MasukCapítulo 140 — Ponto de RupturaJonathan RhodesO eco do estrondo na porta ainda vibrava no ar quando fiz um gesto firme com a mão para que minha mãe permanecesse no sofá. Ela tremia da cabeça aos pés, encolhida contra o linho cru, os olhos arregalados de pânico.Caminhei em direção à entrada com passos pesados e cadenciados. Cada músculo do meu corpo estava em prontidão, o sangue correndo nas minhas veias em pura lava incandescente. Girei a trava eletrônica e abri a porta dupla de carvalho com lentidão deliberada.Plantei-me no centro do vão feito uma muralha intransponível.Mason estava no hall privativo, a poucos palmos de distância. O sobretudo sob medida estava aberto, a gravata ligeiramente frouxa e a fisionomia contorcida em pura cólera desgovernada. O cheiro acre de charuto e uísque envelhecido emanava dos poros dele como veneno.— Saia da minha frente, Jonathan! — o velho rosnou, dando um passo agressivo para tentar forçar a passagem. — Ela é minha mulher. Naomi, recolha suas
Capítulo 139 — Últimas AmarrasJonathan RhodesA porta dupla de carvalho ainda vibrava sob os meus dedos quando o choque me paralisou por uma fração de segundo. Diante de mim, sob a luz fria do hall privativo, minha mãe parecia um espectro encolhido. Naomi vestia um sobretudo de lã escura mal abotoado, as mãos trêmulas segurando uma bolsa de couro contra o peito e os cabelos louros presos em um coque frouxo e desfeito.— Jon... — a voz dela saiu em um fiapo quebrado, as lágrimas caindo sem controle pelas bochechas pálidas. — Eu... eu posso ficar aqui? Só por esta noite, por favor?Eu não respondi com palavras. Dei um passo à frente, segurei seu braço com firmeza e a puxei para dentro da cobertura, trancando a fechadura eletrônica com um clique seco.Estendi a mão para a parede lateral e acendi a arandela de luz quente do hall.O ar sumiu dos meus pulmões com a violência de um golpe no estômago.A claridade expôs o que as sombras tentavam esconder. Na maçã do rosto esquerdo de Naomi, u
Capítulo 138 — Eu Serei a Muralha Jonathan RhodesOlhar nos olhos cinzentos de Brianna no salão do The Plaza não despertou em mim nada além de asco e náusea fria. Durante anos, o peso daquele desfecho quase trágico do episódio da faculdade me assombrou, mas encarar aquela mulher emperequetada em joias de brilhantes e casada por conveniência me trouxe uma certeza libertadora: eu nunca a amei. O que senti no passado foi a ilusão imatura de um jovem solitário, que não chegava nem aos pés do amor visceral, avassalador e real que Alice despertou em mim.Fazer questão de apresentar Alice como a minha esposa e assistir à frieza cortante com que ela rebateu as insinuações de Brianna foi um espetáculo à parte. Alice não baixava a cabeça. Ela brilhava por mérito próprio, ao contrário da outra, que precisava de um marido decrépito a tiracolo para se sentir relevante.Subir ao palco minutos depois para receber o troféu de liderança corporativa teve um gosto totalmente novo. Dedicar o prêmio a Al
Capítulo 137 — Jogo BaixoAlice CarsonA tranca da porta do banheiro feminino estalou com um som metálico que reverberou pelas paredes de mármore branco. Enxuguei as mãos com uma toalha de papel com deliberada calma, sem demonstrar o menor sobressalto. Pelo espelho bisotado, encarei o reflexo de Brianna encostada contra o batente de madeira maciça.— Perdeu alguma coisa aqui dentro ou seu marido cansou de bancar o chaveiro de luxo tão cedo? — perguntei, virando-me de frente e apoiando o quadril na bancada, com os braços cruzados.Brianna deu dois passos lentos, os saltos finos ecoando no piso polido. O sorriso dela era pura acidez:— Você se acha muito esperta, não é, songa monga? Desfilando com esse ar de santa triunfante, achando que domou o grande Jonathan Rhodes.— Eu não domino ninguém, fofinha — soltei um riso soprado. — Nós temos uma parceria real. Algo que uma aproveitadora de quinta categoria como você jamais vai entender.Os olhos cinzentos dela faiscaram em ódio, mas ela lo
Capítulo 136 — Sombras em ManhattanAlice CarsonA viagem para Manhattan no jatinho particular confirmou o quanto a nossa sintonia estava afiada. Provocar o senhor Rhodes a milhares de metros de altitude e vê-lo perder a costumeira compostura corporativa para me puxar para o colo era o meu passatempo favorito. Ao chegarmos ao hotel, o cansaço da gravidez me derrubou, mas adormecer aninhada no peito dele, sentindo o calor protetor da sua mão sobre o meu ventre, me deu uma sensação de paz que eu não trocava por nada.Na manhã seguinte, a implicância possessiva de Jonathan com a fenda do meu vestido quase me fez rir. Aquele ciúme dele me irritava pelo excesso, mas não dava para negar que também mexia comigo. Ele não disfarçava o instinto territorial nem diante dos magnatas no salão do The Plaza. Quando Damon Carter tentou bancar o galanteador barato na nossa chegada, a resposta gélida de Jonathan quase congelou o ambiente. E, durante o debate sobre o setor imobiliário, enquanto o banque
Capítulo 135 — Quanto Tempo Jonathan RhodesA imagem da minha mesa de mogno desarrumada horas antes e o calor insano da entrega de Alice ainda queimavam sob a minha pele. Ter uma mulher que não recuava diante da minha intensidade e que me desafiava com a mesma ferocidade com que se entregava era um privilégio raro. E, como prometido, a amostra no escritório foi apenas o prelúdio. Assim que cruzamos a porta da cobertura, não dei espaço para tréguas: tomei-a na nossa cama com calma calculada e devoção bruta, provando que meu fôlego sempre acompanharia a sua audácia.Eu já tinha uma mulher naturalmente insaciável ao meu lado; agora, com os hormônios da gravidez aguçando cada instinto dela, Alice estava simplesmente irresistível. Eu era um homem de sorte, e sabia disso com cada terminação nervosa do meu corpo.A poltrona de couro do jatinho particular era espaçosa, mas meus pensamentos estavam longe dos balanços que repousavam na tela do meu tablet. Estávamos cruzando o céu noturno rumo







