ホーム / Romance / O Endereço que Ele Nunca Esqueceu / Capítulo 2 — Do Outro Lado da Porta

共有

Capítulo 2 — Do Outro Lado da Porta

作者: Meih H
last update 公開日: 2026-08-08 12:56:36

O novo escritório da Rede Borges Hotéis & Resorts ainda cheirava a tinta quando Anne atravessou a porta giratória da recepção, quinze minutos antes do horário combinado. O piso claro, os sofás em tons quentes e as plantas espalhadas por grandes vasos de cerâmica davam ao espaço uma aparência acolhedora. Em uma das paredes, fotografias mostravam as unidades da rede em outras cidades. Nenhuma parecia igual à outra: havia um prédio cercado por árvores, outro próximo ao mar e um terceiro no centro de uma cidade movimentada. Apesar das diferenças, todos transmitiam a mesma sensação de conforto, como lugares preparados para receber alguém depois de uma viagem longa.

— Chef Anne? — uma voz a chamou antes mesmo que ela terminasse de se anunciar na recepção. A mulher que se aproximava tinha um sorriso do tipo que se espalha antes mesmo de a pessoa perceber que está sorrindo de volta. — Sou eu, a Patrícia, conversamos por telefone.

— Ah sim, prazer — Anne apertou a mão estendida. — Pode me chamar só de Anne, sem formalidade.

— Combinado, Anne. — Patrícia gesticulou para o corredor à esquerda, já começando a andar. — Vem comigo, a sala que separamos para a reunião é logo ali.

Enquanto caminhavam até a sala de reuniões, Patrícia aproveitou para apresentar o evento. 

Falava com naturalidade, sem pressa, conduzindo Anne pelos detalhes da inauguração. Explicou que seria a abertura da primeira unidade da Borges Hotéis & Resorts na cidade, um marco importante para a empresa. A lista de convidados reunia empresários, investidores, autoridades e a imprensa local. O desejo da diretoria era oferecer uma experiência elegante, mas acolhedora — um cardápio que impressionasse pela essência, e não pelo excesso. 

Anne ouviu tudo em silêncio, absorvendo cada informação. Com o tempo, aprendera que, por trás de cada pedido, sempre existia uma expectativa que nem todos conseguiam colocar em palavras.

A sala reservada tinha uma mesa oval, cadeiras de couro claro, um quadro branco intocado numa parede e janelas grandes que davam para um pátio interno ainda sem paisagismo terminado. Nada ali chamava muita atenção, e Anne não deu muita importância à decoração — só se sentou na cadeira mais próxima da porta, por costume.

— Aceita alguma coisa? Café, chá?

— Só uma água, obrigada.

— Já volto — disse Patrícia, saindo da sala.

Alguns minutos depois, retornou com um copo de água e o colocou diante de Anne.

— O restante da equipe não deve demorar. Se precisar de alguma coisa, estarei logo ali.

Anne agradeceu, e Patrícia tornou a sair, fechando a porta com cuidado.

Sozinha, Anne tirou o tablet da bolsa e começou a registrar as ideias que haviam surgido durante a conversa. Anotou algumas possibilidades de pratos, fez observações sobre a proposta do evento e marcou um lembrete para perguntar se havia convidados com alguma restrição alimentar. Um menu elegante, mas sem excessos. Era exatamente o tipo de desafio que gostava de assumir.

Quando as ideias começaram a se esgotar, Anne tomou um pouco da água e consultou o relógio no pulso.

Três e meia.

A reunião estava atrasada havia meia hora.

A demora começou a incomodá-la. Quando ouviu vozes no corredor, Anne bloqueou o tablet e se levantou, decidida a perguntar quanto tempo ainda precisaria esperar.

Ao abrir a porta, encontrou Patrícia conversando em voz baixa com um homem de costas para a sala. Ele era alto, tinha os ombros largos sob o terno escuro e mantinha a cabeça um pouco inclinada para ouvi-la. O cabelo curto e bem aparado deixava a nuca exposta.

Anne não quis interromper. Recuou, decidida a voltar para a sala e esperar mais um pouco, mas a porta escapou de sua mão durante o movimento e bateu contra o batente. O estalo seco ecoou pelo corredor.

Patrícia deu um pequeno pulo. O homem se virou, surpreendido pelo barulho.

— Desculpa — Anne começou, ainda olhando para baixo, constrangida com o próprio descuido. — Eu não queria...

Quando tornou a encará-lo, as palavras desapareceram.

O tempo havia mudado alguns traços, endurecido outros e deixado marcas que ela não conhecia. Ainda assim, Anne reconheceria aquele rosto em qualquer lugar.

Oliver.

この本を無料で読み続ける
コードをスキャンしてアプリをダウンロード

最新チャプター

  • O Endereço que Ele Nunca Esqueceu   Capítulo 88 — Do Outro Lado do Salão

    A tarde se estendeu entre a cozinha e o estoque. Quando Anne deixou o hotel, já passava das seis, e o movimento do jantar começava a ocupar as estações. Matheus assumiria a coordenação inicial e entraria em contato caso surgisse algum problema que não conseguisse resolver. Antes de ligar o carro, Anne conferiu as notificações acumuladas. Entre as mensagens enviadas pelo Raiz e uma atualização de Patrícia, encontrou a localização compartilhada por Gean. "A reserva está no meu nome. Te espero às oito." Anne respondeu apenas que chegaria no horário e guardou o celular. Em casa, tomou banho e trocou a roupa usada durante o trabalho por um vestido verde-escuro que chegava pouco abaixo dos joelhos. Prendeu parte dos cabelos, deixou o restante cair sobre os ombros e escolheu brincos pequenos. Quando terminou, chamou um carro por aplicativo para não precisar se preocupar com o estacionamento ou com o vinho que provavelmente acompanharia o jantar. Gean a esperava próximo à entrada do rest

  • O Endereço que Ele Nunca Esqueceu   Capítulo 87 — Apenas o Necessário

    Anne despertou com o ruído discreto de uma xícara sendo colocada sobre a bancada. A claridade atravessava as cortinas do quarto, forte o suficiente para mostrar que dormira mais do que pretendia, embora o peso nos olhos indicasse que as poucas horas de descanso não haviam sido suficientes. Quando chegou à cozinha, encontrou Olivia diante da cafeteira, usando a roupa que Anne havia separado para ela na noite anterior. Os cabelos estavam presos de qualquer maneira, e o celular permanecia sobre a bancada, ao lado de uma xícara ainda cheia. — Espero que não se importe — disse Olivia. — Encontrei o café e resolvi preparar. — Só me importaria se tivesse feito apenas para você. Olivia serviu outra xícara e a entregou a Anne. O pequeno sorriso que surgiu em seus lábios desapareceu quando tornou a olhar para o celular. — O Vii veio aqui esta noite? — Veio. — Eu vi as mensagens dele quando acordei. Anne levou a xícara à boca, esperando que Olivia perguntasse por que não havia sido acord

  • O Endereço que Ele Nunca Esqueceu   Capítulo 86 — Não Muda Nada

    Oliver permaneceu imóvel. A raiva que havia endurecido sua expressão cedeu, substituída por algo que Anne não conseguiu identificar antes que ele perguntasse:— Você também ficou preocupada comigo?Ela se arrependeu de ter falado assim que ouviu a pergunta. Não porque a preocupação tivesse desaparecido agora que ele estava diante dela, mas porque Oliver parecia disposto a encontrar naquela confissão uma abertura que Anne não pretendia oferecer.— Não devia ter dito isso.— Mas disse.— Foi um momento de irritação.— Isso não responde à minha pergunta.Anne desviou o rosto. O porteiro permanecia distante, fingindo ocupar-se com os monitores, mas a presença dele bastava para lembrá-la de que estavam no saguão do condomínio, no meio da madrugada, discutindo uma relação que sequer sabia definir.— Sim, Oliver. Eu fiquei preocupada. Está satisfeito?— Não.A resposta a fez encará-lo novamente.— Eu não queria deixar ninguém preocupado — continuou. — Tive algumas coisas para resolver e não

  • O Endereço que Ele Nunca Esqueceu   Capítulo 85 — Àquela Hora da Madrugada

    — Pode avisar que vou descer — respondeu Anne. Ela devolveu o interfone ao suporte e olhou para Olivia. A amiga continuava adormecida no sofá, protegida pela manta, sem demonstrar que havia escutado o toque ou a breve conversa. Anne pegou as chaves e deixou o apartamento em silêncio, cuidando para fechar a porta sem fazer qualquer barulho. Durante a descida, tentou imaginar o que Oliver pretendia ao aparecer ali depois de ignorar todas as ligações e mensagens. Se havia lido o aviso que ela enviara, poderia simplesmente ter respondido que estava bem. Duas palavras seriam suficientes para tranquilizar Olivia e impedir que a irmã passasse parte da noite dirigindo pela cidade à sua procura. As portas do elevador se abriram, e Anne atravessou o saguão em direção à portaria. Oliver estava próximo à entrada do condomínio, esperando do outro lado das portas de vidro. A imagem diante dela era muito diferente do homem que costumava encontrar nas reuniões do hotel. A gravata estava frouxa ao

  • O Endereço que Ele Nunca Esqueceu   Capítulo 84 — O Homem na Portaria

    A sinceridade da resposta afastou qualquer tentativa de tranquilizá-la com explicações que nenhuma das duas poderia confirmar. Anne pegou o próprio celular e abriu a conversa com Oliver. A última mensagem continuava sendo a atualização enviada depois do jantar, ainda sem resposta. Seus dedos permaneceram sobre a tela enquanto considerava se deveria escrever. Não queria que ele interpretasse aquilo como uma tentativa de retomar o assunto entre os dois, porém a preocupação de Olivia era mais importante do que qualquer conclusão equivocada. Escreveu antes que mudasse de ideia. “A Olivia está comigo, no meu apartamento. Ela vai passar a noite aqui. Quando puder, avise que está bem.” A mensagem foi enviada, mas nenhum sinal indicou que Oliver havia lido. — Pronto — disse Anne, colocando o aparelho sobre a mesa. — Agora ele sabe onde você está. — Você não precisava mandar uma mensagem por minha causa. — Precisava, sim. Se Oliver chegar em casa enquanto você está aqui, vai começar a p

  • O Endereço que Ele Nunca Esqueceu   Capítulo 83 — O Medo de Não Saber

    O ponto que indicava a localização de Olivia avançou pelas últimas ruas antes de se aproximar do condomínio. Anne calçou os sapatos, pegou as chaves e desceu para encontrá-la, mantendo o celular nas mãos durante todo o caminho. Quando chegou à portaria, o carro já diminuía a velocidade diante da entrada. Olivia apresentou os dados ao porteiro, recebeu a autorização para entrar e estacionou na vaga indicada. Anne esperou próxima ao acesso do prédio. Assim que saiu do veículo, Olivia olhou ao redor como se ainda acreditasse que poderia encontrar o irmão em algum lugar daquele estacionamento. O cabelo estava desalinhado, e ela segurava o celular com tanta força que parecia temer perder uma ligação caso afastasse o aparelho por alguns segundos. — Obrigada por me deixar vir — disse ao se aproximar. — Eu sei que está tarde e que não deveria ter colocado você no meio disso. — Você já se desculpou pelo telefone. — E continuo achando que deveria pedir desculpas novamente. — Então faça iss

続きを読む
無料で面白い小説を探して読んでみましょう
GoodNovel アプリで人気小説に無料で!お好きな本をダウンロードして、いつでもどこでも読みましょう!
アプリで無料で本を読む
コードをスキャンしてアプリで読む
DMCA.com Protection Status