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last update Data de publicação: 2026-06-23 23:10:18

Capítulo 72

5 anos depois...

Lara Oliveira

O jato particular cortava o céu como uma flecha afiada rumo ao Brasil. Eu estava sentada na ampla poltrona de couro, olhando pela janela enquanto as nuvens passavam lá embaixo. Cinco anos. Cinco longos anos de estudo, crescimento, maternidade e preparação. Não havia mais medo no meu peito. Não havia dor. Apenas uma sede de vingança tão profunda e ardente que queimava como fogo vivo nas minhas veias.

Eu era outra mulher agora.

— Mamãe, olha!
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    Capítulo 81 – Máquina Violeta Matos Eu acordei com a sensação de que os seios estavam em brasa. A luz da manhã entrava macia pela fresta da cortina. Julieta ainda dormia de lado, a mão protegendo a cicatriz. Os bebês estavam nos berços, quietos por um milagre temporário. Pietro estava sentado na poltrona, o celular na mão, a expressão concentrada. Quando percebeu que eu tinha aberto os olhos, veio até a cama na hora. — Bom dia — ele falou baixo, já ajeitando o travesseiro atrás das minhas costas. — Como estão os seios? Eu nem consegui mentir. — Parece que alguém passou fogo neles. Ele fez uma careta de dor alheia e mostrou a caixa que estava em cima da cômoda. Nova, ainda lacrada. — Eu pedi de madrugada. Chegou agora pouco. É a melhor bomba tira-leite que existe. Elétrica, silenciosa, com diferentes potências. A consultora recomendou. Vocês vão conseguir descansar os peitos um pouco sem deixar os meninos sem leite. Eu olhei a caixa e senti os olhos arderem. Não era só pelo pr

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    Capítulo 80 – Primeira Noite Pietro Farias A casa finalmente ficou silenciosa perto das onze da noite. A família grande tinha se despedido aos poucos. Loke e Alex foram os últimos a sair, depois de me olharem nos olhos e repetirem “qualquer coisa, a gente volta”.minha mãe ficou no quarto de hóspedes. A vó Clara se acomodou no quarto ao lado do nosso, a porta entreaberta “só por precaução”. Ana e a cozinheira já tinham se retirado. Sobrou só o essencial. Eu fechei a porta do quarto principal com cuidado. Violeta estava na poltrona de amamentação, o pequeno Pietro no colo, tentando fazer o encaixe de novo. Julieta estava na cama, Pietra contra o peito, o rosto franzido de dor. As duas estavam pálidas, os cabelos presos de qualquer jeito, as camisolas de botões abertas. O cheiro de leite, sabonete e cansaço impregnava o ar. Eu me ajoelhei entre as duas. — Fala a verdade. Tá doendo muito? Julieta soltou um riso curto e sem humor. — Parece que alguém esfregou lixa nos me

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    Capítulo 79 – Alta Julieta Matos A alta veio no final da manhã do terceiro dia. O médico assinou os papéis com calma, explicou os cuidados da cesárea pela terceira vez e olhou para Pietro com seriedade. — Qualquer sinal de febre, sangramento excessivo ou dor forte demais, volta imediatamente. E as meninas precisam de repouso absoluto. Pietro apenas balançou a cabeça, o maxilar travado. Ele já tinha decorado cada instrução. Eu estava sentada na beira da cama, o corpo ainda pesado e dolorido, enquanto a enfermeira ajudava Violeta a se vestir do outro lado. Os dois bebês dormiam nos berços, alheios ao movimento. A família Farias inteira esperava no corredor. Quando a porta se abriu, Loke e Alex se aproximaram primeiro. Lara já segurava uma bolsa térmica. Sofia, Murilo e Miguel carregavam as sacolas de presente que ainda não tinham sido abertas. Naty, Israel e Rafael vinham logo atrás. Camille e a vó Clara ficaram mais perto, prontas para qualquer coisa. — Devagar — Pietro mandou

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    Capítulo 78 – Família louca Julieta Matos A dor da cesárea latejava baixo e constante quando eu abri os olhos no dia seguinte. O quarto duplo do hospital estava silencioso, só o som suave dos monitores e a respiração calma de Violeta na cama ao lado. Eu virei a cabeça com cuidado. Pietro estava sentado na cadeira entre as duas camas, o corpo inclinado para a frente, os cotovelos apoiados nos joelhos. Os dois berços pequenos ficavam logo ao lado dele. Pietra dormia no berço da direita, enroladinha no paninho rosa. O pequeno Pietro dormia no da esquerda, o rostinho sereno. Ele não tinha saído dali a noite inteira. Os cabelos estavam bagunçados, a camisa amassada, as olheiras profundas, mas o olhar… o olhar era o de um homem que tinha encontrado o sentido de tudo. Quando ele percebeu que eu estava acordada, sorriu de um jeito cansado e luminoso. — Bom dia, minha fera. A voz saiu rouca de quem quase não dormiu. Eu estendi a mão e ele a segurou na hora, apertando com cuidado.

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    Capítulo 77 – Pietra e Pietro Pietro Farias A porta da sala de recuperação se abriu com um clique suave. Eu entrei com as pernas ainda trêmulas. O coração batia tão forte que eu sentia o pulso no pescoço, nos dedos, atrás dos olhos. O cheiro de antisséptico misturado com algo mais suave, sabonete, pele quente, vida, me atingiu de uma vez. A primeira coisa que eu vi foi Violeta. Ela estava deitada, a cabeceira da cama levemente elevada, o rosto pálido, os cabelos pegos num coque frouxo. Os olhos se abriram quando me ouviu. Um sorriso cansado, mas verdadeiro, apareceu nos lábios dela. — Pietro… A voz saiu fraca. Eu fui até ela em três passos e me abaixei, segurando o rosto dela com as duas mãos. Beijei a testa, as pálpebras, a boca com um cuidado quase desesperado. O gosto de lágrimas,minhas e dela, se misturou. — Eu estava com tanto medo — confessei contra a pele dela. — Tanto medo, meu amor. — Eu também — ela sussurrou. — Mas a gente conseguiu. Do outro lado da sa

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    Capítulo 76 – Cesariana Pietro Farias Seis meses depois. O grito de Julieta cortou a madrugada como uma lâmina. Eu acordei num segundo. O corpo já estava fora da cama antes mesmo da mente processar. Violeta estava sentada, as duas mãos agarradas a barriga enorme, o rosto pálido e suado. Julieta se curvava para a frente, um gemido longo e rouco saindo da garganta. — Pietro… — a voz de Violeta saiu quebrada. — Está doendo. Está doendo demais. Eu liguei a luz. O relógio marcava três e dezessete da manhã. Em menos de um minuto eu já tinha o telefone na mão e ligava para o hospital. — É o Sr. Pietro Farias. Minhas esposas entraram em trabalho de parto. Quero a equipe completa pronta. Agora. A vó Clara apareceu na porta do quarto com o roupão amassado, os cabelos brancos bagunçados. Fazia dois meses que ela morava conosco. Tinha fechado o sítio, deixado aos cuidados de uma senhora de confiança que eu mesmo paguei, vó Clara veio para cuidar do resguardo das meninas. ela olha

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