LOGINUma noite, um banheiro, um encontro e uma promessa. Foi o que precisou acontecer para mudar completamente a vida do gingante Enzo, líder do Moto Clube Anjos Caídos. A vida sempre foi uma cadela cretina e tentou de todas as formas, destruir com esses cinco homens que ainda crianças, encontraram na necessidade de se protegerem o motivo para se unirem, mas de alguma forma muito insana, decidiu brincar com o coração de Enzo e entregar a ele a chance de um encontro surpreendente. Mas é claro que ela não daria nada assim tão fácil.... Encontros, desencontros, mortes, dores e desilusão! E o pior de todas as coisas, a incerteza de conseguir cumprir com sua promessa.
View MoreOlhava para o homem sentado à minha frente, mas não encontrava nada que me lembrasse em que momento da vida acreditei que seríamos um casal compatível. Carlos falava, falava e falava, mas nada agradável saía de sua boca, somente um monte de reclamações sobre o lugar, a música alta, as pessoas que estavam, ao que tudo indica, divertindo-se, conversando, bebendo e curtindo a noite tão esperada de sexta-feira. Estávamos juntos há quase um ano e caímos em uma rotina entediante, sexta à noite pediamos pizza, tomávamos meia garrafa do mesmo vinho tinto de sempre, assistíamos um filme e dormíamos. Sábado pela manhã ele teimava que precisava colocar a vida em ordem, qual a desordem que ele vivia no decorrer da semana? Não tenho ideia, mas ele acordava e, depois de se arrumar, saía. Voltava antes do almoço, pedíamos comida no mesmo restaurante na esquina da rua da minha casa, sempre a mesma coisa, e no decorrer da tarde ele mergulhava em trabalho e relatórios, enquanto eu ficava andando de um lado para o outro, como se procurasse a minha personalidade ou a vontade de viver que devo ter perdido em algum lugar por aí.
Naquela sexta, implorei por algo diferente, passei a semana toda enviando o link do barzinho que todos estavam comentando, falando o quanto era bom, mandando avaliações, enfim, quase o subornei para aproveitarmos a nossa noite de forma diferente. Sempre fui uma mulher bem-humorada, riso solto, rodeada de amigos, com sede de viver, de ver e ser vista. Sempre. Até conhecer o Carlos e toda sua seriedade, e o ar de “homem crescido” chamar minha atenção. Sabe lá Deus o porquê, eu me envolvi e não paramos mais, ainda que cada um tivesse sua casa, passávamos o fim de semana juntos e alguns dias da semana também, mas nada mudava, era sempre o mesmo “do mesmo”. Tentei algumas vezes jogar uma “pimenta” em nossa relação, mandava vídeos quentes para ele, fotos sensuais com lingerie novas e minúsculas, mas após receber um sermão sobre a segurança na web e o que piratas cibernéticos conseguiam fazer nos aplicativos de mensagens e como todo aquele conteúdo poderia me prejudicar no futuro, desisti.
Respirei fundo, desejando de todo o meu coração ter um tijolo, só para tacar na cara do Carlos para ele calar a boca. Virei a caipirinha de caju de uma só vez, ele arregalou os olhos em minha direção e eu sabia que o sermão já estava pronto.
— Qual a necessidade de se embriagar? — Seus olhos me encaravam sem nada ver. Carlos me olhava há quase um ano, mas não me via, ele nunca me via.
— Não estou embriagada, é meu primeiro copo, acabamos de chegar — respondi sem muita paciência, sabendo o final que aquele relacionamento teria.
Se ele tivesse prestado atenção em uma única história que dividi com ele naqueles meses, saberia que minha tolerância ao álcool ia muito além de um simples copo.
— Acabamos de chegar e já vamos embora. — Levantei a cabeça para encontrar o seu olhar, queria encará-lo enquanto dizia umas boas verdades sobre o seu jeito “idoso chato” de ser, mas notei que Carlos olhava sobre os meus ombros.
Seu corpo tenso deixava claro que a minha suposta embriaguez não era mais o problema, as sobrancelhas unidas e o rosto de poucos amigos, deixava claro que estava, ainda mais, desgostoso por algo que via. Virei o corpo sobre a cadeira de madeira, seguindo a direção do olhar do “reclamão” e então entendi o porquê daquela cara. Na porta do barzinho, aguardando a liberação da entrada, estava um grupo de mais ou menos oito pessoas.
E o céu se abriu naquele lugar.
Homens lindos, de uma forma que jamais conseguirei explicar, pois eram deuses desenhados por mãos de artista. Musculosos na medida certa, do jeito que te faz desejar com todas as suas forças ser envolvida por aqueles braços e descansar em seu peito; cabelos compridos presos em coques desajeitados; outros com cabelos tão curtos que somente a pelugem ficava a mostra, todos vestiam calças jeans com rasgos em alguns lugares, camisetas pretas – alguns usavam brancas – e jaqueta de couro. As jaquetas eram idênticas, todas com coisas penduradas, algo bordado que não consegui identificar de longe, mas me pareceu ser algum tipo de marca ou uma logo, algo assim. As duas mulheres que faziam parte do grupo, não eram diferentes. Lindas de uma forma que deveria ser proibido de aparecer em público e humilhar o restante dos mortais, as roupas em couro, marcando o corpo, revelando cada curva. Usavam as mesmas jaquetas, só que com um corte feminino e uma regata branca por baixo, tão decotada que os peitos redondos saltavam para fora.
E foi impossível não sentir a invejo dominando todo o meu ser, não que eu fosse uma mulher feia ou tivesse algum problema com o meu corpo, mas não acharia ruim ser um pouco parecida com qualquer uma delas, era simplesmente perfeitas em uma vibe maligna sensual.
— Olha o tipo de lugar que você quer frequentar, Danielle! — Ouvi a reclamação ao longe. — Além desse barulho infernal, esse povo passando e esbarrando em nossa mesa e o péssimo atendimento, agora chegou uma matilha.
Sabia que Carlos dizia algo, mas meus olhos estavam presos no homem que parecia comandar a fila. Ele falava algo no ouvido da menina que organizava a entrada das pessoas paradas na fila, seu corpo imenso estava inclinado sobre o dela, cobrindo-a por completo, e era nítido a forma que a pobre coitada respirava com dificuldade, buscando algum controle para não reagir àquela montanha sobre si. O gigante ainda falava ao ouvido dela quando seu olhar vagou pelo salão e encontrou o meu. Ele ficou me encarando por alguns segundos e meu juízo derreteu, pois não consegui desviar os olhos e muito menos fingir que não estava cogitando a possibilidade de me levantar, ir até ele e pedir por um abraço, somente para sentir meu corpo envolvido por todo aquele musculo. O homem virou a cabeça com leveza para o lado, seus olhos evidenciando que se divertia com minha baba escorrendo e, para foder com a gota de razão que habitava em mim, sua boca deslizou para o lado, revelando um sorriso sacana que me fez fechar as pernas e pressioná-las uma na outra buscando alivio para algo que nem sabia o que era, mas que todo o meu corpo sentia.
— Danielle! — Carlos gritou me resgatando da minha tara, virei o corpo com rapidez, batendo os joelhos na merda da mesa baixa, fazendo as coisas sobre ela balançarem.
— O que foi? — gritei de volta, louca para dar com a tigela de batata frita na cabeça dele.
— Perdeu alguma coisa lá? Por favor, Danielle se valorize e me respeite — rosnou enfurecido e eu fiquei sem argumento, estava mesmo desejando o cara com todas as minhas forças.
— Desculpa, mas adorei a bota daquela loira. Estava só olhando com mais cuidado para ver os detalhes. — Tentei uma saída menos humilhante e passando vergonha duas vezes, pois claramente ele não iria acreditar naquela desculpa esfarrapada que saia da minha boca.
— Bota? — falou incrédulo, mas não se importou o suficiente para dar continuidade e voltou a sua sessão de reclamação, me jogando em um limbo de desespero.
Tudo com ele se tornou maçante, pesado e enlouquecedor, pois Carlos te empurrava a duas situações: desistência ou loucura. Quase sempre simplesmente desistia de seguir conversando, debatendo ou até mesmo me defendendo, acabava concordando pois era mais fácil seguir.
Não sei se seria sempre a mesma luta ou se com o passar do tempo ela iria se acostumar ou mesmo se apaixonar pela vida na estrada, mas o trajeto até o seu apartamento, não saber o que vestir, a dúvida a cada passo que ela dava, me consumia. Sua dificuldade em se ambientar em meu mundo era algo normal, mas aquilo de alguma forma mexia com a autoestima de Danielle, que me mostrou cinco calças jeans em seu corpo, três blusas com cores e modelos diferentes, duas jaquetas, um tênis e duas botas, no fim, optou por jeans escuro, regata branca, jaqueta em couro, botas e os cabelos presos em uma trança. Não queria que minha vida fosse algo doloroso, uma situação que levasse dúvidas ao coração da minha pequena, queria que fosse leve, que ela se sentisse envolvida e que tomasse a estrada como parte essencial de sua vida.Após o que me pareceu ser a eternidade, parou de frente para mim e me olhou implorando por aprovação, sorri para a cena, mas a preocupação para uma conversa futura ficou registr
O jogo do domínio, poder sobre o outro e suas vontades, não era para todos. Exigia muito mais do que algumas pessoas conseguiam entender, mas ela curtia o momento e confesso que eu também. Poderia subir o quadril e empurrá-la para baixo com facilidade, empalando seu corpo com o meu, mas segurei meu desejo de sentir meu pau se enterrando dentro dela.Rosnei quando se moveu devagar, rebolando o suficiente para que sentisse o calor de sua entrada.— Acabei de te encontrar e já quer me matar, pequena? — As palavras saíram mais baixa do que pretendia e o sorriso dela se ampliou.— Quero... — falou manhosa, rebolando um pouco mais, engolindo meu pau de uma só vez, fazendo o ar de meus pulmões serem jogados para fora.Se qualquer pessoa me contasse aquela loucura, não acreditaria ou colocaria muitas coisas em dúvida, mas foi comigo, estava vivendo aquele reencontro e, caralho, era mil vezes melhor do que me lembrava. Minha pequena começou a se mover sobre meu corpo, em um subir e descer len
Em algum momento fomos parar no quarto dele, Enzo me teve de todas as formas que falou que teria, desde a parede, cama, uma poltrona no canto do quarto e cama novamente. Minha cabeça em seu peito, a perna sobre a dele, seu braço me puxando para mais perto e seus dedos deslizando por minha coluna em um movimento tranquilo. Era o meu cenário ideal, saciada, exaurida de prazer e segura em seus braços como jamais me senti. Sem dúvida alguma, aquele homem era como ondas em um mar agitado, levando todas as minhas forças e ar, mas ao mesmo tempo era o oxigênio que meu corpo precisava para se manter vivo e seus braços a paz que minha mente buscava. — Como me procurou? — questionou, sua voz não passando de um sussurro.— Me lembrava do nome que vi na sua jaqueta. Fiz uma pesquisa, achei o site do moto clube, mas não havia nada lá. Nada que me levasse a você.Sabia que minha voz carregava o peso da dor que sentia, do tempo que deixamos de ter um com o outro.— Eu fiz uma promessa. — Sua voz es
Saber que meu corpo estava exposto a uma velocidade considerável, sem estar protegido por todo o ferro que envolve um carro ou desafiando a gravidade e se mantendo em movimento com apenas duas rodas, me apavorava. Aquele passeio de longe se parecia com os descritos em livros ou vistos em filmes. Não sentia minha alma livre e o vento no cabelo não trazia nada de agradável, somente um emaranhado de fios e o desespero em pensar no fedor que minha cabeça estaria quando tirasse aquele pinico. Minhas mãos estavam enterradas no gigante, meus dedos presos ao tecido de sua camisa, o segurava com tanta força que tudo em mim doía, acreditei que subir a serra seria apavorante, mas havia me esquecido do trânsito louco de São Paulo e assim que entramos na Avenida Bandeirantes minha alma abandonou meu corpo.Aquela imensidão, pilotando a outra imensidão, entrou pelos corredores formados entre os carros, bastaria um carro se mover sem ligar a seta e nós estaríamos voando e beijando o chão. Só pensav












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