Compartir

CAPÍTULO 5

last update Fecha de publicación: 2024-05-21 01:24:21

Paris

Seis da manhã, acordei e me tranquei no banheiro para um banho antes da minha entrevista. Ainda não sabia como seria a questão da aposta.

Talvez as duas loucas me deixem trabalhar normalmente. Apesar de que não ligo. Vai ser divertido de qualquer forma. Eles podem descobrir a verdade, mas se preciso digo que uma fase ruim me deixou seja lá como eu deva ficar.

Com esses pensamentos, sai do banheiro e encontrei as duas me esperando sentadas em suas camas com caixas e um sorrisinhos.

— Achei que poderia escapar — brinquei, enxugando o rosto enquanto usava uma toalha cobrindo meu corpo.

— Sem chance. — Barbara declarou.

— Me desculpe, amiga, mas parece muito divertido para não fazer. — Inalda declarou abrindo uma das caixas.

— Então vamos nos divertir. — Sentei na cadeira da única penteadeira em nosso quarto e elas vieram. Barbara indicava o que Inalda precisava fazer porque ela era estudante de direito, não entendia nada de maquiagem, assim como eu.

Todas nós tínhamos planos para quando sairmos da faculdade, no fim desse ano, por isso dividíamos o quarto que nossas bolsas incluíam. O dinheiro que ganhávamos era reservado para nossos sonhos. O meu é comprar um apartamento e abrir meu consultório particular. Ainda não tenho o bastante para fazer tudo à vista, mas estou trabalhando para começar com o mínimo de dívidas e o máximo de empolgação. E sem precisar pedir ajuda aos meus pais, que já trabalharam demais em suas vidas para me levar até onde estou.

— Não. — Segurei a mão de Inalda quando entendi que ela pretendia esconder a minha cicatriz com maquiagem.

— Desculpe. — Ela fez aquela expressão que sempre fazia quando o assunto era minha cicatriz.

Odeio ver pena no olhar das pessoas. Às vezes me arrependo de ter contado a ela como consegui essa marca.

— Relaxa. Mas deixa ela ai. No fim, vai acabar ajudando na caracterização. — Forcei um sorriso.

Ela demorou um pouco, mas aceitou e mudou de assunto; falando sobre como seria os dias da aposta.

Eu tinha essa cicatriz desde o meu aniversário de quinze anos. Era uma lembrança de que existe mais pessoas cruéis que boas nesse mundo. Colegas de escola armaram para mim. Enquanto eu me arrumava toda feliz por ter permissão para comemorar meu aniversário com eles longe dos nossos pais, eles preparavam a armadilha.

Era para ser um estupro coletivo. E as meninas filmariam para me ameaçar caso eu tentasse contar para alguém, mas eles não esperavam minha reação. Ataquei tudo e todos. Eles tentavam me segurar e eu atacava mais ainda, como um animal acuado. Só que cai exatamente com o ombro — bem perto do pescoço — em uma garrafa quebrada no chão. Não morri por milagre. Ouvi isso de várias pessoas, inclusive dos médicos que me salvaram. Era realmente um milagre porque o dono da casa chegou no momento exato, e ele era médico. Time perfeito para eu não sangrar até a morte, porque meus colegas me deixariam morrer, eles fugiram logo que me viram sangrando. Eu denunciei todos eles. Só foram condenados a serviço comunitário, por serem menores de idade e eu ter sobrevivido. Mas pelo menos eles sabem que não tenho medo. Depois desse dia os pais deles foram obrigados pela pressão dos outros pais a mudá-los de escola e nunca mais os vi.

Desde esse dia eu faço todos os cursos de defesa pessoal, ando com spray de pimenta, além de ter porte e posse de arma. Não passarei por isso novamente. Também criei certa resistência a confiar. Principalmente em homens.

Enquanto eu lembrava desse terrível episódio, Barbara terminava sua mágica.

— O que acha?

— Nossa! Você tem o dom. Me deixou horrível. Adorei. — Rimos. — Agora me deixe ir porque posso chegar feia, não atrasada.

Depois de algumas fotos do novo estilo, me apressei e cheguei na empresa no horário. No local, assim como pelo caminho, as pessoas me olhavam como se eu tivesse uma doença contagiosa. A sensação não é muito diferente de quando ando pela rua com uma roupa mais elegante e os homens me encaram como a um pedaço de carne e as mulheres como se quisessem me matar.

A roupa feita para deixar gorda incomodava um pouco, me deixava atrapalhada. Por isso nem vi quando ele entrou na sala. Estava pegando a caneta que derrubei ao tentar corrigir minha postura na cadeira.

Quando me levantei e o vi, quase que cai junto com a caneta que soltei.

Não poderia existir homem assim. É covardia do universo. Não que fosse um modelo de beleza padrão. Longe disso. Era másculo, alto, com um rosto marcado por duas cicatrizes finas. Ele emana algo que me deixa de pernas bambas. E pelo que percebi ao meu redor, eu não era a única afetada.

Foi tudo muito rápido. Ele ordenou que contratassem a de cinza e saiu. Demorou para eu entender que a de cinza era eu.

Quando caiu a ficha, todas me olhavam com raiva.

E eu? Estava só a felicidade por ter conseguido o emprego e por saber que teria a visão desse deus todos os dias.

Se não fosse casado...

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • O CEO e a feia mais bela   EPILOGO

    Dois anos depoisJoshuaO choro da nossa menina invadiu o quarto do hospital.— Qual será o nome dela? — perguntei enquanto a entregava a uma Paris chorosa. O médico havia me entregado essa pequena tão frágil e suja.Paris a segurou e chorou mais. Beijei sua cabeça e acariciei a cabecinha da nossa menina. Ela tinha bastante cabelo. Aposto que será tão linda quanto a mãe.— Lucile — Paris falou, fazendo meu coração errar uma batida.Eu sentia que de alguma forma minha melhor amiga voltou para nós. Só que dessa vez não a amaria como irmã, e sim como filha.Relutei um pouco quando o médico me colocou para fora para cuidar das garotas.Tinha um pequeno exército esperando na sala de espera. Os pais de Paris, os meus, Theo e Inalda que também carregava uma barriga, do segundo filho, e Sandra que se tornou grande amiga da minha mulher. O primeiro filho de Theo e Inalda estava com os avós corujas que não perdem tempo em mimá-lo.— Lucile nasceu — anunciei.Todos ficaram emocionados ao ouvir o

  • O CEO e a feia mais bela   CAPÍTULO 39

    ParisOuço a voz de Josh avisando que chegou, mas não ouço a porta se fechar, como sempre. Ele é muito silencioso. Sempre avisa porque já me assustou algumas vezes.Ainda me lembro do nosso aniversário de um mês de namoro. A forma que falou comigo me machucou. Mas percebi que machucou muito mais a ele. Algo como aquilo nunca mais aconteceu. Acho até engraçado quando estamos discutindo e ele se controla para falar baixo enquanto grito feito louca.Talvez eu tenha me acostumado com a forma como ele resolve nossas brigas me jogando nos ombros, me levando para o quarto e reafirmando que ninguém mais seria capaz de ser todo meu e eu não seria capaz de ser de mais ninguém. Adoro quando ele me fode com força, exigindo que eu repita que sou sua.Sorrindo com essas lembranças, me olho no espelho mais algumas vezes e tento engolir a vergonha. A fantasia ficou perfeita em mim. A máscara, as orelhinhas, calcinha, sutiã e algumas tiras. Tudo muito sensual em tom preto. Ajeitei meus cabelos, pronta

  • O CEO e a feia mais bela   CAPÍTULO 38

    JoshuaOs dias passaram. E Paris e eu estávamos cada dia mais apaixonados. Conheci meus sogros e fui aprovado depois de um extenso interrogátorio.As pessoas falaram um monte de bobagens sobre nós nas redes sociais e sites de fofocas, mas nem ligávamos.Até pensei que os idiotas que perseguiam Paris fariam algo, porém eles levaram a sério as minhas ameaças e nunca mais ouvimos falar deles.Os pais de Lucile sabiam a verdade sobre o nosso casamento e vieram me procurar para reforçar que não acreditavam em nenhuma daquelas fofocas. Tivemos uma conversa onde expus tudo, inclusive o conteúdo da carta que a filha deles deixou para Paris. Eles se emocionaram e literalmente me disseram para mandar todos ao inferno e ser feliz.E foi o que fiz.Paris passava todo o tempo possível comigo. Raramente ia ao seu quarto na faculdade. Só mesmo quando a saudade da amiga apertava. O que não era muito frequente já que a amiga também estava ocupada com meu melhor amigo. Acho que podemos marcar algo em q

  • O CEO e a feia mais bela   CAPÍTULO 37

    Joshua— Como foi? — perguntei após meu amigo fechar a porta da minha sala.No dia seguinte ao “pedido de desculpas” de Theo, ele apareceu novamente na empresa. Dessa vez seu sorriso ao desejar bom dia a Paris foi sincero. E veio acompanhado com uma brincadeira sobre não termos dormido.— Uma lição de moral atras da outra e ela nem precisa abrir a boca pra isso. — Balançou a cabeça negando. — Cara, como fui perder essa mulher para você? Fui muito cego?— Está com raiva porque não interferi no que ela fez no restaurante? — perguntei o que queria ter perguntado ontem, mas fui interrompido por problemas no novo produto.— Não. Estou com raiva de mim. Fico imaginando detalhes que poderia ter visto. Como você descobriu?— Relaxa. Eu só descobri porque ela perdeu uma verruga falsa na minha cama.Ele sorriu safado.— Na sua cama?— É, mas naquele dia não aconteceu nada. Depois que achei, fui atrás da verdade. Não foi nada difícil descobrir.— E não me contou — resmungou.— É. Não te contei.

  • O CEO e a feia mais bela   CAPÍTULO 36

    ParisDepois que saímos do restaurante, Joshua e eu fomos para um concorrente e jantamos ao som de jazz e das nossas risadas pelo que aconteceu.— Me desculpe, mas eu adorei a cara do seu amigo ao me ver mudando diante de todos, passando da feia para a mulher que ele seguia. Foi cômico.— Depois converso com ele. E pode esperar que ele vai admitir o erro e pedir perdão. Conheço aquele cabeçudo.— Desde que ele entenda que tenho dono. — Mordi o lábio pensando em coisas nada descentes que poderíamos fazer essa noite, entre quatro paredes.— Ah é? E quem é esse tal dono?— Um homem ciumento que não gostaria nada de te ver me tocando assim. — A mão dele estava em minha coxa por baixo da mesa, indo para calcinha.— E o que ele faria se eu dissesse que quero te comer nessa mesa?O clima divertido já era. Podia sentir o tesão exalando de nós.— Ele eu não sei, mas eu direi que prefiro a mesa da sua casa.— Garçom. A conta, por favor.Ri demais do seu jeito. Porém realmente fomos embora. E ne

  • O CEO e a feia mais bela   CAPÍTULO 35

    TheoFinalmente sai daquele restaurante e entrei no primeiro bar que encontrei. Pensar em Paris e Joshua me deixava mal. Mais ainda por saber que o errado fui eu. Quem acabou com todas as chances com ela fui eu. Mas quando poderia imaginar que a deusa morena era a secretária canhão?Meu amigo enxergou além das roupas feias e do corpo malcuidado. Poderia ter sido eu.E saber que estão juntos e que não tenho chance não é o suficiente para apagar o quanto a desejei e ainda desejo. É... a primeira mulher que amo acaba comigo com uma lição de moral esmagadora. E o que mais dói é saber que eu não sou esse imbecil que escolhe a mulher pelos padrões que a sociedade impõe. Já me apaixonei e até sai em algumas vezes com mulheres fora desse padrãozinho de merda. Mas era sempre escondido, porque meus amigos sempre apareciam com mulheres lindas.Eu me convenci que também precisava disso. Que era vergonhoso minhas conquistas serem “menos” que as deles.Chega disso! Acabou. Posso até ouvir o meu pau

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status