INICIAR SESIÓN-O contrato, Srta. Rostova. -Os olhos de Arthur encontraram os dela esperando com paciência. -Cláusula de confidencialidade absoluta sobre pena de processo milionário. Cláusula de fidelidade pública. Camas separadas, vidas separadas nos bastidores, atuações dignas de um prêmio Oscar na frente dos flashes e das lentes. Sem toques desnecessários quando as portas se fecharem. Sem apegos emocionais patéticos. Sem sentimentos. Assine, e seus problemas somem hoje.
Elena caminhou de forma lenta, de volta até a borda da mesa. Seus olhos castanhos, arregalados, estavam fixos no contrato. O peso insuportável de duas opções impossíveis nos seus ombros. A ruína de tudo o que ela amava e tinha lutado para proteger, ou a escravidão disfarçada de um matrimônio nas mãos do próprio diabo vestindo um terno sob medida.
Ela não tinha nenhuma outra escolha a não ser ceder. Ele sabia disso. E a pior parte era que ela também sabia.
Engolindo em seco com o resto do seu orgulho, com a mão direita tremendo, Elena de fora lenta, estendeu os dedos em direção à caneta.
A ponta de ouro tocou a folha, e o som áspero do metal arranhando o papel ecoou no escritório silencioso como o grito da própria alma de Elena. Com aquela assinatura, a arquiteta endividada do Brooklyn deixou de existir. No seu lugar, nascia uma mercadoria de luxo, adquirida por dois milhões de dólares pelo homem de olhos cinzentos que a observava do outro lado da mesa.
Assim que ela levantou a caneta, o ar ao redor de Arthur Sterling mudou. A tensão sumiu, sendo substituída pela eficiência impessoal de uma máquina corporativa. O bilionário não sorriu, nem demonstrou alívio. Ele apenas estendeu a mão, puxou o contrato assinado e apertou um botão do seu interfone.
-Harrison, -a voz de Arthur autoritária. -O contrato foi formalizado. Transfira os dois milhões de dólares para a conta do Abrigo Esperança agora mesmo. Quero o comprovante de liquidação da dívida no meu e-mail em trinta segundos. Cancele as escavadeiras.
-Imediatamente, Sr. Sterling.
O clique do interfone sendo desligado soou como a tranca de uma cela de prisão. Elena respirou fundo. Suas pernas tremiam, mas ela forçou seus joelhos a se manterem firmes. A dívida estava paga. O teto das crianças estava a salvo. O sacrifício estava feito.
-Ótimo. -Elena engoliu o nó do tamanho de uma bola de golfe na garganta. Ela largou a caneta de ouro na mesa como se tivesse envenenado. - Vou voltar para o meu apartamento no Brooklyn, empacotar minhas coisas e resolver as pendências no escritório. Estarei pronta para a mudança na segunda-feira de manhã.
Arthur levantou os olhos do documento, e a frieza a paralisou no lugar. Ele deu a volta na mesa, os sapatos italianos feitos sob medida não fazendo um único som no tapete persa.
-Você parece não ter lido a cláusula de vigência com atenção, Srta. Rostova. O nosso acordo não começa na segunda-feira. Ele começou no segundo em você assinou aquele papel.
-Eu preciso das minhas roupas. Dos meus projetos. Da minha vida, Arthur! -Ela cuspiu o nome dele, a indignação subindo pela garganta.
-Sua vida agora é a minha agenda. -Ele parou a menos de um metro dela. - E quanto às suas coisas, não se preocupe com o frete. Minha equipe de segurança foi mandada para o seu pequeno apartamento no Brooklyn há meia hora. Eles já estão empacotando o necessário. O meu motorista está nos esperando na garagem. Você vai para a minha casa agora.
Elena arregalou os olhos amendoados.
-Você mandou estranhos invadirem a minha casa antes mesmo de eu aceitar a sua proposta doentia? -O sussurro dela era carregado de horror. - O senhor é um sociopata arrogante.
- Eu sou um homem que não gosta de perder tempo. -Ele ajeitou a abotoadura de platina no pulso esquerdo, a expressão não mudou com o insulto. - Vamos. Não me faça esperar, Elena. Eu odeio atrasos.
Elena caminhou ao lado dele, as costas retas, se recusando a demonstrar pânico. Um Maybach preto, blindado, polido até espelhar, esperava eles com as portas traseiras abertas por um motorista com luvas brancas.
Quando Elena entrou no veículo, o cheiro de couro novo, madeira e o sândalo do perfume de Arthur quase a deixou sem ar. O interior do carro era mais espaçoso e mais luxuoso do que a sala de estar do seu próprio apartamento. O motorista fechou a porta. As janelas totalmente escuras bloqueavam o mundo real, a deixando presa naquele monte de riqueza.
O carro andou para fora do edifício corporativo flutuando sobre o asfalto. Arthur puxou um tablet do compartimento lateral e começou a ler relatórios financeiros, o rosto banhado pelo azul da tela, ignorando a existência dela de forma tão natural que era cruel.
Minutos de agonia passaram pesado e no silêncio. Elena olhou para o perfil do bilionário, os maxilares travados, a postura impecável. O abismo financeiro entre eles.
O barulho da chuva fina batendo contra a grande vidraça da cafeteria do campus criava uma melodia reconfortante. Lá fora, o fim de tarde caía, lavando as calçadas da universidade. Do lado de dentro, o ambiente era o oposto: o aquecedor mantinha o ar quente, e o cheiro de grãos de café recém-torrados misturado com baunilha abraçava quem quer que passasse pela porta.No canto mais isolado do salão, espremida em uma poltrona, Maya esfregou a nuca dolorida. Ela usava um moletom largo na cor cinza, grande o suficiente para esconder as mãos até a metade dos dedos, e uma calça jeans confortável. A tela do notebook brilhava, refletindo no rosto cansado da estudante. Ela estava programando na linguagem Java há quase quatro horas ininterruptas. As linhas de código do trabalho final da disciplina de Estrutura de Dados se multiplicavam na tela preta do terminal, e, por mais que ela revisasse as chaves e os laços de repetição, a exaustão começava a embaçar a sua visão.Ela soltou o mouse e esticou
Em setembro irá ser lançado um pequeno spin-off de Leo Sterling.
O sol de domingo batia no quintal.A casa nova tinha um gramado extenso, cercas de madeira pintadas de branco e uma varanda larga com uma cadeira de balanço no canto.Dois anos haviam se passado.Na varanda, Clara arrumou os óculos escuros no rosto. Ela caminhava de um lado para o outro, descalça, com o celular colado na orelha. - Compra o banco suíço inteiro, Miller. Sim, pelo preço de liquidação. E demite o conselho de diretores hoje à tarde. Eu quero todo mundo esvaziando as gavetas antes das cinco. Bom fim de semana.Ela desligou e jogou o aparelho em cima da mesa de centro.No meio do quintal, o barulho constante de metal batendo contra madeira ecoava.Arthur estava em cima da estrutura de uma casa na árvore, montada entre os galhos de um carvalho gigante. Ele estava sem camisa. O suor escorria pelos ombros e pelas costas marcadas pelo sol.Clara andou até a cozinha, pegou dois copos de vidro na pia e encheu com suco de limão e pedras de gelo.Ela desceu os degraus da varanda e
Arthur levantou do chão da sala. Ele caminhou devagar até a mochila jogada no canto da parede perto da porta de entrada.Ele abaixou, quando levantou, segurava um envelope.Ele caminhou para a cozinha. Clara acompanhou os passos dele, parando na beirada do balcão.Arthur parou na frente do fogão e acendeu o fogo.Ele abriu o envelope. Tirou três folhas, timbrado com o símbolo do antigo escritório de advocacia dele em Nova York. Era a cópia original do contrato.- Isso aqui começou com uma assinatura e um prazo de validade. - Arthur falou, mantendo o papel a centímetros da chama.Clara cruzou os braços, encostada no balcão. Ela encarou as folhas.- Você guardou a sua via do contrato esse tempo todo? - Ela perguntou, com desconfiança no tom de voz.Arthur aproximou o papel do fogo.- Eu lia toda noite. - Arthur respondeu. - Pra lembrar do tamanho do erro que eu cometi quando te joguei na rua.Ele soltou as folhas. O contrato caiu dentro da pia. Clara assistiu o papel queimar por complet
Arthur esfregou a toalha no cabelo úmido. Ele saiu do banheiro descalço, a calça de moletom baixa nos quadris, exibindo o curativo na lateral da testa ferida.No quarto de hóspedes, Clara puxou o zíper da capa de tecido preto em cima da cama desarrumada. Ela tirou um paletó e uma camisa branca de seda. Alfaiataria italiana pura. O corte exato dele.Ele abaixou a toalha, olhando para as peças de roupa.- Você comprou um terno novo com o seu dinheiro. - Arthur apontou para o tecido caro sobre os lençóis.Clara pegou a gravata de seda preta. Ela andou até ele com a gravata e começou a dar o nó. O cheiro do perfume dela invadiu o rosto dele.- Eu não quero o meu homem destruindo o conselho de Zurique vestido de camisa de loja de conveniência rasgada. - Clara ajustou o nó na base da garganta dele, dobrando o colarinho perfeitamente. - Veste a calça e o paletó.O interfone tocou na parede da sala.Arthur vestiu a camisa, abotoou os punhos rápidos e caminhou até o aparelho.- Fala, Miller. -
Miller freou bruscamente no semáforo vermelho da avenida principal, batendo a mão no volante. No banco de trás, o cheiro de suor e sangue fresco misturava-se com o ar-condicionado do carro.Clara apertou a toalha de rosto contra a testa de Arthur com as duas mãos.- Chefe, o supercílio dele tá muito aberto. - Miller olhou pelo retrovisor, a voz carregada de tensão. - A pancada do cassetete foi feia. Precisamos ir pro pronto-socorro da zona sul. O corte não vai fechar sozinho com curativo de farmácia.- Não. O hospital vai exigir boletim de ocorrência imediato por causa da descarga do taser policial. Vão chamar a imprensa em dez minutos. Vai direto pro apartamento, Miller. Acelera isso.Arthur respirou. O peito subiu e desceu com dificuldade, os músculos ainda sofrendo espasmos.- Você vai sujar o banco do carro alugado com o meu sangue. - A voz dele saiu quase inaudível.Clara apertou a toalha com mais força, cravando os dedos bem em cima da ferida aberta no supercílio dele.Arthur gr







