Mag-log inVerônica mesmo depois de dias morando ali não reencontrou Carlos, talvez por ele não ter motivos para frequentar a ala dos empregados, o que a deixava triste por saber que ele sequer perguntava por ela, ou como estava a gravidez, acabando com a ilusão que ela tinha de um dia ele passar a ter sentimentos por ela, principalmente por ela estar carregando um filho dele no ventre. Suas consultas médicas eram isoladas, marcadas por ela mesma, com a preocupação de sua bebê nascer saudável. Moisés, o motorista, era quem a levava, e geralmente fazia toda a viagem em silêncio. As empregadas geralmente não lhes dirigiam a palavra, mas nunca a trataram com desprezo ou desrespeito, talvez conscientes de que aquela jovem sem qualquer vaidade era, no papel, a esposa do patrão. Maria era aquela que a tratava bem, que geralmente perdia algumas horas do seu dia para conversar com ela. Perguntando sobre os chutes na barriga, o avanço da gravidez e se certificando de que nada faltasse à jovem mãe.
Encurralada pelo desespero e com o tempo correndo contra si, Verônica viu apenas uma saída, teria que procurar Carlos. Teria que enfrentar o seu ódio, pois ele era sua única esperança. Desesperada, ela segue até a empresa de Carlos e com astúcia consegue chegar até o andar onde estava localizado o seu escritório, precisava reconhecer que agiu feito uma criminosa, se escondendo aqui e ali, mas ela não iria embora sem falar com ele. Ao invadir o escritório de Carlos, Verônica tinha plena consciência de que ele não tinha a menor obrigação de acreditar em suas palavras, muito menos de assumir a criança que carregava no ventre. Ainda assim, era sua única chance de se ver livre do inferno que o pai insistia em colocá-la. O ultimato em sua mente era claro e definitivo: ou ele aceitava aquele fardo, ou ela preferiria abraçar a morte a se submeter ao toque de um desconhecido e ser forçada a carregar a mentira de que o filho era dele. Pensou ser impossível sair daquela sala vitoriosa, p
A noite para Verônica foi perfeita, as poucas horas que dormiu foi pensando que gostaria que fosse Carlos a ganhá-la em uma mesa de jogo, já que não seria nada ruim tê-lo como marido, mas a sua realidade era outra e só lhe restava guardar aquela noite na memória. Se Verônica pensava que ser entregue a um desconhecido para pagar as dívidas de jogo do próprio pai era o seu pior pesadelo, é porque ela ainda não conhecia a total ausência de escrúpulos do homem que a gerou. Ela não queria muito, queria apenas ser dona de si mesma por uma única noite. Mas ele demonstrou querer que ela se arrependesse de sua coragem de desafiá-lo. Entregar a sua virgindade a Carlos foi seu único ato de rebeldia, em uma tentativa desesperada de guardar uma lembrança boa antes de ser jogada nos braços de um estranho qualquer, que a tomaria por mulher sem nenhum remorso. Verônica aquela noite dormiu como nunca antes em sua vida, nua, nos braços de um homem que ela praticamente não conhecia. Acordada, ten
Verônica respirou fundo, engolindo o medo e com uma coragem que pensou não ter, ela caminhou até o bar. Posicionando-se ao lado de Carlos, pede uma bebida. — Olá! — Ela precisava puxar assunto e foi exatamente isso que ela fez — Não imaginei te encontrar aqui — disse com a voz baixa, mas firme o suficiente para cortar o ruído da música. — Por que não? — A pergunta a deixa sem resposta por alguns instantes, já que ela tinha certeza de que ele estaria presente por ser o irmão dele o dono da boate. — Você é muito sério — Verônica respondeu aquilo que lhe veio a cabeça. A resposta foi curta e ela torceu para que ele dissesse algo. — Ponha tudo o que ela consumir na minha conta — Verônica o olha, mas nada diz, apenas lhe sorri sabendo que estava se saindo bem em sua performance de uma jovem com mais idade.— Não vai me apresentar a sua amiga? Ao ser apresentada a Matheus, Verônica percebe uma personalidade diferente, Matheus a devorou com os olhos a fazendo se sentir nua na fre
Aquele parecia ser o seu pior pesadelo. Verônica pensa em uma história parecida que aconteceu no passado e sente vontade de gritar, dizendo que com ela seria diferente, pois não iria ser levada por um velho viciado em jogo. Quando o pai sai do quarto, ela permite que as lágrimas molhem o seu rosto. Conhecia o pai que tinha. Sabia que tudo aquilo era na verdade o pagamento de uma dívida de jogo que ele jamais conseguiria quitar. O desespero subiu por sua garganta, sufocando como se fosse matá-la. Ela se olha no espelho, o reflexo devolvia a imagem de uma menina jovem demais para o peso do mundo, mas com os olhos cheios de uma determinação dolorosa. Se iam roubar o seu futuro, ela mesma escolheria o que fazer com o seu presente. Determinada a não entregar o que tinha de mais valioso para uma pessoa qualquer, Verônica se deita com uma única certeza, de escolher ela mesma a quem se entregar. Com as mãos trêmulas, ela liga para a única pessoa que dizia ser sua amiga, uma das copeiras
Verônica torcia para que o pai estivesse tão ocupado, ao ponto dele não poder cumprir o que havia dito. Preferia a fúria da água fria na pele, o açoite do vento e os sapatos ensopados a ter que participar de qualquer plano obscuro de Coutrin, mesmo que ainda não soubesse o tamanho daquela sujeira. Para o seu azar Coutrin já a esperava com o sedã importado do patrão. Verônica já havia recebido Carona do pai, mas aquela era a primeira vez que sentia o peso no ar, era físico, era preocupante, ela sentia-se, não como uma filha recebendo um favor, mas como uma peça de xadrez sendo movida à força em um tabuleiro de interesses sórdidos. Quando Verônica abriu a porta do passageiro, sentando-se no banco da frente e o seu olhar cruzou, pelo retrovisor, com um par de olhos verdes, atentos no banco de trás. Eram olhos afiados, que pareciam ler sua alma. O impacto daquela intensidade a fez desviar o rosto imediatamente, baixando a cabeça, murmurando um boa noite inaudível. O cheiro de carr







