ログインBrunoA delegacia estava quieta naquele fim de manhã. Larguei as chaves na mesa, sentei na cadeira rangente e liguei o computador. Enquanto a tela carregava, comecei a organizar a pilha de arquivos em cima da mesa.No dia anterior eu não tinha tido paciência para arrumar nada, e agora a bagunça me encarava de volta.Peguei o arquivo da investigação sobre o Thane. A foto dele no topo e embaixo alguns dados: últimos paradeiros, descrições, anotações minhas nas margens.Meu peito apertou de um jeito familiar, e meus pensamentos foram direto para Beatriz. O lobo dentro de mim se remexeu, inquieto, querendo sair correndo até ela, levar alguma coisa, qualquer coisa, só para vê-la sorrir e saber que ela está bem.Fechei os olhos e respirei fundo, segurando o bicho.Não era a primeira vez. Desde que conheci a Beatriz, meu lobo age assim. No início, cheguei a pensar que ela poderia ser a minha companheira escolhida, visto que sou um lobo solo. Mas conforme pude conhecê-la melhor, a sensação mu
POV Isaque Eu acreditei que era possíel evitar o vínculo de companheiros por muito tempo. Disse pra mim mesmo que era melhor assim, que uma fêmea como a Beatriz não precisava de um lobo quebrado como eu. Mas agora, sou grato por isso, de um jeito que nem sabia que ainda podia sentir. Por ela eu vou caçar o Thane até o fim. Nem que eu tenha que morrer tentando. Porque agora ela é a minha prioridade. Não tem mais missão para Corvo, não tem mais dinheiro, não tem mais nada acima disso: a Beatriz precisa viver em paz.E eu vou dar isso pra ela. A casa nova já estava com cara de lar. Os móveis tinham chegado na segunda-feira, a Bia passou dois dias brigando com a posição do sofá, a Maia pendurou umas plantas na varanda. Ainda faltavam algumas coisas, mas já estava bem bacana. Naquele sábado, o cheiro de carne na churrasqueira tomava o quintal. O Xerife escoteiro tinha trazido carvão e cerveja.Hector chegou e espalhou uns papéis na mesa da varanda. — Isaque — o Hector começou, batendo
POV IsaqueFechei os olhos e respirei fundo. Sua essência invadiu os meus pulmões e tomou conta de mim. Nenhum perfume se compara a essência da minha fêmea. Eu sou um desgraçado por não me dar conta de que estava agindo como um cretino com a desculpa de que a estaria protegendo.Segurei o seu rosto com as duas mãos, sentindo a delicadeza da sua pele sob os meus dedos, e aproximei-me devagar. Meus lábios tocaram em sua testa, respirando fundo mais uma vez. o perfume que emanava do seu cabelo; aquele cheiro doce que sempre acalmava a minha natureza desde que o cheiro de ervas estranhas sumiu.— Desculpa — sussurrei, mantendo a minha testa colada à dela, sentindo o meu peito se apertar de verdade. — Você tem razão, eu fui um idiota.Meus sentidos captaram a mudança imediata nela. O ritmo do coração , que antes batia acelerado pelo estresse da briga, suavizou. Os olhos dela me encararam com uma compreensão que quase me pôs de joelhos.— Tudo bem — ela respondeu baixinho. — So não faz de
Olá, amores!Já está acabando!BJKS!*****Acordei com a boca seca e a cabeça latejando. Era como se estivesse de ressaca. Sem ter bebido.Me espreguicei, bocejei de novo e esfreguei os olhos. O lado dele da cama estava vazio e frio. Onde ele tinha ido?Desci da cama, meus pés encostaram no chão gelado, me dando um arrepio, e esfreguei meus braços.Meus olhos encontraram a caneca em cima da mesinha. Ainda estava ali, suja de chocolate quente.Fui até lá, peguei e inspirei o cheiro de chocolate que ainda perfumava o ar.Engoli em seco, meu sorriso diminuiu e meu coração apertou.Foi depois de beber o chocolate quente que ele preparou pra mim que fiquei sonolenta. Ele tinha sido tão carinhoso fazendo, tão cuidadoso me entregando na cama. E foi justamente aquele carinho que ele usou para me tirar de cena. Pesada demais, rápido demais, esquecendo o que ia falar no meio da frase, a língua dormente.Eu sabia.Aquela sensação ruim que a gente reconhece mas não quer acreditar, e dói justament
Lorde Aarão levantou ainda no escuro. A ansiedade não o deixara dormir direito. Queria chegar nas primeiras horas da manhã.A esposa se mexeu entre os lençóis, sonolenta. Ele se inclinou e beijou a testa dela.— Preciso ir ver a rainha — murmurou. — Pode ser hoje que ela finalmente autorize aquilo que a gente quer fazer nos laboratórios.Ela só resmungou um "hum, sim" e se virou para o outro lado, afundando no sono de novo.Ele sorriu e saiu.O laço dele com a Rainha vinha desde a infância. Ter crescido junto com a princesa herdeira lhe garantia algo que poucos tinham: recepção antes mesmo do sol nascer.Quando os portões se abriram, o sol começava a riscar o horizonte e o peito dele apertou.O castelo era o mesmo de sempre. Pedra fina, corredores compridos que ecoavam os passos, e aquele cheiro inconfundível no ar — chá antigo e rosas vermelhas, as favoritas dela.Lembrou-se da primeira vez que estivera ali, ainda menino, de mãos dadas com o pai. O que aconteceu naquele dia, ele não
Olá, amores!Trago uma notícia,Mês que vem começarei Herança Sangrenta IIBJKS!*****— Cassete!Percebi na hora. As marcas de mordida de vampiro no pescoço do rapaz.— Tem certeza que esse é o irmão dela? — o Hector perguntou.— Não. Nunca vi o rosto dele.Na foto que encontrei, num dos meus alvos, o rosto dele estava cortado. Não tinha como eu ter certeza. No entanto, a arrogância do Thane me faz acreditar que é ele mesmo.— Foi o que o Thane falou. Não apenas falou, como me deu o pendrive. Por mais que seja um imbecil, não ia me dar isso se não fosse verdade.Hector coçou a barba imaginária.— Você vai mostrar isso pra Beatriz?Fiquei olhando para o notebook. Ainda não tinha decidido. Não queria que ela visse, porque eu detestava a ideia dela sofrer. No entanto, seria a única maneira de ter certeza se ele era ou não irmão dela. Só ela poderia reconhecer o próprio sangue.— Vamos continuar o vídeo — falei e dei play de novo.A cena cortou e foi para um outro momento. O rapaz agora







