INICIAR SESIÓNElena Hart
Na manhã seguinte, parei diante da cobertura de Alexander Thorne com duas malas aos meus pés e uma pergunta martelando na cabeça: o que eu estava fazendo ali? Eu tinha aceitado um emprego que não procurei, para cuidar de uma criança que conheci poucas horas antes, e agora estava prestes a morar na casa de um homem que, até cinco meses atrás, era um completo desconhecido. Uma péssima ideia, provavelmente a pior que eu já tive. A porta se abriu antes que eu pudesse tocar a campainha, revelando Alexander parado ali. Sem o terno impecável da empresa, parecia diferente: ainda era intimidante e mantinha aquela expressão séria, mas uma camiseta escura com calça simples tornavam sua aparência perigosamente mais humana. — Você veio — disse ele, encostando no batente e me observando. — Eu disse que viria — respondi, ajeitando a alça do casaco. Ele olhou para minhas malas no chão. — Tem certeza? — Se estiver tentando me convencer a desistir, chegou tarde — afirmei, erguendo o queixo. Um canto de sua boca se ergueu num meio sorriso contido. — Entre. Assim que atravessei a porta, ouvi um barulho vindo do corredor. Um cachorro enorme apareceu correndo e foi direto para Alexander. Dei um passo para trás, sobressaltada. — Você tem um cachorro? — Winston — apresentou ele, afagando a cabeça do animal. — Ele é... grande. — Ele é dócil. Winston veio na minha direção, abanando o rabo. Meu corpo inteiro ficou rígido e Alexander percebeu na hora. — Você não gosta de cachorros. — Eu não disse isso — cruzei os braços, tentando disfarçar a reação. — Seu rosto disse. Antes que eu pudesse responder, um choro agudo ecoou pela casa. Alexander imediatamente perdeu o pouco de humor que havia demonstrado. — Espere aqui — ordenou ele. Ele desapareceu pelo corredor longo. Em seguida, ouvi outro choro agudo e, logo depois, um terceiro. Franzi a testa, intrigada; afinal, um bebê chorando já era suficiente para deixar qualquer casa caótica, mas ouvir três choros diferentes fez meu coração parar por um instante. Alexander voltou carregando uma bebê nos braços. Atrás dele, havia um pequeno berço portátil onde outro bebê chorava desesperadamente, enquanto, em outro berço ao lado, o terceiro se agitava, mexendo os bracinhos e soltando pequenos gemidos. Fiquei olhando chocada, depois olhei para Alexander e para os bebês. — Espera — murmurei, dando um passo atrás. Ele suspirou pesado, demonstrando cansaço. — Eu ia contar. — Você tem três bebês? — Sim. — Três?! — exclamei, atônita. Um dos bebês soltou um choro ainda mais alto no berço. — São trigêmeos. Minha boca se abriu em um silêncio estupefato. — Você disse que eu cuidaria de um bebê. — Eu disse que precisava de alguém para ajudar com os bebês. — Não! — apontei para ele, completamente indignada. — Ontem você falou bebê! Singular! Bebê é uma coisa, isso aqui são três! — Eu sei contar — rebateu ele, mantendo a postura. — Então por que não me contou?! Ele passou a mão pelo rosto, frustrado. — Porque você estava prestes a fugir do prédio. — E agora eu estou pensando em fugir da sua cobertura! Os três bebês continuaram chorando, cada um em seu próprio ritmo caótico. Alexander fechou os olhos por um segundo. — Bem-vinda à minha vida. Fiquei encarando os três e, contra toda a lógica, comecei a rir. Não porque fosse engraçado, mas por puro desespero. — Meu Deus... Alexander se aproximou e me entregou a bebê que segurava. — Ela é Olive. A pequena se acomodou contra meu peito e o choro diminuiu quase imediatamente até ceder. Olhei para ela, surpresa com a reação. Então, Alexander apontou para o bebê no primeiro berço: — Oliver. O pequeno continuava chorando, com os punhos fechados junto ao rosto. Olhei para o terceiro, que também chorava, com o rostinho avermelhado e os pequenos braços se agitando no ar. — E aquela é Olivia. A bebê soltou outro chorinho irritado. — Ela parece brava — observei. — Ela é. — Comigo? — Com todo mundo. — Ótimo, já temos algo em comum. Alexander quase sorriu com a minha resposta. Quase. Olhei novamente para os três, ainda assimilando a informação. — Eles são realmente trigêmeos? — Sim. — Mesma idade? — Sim, Elena. — Mesma mãe? Ele ficou em silêncio por um instante, o olhar ficando denso. — Sim. A resposta curta carregava algo pesado demais para ser questionado naquele momento. Olhei para Olive em meus braços; ela estava tranquila, aconchegada contra meu peito com a respiração calma. — E todos eles precisam de mim? — Principalmente ela — ele indicou a bebê no meu colo. — Ela ainda não aceita fórmula. Eu te disse ontem, não lembra? — acrescentou ele, encarando-me. — Eu sei, é que... Esquece. Então eu vou alimentá-la — afirmei, ajeitando-a com cuidado. — Foi por isso que contratei você. Olhei para os outros dois nos berços. — E os outros? — Você vai cuidar dos três. Soltei uma risada incrédula diante da audácia dele. — Claro que vou. Alexander arqueou uma sobrancelha, avaliando minha reação. — Você pode desistir. Olhei para os três bebês e depois para ele. — Não. — Tem certeza? — Não. Ele sorriu discretamente, relaxando os ombros. — Pelo menos é honesta. Suspirei, aceitando meu destino. — Onde vou ficar? Alexander apontou para o corredor. — Seu quarto é o último à esquerda. Segui na direção indicada carregando Olive, mas parei antes de entrar no cômodo. — E quais são as regras? — Regras? — ele ergueu a sobrancelha. — Você é o tipo de homem que parece ter regras para tudo. Ele cruzou os braços, encarando-me com seriedade. — Não traga estranhos para casa. — Justo. — Não deixe os bebês sozinhos. — Óbvio. — E não ultrapasse os limites. Franzi a testa com o aviso solene. — Que limites? Alexander me encarou por alguns segundos antes de responder: — Saberá quando chegar perto deles. Não gostei da resposta enigmática. — Você é sempre tão misterioso? — Só quando necessário — disse ele, dando meia-volta. Entrei no quarto e fechei a porta devagar. Meu novo quarto era maior do que a casa inteira de Anita. Coloquei a mala sobre a cama, deitei a bebê calma no apoio e respirei fundo. Aquilo era loucura: eu tinha deixado minha antiga vida para trás e agora estava começando outra, dentro da casa de um homem que conhecera fugindo do próprio casamento. Só havia um pequeno detalhe: eu não estava apenas começando uma nova vida, estava começando uma vida com três bebês. E eu ainda não fazia ideia de como sobreviveria àquilo. No fim da tarde, descobri que cuidar de três bebês era muito mais difícil do que parecia. Oliver queria colo o tempo inteiro, Olivia parecia determinada a chorar sempre que eu finalmente conseguia acalmar os irmãos, e Olive tinha decidido que dormir era uma ofensa pessoal. Quando finalmente consegui colocar os três para descansar, afundei no sofá da sala, completamente exausta. — Primeiro dia difícil? — uma voz grave ecoou. Levantei os olhos e vi Alexander parado na entrada da sala. Ele afrouxou a gravata e tinha as mangas da camisa dobradas até os antebraços, transparecendo o cansaço do dia. — Você sabia que eles eram assim? — perguntei, jogando a cabeça para trás no estofado. — Sabia. — E mesmo assim me contratou? — Você aceitou. — Isso não é resposta — rebati, encarando-o. Ele sorriu discretamente, apoiando-se no portal. — Já disse: você pode desistir. Olhei para o corredor silencioso onde os três bebês dormiam. — Não. — Tem certeza? — Tenho. Alexander me observou por alguns segundos em silêncio. — Então amanhã começa de verdade. — Isso foi uma ameaça? — Um aviso — ele deu um meio sorriso e se virou para sair. — Alexander? — chamei antes que ele se afastasse. Ele parou no meio do caminho. — Obrigada. Ele olhou por cima do ombro, curioso. — Pelo quê? Pensei na noite em que nos conhecemos, naquela fuga desesperada e naquele homem que não perguntou por que eu precisava desaparecer antes de me ajudar. — Por ter me ajudado naquela noite. Por um instante, seu olhar mudou, suavizando-se. — Eu faria de novo. E saiu alguns passos depois, antes que eu pudesse perguntar o que aquilo significava. Fiquei olhando para a porta fechada enquanto meu coração batia um pouco mais rápido, e eu começava a desconfiar de que morar com Alexander Thorne seria muito mais complicado do que cuidar de três bebês.Alexander Thorne Raiva. Era a única coisa pulsando em mim agora.Elena estava realmente cogitando a proposta daquele sujeito? Ele não a conhecia, ele não precisava dela do jeito que eu precisava.Ficamos em um silêncio sepulcral pelo resto do caminho no carro. Elena manteve o rosto virado para a janela o tempo todo. Ela não disse uma única palavra comigo desde que acertei aquele desgraçado.E eu não sentia nenhum remorso. Ele merecia aquilo e muito mais.Olhei de relance para ela. Estava de braços cruzados, encarando a paisagem do lado de fora. Observei a respiração funda fazer seu peito subir e descer.Talvez eu tivesse exagerado. Talvez estivesse sendo possessivo demais, mas não conseguia me controlar quando o assunto era ela. Ver outros homens tocando nela me irritava num nível indescritível.Eu só queria que as coisas voltassem para como eram antes, quando Audrianna não estava enfiada no meio da nossa rotina. Quando Elena era só minha, e eu era dela.Agora ela devia me odiar.Lem
Elena HartDesde que voltei para os Thorne, os dias que antecederam o Natal eram uma palavra: caos.Enquanto estávamos todos sentados perto do fogo na véspera de Natal, assistindo Como o Grinch Roubou o Natal, eu poderia dizer que amanhã seria ainda pior.Audri foi rápida em sentar ao lado de Alexander e colocou a cabeça em seu peito largo enquanto fechava os olhos e fingia dormir. Enquanto ela fingia dormir, eu tinha que fingir que não me importava.— Esta sala não tem metade do charme da sala de cinema do andar de cima — comentei baixinho, tentando me distrair enquanto ajeitava as pernas no estofado perto do sofá.Passei a mão pelo pelo macio e sedoso de Winston e o puxei para mais perto de mim. Abaixei-me e beijei sua orelha antes de fazer cócegas nela.No tapete de atividades ao lado, Oliver soltou um ganido manhoso e tentou rolar de bruços para que eu pudesse acariciá-lo também. Passei a mão pelas costas dele, tocando o macacão fofo de Natal que ele usava — o macacão igual ao de
Alexander Thorne — Por que você está acordada uma hora dessas?A bebê de sete meses apenas soltou um ganido baixinho e começou a chacoalhar o chocalho de plástico contra as grades.— É, você tem razão... eu sou um covarde — gemi, afundando ainda mais na poltrona e cobrindo o rosto com as mãos. — Eu me acovardei, comecei a divagar e ugh... você nem imagina o tamanho do estrago.Olivia apenas deu uma risadinha banguela e jogou a chupeta para fora do berço.Levantei da poltrona, peguei a chupeta do chão e devolvi para ela. Olivia agarrou meu dedo com a mãozinha gordinha e babou um pouco na minha manchete.— Fui colocado na zona de amizade, Olivia. Ela me chamou de amigo e fugiu logo depois que eu basicamente disse que a amava.A bebê soltou a chupeta, deu um espirro alto que espalhou saliva para todos os lados e começou a gargalhar do meu desespero.— Isso foi realmente necessário? — perguntei, revirando os olhos para a tempestade de saliva. — Você está rindo da desgraça do seu pai.Inc
Alexander Thorne — Eu não tenho que prestar absolutamente nenhuma explicação a você, Audrianna. Para onde eu vou ou deixo de ir não é da sua conta — suspirei profundamente, ajeitando com uma irritação crescente o nó da minha gravata de seda, um gesto que Elena costumava fazer com tanta delicadeza e perfeição todas as manhãs. — É da minha conta sim, Alexander! Eu sou a sua noiva oficial e daqui a poucos meses serei a sua esposa perante toda a sociedade! — ela argumentou aos gritos, parada no meio do closet e me encarando com os olhos faiscando de raiva. — Desde que aquela babá insignificante foi embora desta casa, você ficou mil vezes mais distante, frio e inacessível do que já era. Fale comigo! Eu sou a sua mulher, eu me importo com você! — Pare com isso agora mesmo, Audrianna — pedi em tom severo, mas ela ignorou meu aviso completamente. — Você está me negligenciando terrivelmente! A mim, o grande amor da sua vida! — ela disse, franzindo a testa com uma expressão mimada. — E eu n
Elena Hart— Então, basicamente, você é a amante — minha mãe deixou escapar sem o menor pudor ou tato, mudando os canais da televisão com o controle remoto sem nem sequer se dar ao trabalho de olhar para mim.Senti um arrepio incômodo percorrer minha espinha ao ouvir aquela palavra dita de forma tão vulgar e natural dentro da sala da casa do meu pai.— Eu odeio essa palavra, mãe. Não me chame assim — murmurei em tom baixo, pegando o celular sobre a mesa de centro para disfarçar o desconforto evidente no meu rosto.Ao destravar a tela do aparelho, meus olhos bateram na notificação que indicava uma chamada perdida de Alexander há exatamente dez minutos. Meu coração deu um salto no peito. Digitei rapidamente uma mensagem perguntando se estava tudo bem e se havia acontecido algo grave com as crianças ou na empresa. Mas, conhecendo a rotina sufocante de reuniões e compromissos do grupo Thorne, eu sabia perfeitamente que ele provavelmente estaria ocupado e demoraria horas para visualizar ou
— Eu sou sua... — sussurrei, encostando a cabeça no peito dele. Fiquei chocada comigo mesma por dizer aquilo em vez de dar um sermão sobre a possessividade dele, mas a verdade é que eu não conseguia reagir de outra forma.— Sim — ele concordou. — Toda minha. — Ele começou a desenhar círculos na minha barriga com os polegares, subindo as mãos devagar. — Perfeita.Abaixei os olhos, tímida. Não era sempre que eu recebia elogios sobre o meu corpo.— Se ao menos a Olive pudesse aceitar as coisas como elas são... — ele suspirou, afrouxando o abraço.Virei-me para encará-lo:— O que você quer dizer com isso?— Não sei o que a Audrianna andou fazendo perto dela, mas a bebê recusa a mamadeira de um jeito teimoso quando vê a Audrianna e entra numa agitação horrível, como se estivesse rejeitando tudo ao redor — Alexander desabafou, apoiando as mãos no balcão da pia. — Ela simplesmente chora até perder o fôlego e empurra o biberão de leite.— Isso é terrível! — exclamei. — Um bebê de sete meses n







