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Capítulo 5

Autor: Ellen Ramos
last update Fecha de publicación: 2026-03-19 13:10:24

Os três dias pareciam se arrastar.

Cada hora passava devagar demais, como se o tempo estivesse zombando dela.

Mas, ainda assim… eles passaram.

E, durante esses três dias, Isabella Duarte fez tudo o que precisava fazer.

Sem hesitar.

Sem voltar atrás. Sem olhar para trás.

A casa estava silenciosa naquela manhã.

Silenciosa demais.

Como se já soubesse que ela não pertencia mais àquele lugar.

Isabella caminhava lentamente pelos cômodos, observando cada detalhe.

O sofá onde assistiam filmes.

A mesa onde jantavam juntos.

O quarto onde ela havia acreditado, por anos, estar construindo uma vida ao lado do homem que amava.

Tudo aquilo agora parecia… vazio.

Falso.

Uma ilusão cuidadosamente construída.

Ela respirou fundo, contendo o aperto no peito.

Não havia mais espaço para fraqueza.

Não depois de tudo o que ela descobriu.

Não depois de tudo o que ele fez.

Sua mala já estava pronta.

Não levou tudo.

Apenas o necessário.

Roupas. Documentos.

Alguns objetos pessoais.

O resto…

Podia ficar.

Nada ali tinha mais valor para ela.

Isabella passou a mão pela superfície da cômoda uma última vez, como se estivesse se despedindo de uma versão antiga de si mesma.

Então se virou.

E saiu do quarto sem olhar para trás...

Na sala, encontrou a empregada organizando alguns objetos.

A mulher levantou o olhar ao vê-la com a mala.

Surpresa.

— Senhora Isabella…?

Isabella forçou um pequeno sorriso, gentil como sempre foi.

— Eu vou embora.

A empregada arregalou levemente os olhos.

— Embora…? Mas…

Ela hesitou, claramente sem saber o que dizer.

Isabella manteve a postura firme.

— Não precisa se preocupar. Só… — ela fez uma pequena pausa — não diga nada ao Ricardo quando ele voltar.

A empregada engoliu seco.

— Mas o senhor…

— Ele vai entender — interrompeu Isabella, com calma.

Mas, no fundo, ela sabia.

Ele não entenderia.

Ele nunca entendeu nada além de si mesmo.

A mulher assentiu, ainda confusa.

— Sim, senhora.

Isabella agradeceu com um leve aceno de cabeça.

E seguiu em direção à sala de jantar.

Seus passos diminuíram.

Seu coração acelerou levemente.

Era ali.

O ponto final.

Sobre a mesa, ela colocou a bolsa.

Abriu com cuidado.

E retirou os papéis do divórcio.

Ficou alguns segundos olhando para eles.

Aqueles documentos representavam o fim de sete anos.

Sete anos de amor.

De entrega.

De confiança.

Destruídos por mentiras. Traição. Crueldade.

Seus dedos apertaram levemente o papel.

Mas ela não chorou.

Não mais.

Isabella então pegou uma pequena folha.

E uma caneta.

Pensou por alguns segundos.

Muitas palavras vieram à sua mente.

Muitas perguntas. Muitas acusações. Muita dor.

Mas, no final…

Ela escreveu apenas duas palavras:

“Adeus, Ricardo.”

Nada mais.

Porque ele não merecia mais do que isso.

Ela colocou a carta sobre os papéis. E por último, arrancou a aliança de seu anelar, também a deixando encima da mesa junto com os papéis do divórcio e a carta.

Simples. Direto.

O silêncio da casa pareceu ainda mais pesado naquele momento.

Isabella olhou ao redor mais uma vez.

Não havia mais nada para fazer ali.

Nada que a prendesse.

Nada que valesse a pena levar.

Ela pegou sua mala.

E caminhou até a porta...

Parou por um segundo.

A mão na maçaneta.

Respirou fundo.

Aquela era a última vez.

A última vez que pisaria naquela casa como esposa de Ricardo Ferraz.

A última vez que olharia para aquele lugar.

A última vez que carregaria aquele sobrenome.

Seus olhos se fecharam por um breve instante.

E, quando se abriram novamente…

Havia apenas determinação.

Ela girou a maçaneta.

E saiu.

Sem olhar para trás.

O ar do lado de fora parecia diferente.

Mais leve.

Mais livre.

Mesmo com o peso de tudo o que havia acontecido.

Mesmo com o medo do futuro.

Isabella entrou no carro e segurou o volante com firmeza.

Ela já havia escolhido um lugar para ficar.

Um hotel simples.

Nada luxuoso.

Nada parecido com a vida que levava antes.

Mas era o suficiente.

Seriam apenas algumas semanas.

Tempo suficiente para recomeçar.

Para se reerguer.

Para reconstruir tudo do zero.

O pensamento deveria assustá-la.

Mas, curiosamente…

Não assustava.

Porque, pela primeira vez em muito tempo…

Ela estava no controle da própria vida.

Enquanto dirigia, uma última imagem passou por sua mente.

Ricardo chegando em casa.

Vendo a mesa.

Os papéis.

A carta.

Isabella não sabia qual seria a reação dele.

Raiva.

Surpresa.

Indiferença

Mas, sinceramente…

Aquilo já não importava mais.

Ele havia feito sua escolha há muito tempo.

Agora…

Era a vez dela.

O carro seguiu pela rua, se afastando cada vez mais daquela casa.

Daquele passado.

Daquela vida.

E, dentro dele…

Isabella Duarte não era mais a mulher que foi traída.

Ela era a mulher que teve coragem de ir embora.

E isso…

Era apenas o começo.

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