LOGINEles tinham visto, a corda estava bem presa. Se fosse um nó cego, Estela não teria como se soltar.Mas, se o nó no corpo de Estela fosse um nó que desse pra soltar, então por que o de Jéssica seria um nó cego?Enquanto ele pensava nisso, Lucas, tomado de uma raiva que subiu direto, de repente cuspiu um bocado de sangue.— Lucas!— Sr. Lucas.Gonçalo não teve tempo de pensar em mais nada. Na hora, ele entrou em contato com o hospital e mandou os seguranças apoiarem Lucas. E levaram Lucas, junto com Jéssica, que ainda estava em choque, para o hospital.Com Jéssica junto, Gonçalo ficou ali pra ligar para a equipe de resgate e para a polícia, tentando dar um jeito de descer e procurar Estela e Rafael.O lugar virou um caos.Ninguém viu que, um pouco mais longe, uma silhueta recuou em silêncio e, em seguida, virou e foi embora depressa....À beira-mar.O vento salgado do mar passava constante.Evandro estava com um sobretudo preto, o tecido batendo com o vento. Daniel vinha atrás, com um g
Rafael baixou o olhar e viu Estela despencar rápido, como uma pipa que tinha arrebentado a linha.— Estela! — Rafael berrou.Em seguida, quase sem pensar, ele soltou a mão do tronco que segurava com força e pulou atrás dela.No chão, ao ouvir o grito vindo de baixo do penhasco, Lucas, que tinha acabado de achar a faca e estava apressado pra cortar a corda do corpo de Jéssica, travou na hora.Aquele som parecia atravessar o peito.O coração dele tremia demais, e a mão também tremia demais.— O que houve?— Rafael! Como a Estela está?Ele gritou, mas, depois de alguns segundos, não veio resposta nenhuma de Rafael.Com os olhos vermelhos, a voz engasgada, Gonçalo, que tinha ficado na beira do penhasco observando, disse:— Sr. Lucas, o Sr. Rafael e a Srta. Estela caíram.Ao ouvir isso, os dedos de Lucas começaram a tremer ainda mais.Ele se segurou pra continuar calmo e cortou com força a corda atrás de Jéssica.A corda áspera fez Jéssica soltar um grito de dor, mas dessa vez Lucas pareceu
Ela também tinha percebido, ele estava só se forçando."Calma.""Preciso ficar calma!"Estela repetiu isso pra si mesma, em silêncio.Lá em cima ainda tinha barulho, confuso, e Estela não sabia até que ponto aquilo tinha chegado, se eles iam conseguir a tempo. Ela também não se atrevia a colocar toda a esperança neles.Ela olhou ao redor, tentando achar algum lugar onde pudesse apoiar o pé, ou algum ponto que deixasse os dois em segurança, mesmo que por pouco tempo.Mas, pra desespero dela, não tinha.A encosta ali perto era íngreme. Aquele tronco que Rafael estava segurando era o único apoio por perto.Pensando nisso, Estela não conseguiu evitar de imaginar como ele tinha vencido o medo e as dificuldades pra chegar até ali, e ainda ter conseguido salvar ela com tanta precisão.Mas ela não teve tempo de pensar. Ela viu o braço do Rafael já tremendo devagar.Estela cerrou os dentes. No fim, ela aceitou e disse:— Rafael, solta.Ela não queria mais fazer Rafael correr esse risco junto co
O nariz e os olhos de Hugo já estavam sangrando.Só depois de confirmar que ele não tinha mais força pra revidar é que o homem parou.Lucas olhou pro rosto daquele homem e só achou que era familiar.Alguns segundos depois, ele caiu em si. Era o segurança que antes tinha ficado ao lado da Estela.— Rafael? O que você está fazendo aqui?Ao mesmo tempo, um som veio de repente lá de baixo do penhasco.O corpo do Lucas enrijeceu. Ele se inclinou e olhou pra baixo, forçando o corpo pra ver melhor, e, surpreso, encontrou um tronco, nem grosso nem fino, crescendo num ponto mais próximo ali embaixo.Rafael estava se segurando com dificuldade, com uma mão agarrada ao tronco, o corpo suspenso no ar, e a outra mão apertando com força o pedaço de corda que prendia a Estela.Estela ainda estava viva!Quando entendeu isso, uma alegria explodiu no peito do Lucas.Nesse momento, Hugo já estava tão espancado que mal tinha consciência. A turma que ele trouxe e outro grupo, que ninguém sabia de que lado e
Lucas apertou os lábios, e as veias na testa pulsavam sem parar.Aquele acidente de carro e a lápide da filha morta apareceram diante dos olhos dele.A respiração dele ficou pesada.Nesse momento, ao lado, Jéssica falou:— Estela, deixa o Lucas pensar direito, tá?— Vocês ficaram casados por tantos anos, eu acredito que ele te ama, e também acredito que ele vai escolher você.O tom dela veio cheio de mágoa:— Talvez você tenha entendido errado. Agora há pouco, quando eu disse pro Lucas que eu tinha um filho, não foi pra fazer ele me escolher de novo.— Foi porque esse filho só eu sabia. Eu posso ser esquecida, mas eu não quero que esse filho morra comigo, sem ninguém nem saber que ele existiu, tão coitado e tão inocente.— Pelo menos, deixa o pai saber da existência dele.Com duas ou três frases, Jéssica colocou Estela como se ela estivesse disputando atenção, fazendo qualquer coisa pra sobreviver, sem limites, e com o coração ruim.Estela ficou sem resposta.Se ela não fosse a pessoa
Assim que aquelas palavras caíram, todo mundo ali ficou paralisado por um instante.Hugo ficou com uma expressão de dúvida.Jéssica ficou pálida.Estela, por um momento, achou que tinha ouvido errado.Até o próprio Lucas, as pupilas se contraíram por um instante.Agora há pouco, o nome dela tinha simplesmente escapado da boca dele, e nem ele mesmo acreditou.Hugo ficou em silêncio por alguns minutos, e olhou pra Lucas, interessado, e perguntou:— Estela? Você tem certeza?— Sr. Lucas, a gente está procurando um ângulo melhor, dá um jeito de segurar ele por enquanto. — A voz apressada de Gonçalo veio pelo fone.Lucas manteve o punho fechado.As veias do braço saltaram, e a palma da mão ficou suada de nervoso.Ele não disse nada.Hugo sorriu.— Isso é bem interessante.— Todo mundo do meio vive falando que você foi empurrado pra esse casamento pela Estela, e que, esses anos todos, você nunca conseguiu esquecer a Jéssica.— Esses anos todos, por causa da Jéssica, você fez a Estela engolir
Jéssica segurou a mão de Lara com ansiedade e a examinou:— Lara, já está tão tarde. Por que você veio? Aconteceu alguma coisa?Lara ainda estava com a imagem do olhar decepcionado que Jéssica tinha lançado quando abriu a porta. Sentiu um aperto no peito.Ela não respondeu.— Não aconteceu nada. Ela
— O que você está fazendo aqui? — Estela perguntou, confusa.Lara tinha ouvido dizer que Evandro morava por ali, então assim que terminou a aula de piano veio direto para cá. Esperou por muito tempo e ele não apareceu.Ela não imaginava que Estela surgiria de repente ali e levou um susto.Ia pergunt
— Ela passou cinco anos como dona de casa. Mal entrou na UME e o Sr. Evandro já deu a ela o cargo de supervisora. A gente está aqui há anos e nunca teve esse tipo de privilégio.Estela caminhou até lá e viu que quem falava era Paula, sentada ao lado da sua mesa.Paula estava de costas para a porta e
Mas agora, quando Lucas voltou a mencionar aquele nome, a dor de quando aquela pequena vida foi arrancada de dentro dela pareceu invadir tudo outra vez, num instante.Ela teve dificuldade para respirar. O rosto perdeu a cor.A reação dela caiu clara nos olhos de Lucas.Ele ergueu levemente a sobranc







