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Capítulo 5

Author: Chama Lunar
Daniel entrou no bar e foi procurar a proprietária.

Quando a viu, com aqueles cabelos pretos, longos e ondulados, a suspeita voltou a incomodá-lo: talvez o pessoal do hotel tivesse se enganado.

Como ele já esperava, quando disse que queria devolver o valor da diária e da caução, a mulher recusou na hora. Negou que tivesse levado Daniel ao hotel e ainda brincou, dizendo que, se quisesse dormir com ele, teria feito isso ali mesmo, na sala de descanso do bar. Não precisaria sair para pegar um quarto em outro lugar.

Depois, ainda completou que o tipo dela eram garotos bonitos de dezoito anos, não homens de meia-idade como Daniel.

Daniel ficou sem saber o que responder.

Em seguida, pediu para ver as imagens das câmeras do bar. A proprietária disse que aquelas câmeras eram só enfeite e se recusou a colaborar com um pedido que, para ela, não fazia o menor sentido.

Desanimado, Daniel voltou para o carro.

Pegou o celular e abriu novamente a mensagem enviada.

"Será que fui eu mesmo que mandei isso para Letícia sem perceber?"

Depois, procurou outro hotel e pegou um quarto. Lá dentro, tornou a olhar o exame de DNA. Então ergueu a mão e deu um tapa no próprio rosto.

A dor o atingiu em cheio, nítida demais para deixar qualquer dúvida.

Aquele mundo era real.

Daniel enviou uma mensagem ao chefe da internação, pedindo alguns dias de afastamento. No estado em que estava, continuar atendendo pacientes poderia acabar levando a algum erro médico.

Ao pensar no cargo comum que ainda ocupava no hospital, sentiu um arrependimento amargo apertar seu peito.

Anos antes, ele havia se formado com notas quase perfeitas. Entrara no hospital logo depois e, em apenas dois anos, conquistara autonomia para atuar, obtivera o título de mestre e fora promovido a médico assistente. O futuro parecia promissor.

Então Letícia apareceu.

Como se tivesse perdido completamente o juízo, Daniel se apaixonou por ela, casou-se e começou a construir uma família ao seu lado.

A família Teixeira era rica e influente. Para Letícia, o trabalho de Daniel nunca parecera algo realmente indispensável. Na visão dela, ele deveria dedicar a maior parte do tempo à família e cuidar das filhas.

Por isso, depois de apenas um ano no doutorado, Daniel trancou o curso. Também parou de disputar promoções e oportunidades no hospital. Se não conservasse dentro de si aquele último orgulho de médico, talvez tivesse obedecido à esposa por completo, pedido demissão e ficado em casa como pai em tempo integral, cuidando da casa e das crianças.

E o que ele havia recebido em troca?

A esposa o traíra.

As filhas não eram suas.

Ele fora enganado.

Mais de dez anos de dedicação tinham virado nada.

Daniel sentia dor. Sentia vergonha. Sentia-se sufocado pela própria inutilidade.

Não queria ver ninguém.

Passou alguns dias hospedado no hotel.

Naquela noite, porém, a porta do quarto foi aberta com um cartão magnético, e Letícia entrou.

— Daniel, você não volta para casa, não aparece no trabalho... Está se escondendo aqui para quê?

Letícia examinou o quarto. Não havia sinal de outra mulher. Os móveis estavam relativamente organizados. Só na mesinha de centro havia uma marmita pela metade, deixando no ar o cheiro morno da comida.

Seu marido estava recostado na cama, assistindo a uma série histórica sobre guerras, alianças e disputas de poder.

Ao vê-lo naquele estado largado, Letícia se sentiu profundamente contrariada. Uma irritação sem nome subiu dentro dela.

Daniel também se irritou.

— Eu faço o que eu quiser. O que isso tem a ver com você? Da última vez, já deixei bem claro que nós vamos nos divorciar. Entre nós dois, não existe mais nada. Já que você veio, aproveite e assine. Amanhã vamos ao cartório resolver isso de uma vez.

Ele saiu da cama, pegou duas vias do acordo de divórcio dentro da pasta e as entregou a Letícia.

— Você... Você até preparou os papéis do divórcio? Então estava falando sério?

Letícia não esperava que Daniel voltasse justamente àquele assunto. Ela não tinha ido ali para se divorciar. Tinha ido convencê-lo a voltar para casa e fazer as pazes.

Daniel respondeu com firmeza:

— Eu já mostrei o exame de DNA. Beatriz não é minha filha. Ela é sua filha com outro homem. Você me traiu, me enganou, e esse casamento tem que acabar. As condições estão todas aí. Leia com atenção.

Letícia disse:

— Beatriz é sua filha. Eu não traí você. Nunca me envolvi com outro homem. Daniel, pense bem antes de abrir a boca. Uma acusação dessas não se joga assim, como se não tivesse consequência.

— Pois eu vou falar. Vou falar quantas vezes forem necessárias. Letícia, você me traiu. Beatriz é a filha que você teve fora do casamento com um dos homens com quem se deitou. Se minhas palavras trouxerem consequências, eu assumo até o fim. E você, Letícia? Tem coragem de assumir o que fez?

Daniel não recuou.

Ele não devia nada a Letícia. Pelo contrário. Era Letícia quem lhe devia muito.

Letícia franziu a testa.

— Assumir o quê? Eu não traí você. Não enganei você. O que exatamente quer que eu admita?

— Não adianta discutir. Leia o acordo. Se não tiver objeções, assine.

Letícia começou a folhear o documento.

Estava tão irritada que nem pretendia prestar atenção às cláusulas. Mas, ao se deparar com os valores, ficou imediatamente alerta. Seus olhos pararam em uma cifra, e ela encarou Daniel, atônita.

— Você quer que eu pague 1,6 bilhão de reais como indenização?

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