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10. Isadora assina

Autor: A.C. Borges
last update Data de publicação: 2026-08-20 04:56:52

POV: Isadora Montenegro

A caneta pesava na minha mão como se fosse de chumbo.

O contrato de casamento estava aberto na última folha, desdobrado em três vias sobre o couro escuro da escrivaninha de Rafael.

No rodapé de cada uma delas, a assinatura dele já estava cravada em traços pretos, angulosos e firmes. A caligrafia pesada de um homem acostumado a mover bilhões sem pedir licença para ninguém.

Ao lado do nome dele, a linha pontilhada esperava pela minha assinatura.

Parei por dois segundo
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Último capítulo

  • O CONTRATO DIZIA APENAS NEGÓCIOS (Ele Exigiu Rendição)   15. A primeira noite na mesma casa

    POV: Isadora Montenegro​Três e dezessete da madrugada.​Eu estava deitada de olhos abertos na cama da suíte leste, encarando as sombras que a janela projetava no teto branco do quarto.​Passei as últimas duas horas tentando desligar a cabeça, mas o silêncio daquela cobertura não era como o silêncio da minha antiga casa. Era um vazio pesado, pontuado apenas pelo estalo térmico do vidro blindado contra o vento da serra e pelo zumbido quase inaudível do ar-condicionado.​Cada músculo do meu corpo continuava alerta.​A consciência de que Rafael estava a menos de vinte metros de mim, no mesmo mezanino, funcionava como um alarme ligado na minha cabeça.​A cena dele girando a chave dourada na tranca antiga do quarto da mãe e batendo a porta na minha cara não saía da minha mente. O homem que me enfrentava nos tribunais e calculava cada movimento da empresa com a frieza de uma máquina tinha uma ferida aberta no meio daquela casa. E eu agora morava dentro dela.​Desisti de tentar dormir.​Jog

  • O CONTRATO DIZIA APENAS NEGÓCIOS (Ele Exigiu Rendição)   14. O apartamento de Rafael

    POV: Isadora Montenegro​Fechei a última gaveta do closet da suíte leste com um empurrão bem firme.​Minhas roupas de trabalho estavam penduradas em cabides de veludo, minhas pastas de processos organizadas sobre a escrivaninha de madeira clara e meus perfumes alinhados na bancada de mármore do banheiro. Em menos de duas horas, eu tinha tomado posse de cada centímetro daquele quarto no fim do mezanino.​Mas do lado de fora daquela porta, o resto da cobertura continuava sendo território inimigo.​Saí para o corredor acarpetado e apoiei as mãos no parapeito de vidro que dava para a sala de estar no piso inferior.​O duplex de Rafael Ferraz não parecia a casa de um homem de trinta e quatro anos; parecia a sede de uma embaixada privada.​Tudo era monumental, simétrico e estéril. Paredes em concreto polido, sofás de linho grafite e telas de arte abstrata que pareciam escolhidas por um consultor de investimentos, não por alguém que realmente gostava de pintura. Não havia uma única fotografi

  • O CONTRATO DIZIA APENAS NEGÓCIOS (Ele Exigiu Rendição)   13. Sob os Holofotes

    POV: Isadora Montenegro​Os disparos dos flashes eram tão rápidos que deixavam clarões brancos na minha vista a cada piscada.​A bancada de madeira no palco do centro de convenções estava forrada por mais de vinte microfones de emissoras de televisão e portais de economia. Ao meu lado, a menos de trinta centímetros, Rafael vestia um terno sob medida cinza-chumbo, com a postura impecável de quem nasceu para comandar o mercado.​— Boa tarde a todos — a voz dele ressoou limpa pelos alto-falantes, calando o burburinho na primeira fila. — Eu e a doutora Isadora Montenegro convocamos esta coletiva para oficializar o fim de todas as disputas judiciais entre os grupos Ferraz e Montenegro, e para consolidar o nosso compromisso público.​Uma repórter de finanças levantou a mão no mesmo segundo:​— Doutor Ferraz, o mercado foi pego de surpresa pela nota. Como fica a divisão das patentes de inteligência artificial com a unificação das duas empresas?​— A transição será coordenada diretamente pela

  • O CONTRATO DIZIA APENAS NEGÓCIOS (Ele Exigiu Rendição)   12. O anel

    POV: Isadora Montenegro A caixinha de veludo azul-marinho foi deixada sobre a mesa de centro com uma brusquidão que dizia mais do que qualquer palavra. Rafael deu um passo para trás, enfiando as mãos nos bolsos da calça de alfaiataria, a cara fechada na mesma expressão de quem só estava riscando o próximo item de uma lista burocrática. — A assessoria marcou a nossa primeira coletiva de imprensa para quarta-feira de manhã — avisou, a voz no piloto automático de sempre. — O mercado quer a confirmação visual do noivado. Você não pode aparecer na frente dos repórteres com a mão vazia. Fiquei encarando a caixa fechada por dois segundos antes de esticar o braço e puxar para mim. O veludo estava levemente gasto nas bordas — um detalhe antigo, discreto, que não combinava em nada com o padrão de ostentação que eu esperava de um bilionário querendo impressionar os jornais. Abri a tampa de uma vez. A peça cravada no centro não era uma daquelas joias modernas de vitrine de shopping. Era u

  • O CONTRATO DIZIA APENAS NEGÓCIOS (Ele Exigiu Rendição)   11. Regras do casamento

    POV: Rafael Ferraz ​Larguei a pasta de couro preto no centro da bancada de mármore da cozinha da minha cobertura. ​A certidão de casamento assinada em cartório há menos de vinte e quatro horas repousava no bolso interno do meu paletó, mas aquele papel era só a blindagem jurídica contra o conselho. O que estava prestes a começar entre quatro paredes exigia um nível de controle muito mais rígido. ​Isadora entrou na cozinha puxando uma mala de mão rígida. Vestia jeans escuro, blazer cinza e sapatos baixos. Correu os olhos pelo espaço amplo, pelas janelas de pé-direito duplo com vista para a serra e, finalmente, pela pasta aberta diante de mim. ​— Bom dia para você também, Rafael — disse, soltando a mala perto da ilha central. — Já imprimiu o organograma da nossa vida de casados? ​Ignorei o deboche, empurrando a folha com as diretrizes na direção dela. ​— O caminhão com as suas caixas chega às duas da tarde com a transportadora que contratei. A portaria já cadastrou o seu reconhecim

  • O CONTRATO DIZIA APENAS NEGÓCIOS (Ele Exigiu Rendição)   10. Isadora assina

    POV: Isadora Montenegro A caneta pesava na minha mão como se fosse de chumbo. O contrato de casamento estava aberto na última folha, desdobrado em três vias sobre o couro escuro da escrivaninha de Rafael. No rodapé de cada uma delas, a assinatura dele já estava cravada em traços pretos, angulosos e firmes. A caligrafia pesada de um homem acostumado a mover bilhões sem pedir licença para ninguém. Ao lado do nome dele, a linha pontilhada esperava pela minha assinatura. Parei por dois segundos, com a ponta de aço suspensa a um milímetro do papel. No trigésimo oitavo andar daquela torre, o silêncio era tão denso que dava para ouvir o zumbido abafado da avenida lá embaixo. O ar-condicionado soprava um vento gelado que fazia a ponta dos meus dedos arder contra o metal da caneta. Era uma loucura. Seis meses atrás, eu estava sentada na sala de audiências da vara empresarial de São Paulo, usando meu melhor salto e desfiando argumentos técnicos que derrubaram uma liminar inteira da Ferra

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