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Capítulo 2

last update Data de publicação: 2026-08-07 08:51:33

Elena Hart

Ficamos nos encarando em silêncio até ele olhar para o próprio terno manchado e depois voltar a me encarar.

— Pelo visto, você continua causando problemas — comentou ele com tom seco.

Meu rosto queimou de vergonha.

— Eu não fiz de propósito!

— É bom saber — ironizou.

— Eu sinto muito — peguei alguns lenços da bolsa e tentei limpar a mancha na camisa dele.

— Não toque — ordenou ele, afastando minha mão.

Parei o gesto imediatamente.

— Desculpa.

Ele olhou para a roupa estragada e perguntou:

— Você sabe quanto isso custa?

— Não.

— Vinte mil libras.

Minha boca se abriu em choque.

— Vinte mil?!

— Algum problema com matemática? — ergueu ele a sobrancelha.

— Não! Problema com o fato de alguém pagar vinte mil libras em um terno!

Ele estreitou os olhos, encarando-me com severidade.

— Você vai pagar.

Soltei uma risada nervosa.

— Eu não tenho nem perto disso!

— Então arrume.

— Você continua sendo muito simpático — provoquei, ajustando a bolsa no ombro.

— E você continua correndo quando deveria olhar por onde anda.

— Eu não estava correndo!

Ele ergueu uma sobrancelha e pontuou:

— Acabou de derrubar café em mim.

— Isso foi diferente.

— Claro — desdenhou ele.

Antes que eu pudesse responder, um choro agudo e desesperado ecoou pelo corredor. Alexander fechou os olhos por um instante, parecendo exausto, e abriu a porta do escritório.

— Entre — mandou ele.

— Por quê?

Ele entrou sem responder e eu fiquei parada por alguns segundos antes de segui-lo. No canto da sala havia um pequeno berço de viagem e, dentro dele, uma bebê minúscula chorava sem parar. Meu coração apertou ao ver a cena.

— Meu Deus... — sussurrei.

Alexander foi até o berço e tentou pegá-la no colo, mas o choro só aumentou.

— Ela está assim há horas — explicou ele, frustrado.

— Onde está a mãe? — perguntei.

Ele ficou em silêncio por um momento antes de responder:

— Morta.

Meu peito apertou com a revelação.

— Sinto muito.

Ele não respondeu e a bebê continuou chorando forte. De repente, senti algo quente escorrer pelo meu peito e, ao baixar os olhos, vi minha blusa manchada de leite. Meu rosto ficou vermelho na hora e Alexander percebeu o que estava acontecendo.

— Você está amamentando? — perguntou ele.

Cruzei os braços para me cobrir.

— Isso não é da sua conta.

— Ela não aceita fórmula — explicou ele, encarando a filha.

Olhei para a garotinha inconsolável.

— E a ama de leite?

— Pediu demissão.

A discussão que eu ouvi no saguão voltou à minha cabeça imediatamente.

— Então procure outra — aconselhei.

— Estou tentando.

A bebê soluçou e meu coração doeu; eu conhecia aquele tipo de desespero e a sensação de querer proteger uma criança com todas as forças.

— Eu posso alimentar ela — ofereci baixinho.

Alexander ficou imóvel, surpreso com a proposta.

— Você faria isso?

— Sim.

Ele hesitou por um segundo antes de me entregar a bebê. Assim que a ajeitei nos meus braços, o choro diminuiu até parar por completo. Fiquei olhando para aquele rostinho de olhos azuis enormes e dedinhos minúsculos enquanto ela se aconchegava contra mim.

— Oi, meu amor... — acariciei sua cabeça com carinho.

Alexander não tirava os olhos de nós duas.

— Ela nunca faz isso — murmurou ele.

— Talvez só estivesse com fome — respondi, sem erguer a cabeça.

Ele continuou me observando fixamente e perguntou:

— Você perdeu um bebê?

Meu corpo congelou. Levantei os olhos para encará-lo.

— Como sabe?

— Seu olhar — respondeu ele simplesmente.

Engoli em seco e ele pareceu perceber que havia ultrapassado um limite pessoal.

— Desculpe — disse ele, num tom inesperadamente suave.

Foi tão inesperado que quase não acreditei que o homem rígido daquela noite sabia pedir desculpas. Poucos minutos depois, a bebê dormia tranquilamente no meu colo. Alexander se aproximou da bancada.

— Você veio para uma entrevista — lembrou ele.

Olhei para o relógio na parede.

— Que eu provavelmente perdi.

— Sim.

— Então acho melhor eu ir.

— Espere — pediu ele quando me virei para a porta. — Você ainda pode trabalhar aqui.

— Como estilista?

— Não — ele olhou para a filha adormecida. — Como babá.

Soltei uma risada incrédula.

— Você está falando sério?

— Muito.

— Eu vim procurar emprego como estilista — reiterei.

— E eu preciso de uma babá.

— Eu não tenho experiência.

— Ela gostou de você.

— Isso não é currículo — argumentei.

— Para mim, é suficiente — declarou ele.

Cruzei os braços, encarando-o.

— E o seu terno?

Ele olhou para a mancha escura na roupa.

— Continua sendo sua dívida.

— Claro que continua — ironizei.

— Seu salário pode descontar parte dela.

Arregalei os olhos, indignada.

— Você está me oferecendo um emprego para eu pagar uma dívida que surgiu porque eu derramei café em você?

— Exatamente.

— Isso parece exploração!

— Parece uma oportunidade — rebateu ele com calma.

Olhei para a bebê no meu colo e depois para ele. Eu precisava desesperadamente daquele emprego e talvez aquela pequena criatura também precisasse de mim.

— Quanto? — perguntei.

Alexander citou o valor e eu quase engasguei; era muito mais do que eu esperava ganhar como estilista.

— Quando começo?

— Amanhã.

— Amanhã? — reagi.

— Sim — ele se virou para a bebê e completou: — E você vai morar comigo.

Pisquei várias vezes, sem acreditar no que ouvia.

— O quê?

— Minha filha precisa de alguém disponível 24 horas.

— Eu não vou morar com um homem que conheci há poucos meses!

— Você já me viu duas vezes — pontuou ele.

— Isso não melhora a situação!

Um meio sorriso quase surgiu nos lábios dele.

— Pense até amanhã.

Olhei para a garotinha dormindo tão serena.

— Eu vou pensar.

— Ótimo.

Ajeitei a bebê de volta no berço e peguei minha bolsa. Quando saí daquela sala, eu ainda não sabia que tinha acabado de aceitar a proposta que mudaria minha vida, e muito menos que o homem que me ajudou a fugir do meu casamento seria justamente o homem com quem eu estava prestes a morar.

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