LOGINDAMIEN SINCLAIR Meses depois eu estava montando uma árvore de Natal em pleno dezembro. Nunca imaginei que montar uma árvore de Natal pudesse ser uma tarefa tão complicada. — Eu falei que você deveria ter montado isso antes — Savannah reclamou, segurando uma das partes da árvore enquanto eu tentava encaixá-la na base. — Nós estamos montando agora. — Exatamente. No dia da ceia. Olhei para ela, dando a melhor desculpa que eu poderia pensar naquele momento. — Ainda temos algumas horas. — Algumas horas? Damien, a árvore deveria estar pronta há pelo menos uma semana. — Você queria que eu montasse sozinho? — Não. Eu queria que você tivesse montado quando disse que montaria. — Eu disse que montaria antes do Natal. — Hoje é Natal. Parei por um instante. — Tecnicamente, você tem razão. — fiz uma pausa. — Mas lembre que é véspera e não realmente o Natal. Voltei a encaixar as partes da árvore. A mansão estava completamente diferente naquela noite. Havia luzes espalha
DAMIEN SINCLAIR Dias depois, eu tinha planejado aquela surpresa havia algumas semanas, mas só naquela noite tive certeza de que Savannah não descobriria antes da hora. — Você ainda não pode tirar a venda — avisei. — Damien, já faz quase vinte minutos. — E continuará fazendo até chegarmos. Ela soltou um suspiro impaciente no banco do passageiro. — Você sabe que eu odeio surpresas. — Eu sei. — Então por que está fazendo isso? Sorri, sem conseguir me segurar. — Porque dessa vez você vai gostar. Ela cruzou os braços, irritada com o fato de eu estar fazendo uma surpresa. Eu conseguia sentir a ansiedade dela. — Isso é exatamente o que alguém diz quando sabe que está prestes a fazer alguma coisa que eu vou odiar. — Confie em mim. — Esse é o problema. Eu confio em você. Olhei para ela rapidamente antes de voltar a atenção para a estrada. Savannah estava com uma venda preta cobrindo os olhos e os cabelos presos em um coque baixo. Eu havia pedido que ela não fi
DAMIEN SINCLAIR O restaurante estava muito mais tranquilo naquela noite do que nas últimas semanas. Talvez fosse porque, pela primeira vez em muito tempo, eu conseguia me sentar diante de alguém sem sentir a necessidade de observar cada pessoa que entrava, cada telefone sobre as mesas ou cada movimento suspeito ao nosso redor. Eu ainda tinha o hábito de procurar ameaças, depois de tudo o que havia acontecido com Savannah, não era algo que desapareceria de uma hora para outra. Mas naquela noite, pela primeira vez, eu conseguia relaxar. Nathaniel estava sentado à nossa frente, com uma expressão tranquila e um copo de água entre as mãos. Ele parecia muito mais descansado do que na última vez em que havíamos nos encontrado. Eu sabia o motivo, finalmente, não havia mais nenhuma investigação urgente para conduzir. Savannah estava ao meu lado, com uma das mãos apoiada sobre a mesa. Eu olhei para ela por alguns segundos. — Acho que ainda não agradecemos o suficiente — ela disse. Nat
DAMIEN SINCLAIR Eu nunca imaginei que voltaria àquela prisão. Muito menos que faria isso por vontade própria. O carro parou diante dos portões pouco depois das três da tarde, e permaneci alguns segundos sentado no banco traseiro, olhando para o enorme complexo cercado por muros, grades e câmeras. O dia estava nublado, e o céu cinzento parecia combinar perfeitamente com aquele lugar. Eu poderia ter enviado alguém, mas havia uma coisa que eu precisava fazer pessoalmente: agradecer. Natalie havia sido uma peça importante para que conseguíssemos chegar até Julian. Sem as informações que ela conseguiu, talvez tivéssemos levado muito mais tempo para entender a estrutura por trás da Blackthorne. Ela havia investigado nomes, empresas e intermediários quando nós ainda estávamos tentando descobrir onde procurar. Segui pelo corredor conhecido até a sala de visitas. Quando entrei, Natalie já estava sentada do outro lado do vidro. Ela levantou os olhos assim que me viu. Sentei-me diante del
SAVANNAH SINCLAIR Os acontecimentos daquela manhã desencadearam algo muito maior do que eu poderia imaginar. A reportagem de Nathaniel continuou sendo compartilhada durante horas. Primeiro vieram os grandes portais de notícias. Depois, os canais de televisão. Em seguida, começaram a surgir novas pessoas dispostas a falar. Foi quando percebemos que o caso da Northbridge não era isolado, pois outras empresas começaram a aparecer. Empresários que, durante anos, haviam evitado falar sobre os Kensingtons começaram a apresentar documentos, contratos e registros financeiros. Alguns relataram ter recebido ameaças semelhantes às que nós havíamos recebido. Outros afirmaram que haviam sido pressionados a aceitar acordos desfavoráveis ou abandonar determinadas investigações. Cada novo depoimento fazia surgir outra peça. E, quanto mais peças apareciam, mais difícil ficava sustentar a versão apresentada por Julian. Naquela mesma tarde, recebi uma mensagem de Damien."Olha o que está passando
SAVANNAH SINCLAIR Na manhã seguinte, eu estava sentada ao lado de Damien no escritório dele, olhando para a tela do computador como se ela pudesse nos dar alguma resposta antes mesmo de a notícia começar. A gravação estava pronta. Nate havia passado a noite trabalhando com a equipe jurídica e jornalística para verificar o material, preservar o arquivo original e preparar a publicação. William também havia analisado tudo o que seria divulgado. Agora, só nos restava esperar. Damien estava sentado ao meu lado, com o braço ainda se recuperando do acidente. Eu mantinha os olhos fixos no notebook sobre a mesa. Na tela, o site do New York Ledger estava aberto, porém relógio avançava de forma lenta demais. Era como se ele estivesse caçoando da gente depois de tudo que tínhamos passado. — Ele disse que seria às dez — murmurei, olhando para meu esposo ao meu lado. Damien olhou para o relógio mais uma vez, parecendo também perceber que o tempo estava passando mais devagar naquele moment







