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O Contrato de Gelo do Bilionário
O Contrato de Gelo do Bilionário
Author: GeovannaS

Capítulo 1

Author: GeovannaS
last update publish date: 2026-04-09 19:34:51

O silêncio do 80° andar da Sterling Enterprises não só não ter som, era opressor. O escritório de Arthur Sterling parecia ter sido esculpido de um bloco de gelo e poder. As paredes de vidro do chão até o teto ofereciam uma vista panorâmica de uma metrópole que poderia rastejar ao seus pés, sobre um céu nublado que parecia a cor de seus olhos. O piso de mármore escuro refletia a luz da tarde, e a única peça de mobília que não transmitia hostilidade era a grande mesa no centro.

Arthur dispensou o diretor financeiro com um aceno de mão, sem nem levantar os olhos do relatório trimestral na sua frente. O homem com o dobro da idade do CEO murmurou um "sim, senhor" patético e recuou rapidamente em direção as portas duplas. Arthur suspirou, um som baixo que carregava o peso de um tédio autoritário. Ele afrouxou um pouco a gravata de seda italiana que custava mais do que a maioria de seus funcionários ganhava em seis meses. O ar no seu redor cheirava a sândalo.

Quando as portas duplas de carvalho se abriram de novo, não foi um executivo que apareceu. Foi Elena.

Ela andou para dentro com as costas absurdamente ereta, os ombros tensos no blazer de lã marinho que ela tinha comprado em um brechó há três anos. A cada passo que ela dava no tapete persa de valor inestimável, seus sapatos de salto baixo, que dava para ver que estavam desgastados nas bordas, afundavam no tecido grosso, uma metáfora cruel para a situação em que se encontrava. Ela estava afundando. A dívida enorme deixada pelo desfalque criminoso do ex-sócio do seu falecido pai ameaçava não só a sua casa, mas o abrigo para jovens vulneráveis que sua família tinha construído com sangue e suor.

Mesmo assim, Elena levantou o queixo. Seus cabelos castanhos estavam presos em um coque firme, sem nenhum fio fora do lugar, uma tentativa de manter o controle de pelo menos uma coisa na sua vida. Seus olhos amendoados, transmitindo pânico e orgulho, se fixaram no homem atrás da mesa. A diferença entre eles era nítida. Ele era o deus do Olimpo corporativo, em um terno sob medida em seus ombros largos, ela era a mortal prestes a ser sacrificada no altar do capitalismo.

Arthur finalmente levantou o olhar. O cinza de seus olhos bateu com o castanho quente e desafiador dos dela. O impacto veio, uma faísca que fez os pelos dos braços de Elena se arrepiarem nas mangas do blazer. Ele não sorriu. Ele não ofereceu uma cadeira.

-Você está exatamente três minutos atrasada, Srta. Rostova. -A voz de Arthur era perigosa, profunda, capaz de acariciar e degolar ao mesmo tempo. -Meu tempo é o ativo mais caro deste edifício. Sugiro que não o desperdice com desculpas.

Elena parou a três passos da mesa, cruzando os braços de forma defensiva para esconder sua mão que estava começando a tremer um pouco. A sala parecia ter perdido dez graus Celsius.

-Eu não vim pedir desculpas, Sr. Sterling. O trânsito caótico de Nova York não se curva à sua conta bancária de onze dígitos, por mais que isso deva frustrar o seu ego. — A resposta saiu rápida, afiada. Ela viu o maxilar rígido dele se contrair. — Vim discutir a execução da hipoteca do Abrigo Esperança. Uma dívida que sua subsidiária comprou ontem, coincidentemente, vinte e quatro horas depois do meu pedido de extensão de prazo.

Arthur se encostou na cadeira, unindo as pontas dos dedos em um gesto de quem tem o mundo na palma da mão. O olhar dele apenas a avaliou de cima a baixo de forma tão lenta que parecia uma invasão. Ele observou a roupa simples, a falta total de maquiagem, a bravura estúpida em sua postura.

-O mundo dos negócios não é uma instituição de caridade de esquina, Elena. A dívida da sua família é de dois milhões de dólares com juros compostos. Um erro de arredondamento nos meus relatórios financeiros, concordo. Mas um erro que não pretendo ignorar por sentimentalismo.

-Sentimentalismo? -Elena deu um passo à frente, a indignação a fazendo perder a compostura calculada. -Estamos falando de cinquenta crianças que ficarão literalmente nas ruas até sexta-feira se o senhor assinar aquela ordem de despejo. Para você é um erro de arredondamento, para mim, é uma sentença de morte para dezenas de vidas inocentes!

-Então, é uma sorte sua que eu tenha um uso muito específico para você que vale, por coincidência, exatamente dois milhões de dólares. -Arthur disse com a mesma naturalidade que pediria um café expresso duplo ao seu assistente.

O silêncio que se seguiu foi sufocante. Elena franziu a testa, o peito subindo e descendo rápido e pesado. As luzes de LED frias e embutidas em cima deles pareciam zumbir.

-O que o senhor quer dizer com isso? Eu sou arquiteta, não... seja lá o que o senhor acha que pode comprar com esse dinheiro imundo.

Arthur descruzou os dedos e apoiou as palmas das mãos na mesa, impulsionando seu corpo para cima. A sombra que ele projetou pareceu engolir a claridade da sala. Ele era muito alto. O terno azul-marinho se encaixava de forma perfeita na musculatura, e a maneira como ele deu a volta na mesa teve a graça de um predador encurralando sua presa.

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