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Capítulo 4

Auteur: Val Carvalho
last update Date de publication: 2026-05-02 07:34:57

Baile dos vampiros

Lara

Estou empolgada. Pela primeira vez eu vou a um baile funk. Ligo para Paula para confirmar se ela vai comigo, como combinamos na faculdade hoje à tarde. Mamãe entra no quarto enquanto estou no final da maquiagem. Ela diz:

— Filha, por favor, me ouça. Isso é perigoso. Não há necessidade de você ir a um baile, ainda mais levando uma humana. Isso é loucura. Você sabe que os humanos próximos a nós aumentam nossa sede, e lá não terá só você de vampiro. E se atacarem a filha alheia?

Eu reviro os olhos, coloco meu brinco, e pergunto:

— Mãe, por acaso você atacou meu pai? Que eu saiba, ele era humano.

Ela diz:

— Não, filha, claro que não. Mas eu sempre controlei minha sede e, quando me sentia fraca, usava o soro que seu pai junto com os vampiros anciãos desenvolveram para controlar nossos instintos assassinos.

Eu pego minha bolsa, beijo minha mãe e digo:

— Tchau mãe, até mais tarde. Não vou atacar ninguém, não se preocupe. E Miguel vai nos deixar lá e depois nos buscar, certo?

Ela diz:

— Está bom, é que eu estou preocupada. Os federais, depois de anos, resolveram quebrar o acordo.

Desço as escadas, saio para o jardim e sigo até o carro. Miguel abre a porta e, após eu me acomodar, ele dá partida. No caminho do baile, passamos por algumas viaturas, mas não ligo. Passamos na casa de Paula e seguimos para a boate. Minutos depois, chegamos. Miguel estaciona o veículo. Após descermos, ele pergunta:

— Você não quer que eu aguarde vocês?

Eu nego com a cabeça e falo:

— Pode ir tranquilo. À meia-noite eu te ligo.

Ele dá partida e se afasta do local.

Eu e Paula nos identificamos na entrada, e o segurança faz sinal para a gente entrar. A música eletrônica toca em volume máximo. Paula agarra-se ao meu braço e pergunta:

— Eles são todos vampiros?

Eu respondo, aproximando minha boca do seu ouvido por causa do barulho.

— Não, amiga. Aqueles ali, com exceção do Dj, são humanos, iguais a você. Não se preocupe, eles são de boa.

Paula relaxa um pouco e começa a dançar. Tudo está perfeito até a chegada dos federais.

Os homens de botas entram e olham para os lados, como quem procura alguma coisa, até que um faz sinal para um garoto. Minutos depois, o garoto se transforma, mostrando os dentes. Eu tomo um susto e tento sair com Paula, quando só ouço os disparos das pistolas contra os garotos vampiros. Por ser vampira, minha audição é melhor que a dos humanos. Um dos policiais, usando capuz junto com os outros, grita:

— Atirem para matar. Esses vermes são perigosos.

Abaixo-me, embaixo da mesa, mas me perco de Paula. Tento usar minha visão, mas é inútil. O medo e o desespero tomam conta de mim, e só ouço o som de vários disparos. Vou me escondendo até a saída. O cheiro de sangue humano me deixa tentada a saltar no pescoço dos federais, mas sei que se eu tentar alguma coisa, serei morta. Olho para o canto da boate e tremo de pavor. Minha amiga está caída com um furo enorme no peito. Levanto-me rápido, para correr em direção ao corpo, mas sou impedida por alguém que coloca algo em meu nariz. Tento me manter acordada, mas é inútil. Sinto uma ardência no meu corpo e não vejo mais nada.

Quando desperto horas depois, o dia já está quase amanhecendo. Olho o quarto tentando reconhecer o lugar e me acostumar com a claridade, já que saio mais à noite. Lembro do corpo da minha amiga estirado no chão. Procuro minha bolsa, mas não a encontro, e penso:"meu Deus, onde estou?"

De repente, assusto-me com a porta sendo aberta, e um homem entra.

Encolho-me na cama. Ele tenta me acalmar:

— Fique calma. Salvei você. Não irei te fazer mal.

Novamente, o cheiro dele me invade. Lembro que é familiar, mas não consigo reconhecer. Mas sei que já senti esse cheiro duas vezes. Olho para o meu pulso e percebo um pequeno arranhão. Pergunto:

— O que aconteceu com minha amiga?

Ele, com uma voz grave, responde:

— Infelizmente, ela está morta.

— Por que me salvou?-- Pergunto.

— Porque não concordo com a conduta do meu chefe.-- Responde.

Eu me sento na cama e pergunto:

— Você é da polícia?

— Sim, mas não quero prejudicar o seu povo.-- Ele estende a mão e se apresenta: — Meu nome é Luan Salvatore. Pode confiar em mim.

Apresento-me de volta:

— O meu é Lara Colin. Você pode me dizer o que fez com minha bolsa? É que preciso falar com minha mãe. Ela deve estar aflita.

Ele responde:

— Não se preocupe. Eu já avisei que você estava em um lugar seguro.

Fico de boca aberta e falo:

— Ok. Escuta, tem alguma coisa aqui para comer?

Ele pergunta:

— Você come comida normal?

Eu respondo:

— Sim, menos carnes vermelhas, para não atiçar o desejo de morder alguém.

Ele diz:

— Certo. Venha para a cozinha. Vou preparar um café para nós dois.

Enquanto Luan prepara o café, minha mente vagueia sobre os eventos da noite passada. O baile começou tão animado e, de repente, tornou-se um verdadeiro caos. Eu nunca experimentei tamanha violência em um ambiente que deveria ser de diversão. O medo e a incerteza ainda ecoam dentro de mim, e a imagem da Paula caída no chão não sai. Ajudo ele a arrumar a mesa e quando já estamos tomando café passa no jornal sobre a morte da minha amiga morta, me dá um nó na garganta, não aguento mais comer e começo a chorar. Luan vem para meu lado e me abraça eu começo a soluçar e falo:

— É tudo culpa minha, se eu tivesse escutado minha mãe, agora a minha amiga estaria viva.

Eu começo a soluçar Luan limpa minha lagrima e diz:

— Não é culpa sua, não teria como você saber que isso ia acontecer.

Ele me encara com tanta intensidade e me beija. É um beijo dominador me prendendo em seus braços como se tivesse medo de que eu fugisse. Correspondo o beijo com mesma intensidade, ele passa a mão no meu corpo e já estamos ficando sem fôlego quando eu o empurro, mas ele não me solta, ele colo a testa na minha e fica me encarando, mas não falamos nada por um tempo, até que ele quebra o silêncio, e fala:

— Me desculpa, eu não quis me aproveitar de você, mas não resisti ao te ter tão perto, nos meus braços.

Eu fico tão surpresa que não consigo falar nada. Logo a imagem da minha amiga vem na minha cabeça e começo a chorar novamente.

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