Mag-log inUm segundo foi o suficiente para mudar o rumo de duas vidas. Melissa chega à cidade grande em busca de um recomeço, mas tudo sai do controle quando sofre um grave acidente. Ela acorda no hospital ferida, sozinha e sem entender como sua vida chegou àquele ponto. Dante Owen, viúvo, pai solo e CEO bem-sucedido, sempre teve tudo sob controle. Até a noite em que, durante uma forte chuva, se distrai ao volante e atropela Melissa. O acidente a deixa entre a vida e a morte. E é o próprio Dante quem doa sangue para mantê-la viva. Mas ele não consegue simplesmente seguir em frente. Movido pela culpa e pelo senso de responsabilidade, Dante passa a acompanhar de perto a recuperação de Melissa. Ele assume os custos, toma decisões e permanece presente, não por escolha, mas porque não consegue ignorar o que fez. Quando Melissa desperta, ainda fragilizada, se vê diante do homem responsável pelo acidente e completamente inserida em uma situação que não escolheu. Sem apoio familiar imediato e ainda em recuperação, Melissa acaba sendo levada por Dante para sua casa, onde ele decide cuidar de sua recuperação de perto. A convivência passa a ser inevitável. O que começa como uma responsabilidade prática logo se transforma em algo mais complexo. A proximidade diária traz conflitos, resistência e uma aproximação que nenhum dos dois esperava. Porque, às vezes, alguns laços não surgem por escolha. Eles surgem por circunstância e mudam tudo.
view moreA chuva castigava a cidade de Maple North City. A tempestade transformava as ruas em espelhos d’água, refletindo os faróis dos carros como vultos desfocados. Dante Owen estava preso com o trânsito a sua frente e bastante impaciente com a situação. Se a reunião tivesse acabado no horário, poderia ter saído antes da chuva.
Seu celular vibrou no console. Dante hesitou antes de atender. - Senhor Owen, disse a governanta, a voz baixa, controlada, mas tensa. - A babá pediu demissão. Ele fechou os olhos por um breve instante. - Outra? - Murmurou. - Sim. E… Olie está chorando muito. Teve mais um episódio de pânico noturno. Não conseguiu se acalmar sem o senhor. O maxilar de Dante se contraiu. - Ela está bem agora? - Está exausta, respondeu a governanta. - Mas continua acordada. Chamando pelo pai. Ele respirou fundo, sentindo o peso familiar da culpa pressionar o peito. Olie havia perdido a mãe assim que veio ao mundo, e Dante se cobrava para ser um pai presente. - Estou a caminho - disse apenas, encerrando a ligação. A poucos quarteirões dali, Melissa Cross enfrentava a mesma tempestade, mas sem carro, sem abrigo e sem emprego. Ainda assim, havia esperança. Mesmo depois de tantos nãos. Ela apertou a mochila contra o peito enquanto corria pela avenida iluminada apenas pelos faróis borrados dos carros. Minutos antes, havia perdido a sua carteira com os documentos e o pouco dinheiro que lhe restava. Tinha caído no chão, no escuro, e a chuva tornou impossível encontrá-la. Melissa estava exausta. Passou por várias entrevistas naquele dia e, mais uma vez, ouviu o educado e vazio: “Qualquer coisa, entraremos em contato. ” Ela já sabia o que aquilo significava. Seus pés estavam encharcados, o corpo cansado e o coração apertado ao pensar nos pais tão longe, tão frágeis… especialmente o pai, preso a exames constantes, remédios e à fila interminável para um transplante de coração. Melissa respirou fundo, tentando afastar o nó na garganta. Ela não podia voltar para casa sem nada. Não podia preocupar ninguém. Precisava dar certo sua tentativa na cidade grande. A chuva continuava a cair pesada e constante. Os carros aceleravam, e os faróis viravam manchas líquidas refletidas no asfalto. Melissa apressou o passo ao ver o sinal mudar. Atravessou a rua com pressa, sentindo o frio queimar a pele, o vento empurrar os cabelos molhados contra o rosto. No mesmo instante, o trânsito à frente de Dante finalmente cedeu, e ele aproveitou a brecha, apertando o pé no acelerador. Calculava mentalmente quanto tempo ainda levaria até chegar em casa. Já era tarde, e ele havia falhado mais uma vez com Olie. O celular vibrou novamente no console. Uma mensagem curta da governanta: “Ela ainda está chorando.” Dante desviou o olhar por um único segundo. Foi o suficiente. Um vulto surgiu no meio da pista. Ele pisou no freio com força, sentindo o carro perder aderência no asfalto molhado. O barulho das rodas tentando frear não minimizou o impacto. Foi Seco. Inegável. Por um breve instante, o mundo pareceu estar em pausa. O som da chuva ficou distante, abafado. Um silêncio estranho tomou conta de tudo. Dante desligou o motor, respirou fundo e saiu do carro. A jovem estava caída sob a luz do poste, imóvel. A água escorria ao redor do corpo, misturando-se a um fio de sangue que descia de sua têmpora com constância. Ele se aproximou com cuidado e ajoelhou-se ao lado dela. Ela respirava. O alívio dele foi imediato. - Consegue me ouvir? - perguntou, a voz firme, apesar do nó no peito. Os olhos dela se abriram por um instante, confusos e sem foco. Ouviu a voz de Dante distante e em sons desconexos. Ela sentiu frio. Depois dor. Uma dor espalhada, como se o corpo não fosse mais inteiro. A sensação súbita de que não deveria estar ali. De que estava atrasada na própria vida. O pensamento não se completou. O escuro veio antes. Melissa apagou. Dante sentiu o coração acelerar. Deu tapinhas em seu rosto com cuidado, chamando-a com voz firme. - Moça, não, não apague. Não agora. Aguenta mais um pouco. Ligou para a emergência com as mãos trêmulas, o pensamento desordenado, a respiração curta. Ainda assim, forneceu as informações necessárias. Permaneceu ali até a ambulância chegar, tomado por uma sensação sufocante de que aquilo não deveria ter acontecido. Quando os paramédicos chegaram, trabalharam com rapidez, imobilizando-a antes de colocá-la na maca. Dante deu um passo para trás, observando em silêncio. - Vai acompanhá-la? - perguntou um deles. - Eu sigo atrás, respondeu, já caminhando em direção ao carro. Antes de entrar, lançou o olhar ao capô amassado e se deu conta, com um aperto no peito, do tamanho do impacto. A frente de seu carro estava significativamente amassada. Olhou em volta e viu a mochila da jovem caída no asfalto molhado. Ele a apanhou, com a intenção simples de devolvê-la quando ela acordasse. Por um instante, um pensamento atravessou sua mente "e se ela não acordar"? Mas ele afastou a ideia com frieza calculada. A ambulância partiu com a sirene ligada, cortando a chuva. Dante entrou no carro e seguiu logo atrás, atento ao trajeto até o hospital. No pronto-socorro, acompanhou os médicos até onde foi permitido. Quando o fizeram parar na recepção, uma atendente se aproximou. - Qual é o nome da paciente? Dante hesitou. - Eu não sei, respondeu. — Não a conheço. Lembrou-se da mochila e foi até o carro buscá-la. Colocou-a sobre o balcão da recepção do hospital. - Talvez haja documentos aí dentro, sugeriu a recepcionista. Dante abriu o zíper com cuidado. Havia apenas uma chave solta presa a um chaveiro que identificava o número 8, um livro e um celular. Tentou ligar o celular. Mas a tela estava completamente destruída, estraçalhada. - Não há como contatar familiares, disse ele. - Não há nenhum dado útil aqui. Dante respirou fundo antes de completar: - Eu fui o responsável pelo acidente. Vou cobrir todas as despesas médicas. Coloquem a paciente sob meus cuidados até que possamos localizar a família. A recepcionista concordou. O médico da emergência, Dr. Richard, voltou à recepção com passos rápidos, o semblante sério tentando não chamar atenção.Dante se levantou no mesmo instante, antes mesmo de ser chamado.
- Senhor Owen, disse o médico, conferindo o nome no prontuário. - Precisamos falar com urgência.
Dante assentiu, atento.
- A paciente perdeu muito sangue. Disse o médico, direto, sem rodeios. - O sangramento interno foi controlado, mas o nível de hemoglobina caiu perigosamente. Ela precisa de uma transfusão imediata. O problema é que o tipo sanguíneo dela é raro, e não temos bolsas compatíveis no estoque. Já acionamos o banco de sangue, mas isso pode levar horas… e, nesse caso - ele hesitou por um breve instante, a espera pode ser fatal.
Dante sentiu o estômago contrair.
- Qual é o tipo sanguíneo dela?
- AB negativo, respondeu o médico. É extremamente raro.
- Eu sou O negativo. Meu sangue é compatível. Eu faço a doação!
O médico o olhou com mais atenção.
- O senhor tem certeza de que é O negativo?
- Tenho.
Dante já retirava o paletó molhado, jogando-o sobre a cadeira.
- Se for compatível, isso pode ser decisivo, disse o médico. - Vamos economizar um tempo precioso.
- Eu sou O negativo. Tenho certeza.
O médico respirou fundo antes de continuar.
- O problema, Dante, é que vamos precisar de mais de uma bolsa de sangue… e você só pode doar uma com segurança.
Dante sustentou o olhar dele.
- Que tipo de complicações eu poderia ter?
- Tontura, vertigem, vômito, desmaios… e, em casos mais graves, um choque hipovolêmico. Sua vida também pode ficar em risco.
Dante passou a mão pelo rosto, tenso, mas firme.
- Doutor… eu tenho 1,85, massa muscular significativa, peso… eu aguento!
Dante respirou fundo, o olhar firme.
- Ela não vai aguentar.
Um segundo de silêncio.
- Tire de mim o que for preciso.
O médico hesitou por um segundo.
Então tomou sua decisão.
- Enfermeira, chamou, com firmeza. - Prepare o senhor Owen para doação. Retire 800 ml de sangue.
A enfermeira assentiu, já se movendo.
- E preparem a sala de emergência, acrescentou ele. - É possível que tenhamos dois pacientes esta noite.
Dante engoliu seco.
Mas não recuou.
Os sinos da igreja tocaram pela terceira vez quando o carro de Dante parou diante da escadaria. Ele desceu primeiro e, antes que Melissa abrisse a porta, estendeu a mão para ajudá-la. Melissa sorriu. O jardim da igreja estava tomado por flores claras e um perfume suave se espalhava pelo ar. Os convidados chegavam aos poucos, subindo as escadas em pequenos grupos e cumprimentando-se enquanto aguardavam o início da cerimônia. Assim que entraram, Melissa avistou Richard e Giovanna. Os dois estavam próximos ao altar, conversando com alguns convidados. Giovanna usava um vestido elegante e, ao estender a mão para cumprimentar Melissa, a aliança em seu dedo chamou sua atenção. Melissa sorriu. - O Richard quis garantir que todos percebam a aliança em seu dedo, não é? Giovanna riu e a abraçou. - Sim. Falei para ele que não precisava ser tão grossa, mas ele insistiu. Richard aproximou-se de Dante e os dois se cumprimentaram com um abraço. - Vocês sempre arrasam como padrinhos
Na semana seguinte, Leon chegou à empresa com um sorriso largo no rosto. Entrou na sala de reuniões, onde já estavam Dante, Paul e alguns outros membros da equipe. Rita também estava presente. Leon olhou para todos e, ainda sorrindo, disse: - Pessoal, eu sei que isso não tem nada a ver com a reunião de hoje, mas eu gostaria de dar uma notícia muito importante para vocês. Então, quero que todos prestem atenção. Imediatamente, todos ficaram sérios, imaginando que se tratasse de alguma novidade relacionada ao trabalho. Leon fez uma pequena pausa, só para aumentar a expectativa. Então, abriu ainda mais o sorriso e anunciou, com uma entonação claramente feliz: - Eu vou me casar. Dante apoiou a mão na mesa de forma espontânea e se levantou na mesma hora. - O quê? Paul franziu a testa. - Você está com febre, Leon? Aconteceu alguma coisa? - Não, eu vou lá verificar - disse Paul. Ele se aproximou de Leon, colocou a mão em sua testa e fingiu examiná-lo com toda a serieda
Os meses se passaram, e, quando Oscar e Otto completaram seis meses, chegou o dia do batizado. Os dois já eram bebês grandes, cheios de dobrinhas, bochechas redondas e sorrisos fáceis. Haviam se tornado duas pequenas alegrias dentro de casa, cada um com sua própria personalidade, mas igualmente encantadores. Naquela manhã, a igreja estava cheia de familiares e amigos. Melissa fazia questão de manter Olie sempre por perto. Enquanto os bebês eram preparados para a cerimônia, segurava a mão da menina e, vez ou outra, ajeitava seus cabelos ou lhe dava um beijo na testa. Olie não demonstrava qualquer ciúme dos irmãos. Pelo contrário. Parecia genuinamente feliz com a casa cheia, com a família reunida e, principalmente, orgulhosa de ser a irmã mais velha. A escolha dos padrinhos também havia sido motivo de muita alegria. Oscar tinha Leon e Eloá. Otto tinha Richard e Giovanna. Richard e Giovanna já estavam juntos havia seis meses e o relacionamento havia avançado rapidamente.
Depois que Richard se despediu, Dante e Melissa finalmente tiveram alguns minutos a sós. Dante permaneceu ao lado da cama, olhando primeiro para Melissa e depois para os dois filhos. Estava encantado com aquela cena. De vez em quando, sorria sozinho, como se ainda estivesse tentando acreditar que tudo aquilo era real. Ele voltou os olhos para a esposa. - Nem nos meus melhores sonhos eu poderia imaginar uma sensação dessas. Melissa sorriu. Dante respirou fundo. - Eu posso te dizer uma coisa? - Sim. - Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Ele riu baixinho e balançou a cabeça. - Talvez também tenha sido o segundo mais desesperador... mas, pelo menos, terminou com um final feliz. Melissa segurou sua mão. Dante se inclinou e beijou seus lábios. - Muito obrigado, Melissa. Muito obrigado por ter me feito enfrentar esse medo. Depois beijou delicadamente a cabecinha de Oscar e, em seguida, a de Otto. - Eu vou permanecer aqui com você durante todo o tempo da sua


















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