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Capítulo 56: O Despertar da Tempestade

last update Veröffentlichungsdatum: 17.09.2026 07:54:46

Isabella

Na manhã seguinte, acordei aos poucos com o som ritmo e persistente daquele bip constante — o único ruído que quebrava o silêncio denso do quarto de hospital.

Minha cabeça ainda repousava na beirada do colchão, ao lado da mão de Rafael, e meu corpo cobrava o preço do cansaço e do pavor da noite anterior. Minhas costas doíam, mas a primeira coisa que fiz ao abrir os olhos foi olhar para cima. O peito dele subia e descia devagar, em um ritmo calmo e abençoado. Ele ainda dormia o sono pro
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    Milena— Estão aqui, Bella, as suas roupas. Pelo menos você consegue tomar um banho digno já que se recusa a pisar em casa.Pousei a bolsa de viagem sobre o sofá do quarto de hospital, soltando um suspiro longo enquanto me aproximava da cama. Ajeitei meu casaco nos ombros, olhando feio para a minha melhor amiga, que continuava sentada na poltrona ao lado de Rafael como se tivesse sido colada ali. Ela exibia olheiras fundas, mas a teimosia nos olhos azuis permanecia intocada.Rafael, recostado sobre os travesseiros com o curativo espesso no peito e o semblante cansado, olhou para mim e depois para ela.— Eu já disse para ela ir para casa descansar, Milena — a voz dele saiu baixa, rouca, mas carregada daquela autoridade natural que ele achava que ainda podia exercer. — Mas a sua amiga não me ouve.— Eu só saio daqui quando você sair, Rafael — Bella respondeu no mesmo segundo, sem nem piscar, cruzando os braços com um queixo erguido que não dava margem para discussões. — Já avisei e vou

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    Milena— Vai ficar aí até fechar? — perguntei, o tom de voz carregado de um sarcasmo afiado que fez o bartender ao meu lado olhar de relance.Davi ergueu os olhos do copo de uísque com uma lentidão exasperante. Ele olhou para a esquerda, para a direita, e depois apontou para o próprio peito com um semblante de genuína surpresa, como se não soubesse que era com ele que eu estava falando. Aquela cara de tonto, aquele teatro disfarçado de inocência, fez o meu sangue ferver na hora.— Eu? — ele perguntou, com a voz grave e o olhar divertido.— Sim, você! — apoiei os cotovelos no balcão de madeira escura, me aproximando o suficiente para que apenas ele me ouvisse. — Quem mais seria? Você está me encarando há quase uma hora. Perdeu alguma coisa na minha cara ou o seu escritório não tem trabalho pra fazer?Davi deu um gole calmo no uísque, saboreando o líquido antes de pousar o copo de volta no descanso de papel. A postura dele continuava impecável, relaxada no banco alto, contrastando terri

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    DaviEsses dias com o Rafael no hospital estavam uma loucura. A rotina virara um caos absoluto de ligações sem fim, reuniões de emergência, visitas rápidas ao quarto dele para garantir que o "Tubarão" não inventasse de tentar assinar relatórios com o braço cheio de acessos e a escolta ostensiva que nos cercava a cada segundo.O delegado Gabriel, nosso amigo de longa data, não deixou nada ao acaso. Colocou homens armados de prontidão logo na entrada do quarto de Rafael e manteve uma equipe discreta, de olho na casa e na pequena Sofia. A sensação era de estar vivendo em um campo de minado que só agora começava a ser desarmado. Clarice tinha morrido naquela noite podre na zona portuária, mas todos nós sabíamos que ela era apenas a ponta do iceberg. Ela era a face visível de uma engrenagem corrupta muito maior, financiada por figuras influentes, nomes do alto escalão e esquemas de lavagem de dinheiro que se arrastavam há anos nas sombras do judiciário.Eu estava na minha sala no escritóri

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    IsabellaNa manhã seguinte, acordei aos poucos com o som ritmo e persistente daquele bip constante — o único ruído que quebrava o silêncio denso do quarto de hospital.Minha cabeça ainda repousava na beirada do colchão, ao lado da mão de Rafael, e meu corpo cobrava o preço do cansaço e do pavor da noite anterior. Minhas costas doíam, mas a primeira coisa que fiz ao abrir os olhos foi olhar para cima. O peito dele subia e descia devagar, em um ritmo calmo e abençoado. Ele ainda dormia o sono profundo induzido pelos sedativos.Não demorou muito para que o médico da UTI entrasse no quarto, acompanhado por duas enfermeiras. Ele passou logo pela manhã para examinar o quadro clínico de Rafael, checando os sinais vitais no monitor, a ausculta pulmonar e o estado do curativo no peito. Para o meu imenso alívio, a evolução era excelente. Diante da estabilidade e da ausência de complicações, Rafael recebeu alta da Unidade Intensiva e foi liberado para o quarto particular.A transferência foi ráp

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    Isabella — A cirurgia foi um sucesso. Ele está fora de perigo.As palavras do médico caíram sobre o corredor como uma benção há muito esperada. Senti minhas pernas fraquejarem instantaneamente, e se não fosse pelo braço firme de Davi me amparando e o abraço apertado de Milena, eu teria ido direto ao chão.— A bala atingiu o peito, mas por uma fração de milímetros atravessou o corpo sem perfurar nenhum órgão vital — o cirurgião continuou, limpando o suor da testa e nos oferecendo um sorriso cansado, porém humano. — Ele perdeu muito sangue e o trauma foi severo, mas o quadro é estável. O senhor Mendes é um homem forte.— Eu posso ver ele? Por favor... — perguntei antes mesmo que o médico terminasse de falar, com a voz embargada e as mãos trêmulas agarradas ao meu próprio ventre.— Ele ainda está sob o efeito da anestesia e precisa de repouso absoluto, mas... sim, você pode — o médico concordou, sensibilizado pela minha aflição. — Podem entrar por alguns instantes, mas em absoluto silên

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    Isabella Eu já estava esperando pelo tiro. Tinha fechado os olhos, encolhido os ombros e entregado a minha alma a Deus, rezando apenas para que o meu bebê sobrevivesse. Mas quando o estrondo avassalador rasgou o ar e senti o corpo de Clarice vacilar sobre mim, o peso do aço desapareceu da minha nuca.Abri os olhos em choque e vi a minha madrasta dar dois passos cambaleantes para trás, a expressão de choque gravada no rosto antes de tombar pesadamente contra o concreto frio. Um dos snipers da polícia, tinha agido no segundo exato em que ela apertou a mandíbula para apertar o gatilho.Senti um misto de alívio brutal e desespero puro encher os meus pulmões. Não me importava com Clarice, não me importava com o império destruído nem com as promessas de vingança. Minha mente só conseguia registrar uma única imagem: Rafael ensanguentado a um metro de mim.— Rafael! — me arrastei pelo chão de concreto, ignorando os arranhões nos joelhos e nas mãos, até alcançar o corpo dele. — Rafael, por fa

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