登入A bolsa foi preenchida lentamente.
O sangue de Dante descia pelo tubo em um fluxo contínuo, controlado, sem qualquer sinal de instabilidade.
Ele permaneceu imóvel durante todo o procedimento.
Sem queixas.
A enfermeira retirou a agulha com cuidado e fez o curativo.
- Pronto, senhor Owen.
Dante concordou, já se levantando.
- Como está se sentindo? - perguntou o Dr. Richard, observando-o com atenção.
Dante ajustou a manga da camisa, testando o próprio corpo.
- Bem. Estou bem.
- Que bom - respondeu o médico. - Vamos iniciar a transfusão nela agora.
A transfusão foi iniciada sem demora.
Do outro lado do vidro, Dante observava o movimento preciso da equipe médica ao redor do leito de Melissa.
O sangue dele corria agora para alguém cujo nome ele ainda não conhecia.
- A pressão está estabilizando, disse o médico, após alguns minutos. - A transfusão fez diferença.
Dante soltou o ar devagar, sem perceber que o prendia.
- Ela vai sobreviver?
O médico manteve o tom cauteloso.
- Ainda é cedo para responder uma pergunta tão direta. Mas estamos fazendo o possível.
Dante não sorriu. Apenas ouviu.
Não demonstrou alívio visível, mas sentiu o coração desacelerar, enquanto a adrenalina começava, aos poucos, a ceder.
Ela estava viva. E isso bastava.
E, sem saber, ela carregava agora um pouco dele no próprio sangue.
- E agora, doutor? Quais são os próximos passos?
- Só nos resta aguardar. Precisamos observar como ela vai reagir nos próximos dias.
- Entendo, respondeu Dante.
- Senhor Owen, o ideal seria que o senhor permanecesse em observação esta noite.
Dante desviou o olhar por um instante.
- Não é necessário. Eu estou bem.
O médico cruzou os braços, insatisfeito.
- O senhor acabou de doar um volume significativo de sangue em uma condição fora do habitual. Isso pode mudar nas próximas horas.
- Se mudar, eu volto.
- Não é assim que funciona, retrucou o médico, firme. - O mais seguro é permanecer aqui.
Um breve silêncio se instalou.
- Doutor… eu agradeço a preocupação. Mas eu não vou ficar.
O médico expirou lentamente.
- Certo. Faça como quiser.
A pausa foi carregada.
- Mas, se sentir qualquer coisa fora do normal… volte imediatamente.
- Eu volto, afirmou Dante.
Minutos depois, já do lado de fora, o ar frio da noite tocou seu rosto.
Ele respirou fundo. Entrou no carro.
Dante manteve as mãos firmes no volante.
Por alguns minutos, tudo permaneceu sob controle.
Até que não permaneceu mais.
Primeiro, uma leve pressão na cabeça.
Sutil.
Ele piscou algumas vezes.
As luzes começaram a se alongar.
Os contornos perderam nitidez.
Dante franziu a testa.
Respirou fundo.
- Só o que me faltava… - murmurou.
O ar pareceu mais pesado.
O corpo, mais lento.
A visão escureceu nas bordas.
Por instinto, reduziu a velocidade e encostou o carro no primeiro posto de gasolina que encontrou.
Desligou o motor.
Ficou imóvel por alguns segundos.
A mão no volante já não tinha a mesma firmeza.
Pegou o celular.
Demorou mais do que o normal para encontrar o contato.
- Preciso de você aqui, disse, assim que o motorista atendeu. - Seja rápido.
Desligou.
Recostou a cabeça no banco.
Os olhos se fecharam por um instante mais longo do que deveria.
Mas ele ainda estava ali.
Consciente. Exausto. No limite.
Will, seu motorista, chegou sem demora. Ao ver o carro amassado, franziu a testa preocupado.
- Senhor Owen, bateu o carro? O senhor está bem?
- Will… me leve para casa. Não me sinto bem.
- Claro. Mas saia desse carro. Entre no outro. Vou acionar o seguro.
- Faça isso, Will… obrigado.
Seguiram em silêncio.
O vento que entrava pela janela tocava o rosto de Dante, ajudando-o, pouco a pouco, a recuperar alguma estabilidade.
Ao chegarem, ele já parecia melhor.
- Precisa de ajuda para subir, senhor?
- Não, Will. Já estou melhor. Acho que foi só uma queda de pressão.
Ao entrar em casa, encontrou tudo quieto.
A governanta havia deixado apenas uma luz acesa no corredor e um bilhete curto sobre a mesa da cozinha:
Ela finalmente dormiu.
Dante largou as chaves, tirou os sapatos ainda úmidos e seguiu pelo corredor.
Abriu a porta do quarto da filha sem fazer barulho.
Olie dormia profundamente, encolhida de lado, os cabelos espalhados pelo travesseiro.
O rosto ainda carregava vestígios do choro.
Ele se aproximou devagar.
Ajoelhou-se ao lado da cama, ajustou o cobertor sobre os ombros pequenos e passou os dedos pelos cabelos dela.
- Desculpa… - murmurou.
Permaneceu ali por alguns segundos antes de se afastar.
No próprio quarto, tentou dormir.
Não conseguiu.
Cochilou em intervalos curtos, sempre interrompidos pela mesma imagem:
A chuva.
O corpo despertava antes do pensamento, o coração acelerado, como se ainda estivesse naquele instante.
Quando desistiu de dormir, o relógio marcava pouco depois das quatro da manhã.
Quando o dia clareou, Dante já estava acordado.
Pegou as chaves e saiu sem fazer barulho.
A cidade despertava lentamente enquanto ele dirigia em silêncio.
No hospital, Melissa permanecia inconsciente.
Os médicos haviam optado por mantê-la em coma induzido para aliviar a pressão intracraniana.
O corpo repousava imóvel no leito, conectado a tubos e sensores.
Ela respirava com ajuda de aparelhos.
O rosto estava pálido, mas sereno... um contraste cruel com a violência da noite anterior.
Dante caminhou até a UTI.
Ao entrar, o ar pareceu faltar por um instante.
O médico se aproximou.
- Como está se sentindo, senhor Owen? Está tudo bem?
- Estou ótimo. Se a sua pergunta é sobre a doação. - fez uma breve pausa , vim saber notícias da paciente.
- Ela está estável. Optamos por induzir um coma. A sedação protege o cérebro enquanto o corpo se recupera.
- Por quanto tempo?
- Ontem não mencionei isso, por causa da situação… - o médico hesitou, mas ela teve fraturas nas costelas. A cirurgia está marcada para hoje, às dez da manhã.
Dante sentiu o peso da informação.
- Essa cirurgia é arriscada?
- Toda cirurgia é. Mas a mais crítica já passou, a neurológica. E ela resistiu. Estamos esperançosos.
O médico fez uma pausa.
- Se tudo correr bem, podemos reduzir a sedação em 72 horas. Mas precisaremos da autorização de um responsável.
A palavra ficou suspensa no ar.
- Conseguiram identificá-la? - perguntou Dante.
O médico negou.
- Nada até agora. Nenhum familiar. Nenhum registro confirmado.
Dante voltou o olhar para o leito.
Sem nome.
- Há riscos em diminuir a sedação?
- Sempre há, respondeu o médico. - Mas ela é jovem. Isso ajuda.
O médico se afastou.
Dante aproximou-se da cama pela primeira vez.
Não tocou nela.
Apenas observou.
Os monitores. Os números. A constância.
Setenta e duas horas.
O prazo se instalou dentro dele como algo concreto.
Não era apenas tempo. Era uma vida.
Se ninguém aparecesse… alguém teria que decidir.
Dante respirou fundo.
Não sabia quem ela era.
Mas sabia que ir embora não era uma opção.
Os sinos da igreja tocaram pela terceira vez quando o carro de Dante parou diante da escadaria. Ele desceu primeiro e, antes que Melissa abrisse a porta, estendeu a mão para ajudá-la. Melissa sorriu. O jardim da igreja estava tomado por flores claras e um perfume suave se espalhava pelo ar. Os convidados chegavam aos poucos, subindo as escadas em pequenos grupos e cumprimentando-se enquanto aguardavam o início da cerimônia. Assim que entraram, Melissa avistou Richard e Giovanna. Os dois estavam próximos ao altar, conversando com alguns convidados. Giovanna usava um vestido elegante e, ao estender a mão para cumprimentar Melissa, a aliança em seu dedo chamou sua atenção. Melissa sorriu. - O Richard quis garantir que todos percebam a aliança em seu dedo, não é? Giovanna riu e a abraçou. - Sim. Falei para ele que não precisava ser tão grossa, mas ele insistiu. Richard aproximou-se de Dante e os dois se cumprimentaram com um abraço. - Vocês sempre arrasam como padrinhos
Na semana seguinte, Leon chegou à empresa com um sorriso largo no rosto. Entrou na sala de reuniões, onde já estavam Dante, Paul e alguns outros membros da equipe. Rita também estava presente. Leon olhou para todos e, ainda sorrindo, disse: - Pessoal, eu sei que isso não tem nada a ver com a reunião de hoje, mas eu gostaria de dar uma notícia muito importante para vocês. Então, quero que todos prestem atenção. Imediatamente, todos ficaram sérios, imaginando que se tratasse de alguma novidade relacionada ao trabalho. Leon fez uma pequena pausa, só para aumentar a expectativa. Então, abriu ainda mais o sorriso e anunciou, com uma entonação claramente feliz: - Eu vou me casar. Dante apoiou a mão na mesa de forma espontânea e se levantou na mesma hora. - O quê? Paul franziu a testa. - Você está com febre, Leon? Aconteceu alguma coisa? - Não, eu vou lá verificar - disse Paul. Ele se aproximou de Leon, colocou a mão em sua testa e fingiu examiná-lo com toda a serieda
Os meses se passaram, e, quando Oscar e Otto completaram seis meses, chegou o dia do batizado. Os dois já eram bebês grandes, cheios de dobrinhas, bochechas redondas e sorrisos fáceis. Haviam se tornado duas pequenas alegrias dentro de casa, cada um com sua própria personalidade, mas igualmente encantadores. Naquela manhã, a igreja estava cheia de familiares e amigos. Melissa fazia questão de manter Olie sempre por perto. Enquanto os bebês eram preparados para a cerimônia, segurava a mão da menina e, vez ou outra, ajeitava seus cabelos ou lhe dava um beijo na testa. Olie não demonstrava qualquer ciúme dos irmãos. Pelo contrário. Parecia genuinamente feliz com a casa cheia, com a família reunida e, principalmente, orgulhosa de ser a irmã mais velha. A escolha dos padrinhos também havia sido motivo de muita alegria. Oscar tinha Leon e Eloá. Otto tinha Richard e Giovanna. Richard e Giovanna já estavam juntos havia seis meses e o relacionamento havia avançado rapidamente.
Depois que Richard se despediu, Dante e Melissa finalmente tiveram alguns minutos a sós. Dante permaneceu ao lado da cama, olhando primeiro para Melissa e depois para os dois filhos. Estava encantado com aquela cena. De vez em quando, sorria sozinho, como se ainda estivesse tentando acreditar que tudo aquilo era real. Ele voltou os olhos para a esposa. - Nem nos meus melhores sonhos eu poderia imaginar uma sensação dessas. Melissa sorriu. Dante respirou fundo. - Eu posso te dizer uma coisa? - Sim. - Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Ele riu baixinho e balançou a cabeça. - Talvez também tenha sido o segundo mais desesperador... mas, pelo menos, terminou com um final feliz. Melissa segurou sua mão. Dante se inclinou e beijou seus lábios. - Muito obrigado, Melissa. Muito obrigado por ter me feito enfrentar esse medo. Depois beijou delicadamente a cabecinha de Oscar e, em seguida, a de Otto. - Eu vou permanecer aqui com você durante todo o tempo da sua
Dante saiu da capela ainda emocionado. Assim que atravessou a porta, apressou o passo pelo corredor. Queria comparrilhar a notícia com a Eloá e Leon. Precisava dividir com eles a notícia que acabara de receber. Quando chegou à entrada do hospital, encontrou os dois lado a lado, ainda com aquele olhar apreensivo de quem esperava por alguma notícia. Dante parou diante deles e sorriu. Leon foi o primeiro a perceber. Ao ver aquele sorriso, não conseguiu conter as lágrimas. Eloá também levou a mão ao rosto, emocionada. Dante correu na direção dos dois e os abraçou.. - Meus filhos estão bem! A Melissa também está bem! - disse entre lágrimas. Leon e Eloá o apertaram num abraço. - Dante... parabéns! - disse Leon, emocionado. Depois de alguns segundos, Dante se afastou um pouco. Ainda segurava os dois e, com carinho, colocou uma mão no rosto de Leon e depois no de Eloá. Olhou primeiro para um, depois para o outro. - Vocês aceitam ser padrinhos do Oscar? Eloá abaixou a c
Dante encostou-se à parede próxima à porta do centro cirúrgico e foi deslizando lentamente até ficar de cócoras. Quando finalmente chegou ao chão, desabou. Estava completamente sem forças. As mãos cobriram o rosto enquanto chorava. Todo o controle que havia tentado manter desde que chegara ao hospital simplesmente desapareceu. Eloá se aproximou em silêncio e se abaixou perto dele. Dante demorou alguns segundos para conseguir falar. - Eloá... por favor. Me deixa um pouco sozinho. Ela permaneceu ali por um instante, olhando para ele. - Claro. Se precisar de mim, estarei na entrada do hospital, junto com Leon. Dante apenas assentiu. Eloá se levantou e se afastou, deixando-o sozinho no corredor. Quando percebeu que ela havia ido embora, Dante ergueu os olhos para o teto. As lágrimas continuavam escorrendo. - Você gosta de me ver sofrer, não é? Sua voz estava quebrada. - Você gosta de me torturar. É isso? Quer que eu me renda? Quer que eu implore? Ele respirou f







