Share

Capítulo 2

last update publish date: 2025-07-04 06:52:36

A mansão Bellucci nunca estivera tão silenciosa, nem tão carregada de tensão.

Cada canto parecia sussurrar segredos, conspirações e o peso de um futuro incerto.

Amara caminhava pelos corredores largos, as mãos firmemente fechadas ao lado do corpo. No espelho do corredor, viu o reflexo da mulher que não queria ser: a herdeira mafiosa forçada a se casar com o homem que desprezava — e que poderia ser sua sentença de morte.

No salão principal, uma reunião tensa se desenrolava. Os membros do Conselho discutiam estratégias, e os olhares lançados a ela eram uma mistura de desdém e expectativa. Não havia espaço para dúvidas: o poder estava em jogo, e Amara era a peça chave.

— Ela não tem experiência para liderar — murmurou um dos conselheiros mais velhos, cruzando os braços. — Se o irmão Bellucci está desaparecido, isso é sinal de fraqueza. Dante deve garantir que ela não se torne um peso.

Dante estava ao lado da lareira, as mãos cruzadas, imóvel como um lobo em repouso. Quando ouviu o comentário, seus olhos azuis cortaram o ambiente com um brilho letal.

— Amara não é um peso. Ela é uma ameaça — sua voz saiu firme, a certeza de quem conhece a força oculta nas sombras. — Se subestimá-la, vocês podem se preparar para o caos.

O silêncio caiu sobre a sala, e os homens se entreolharam, divididos entre o medo e o respeito.

Mais tarde, no quarto reservado para ela, Amara sentou-se diante da penteadeira.

O vestido de noiva — branco, clássico, mas pesado como uma armadura — estava dobrado ao lado, um lembrete cruel do que viria.

Ela tocou a cicatriz fina na costela, sentindo o frio do passado e a urgência do presente. A lembrança do irmão desaparecido latejava na mente, a responsabilidade que ela não pediu pesava sobre os ombros.

O som da porta sendo aberta a fez se virar.

— Preparada para o juramento? — Dante estava ali, parado na soleira, os olhos fixos nela.

Amara levantou o olhar, a tensão estampada em cada linha do rosto.

— Nunca estarei pronta para um casamento forjado no fogo do poder — respondeu, a voz firme.

Dante deu um passo à frente, aproximando-se lentamente.

— Então vamos torná-lo um fogo que você não poderá apagar — murmurou, a voz rouca e intensa.

O ar entre os dois parecia vibrar, um campo minado de emoções não ditas, ódio e uma atração impossível de ignorar.

Amara desviou o olhar, sabendo que essa guerra não seria apenas contra o Conselho, mas contra algo ainda mais perigoso dentro dela.

---

Enquanto isso, nas sombras da Sicília, os olhos do inimigo observavam.

Enzo Mancini , rival dos Bellucci, sorriu ao receber a notícia do casamento. Para ele, aquela união era uma chance de infiltrar-se e derrubar ambos os clãs.

— Que o juramento comece — disse, enquanto suas garras se preparavam para rasgar a aliança.

O salão principal da mansão Bellucci estava lotado. Não de convidados alegres, mas de rostos frios, homens armados e sorrisos carregados de falsidade.

Esse não era um casamento.

Era uma negociação selada com alianças, sob a mira de armas invisíveis.

Amara caminhava pelo corredor improvisado entre as colunas de mármore, com o vestido branco ajustado ao corpo, cada passo pesando como se as correntes da máfia se enrolassem em torno de seus tornozelos. Os saltos batiam no piso de pedra como se anunciassem a execução e não uma união.

Todos a observavam.

Os aliados. Os traidores. O Conselho.

E no altar improvisado, o homem que agora seria seu "marido".

Dante Moretti.

Impecável, de terno escuro, o olhar cinzento tão frio quanto o oceano em noite de tempestade. Ele estava parado, imóvel, como se fosse parte da estrutura daquela mansão maldita.

Quando os olhos dele encontraram os dela, Amara sentiu o corpo inteiro reagir. Não era desejo — ou talvez fosse. Mas era também raiva, desafio e uma tensão que queimava sob a pele.

Ela parou diante dele, mantendo o queixo erguido, mesmo com o coração disparado.

O velho do Conselho, com a expressão de mármore, iniciou o discurso formal:

— Hoje, diante das famílias, do Conselho e sob as leis do submundo, selamos um juramento sagrado. Um pacto de sangue e lealdade. Quem quebrá-lo… morre.

Dante estendeu a mão para ela, e por um segundo, Amara hesitou.

Ele a encarou, a voz baixa o suficiente para só ela ouvir:

— Não pense nisso como um casamento, Bellucci. Pense como um campo de guerra. E agora… você está no meu lado do front.

Ela segurou a mão dele, firme, sentindo o toque quente e o poder escondido ali.

O Conselho continuou:

— Amara Bellucci e Dante Moretti, juram, perante nós, lealdade ao Conselho, às famílias e um ao outro, até que a morte — ou o sangue — os separe?

Dante não piscou.

— Eu juro — disse, o tom tão firme que parecia uma ameaça e não uma promessa.

Todos aguardaram a resposta dela.

O salão parecia mais silencioso que um túmulo.

Amara sentiu o peso do olhar dele, dos conselheiros, de todo o passado. E ainda assim, sustentou a própria coragem:

— Eu juro — respondeu, com um fio de voz, mas com a determinação de quem sabe que, a partir dali, não havia mais volta.

As alianças deslizaram pelos dedos, frias como aço. O juramento estava feito.

Mas quando Dante se inclinou, aproximando os lábios do rosto dela, Amara soube que aquilo ia além de uma formalidade.

Ele a puxou pela cintura, o toque forte, possessivo, e sussurrou contra os lábios dela:

— Bem-vinda ao inferno, esposa.

O beijo veio seco, cheio de faíscas, sem romance, mas carregado de promessa e veneno.

E no fundo, ambos sabiam: o verdadeiro jogo começava agora.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • O Juramento Da Máfia - A Herdeira Proibida   Capítulo 50

    Três meses haviam passado desde a noite em que Augusto Bellini deixara de ser uma ameaça. Três meses desde que o último vestígio do A-17 fora retirado dos arquivos das famílias e colocado sob custódia, encerrando uma estrutura que durante anos havia sobrevivido nas sombras. Três meses desde que Amara Bellucci assumira oficialmente o comando de sua família. E, pela primeira vez em muito tempo, a mansão estava em silêncio. Não o silêncio pesado que costumava anteceder uma ameaça. Um silêncio tranquilo. Amara estava diante da janela de seu escritório, observando os jardins enquanto segurava uma pasta nas mãos. Sobre a mesa havia relatórios, contratos e documentos que precisavam de sua assinatura. Nada de mensagens anônimas. Nenhuma fotografia. Nenhuma ameaça. Apenas o trabalho de uma chefe. Ela abriu a pasta e começou a ler. Os negócios dos Bellucci estavam sendo reorganizados. Algumas alianças antigas haviam sido encerradas. Outras, mantidas. Os homens que durante anos havia

  • O Juramento Da Máfia - A Herdeira Proibida   Capítulo 49

    O corredor que levava à sala onde Augusto Bellini estava preso parecia mais silencioso naquela noite. Amara caminhava à frente, acompanhada por Dante. Dois homens da segurança aguardavam alguns metros atrás, mas ela não havia pedido que entrassem. Aquilo era uma decisão que queria tomar pessoalmente. Quando a porta se abriu, Bellini levantou os olhos. Estava sentado diante de uma mesa, as mãos algemadas, o rosto marcado pelos últimos dias. Ainda assim, havia algo naquele olhar que incomodava Amara. Ele não parecia derrotado. Parecia esperar por ela. — Finalmente — disse ele. Amara entrou sem responder. Dante permaneceu junto à porta. Bellini soltou um sorriso discreto. — O Lobo de Palermo atrás de você. Como sempre. Dante não reagiu. Amara puxou uma cadeira e sentou-se diante dele. — Você queria falar comigo. — Eu queria saber quanto tempo levaria para você entender que ainda precisa de mim. — Não preciso. A resposta foi imediata. Bellini inclinou a cabeça. — A-17 n

  • O Juramento Da Máfia - A Herdeira Proibida   Capítulo 48

    A sala do conselho estava em silêncio quando Amara entrou. Dante veio ao lado dela, como sempre fazia agora. Não como um homem que precisava protegê-la, mas como seu marido e como chefe dos Moretti. Os dois haviam aprendido, ao longo dos últimos meses, que estar juntos não significava ocupar o mesmo lugar. Cada um tinha seu próprio nome, sua própria família e seu próprio poder. Amara parou diante da mesa. Todos os olhares se voltaram para ela. — Imagino que tenham me chamado para falar sobre os Bellucci. Vittorio Rinaldi foi o primeiro a responder. — Sobre a sucessão. Amara não se sentou. — Então falem. Um dos conselheiros mais antigos ajeitou-se na cadeira. — Riccardo era o sucessor reconhecido. A lembrança do irmão ainda doía, mas Amara não permitiu que aquilo enfraquecesse sua postura. — Riccardo está morto. O silêncio que veio depois foi pesado. — E antes de morrer — continuou ela — ele me disse exatamente o que queria. Vittorio a observava atentamente. — O que ele

  • O Juramento Da Máfia - A Herdeira Proibida   Capítulo 47

    A notícia da morte de Riccardo se espalhou antes mesmo que o corpo chegasse à mansão. Em poucas horas, todos os nomes importantes das famílias que ainda mantinham algum vínculo com os Bellucci já sabiam que o herdeiro estava morto, Bellini havia sido capturado e Amara havia sobrevivido. Mas havia algo que ninguém parecia saber ao certo. O que ela faria agora. Amara passou a noite no escritório do pai. Não dormiu. Sobre a mesa estavam os documentos recuperados do A-17, os registros financeiros e uma lista de nomes que havia pertencido à estrutura de Bellini durante anos. Dante entrou pouco antes do amanhecer. Encontrou Amara diante da janela, ainda usando a mesma roupa da noite anterior. — Você precisa descansar. — Depois. Ele se aproximou da mesa. — Encontramos o carro de Mancini. Amara virou-se. — Onde? — Próximo à fronteira. Ele abandonou os homens e fugiu sozinho. Ela pegou o casaco. — Então vamos atrás dele. Dante a observou por alguns segundos. — Você não prec

  • O Juramento Da Máfia - A Herdeira Proibida   Capítulo 46

    Bellini recuou um passo. Pela primeira vez desde que aparecera naquela sala, a segurança havia desaparecido de seu rosto. Amara manteve a arma apontada para ele. — Você matou meu irmão. — Não fui eu quem disparou. — Mas foi você quem colocou a arma na mão daquele homem. Bellini não respondeu. Dante surgiu ao lado dela, o rosto frio, os olhos fixos no homem que havia passado anos manipulando pessoas das sombras. O Lobo de Palermo não precisava levantar a voz para intimidar ninguém. A presença dele já era suficiente. — Acabou, Bellini. Augusto olhou para ele. — Você realmente acredita que pode decidir isso? Dante deu um passo à frente. — Não. Ela pode. Amara não desviou os olhos. — Você queria saber quem assumiria depois de Riccardo? Bellini permaneceu em silêncio. — Olhe bem. Ela avançou. — Sou eu. Um dos homens de Bellini levantou a arma. Dante foi mais rápido. O disparo ecoou pela sala. O homem caiu. Os outros hesitaram. A equipe de Dante já havia cercado o

  • O Juramento Da Máfia - A Herdeira Proibida   Capítulo 45

    A escuridão tomou a sala.Por alguns segundos, Amara só conseguia ouvir a própria respiração e o som distante dos disparos que continuavam do lado de fora. Riccardo estava ao seu lado, Dante alguns passos à frente, atento a qualquer movimento.Então as luzes de emergência se acenderam.Vermelhas.A voz de Bellini voltou pelos alto-falantes.— Durante anos, Matteo acreditou que poderia enterrar o A-17 junto com ele. O problema é que seu pai nunca entendeu que certos segredos deixam de pertencer a quem os criou.Amara ergueu a arma na direção do teto.— Apareça.Uma risada baixa ecoou.— Você sempre teve o temperamento dele.— E você sempre se escondeu atrás de homens armados?Silêncio.Dante lançou um olhar rápido para ela.Havia algo quase satisfeito em sua expressão. Aquela era a Amara que ele conhecia: mesmo cercada, ela ainda conseguia transformar uma ameaça em provocação.— Cuidado, menina — Bellini respondeu. — Seu pai também achava que podia me enfrentar.Amara apertou a mandíbu

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status