INICIAR SESIÓNMeses se passaram. A primavera chegou trazendo consigo o perfume das flores que enfeitavam os jardins da Mansão Montenegro. Era curioso. Durante muito tempo, Isabela havia dedicado a vida inteira a construir o dia mais feliz de outras pessoas. Casamentos. Sonhos. Famílias. Mas nunca imaginou que um dia viveria o seu próprio conto de fadas. Agora vivia. E era muito melhor do que qualquer projeto que já tivesse desenhado. A barriga já não era mais discreta. Os meses passaram voando. Arthur fazia questão de acompanhar absolutamente todas as consultas. Todas. Nunca faltou a uma sequer. No começo, quando descobriram que seriam gêmeos, ele simplesmente ficou sentado olhando para a tela do ultrassom durante quase cinco minutos sem conseguir dizer uma palavra. Foi o médico quem riu. — Senhor Montenegro... está tudo bem? Arthur piscou algumas vezes. — Dois? O médico sorriu. — Dois. Arthur olhou para Isabella. — Dois... Ela começou a rir. — Você
Uma semana havia se passado. Pela primeira vez em muitos meses, a Mansão Montenegro voltou a conhecer o verdadeiro significado da palavra paz. As viaturas já não cercavam os portões. Os advogados já não telefonavam a todo instante. As discussões haviam dado lugar às risadas. E os pesadelos... aos poucos, começavam a desaparecer. Naquela manhã, Arthur saiu cedo para a empresa. Havia acumulado uma montanha de trabalho durante todo o caos dos últimos meses. Antes de sair, porém, encontrou Isabela preparando o café. Aproximou-se por trás e a envolveu pela cintura. — Bom dia, senhora Montenegro. Ela sorriu. — Bom dia, senhor Montenegro. Ele depositou um beijo demorado em sua bochecha. — Hoje volto mais cedo. — Promete? — Prometo. Ela virou o rosto e o beijou rapidamente. — Estou te esperando. Arthur sorriu daquele jeito que só sorria para ela. — Eu também mal posso esperar para voltar para casa. Antes de sair, passou pela sala. Sofia ainda desenhav
Arthur apertava o volante com tanta força que os nós dos dedos estavam completamente brancos. Ao lado dele, Isabella mal conseguia respirar. As sirenes das viaturas ecoavam pela estrada enquanto todos seguiam as informações passadas pelo casal que havia protegido Sofia. — Foi por aquela rodovia! — gritava um dos policiais pelo rádio. — Sedan preto, alta velocidade, sentido norte! Arthur acelerou ainda mais. — Aguenta só mais um pouco, princesa... — murmurou para si mesmo, imaginando a filha apavorada. Isabella mantinha as mãos unidas sobre o peito. Sem perceber, também protegia discretamente o ventre. "Por favor... só deixa a Sofia estar bem..." Depois de alguns minutos que pareceram uma eternidade, avistaram um posto de combustível cercado por algumas viaturas. Arthur sequer esperou o carro parar completamente. Abriu a porta ainda em movimento e saiu correndo. — SOFIA! A pequena virou imediatamente. Assim que reconheceu a voz do pai, começou a correr. — PAPAI!! Arthur
O carro avançava pela rodovia em velocidade absurda. As árvores passavam como borrões verdes pelas janelas. No banco traseiro, Sofia chorava baixinho, abraçando os próprios joelhos. — Eu quero a Bella... — Cala a boca! — Carolina gritou, apertando ainda mais o volante. Sua voz já não tinha doçura. Era rouca. Quebrada. Uma mulher completamente destruída. Ela ainda conseguia ouvir as palavras. "Você colocou a polícia em cima da gente." "Virou peso morto." "Você acabou." Ela apanhara. Muito. Socos. Chutes. Puxões de cabelo. Um deles chegou a apontar uma arma para sua cabeça. Só não a executaram porque o líder decidiu que matá-la naquele momento chamaria atenção demais. Por sorte, conseguiu fugir.. Sem dinheiro. Sem proteção. Sem aliados. Sem futuro. Na cabeça completamente desorganizada de Carolina, restava apenas uma ideia. "Se eu perdi tudo... Arthur também vai perder." Então roubara um carro. E sequestrara Sofia. Agora dirigia sem destino. Sem plano. Sem
Carolina dirigia como uma louca. As mãos tremiam tanto sobre o volante que mal conseguiam manter o carro reto na pista. O veículo balançava de um lado para o outro enquanto cortava a estrada em alta velocidade. No banco traseiro, Sofia chorava baixinho, com os punhos amarrados por uma abraçadeira plástica. — Por favor... me deixa ir embora... Carolina apertou os dentes. — Cala a boca! O grito ecoou dentro do carro. Sofia se encolheu. Durante alguns segundos só se ouviu o motor rugindo. Até que Carolina respirou fundo, como se estivesse tentando convencer a si mesma de alguma coisa. — Tudo isso... tudo isso é culpa deles. Ela soltou uma risada nervosa. — Eu ia conseguir recuperar minha vida... Sua voz começou a falhar. — Eu quase consegui... Os olhos marejaram. Pela primeira vez desde que fugira do tribunal, sua aparência realmente denunciava o inferno que havia vivido nas últimas setenta e duas horas. Seu cabelo, antes impecavelmente liso, agora estava embaraçado. A
Isabella estava na cozinha. Sorria sozinha. Levou uma das mãos discretamente até o ventre. Ainda era cedo. Quase não havia barriga alguma. Mas havia uma vida. O filho dela. O filho de Arthur. Seu sorriso aumentou. — Hoje eu conto... Ela finalmente havia decidido. Depois de tantos dias escondendo a gravidez por medo das ameaças de Carolina, agora tudo parecia caminhar para um final feliz. Ela faria uma surpresa. Talvez preparasse um jantar. Ou entregasse uma pequena caixa com um sapatinho de bebê. Sorriu imaginando a reação de Arthur. — Ele vai chorar... Pegou o celular. Pesquisou algumas ideias de presentes para anunciar uma gravidez. Ficou vários minutos escolhendo. Queria que fosse perfeito. Foi então... Seu telefone começou a tocar. Na tela apareceu: Professora Helena. Ela estranhou. Atendeu imediatamente. — Alô? — Senhora Isabela? — Sim. A voz da professora parecia confusa. — Está tudo bem? — Claro... aconteceu alguma coisa? Houve alguns segundos de







