FAZER LOGINValentina entrou na cozinha sem fazer barulho.
Naquela manhã, não queria encontrar ninguém. Muito menos Robert. Desde que havia chegado àquela casa, parecia que todos sabiam alguma coisa sobre sua vida que ela mesma não conseguia compreender. Os funcionários a observavam. Os seguranças a acompanhavam com os olhos. Suzana fazia questão de lembrá-la, de uma forma ou de outra, de que aquele lugar tinha regrA porta se fechou atrás de Luigi. Valentina permaneceu no chão. Por alguns segundos, não conseguiu se mover. Seu corpo tremia. A mão permanecia sobre a face, onde a dor ainda pulsava. Ela respirava rápido, tentando controlar o choro, quando ouviu passos. — Valentina? Era Virgínia. A senhora entrou e imediatamente parou. — Meu Deus! Correu até ela. — O que aconteceu? Virgínia se abaixou e ajudou Valentina a se levantar. — Foi ele... Sua voz saiu trêmula. Valentina assentiu. — Nós discutimos. Ela respirou fundo. — Ele me bateu. Virgínia ficou horrorizada. — Ele fez o quê? — Eu também bati nele primeiro. Virgínia fechou os olhos por um instante. — Valentina... — Eu não aguentava mais. — Você não pode fazer isso. Valentina olhou para ela, incrédula. — Ele me chamou de vagabunda. — Eu sei que ele errou. Virgínia segurou os braços dela. — Mas você precisa entender onde está. — Eu estou sendo sequestrada! — Eu sei. — Então como você quer que eu fique quieta?
Luigi Moretti era o tipo de homem que fazia as pessoas abrirem espaço quando caminhava. Alto, forte, ombros largos e cabelos acobreados que contrastavam com os olhos azuis, quase claros demais para alguém com uma presença tão sombria. Era bonito. Muito bonito. Mas havia algo em seu olhar que anulava completamente qualquer traço de inocência que sua aparência pudesse sugerir. Havia maldade ali. Uma maldade fria, calculada. E Valentina sentiu isso no mesmo instante em que seus olhos encontraram os dele. — Virgínia — disse Luigi. A senhora se aproximou. — Sim, senhor? — Saia por um instante. Valentina imediatamente segurou o braço de Virgínia. — Não. Virgínia olhou para ela. — Valentina... — Não quero ficar sozinha com ele. Luigi arqueou uma sobrancelha. — Eu apenas preciso conversar com ela. — Tenho ordens expressas para não sair do lado dela — respondeu Virgínia. Luigi deu um passo à frente. — E eu estou lhe dando uma ordem... agora. Virgínia abaixou a cabeça. —
Um dos homens de Matteo conseguiu alcançar o caminhão e abriu fogo. Robert foi atingido de raspão no braço. Ele olhou para o próprio sangue. Depois ergueu os olhos. Sua expressão havia mudado. — Acabou. Robert começou a avançar. Luigi segurou seu braço. — Não! — Solte. — Não vale a pena! — Eles levaram minha carga. — Nós conseguimos outra! Robert encarou Matteo. — Não é pela carga. Luigi entendeu. Era pela guerra. Era pelo desafio. Era por Valentina. Matteo percebeu que Robert estava se aproximando. — Eu vou encontrá-la. Robert parou.
Luigi entrou no escritório sem bater. Robert levantou os olhos dos documentos espalhados sobre a mesa. — Fale. Luigi fechou a porta atrás de si. — Descobri quem estava passando as informações. Robert se recostou na cadeira. — O gerente? Isso eu já resolvi. — Ele estava envolvido, mas não estava sozinho. O silêncio tomou o escritório. Robert juntou as mãos diante do rosto. — Continue. — Matteo ainda possui informações sobre algumas das nossas transações. Os olhos de Robert se estreitaram. — Isso é impossível. — Eu também pensei. Luigi colocou alguns papéis sobre a mesa. — Mas, durante anos, ele foi seu amigo. Seu sócio. Participou d
— O que você está fazendo? Valentina quastionou enquanto pegava timidadmente a colher ao chao. . Robert estava encostado no batente da porta. Ela levou a mão ao peito. — Você me assustou. Robert não respondeu. Seus olhos percorreram a cozinha antes de voltarem para ela. Percorreram todo o corpo da mulher sem nenhuma discrição. — O que está fazendo? Valentina olhou para a panela. — Jantar. — Para quem? Ela franziu a testa. — Para mim. Robert permaneceu parado. O cheiro chegou novamente até ele. Era delicioso. Algo simples, mas que despertava uma lembrança antiga, enterrada em algum lugar que ele raramente permitia que alguém alcanç
A água corria sobre as mãos de Robert. Vermelha no início. Depois transparente. Ele permaneceu diante da pia por alguns segundos, esfregando os dedos com uma calma quase perturbadora. Atrás dele, Luigi observava em silêncio. Não era a primeira vez que via o irmão fazer aquilo. Mas era a segunda vez que acontecia por causa dela. — Você foi longe demais. Robert continuou lavando as mãos. — Não sei do que está falando. Luigi soltou uma risada sem humor. — Sabe, sim. Robert fechou a torneira. Pegou uma toalha e secou as mãos lentamente. — Aquele homem machucou Valentina. — E você o matou. Robert levantou os olhos. — Ele colocou a mão nela. — Foi um acidente durante uma evacuação! Você o executou.







