INICIAR SESIÓNCheguei em casa, mas não conseguia parar de pensar em Darían.
No abraço. No braço dele ao meu redor. E, principalmente, no coração acelerado que senti quando estava tão perto dele. Eu só queria ficar mais um pouco ao lado de Darían. Talvez abraçá-lo novamente... e não desgrudar mais dele. O coração dele batendo forte quando me segurou ao escorregar. Naquele momento, tudo o que eu queria era beijá-lo. E o abraço dele... aquele abraço que me fez arrepiar. O cuidado que teve comigo. O jeito como me chamou de querida. A forma como conseguiu me fazer sorrir e, ao mesmo tempo, ficar completamente nervosa. *Seria normal sentir tudo isso?* Com certeza, eu não estava bem. *Estou pensando demais.* Mas, então, outra pergunta surgiu em minha mente. *Será que estou apaixonada?* Ou pior... *Será que sempre fui e apenas guardei esse sentimento dentro de mim? Será que passei todos esses anos tentando escondê-lo, reprimindo algo que nunca tive coragem de admitir?* *Por que tudo isso estava mexendo tanto comigo?* Até então, eu achava que era comum Darían ir àquela casa do lago. Afinal, aquele lugar pertencia à família dele. Mas, depois do que o senhor Xavier me contou, comecei a enxergar tudo de outra forma. *Fazia tanto tempo que Darían não ia até lá...* Darían agora tinha trinta e oito anos. Vinte anos haviam se passado desde o acidente. Ele tinha apenas dezoito quando sua primeira namorada sofreu um grave acidente de carro. A casa do lago era um dos lugares preferidos da família dele. Então, por que ficou abandonada durante tanto tempo? Será que mais alguém anda por lá?? Tentei juntar as peças na minha cabeça. Darían estava com ela no acidente.* Meu coração apertou. Será que os dois estavam sozinhos naquela casa antes de tudo acontecer? Será que saíram de lá juntos e, depois, aconteceu o acidente? Olhei para o teto, completamente perdida em meus pensamentos. Naquele mesmo ano, começaram a surgir rumores de que Darían estava namorando Isabel. Foi justamente nessa época que minha mãe me mandou fazer um curso de Arquitetura e Urbanismo no Chile. Ela dizia que seria bom para a minha carreira e que eu estava ansiosa para conhecer outro país. Mas, pensando agora, parecia haver algo mais. Mais do que apenas o curso. Minha mãe estava nervosa. Preocupada demais. Na época, achei que era um exagero. *Afinal, era só um curso. Por que tanta importância?* Agora, porém, uma dúvida começou a tomar conta de mim. *Ou a verdadeira importância era me tirar daqui?* *Me afastar de Darían?* Enquanto eu estava presa em outro país, não poderia ajudá-lo em nada. E, depois do acidente, fui proibida de vê-lo. Minha mãe me obrigou a permanecer mais um ano no Chile sem direito a visitas de familiares. Depois, voltei ao Brasil. Mas logo tive que voltar para lá. Na época, não entendi o motivo. Mas agora, olhando para o teto e tentando juntar todas aquelas lembranças, uma sensação estranha tomou conta de mim. *Talvez aquele curso nunca tivesse sido apenas sobre a minha carreira.* Havia alguma coisa naquela história que eu não sabia. Algo que ninguém nunca me contou. Não era só Isabel... Amélia também o amava? Ou será que ela era apaixonada por ele... ou pela riqueza da família? Eu sabia que Isabel o amava de verdade. Desde que éramos adolescentes, ela era apaixonada por Darían. Lembro-me das cartinhas que escrevia para ele, sempre com cuidado, mas que nunca teve coragem de entregar. E eu escondia o que sentia. Escondia porque não queria magoá-la. Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Era um choro de angústia. De arrependimento. *Por que eu nunca consegui contar a ela?* Por que escondi até de mim mesma que aqueles eram os meus dias preferidos? Os finais de semana em que Darían e eu saíamos para andar de bicicleta. Era apenas um passeio simples. Mas éramos tão felizes. Naquela época, eu não precisava de nada além daqueles momentos ao lado dele. Por que demorei tanto para perceber? Levei as mãos ao rosto enquanto as lágrimas continuavam a cair. — Me perdoa, Isabel... Minha voz saiu quase como um sussurro. — Me perdoa por não ter tido a coragem que você teve de dizer que o amava. Talvez você tenha sido mais corajosa do que eu. Porque, enquanto você tentava encontrar uma maneira de contar o que sentia, eu escondia o meu sentimento de todos. Até de mim mesma. Mas o que será que aconteceu? O que a Casa do lago esconde? O que ele esconde de mim? E, pela primeira vez, comecei a me perguntar se a casa do lago guardava muito mais do que apenas lembranças. Talvez ela guardasse uma dor que Darían nunca conseguiu superar. Por que não me explica? Fiquei olhando para o teto, tentando encontrar alguma resposta para aquelas perguntas que não paravam de surgir na minha cabeça. Naquele mês do acidente, chovia muito por aqui. Os rios e açudes transbordaram tanto que chegaram a inundar algumas casas. Um calafrio percorreu meu corpo. Senti uma tristeza profunda só de lembrar como aquele dia tinha sido horrível. E eu não estava aqui... Peguei uma xícara de chá de camomila e me acomodei no sofá. Pouco tempo depois, acabei pegando no sono. Na manhã seguinte, precisava me arrumar cedo. Eu tinha algumas coisas para resolver na minha empresa, a *Pérola Negra – Cosméticos*. Seria apenas uma passada rápida por lá. Depois, iria até a empresa de arquitetura *Montenegro*, da minha mãe, para entregar alguns designs. Provavelmente só teria tempo de voltar para casa, almoçar, tomar um banho e seguir para a empresa do Darían. Olhei para o relógio. **3h30.** — Nossa... quem iria me ligar a uma hora dessas? Ainda sonolenta, mal conseguia enxergar a tela do celular. Atendi sem nem olhar direito para o número. Então ouvi aquela voz. — Leonor? Meu coração despertou na mesma hora. — Darían? — Me desculpa por ligar a essa hora. Mas acho melhor você tirar um dia de folga... ou até três. Pegue um atestado e deixe diretamente no RH. Franzi a testa. — Darían, você dormiu? Está me ligando a uma hora dessas? — Eu já pedi desculpas. — Eu tenho o costume de acordar cedo. Mas hoje não era o dia, senhor Diretor Executivo. Minha voz saiu mais ríspida do que eu pretendia. — E está tudo bem. Eu vou trabalhar hoje. E detesto atestado. Não estou doente. Estou bem. Houve alguns segundos de silêncio do outro lado. — Leonor, tudo bem. Problema seu. E desligou. Fiquei olhando para o celular, completamente surpresa. — Nossa... Pisquei algumas vezes. — Será que eu fui tão grossa assim? Ele ficou chateado? Devo pedir desculpas?Começo a digitar uma resposta para tranquilizá-la. “Está tudo bem, mãe. Eu só tirei uns dias de folga da Titanium porque já tinha adiantado algumas coisas. Mas hoje preciso passar na empresa Montenegro para acompanhar a questão dos orçamentos do Projeto Marisol. Como o projeto vai se estender pelos próximos seis meses, precisamos continuar avaliando os custos e fazendo os ajustes necessários ao longo desse período. Paro por um instante antes de continuar: “Depois, vou para a minha empresa. Também tenho algumas coisas para resolver por lá e um trabalho que preciso finalizar. Então meu dia vai ser um pouco corrido, mas está tudo bem. Não precisa se preocupar comigo.” Ela me manda outra mensagem. **Mãe:** “Tudo bem, filha. Quero lhe ver logo. Posso ir ao seu apartamento?” Sorrio ao ler. **Eu:** “Pode, mãe. Eu já estou indo para a empresa.” Poucos segundos depois, ela responde: **Mãe:** “Ah, então nos vemos lá.” Coloco o celular sobre a cama e me levanto. Vou t
Depois do passeio, decidimos parar em um restaurante antes de voltar para a Casa do Lago. Ainda estava com a sensação agradável daquela tarde. O passeio de bicicleta, o sorvete, as risadas... por algumas horas, eu havia conseguido esquecer todos os problemas. No restaurante, a música “Se lembra coração” na voz de Lucy Alves e Waldonys, começa a tocar. Algumas pessoas se levantam e começam a dançar, deixando o ambiente ainda mais leve e descontraído. Darían olha para mim e sorri. — Quer dançar, Leonor? Olho para ele, um pouco surpresa. — Eu não danço muito bem. Ele arqueia uma sobrancelha, divertido. — Está tímida? — Não estou. Ele estende a mão para mim. Por alguns segundos, fico apenas olhando para aquela mão, como se aceitar significasse atravessar uma fronteira invisível. Então, sorrio e seguro sua mão. Darían me conduz até o espaço onde algumas pessoas dançavam. Coloco uma das mãos em seu ombro, enquanto ele segura delicadamente a minha cintura. Começamos
Por alguns segundos, nenhum de nós fala. — O que foi? — pergunto. — Nada. — Então por que está me olhando desse jeito? Ele sorri de canto. — Porque você fica bonita quando tenta fingir que não está nervosa. Sinto meu rosto esquentar. — Eu não estou nervosa. — Não? — Não. Ele dá um pequeno passo para trás. — Então olha para mim e repete. Encaro seus olhos. Tento falar, mas as palavras não saem. Darían sorri. — Foi o que pensei. — Você é muito convencido. — E você gosta de me provocar. — Talvez. — Talvez? Ele se aproxima novamente, mas para antes de chegar perto demais. Meu coração dispara. — Darían... — O quê? — Você não deveria estar cozinhando? Ele olha para a cozinha. — Deveria. — Então vá. Ele ri. — Está bem. Começa a se afastar, mas antes de voltar para o fogão, olha novamente para mim. — Só uma coisa. — O quê? — Se continuar me olhando assim, o almoço vai demorar. Fico sem resposta. Ele volta para a cozinha.
Baixo os olhos para o livro. — Melhor continuar cozinhando. — Está tentando fugir da conversa? — Estou tentando ler. — E está conseguindo? Olho para a mesma página. — Não muito. Ele solta uma risada baixa. Alguns minutos depois, Darían se aproxima para pegar alguma coisa na mesa ao meu lado. — Quer experimentar? — Agora? — Só um pouco. Ele se inclina e me oferece uma pequena porção. Provo. — Está muito bom. — Eu disse. — Não fique convencido. — Difícil, depois desse elogio. Ele permanece ali, perto demais. Levanto os olhos e encontro os dele. Quando chegamos ao quarto, Darían me colocou cuidadosamente sobre a cama. Ele se sentou ao meu lado. Olhei para ele. — Obrigada por ficar ao meu lado. Ele segurou minha mão. — Eu prometi que não deixaria você sozinha. E…obrigada por ficar comigo aqui. Fiquei em silêncio. Naquela noite, deixamos de lado as perguntas, os segredos e o medo. Ficamos juntos, tentando aproveitar aquela pequena tré
Darían ficou em silêncio por alguns segundos. Então, tirou o celular do bolso e abriu uma mensagem. — Recebi isso ontem. Ele virou a tela para mim. Era uma fotografia. Minha respiração parou. Era uma foto minha saindo da empresa. — Quem tirou essa foto? — Não sei. Darían passou para a próxima imagem. Eu aparecia entrando no meu carro. Depois, outra. Eu estava diante do prédio onde morava. Senti um arrepio. — Darían... — Essas fotos foram tiradas nos últimos três dias. Olhei para ele, assustada. — E você acha que foi Armando? — Eu não sei. Mas hoje recebi uma mensagem de um número desconhecido. Ele me mostrou a tela. Havia apenas uma frase: “Se afaste da Leonor e das investigações, ou ela será a próxima.” Meu coração disparou. — Meu Deus... — Foi por isso que tentei me afastar de você. — Isso não significa que foi Armando. — Não. Mas tem uma coisa que me preocupa. — O quê? Darían aproximou o celular do meu rosto. Abaixo da mensa
O copo parou no meio do caminho. O sorriso desapareceu do meu rosto. Darían percebeu imediatamente. Seu olhar mudou. Ele se levantou devagar. — Leonor? Não consegui responder. A mão continuava sobre meu ombro. Senti um arrepio percorrer minha nuca. Quem estava atrás de mim? Darían deu um passo na minha direção. — Tire a mão dela. A voz dele estava baixa. Firme. Perigosa. A mão se afastou lentamente. Eu ainda não conseguia me mexer. Então ouvi uma voz atrás de mim: — Desculpe, Leonor... Meu coração disparou. Aquela voz... Eu conhecia. Virei-me devagar. E, naquele instante, senti todo o álcool desaparecer do meu corpo. Era Armando. Ele me encarou com um sorriso tranquilo demais para alguém que acabara de me assustar. — Te assustei, Leonor? Peço desculpas novamente. Eu não consegui responder. Darían se colocou imediatamente entre nós. — O que você está fazendo aqui, Armando? Ele não respondeu de imediato. Apenas olhou para nós d







