproximei-me e o abracei.

Por alguns segundos, percebi que havia alguma coisa estranha entre nós.

Ficamos meio constrangidos.

Mas por quê?

Somos amigos há tanto tempo.

Afastei-me devagar e fiquei pensativa.

Por que um simples abraço parecia tão diferente agora?

Sorri novamente e, antes que pudesse pensar demais, voltei a olhar para ele.

Então o abracei mais uma vez.

Desta vez, Darían pareceu surpreso.

Mas logo sorriu e retribuiu o abraço, envolvendo-me em seus braços.

E, por alguns segundos, eu simplesmente esqueci que precisava ir embora.

Por alguns segundos, esqueci completamente que precisava ir embora.

Quando finalmente saímos da casa, um homem nos esperava do lado de fora.

Darían fez um gesto em sua direção.

— Esse é o meu motorista de confiança, Rodolfo Xavier.

— Oi, senhor Xavier.

— Oi, senhorita Leonor. Vamos?

— Sim, claro. Vamos.

Entrei no carro e, durante todo o caminho, fiquei perdida em meus próprios pensamentos.

Eu poderia ter abraçado Darían mais vezes.

Nós nos conhecíamos havia tanto tempo.

Será que, em todos esses anos, chegamos a dar mais de dez abraços um no outro?

Eu nem conseguia me lembrar.

Foi então que a voz do senhor Xavier interrompeu meus pensamentos.

— A senhorita deve ser muito querida pela família... e pelo Darían.

Olhei para ele pelo retrovisor.

— Por quê?

— Ele ficou muito preocupado com o seu desmaio. E aquela casa do lago... fazia um bom tempo que ele não ia até lá. Também não levava ninguém para aquele lugar há muito tempo.

Meu coração pareceu parar por um segundo.

— Sério?

— Sim.

Ele pareceu perceber que talvez tivesse falado demais.

— Me desculpe se passei dos limites, senhorita Leonor. Não queria incomodá-la.

Balancei a cabeça.

— Está tudo bem, senhor Xavier.

Mas, depois daquela conversa, fiquei ainda mais pensativa.

Então, por que Darían havia me levado justamente para aquela casa?

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