Mag-log inCapítulo 30 Esmeralda Lopes Hospital – Quarto particular – Horas depois Eu não conseguia parar de olhar para a barriga. Ainda era completamente plana. A camisa grande de hospital caía frouxa sobre o corpo, sem nenhum volume, sem nenhuma curva nova. Por fora, nada tinha mudado. Mas por dentro… por dentro eu sentia como se alguém tivesse entrado na minha vida sem pedir licença e rearrumado todos os móveis. Oito a nove semanas. O médico tinha confirmado de novo depois que Alex voltou a si. Oito a nove semanas de uma vida minúscula que eu não fazia ideia que estava carregando. Eu tomava anticoncepcional. Todos os dias. No mesmo horário. Sem falhar. Mesmo nos dias em que a mão tremia de raiva ou de cansaço, mesmo quando a vida inteira parecia desabar, eu tomava aquele comprimido. Era uma rotina automática, quase sagrada. E ainda assim… A mão de Alex cobria a minha em cima do lençol branco. Ele não tinha soltado desde que acordara do desmaio. Estava sentado na cadeira colada à maca,
Capítulo 29 Alex Loke Farias Hospital particular – Milão – Madrugada O médico estava de pé ao lado da maca, o tablet nas mãos, o rosto profissional demais para o que eu estava sentindo. Esmeralda estava pálida, os lábios rachados, os olhos azuis abertos demais. Eu segurava a mão dela com força, o polegar pressionando o pulso dela só para sentir que ainda batia. — Doutor — minha voz saiu rouca. — Fala logo. O homem respirou fundo. — Tenho duas notícias. Uma ruim e uma boa. O peito apertou. Eu sentei na beira da cadeira, o corpo inteiro tenso. — Começa. Agora. Ele olhou primeiro para Esmeralda, depois para mim. — A senhora está com uma infecção viral. Foi agravada pela reação alérgica de ontem. Por isso a febre, o enjoo intenso e a fraqueza. Não é grave, mas o corpo está combativo. Vamos medicar e manter em observação por algumas horas. Eu soltei o ar devagar. Infecção. Controlável. Eu conseguia lidar com isso. A mão de Esmeralda apertou a minha de volta, fraca. — E a boa?
Capítulo 28 Esmeralda Lopes Apartamento em Milão – Madrugada Eu acordei com o estômago revirado e um frio que parecia vir de dentro dos ossos. A garganta ardia como se eu tivesse engolido vidro. Tentei me sentar e o quarto girou. Um gemido baixo escapou antes que eu conseguisse segurar. No mesmo segundo Alex estava sentado na cama, a mão grande e quente nas minhas costas. — Esmeralda? A voz dele saiu rouca de sono, mas já alerta. — Não passo bem… — consegui falar. A língua parecia grossa. — Frio… e enjoo. Ele acendeu o abajur. A luz me feriu os olhos. Vi o rosto dele mudar em milésimos de segundo. A preocupação virou algo mais agudo, quase pânico contido. Ele colocou a mão na minha testa e amaldiçoou baixo. — Você está queimando. Tentei protestar quando ele me pegou no colo, mas não tive força. O mundo balançava. Alex me carregou até o banheiro e segurou meu cabelo enquanto o estômago se esvaziava de novo. Cada contração doía. Eu tremia tanto que os dentes batiam. — Shhh.
Capítulo 27 Alex Loke Farias Apartamento em Milão – Noite O silêncio dentro do carro era diferente da última vez. Eu dirigia com uma mão no volante e a outra segurando a de Esmeralda. Ela olhava pela janela, o polegar fazendo círculos lentos sobre meus nós. Quando paramos em frente ao prédio, ela falou baixo, quase como se pensasse alto: — Eu sei que o filho é do Fernando. Não tenho dúvida disso. Meu único medo é que os dois descubram onde a gente está. Eu apertei a mão dela. — Eles não vão descobrir. Subimos em silêncio. Assim que a porta do apartamento se fechou atrás de nós, Esmeralda parou no meio da sala. Eu vi o momento exato em que o corpo dela mudou. Os ombros se encolheram. Ela cruzou os braços com força, como se tentasse se aquecer. — Estou com frio — murmurou. — Muito frio. Eu me aproximei na hora. A pele dela estava gelada. Passei a mão na testa: não tinha febre alta, mas o rosto estava pálido. Ela engoliu em seco e fez uma careta. — A garganta está doendo. —
Capítulo 26 Esmeralda Lopes Milão – Dia seguinte Acordei com o braço de Alex ainda firmemente envolto na minha cintura e o queixo apoiado no meu ombro. A conversa da noite anterior ainda pairava no ar, mas de um jeito diferente. Mais leve. Como se algo tivesse sido colocado no lugar. Ele beijou a curva do meu pescoço antes mesmo de eu abrir os olhos por completo. — Bom dia. A voz rouca de sono dele ainda me arrepia. Tomamos café juntos na cozinha americana do apartamento. Alex preparou ovos e torradas enquanto eu só observava, ainda de camisa social dele, grande demais no meu corpo. De vez em quando ele se aproximava por trás, beijava meu ombro e voltava para o fogão como se fosse a coisa mais natural do mundo. Eu gostava daquela versão protetora e silenciosa dele. No escritório da Eclipse Milano, o clima era outro. Chiara continuava eficiente e educada, mas os olhares demorados na direção de Alex não tinham sumido. Toda vez que ela entrava com alguma pasta ou recado, eu sen
Capítulo 25 Alex Loke Farias Apartamento em Milão – Noite Depois que minha mãe desligou, o silêncio ficou pesado demais. Eu ainda segurava Esmeralda contra o peito quando senti o corpo dela um pouco rígido. A mentira da Katia tinha entrado na nossa noite como uma rachadura. Mesmo eu tendo dito que era impossível, algo nela tinha se fechado. — Vamos tomar banho — falei baixo, beijando o topo da cabeça dela. Ela apenas assentiu. No banheiro, liguei a água quente e a ajudei a tirar o vestido. O vapor logo encheu o box. Entrei atrás dela e fechei a porta de vidro. A água escorria pelos nossos corpos enquanto eu pegava o shampoo e começava a lavar o cabelo loiro dela com movimentos lentos. Os dedos deslizavam pelo couro cabeludo, descendo pelo pescoço, pelos ombros. Esmeralda ficou de olhos fechados, a respiração profunda, mas ainda quieta demais. Lavei o corpo dela com o mesmo cuidado. Passei as mãos pelos braços, pela barriga, pelas coxas. Não era um toque sexual naquele momento







