LOGINEmilly Sullivan passou cinco anos construindo uma vida da qual jamais imaginou querer escapar. Em Westbridge, ela tem tudo o que um dia sonhou: uma carreira promissora, um noivo perfeito e um lugar entre as pessoas que sempre quis impressionar. A vida parece finalmente ter colocado tudo no lugar. Até Isabella morrer. Ella não era apenas sua prima. Era sua melhor amiga, sua irmã de coração e a pessoa que a conhecia melhor do que ninguém. E, em seu último adeus, deixou para Emilly algo que ela jamais poderia imaginar. Um testamento. Um pedido. E uma responsabilidade que muda completamente o futuro que Emilly havia planejado. Obrigada a voltar para Everwood, a cidade que passou anos tentando esquecer, Emilly se vê diante de uma criança que acabou de perder a mãe e que agora depende dela. Mas essa não é a única coisa que a espera. Porque Everwood também guarda pessoas, lembranças e sentimentos que acreditava ter deixado para trás. Inclusive William Cooper. O homem que fez parte da sua juventude. O homem que ela amou. E o homem que ela nunca imaginou precisar encontrar novamente. Enquanto tenta cumprir o último desejo de Ella, Emily começa a perceber que talvez a vida perfeita que construiu em Westbridge tenha custado mais caro do que imaginava. E quanto mais tempo passa em Everwood, mais difícil fica ignorar uma pergunta: E se tudo o que ela passou anos tentando deixar para trás for justamente aquilo que estava faltando em sua vida?
View MorePOV Emilly
Cinco anos antes. Eu mal conseguia ficar parada. Andava de um lado para o outro pelo quarto, segurando entre os dedos o papel que já tinha lido tantas vezes que praticamente sabia cada palavra de cor. Ainda parecia impossível que aquilo estivesse realmente acontecendo. Westbridge University. Eu tinha conseguido. A universidade que passei tanto tempo pesquisando, imaginando e desejando finalmente tinha me aceitado. Pela primeira vez, Westbridge deixava de ser apenas o nome de uma cidade grande que aparecia nos meus sonhos e se tornava um lugar para o qual eu realmente poderia ir. Eu ainda conseguia lembrar de todas as vezes em que Isabella e eu ficávamos sentadas na varanda, imaginando como seria nossa vida longe de Everwood. Falávamos sobre a faculdade. Sobre os empregos que teríamos. Sobre conhecer pessoas novas. Sobre morar em um lugar onde ninguém soubesse quem éramos ou de onde tínhamos vindo. Às vezes, até inventávamos detalhes completamente absurdos sobre nossa futura vida. Isabella sempre dizia que eu seria a primeira a me perder na cidade grande. Eu dizia que ela seria a primeira a gastar todo o dinheiro em alguma coisa completamente desnecessária. E então nós duas ríamos até doer a barriga. Naquela época, parecia apenas uma fantasia distante. Uma daquelas promessas que fazemos quando somos jovens e acreditamos que o futuro vai acontecer exatamente como imaginamos. Mas agora… Agora eu tinha uma chance real. E eu não queria fazer aquilo sozinha. Se eu fosse para Westbridge sozinha, poderia ficar no dormitório da universidade. Seria mais fácil. Mais barato. Muito mais sensato. Mas Isabella ficaria em Everwood. E eu não conseguia aceitar isso. Nós tínhamos passado anos imaginando aquele momento juntas. Não fazia sentido realizar nosso sonho enquanto ela ficava para trás. Então, alguns dias antes, eu tinha tomado a decisão que provavelmente faria minha conta bancária entrar em colapso antes mesmo do primeiro semestre terminar. Abri mão do dormitório. A kitnet que encontrei perto da universidade era pequena, mas caberia nós duas. Ou, pelo menos, eu esperava que coubesse. Teríamos que economizar, trabalhar bastante e aprender a viver com muito menos do que estávamos acostumadas. Mas daria certo. Eu precisava acreditar que daria. Já tinha conseguido um emprego de garçonete e começado a procurar alguma coisa para fazer nas horas vagas. Algumas famílias estavam procurando babás para noites e fins de semana, e eu tinha esperança de conseguir alguma coisa que ajudasse a completar a renda. Isabella também trabalharia. E, se tudo desse certo, ela poderia tentar a faculdade novamente no ano seguinte. Não era o plano mais fácil do mundo. Mas era nosso. Só de pensar nisso, um sorriso escapou dos meus lábios. Eu já conseguia imaginar nós duas chegando àquela kitnet com nossas malas, discutindo sobre quem ficaria com qual lado da cama e descobrindo, provavelmente no primeiro dia, que tínhamos esquecido de comprar alguma coisa essencial. Era exatamente o tipo de caos que eu queria viver. Com ela. Olhei novamente para o papel em minhas mãos e senti o coração acelerar. Estava tão ansiosa para contar que parecia impossível pensar em qualquer outra coisa. Queria ver a reação dela. Contar cada detalhe. E, principalmente, ver o momento em que ela perceberia que aquilo não era mais apenas um sonho nosso. Nós realmente iríamos embora. Juntas. Eu mal podia esperar para ver o rosto dela quando soubesse. Foi então que ouvi a porta da frente se abrir. Meu coração deu um pulo. Reconheci os passos de Isabella pelo corredor e, alguns segundos depois, ouvi a porta do quarto dela se fechar. Nem pensei. Larguei o papel sobre a cama e saí quase correndo pelo corredor. Parei diante da porta e bati algumas vezes, ainda tentando conter o sorriso que insistia em aparecer. — Ella, você já acordou? Preciso conversar com você. A porta se abriu. Eu estava prestes a continuar quando percebi que havia alguma coisa diferente. Foi só então que percebi. Isabella tinha dormido fora. Aquilo deveria ter me chamado atenção antes. Mas eu estava tão presa à minha própria ansiedade que nem tinha pensado nisso quando ouvi a porta da frente se abrir. Agora, olhando para o rosto da minha prima, meu entusiasmo começou a desaparecer. Ela estava estranha. Os olhos pareciam cansados, e havia alguma coisa em sua expressão que fez meu sorriso sumir completamente. Isabella normalmente conseguia esconder quando alguma coisa estava errada. Comigo, quase nunca conseguia. E naquele momento eu soube que havia alguma coisa muito errada. — Eu também preciso conversar com você, Emy. Meu coração apertou. — Você está bem? Ela abriu a boca, mas não respondeu. Por alguns segundos, apenas ficou me olhando. Então seus olhos se encheram de lágrimas. Uma delas escorreu pelo rosto antes que ela conseguisse impedir. Meu estômago se revirou. — Ella… Ela abaixou o olhar por alguns segundos, respirou fundo e voltou a me encarar. Havia uma espécie de culpa em seus olhos que eu não consegui entender. E, pela primeira vez naquela manhã, o papel da universidade deixou de parecer tão importante. — Eu dormi com o Will. E, naquele instante, eu esqueci completamente o que tinha vindo contar.POV WillianAssim que virei na rua, vi um carro estacionado em frente à casa de Beth.Não reconheci o carro.Mas reconheci a marca.Uma Mercedes.Parei por alguns segundos.Não precisava ser muito inteligente para imaginar de quem era.Emilly.Ela realmente tinha conseguido o que queria.Alguém que pensava grande.Balancei a cabeça e estacionei.Não queria pensar nela.Na verdade, naquele momento, eu só queria pegar Louis e levá-lo para casa.Desci do carro e caminhei até a porta.Antes mesmo de abrir, ouvi um choro.Parei.Era Louis.Abri a porta imediatamente.A primeira coisa que vi foi meu filho sentado no chão.Depois, Emilly.Ela estava no sofá, com o celular nas mãos.— O que está acontecendo aqui?Ela levantou os olhos para mim, claramente surpresa.— Willian…Entrei na sala e caminhei rapidamente até Louis.Quanto mais me aproximava, mais alguma coisa parecia errada.Ele não estava apenas chorando.Estava soluçando.Aqueles soluços curtos e repetidos de quem já tinha chorado
POV Emilly Mark tinha precisado voltar para a Europa. A viagem de negócios que tinha sido interrompida pela minha ida a Everwood não podia mais ser adiada, e eu também precisava resolver algumas coisas antes de voltar para Westbridge. Naquela manhã, fui até a casa de tia Beth. Eu queria conversar com ela, saber se precisava de alguma coisa e passar um pouco de tempo perto dela. Quando cheguei, encontrei Louis na sala. Ele estava sentado no chão, brincando com um carrinho. — Oi, Louis. Ele levantou os olhos para mim. Não respondeu. Sorri de leve. — Tudo bem? Ele voltou a olhar para o brinquedo. Olhei para Beth. — Ele está bem? Ela soltou um suspiro. — Mais ou menos. Cheguei mais perto. — O Willian deixou ele aqui? — Precisava resolver algumas coisas e pediu para eu ficar com ele. Assenti. — E você está bem para cuidar dele? Beth me olhou com uma expressão cansada. — Estou, mas preciso resolver algumas coisas também. Ela fez uma pequena pausa. — Você poderia fic
POV WillianO caminho de volta para a fazenda pareceu mais longo do que de costume.Eu dirigia em silêncio, com as mãos firmes no volante e a cabeça cheia demais para conseguir organizar qualquer pensamento.O funeral tinha acabado.As pessoas tinham ido embora.A casa da minha família estava esperando por mim.E Louis estava lá.Foi então que a realidade voltou a me atingir com força.Eu precisava contar ao meu filho que a mãe dele não voltaria.Pela primeira vez desde que recebi a notícia, não havia mais nada para fazer.Nenhuma ligação.Nenhuma decisão.Nenhuma burocracia para resolver.Só restava voltar para casa e contar ao meu filho que Isabella tinha morrido.Madison estava no banco ao meu lado.Durante boa parte do caminho, permaneceu em silêncio, até tocar de leve no meu braço.— Você quer que eu vá com você?Continuei olhando para a estrada.— Não.Ela ficou em silêncio por alguns segundos.— Tem certeza?Assenti.— Tenho.Eu não queria companhia.Naquele momento, preferia e
POV EmillyHavia gente demais naquele funeral.Muito mais do que eu imaginava.E, de alguma forma, aquilo era completamente a cara da Isabella.Ela sempre tinha sido assim. Conhecia todo mundo, e todo mundo conhecia ela. Tinha amigos em todos os lugares, pessoas que tinham estudado com ela, trabalhado com ela, convivido com ela em algum momento da vida.Até depois de morta, conseguia reunir uma quantidade absurda de pessoas em um mesmo lugar.Olhei ao redor do salão, reconhecendo alguns rostos e tentando lembrar de outros.Foi então que meus olhos encontraram Madison.Eu quase revirei os olhos.É claro que ela estava ali.Isabella nunca tinha gostado dela.Na verdade, acho que seria mais correto dizer que Ella fazia questão de deixar isso bem claro.Ela dizia que Madison estava fazendo de tudo para virar madrasta do Louis e fazia questão de ficar cada vez mais próxima de Willian.Segundo Isabella, aquela mulher estava praticamente se candidatando ao cargo.— Essa mulher ainda vai apar


















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