登入IsaqueMinhas garras rasgavam a terra úmida da floresta, cada impulso me jogando para frente com uma força que eu não reconhecia. O coração batia tão forte contra as costelas que parecia querer sair pela boca.Soltei as rédeas.Deixei o lobo assumir por completo., porque o humano só atrapalhava.Eu estava cheio de culpa. Deixei minha fêmea sozinha em casa.E se culpar era perda de tempo.Eu ia um pouco à frente. Logo atrás, um de cada lado, corriam o Hector e o Liam, colados em mim. O lobo do Hector, cinzento e grande, os olhos amarelos cravados à frente.Os dois exalavam um nervosismo que dava para sentir no ar.O desespero deles era do tamanho do meu, porque a gente sabia a mesma coisa: elas estavam lá, desprotegidas. A Bia, a Maia... E o Caio, que não sabe se defender.Mais atrás vinham os outros.Eu implorava à Grande Deusa que o Bruno tivesse conseguido segurar aqueles desgraçados. Que não deixasse aquele filho da puta machucar a nossa família.Quando avistei meu território, meu
POV BiaA sala estava escura, iluminada apenas pela tela da televisão. Tinham fechado as cortinas blackout para criar um clima de cinema, mesmo ainda não sendo noite.Na tela, passava uma comédia besteirol que o Caio tinha escolhido. As risadas da plateia estouravam a cada dois minutos. E ninguém ria, ninguém oferecia mais do que um sorriso quebrado.Eu estava encolhida no canto do sofá, com as pernas dobradas contra o peito, olhando para a tela sem prestar atenção em nada.A Maia estava do meu outro lado, mexendo na barra da blusa sem parar. O Caio, esparramado no tapete com uma almofada atrás da cabeça, era o único que fingia prestar atenção.— Você não riu — ele disse, sem tirar os olhos da tela. — Essa foi a melhor piada do filme e você nem riu.— Ah, eu não sei... eu ri por dentro — menti.— Por dentro não conta.Ele jogou uma pipoca na minha direção e eu peguei no ar, mais por reflexo do que por vontade. Coloquei na boca.Fazia horas que o Isaque e os rapazes tinham saído atrás
BrunoA delegacia estava quieta naquele fim de manhã. Larguei as chaves na mesa, sentei na cadeira rangente e liguei o computador. Enquanto a tela carregava, comecei a organizar a pilha de arquivos em cima da mesa.No dia anterior eu não tinha tido paciência para arrumar nada, e agora a bagunça me encarava de volta.Peguei o arquivo da investigação sobre o Thane. A foto dele no topo e embaixo alguns dados: últimos paradeiros, descrições, anotações minhas nas margens.Meu peito apertou de um jeito familiar, e meus pensamentos foram direto para Beatriz. O lobo dentro de mim se remexeu, inquieto, querendo sair correndo até ela, levar alguma coisa, qualquer coisa, só para vê-la sorrir e saber que ela está bem.Fechei os olhos e respirei fundo, segurando o bicho.Não era a primeira vez. Desde que conheci a Beatriz, meu lobo age assim. No início, cheguei a pensar que ela poderia ser a minha companheira escolhida, visto que sou um lobo solo. Mas conforme pude conhecê-la melhor, a sensação mu
POV Isaque Eu acreditei que era possíel evitar o vínculo de companheiros por muito tempo. Disse pra mim mesmo que era melhor assim, que uma fêmea como a Beatriz não precisava de um lobo quebrado como eu. Mas agora, sou grato por isso, de um jeito que nem sabia que ainda podia sentir. Por ela eu vou caçar o Thane até o fim. Nem que eu tenha que morrer tentando. Porque agora ela é a minha prioridade. Não tem mais missão para Corvo, não tem mais dinheiro, não tem mais nada acima disso: a Beatriz precisa viver em paz.E eu vou dar isso pra ela. A casa nova já estava com cara de lar. Os móveis tinham chegado na segunda-feira, a Bia passou dois dias brigando com a posição do sofá, a Maia pendurou umas plantas na varanda. Ainda faltavam algumas coisas, mas já estava bem bacana. Naquele sábado, o cheiro de carne na churrasqueira tomava o quintal. O Xerife escoteiro tinha trazido carvão e cerveja.Hector chegou e espalhou uns papéis na mesa da varanda. — Isaque — o Hector começou, batendo
POV IsaqueFechei os olhos e respirei fundo. Sua essência invadiu os meus pulmões e tomou conta de mim. Nenhum perfume se compara a essência da minha fêmea. Eu sou um desgraçado por não me dar conta de que estava agindo como um cretino com a desculpa de que a estaria protegendo.Segurei o seu rosto com as duas mãos, sentindo a delicadeza da sua pele sob os meus dedos, e aproximei-me devagar. Meus lábios tocaram em sua testa, respirando fundo mais uma vez. o perfume que emanava do seu cabelo; aquele cheiro doce que sempre acalmava a minha natureza desde que o cheiro de ervas estranhas sumiu.— Desculpa — sussurrei, mantendo a minha testa colada à dela, sentindo o meu peito se apertar de verdade. — Você tem razão, eu fui um idiota.Meus sentidos captaram a mudança imediata nela. O ritmo do coração , que antes batia acelerado pelo estresse da briga, suavizou. Os olhos dela me encararam com uma compreensão que quase me pôs de joelhos.— Tudo bem — ela respondeu baixinho. — So não faz de
Olá, amores!Já está acabando!BJKS!*****Acordei com a boca seca e a cabeça latejando. Era como se estivesse de ressaca. Sem ter bebido.Me espreguicei, bocejei de novo e esfreguei os olhos. O lado dele da cama estava vazio e frio. Onde ele tinha ido?Desci da cama, meus pés encostaram no chão gelado, me dando um arrepio, e esfreguei meus braços.Meus olhos encontraram a caneca em cima da mesinha. Ainda estava ali, suja de chocolate quente.Fui até lá, peguei e inspirei o cheiro de chocolate que ainda perfumava o ar.Engoli em seco, meu sorriso diminuiu e meu coração apertou.Foi depois de beber o chocolate quente que ele preparou pra mim que fiquei sonolenta. Ele tinha sido tão carinhoso fazendo, tão cuidadoso me entregando na cama. E foi justamente aquele carinho que ele usou para me tirar de cena. Pesada demais, rápido demais, esquecendo o que ia falar no meio da frase, a língua dormente.Eu sabia.Aquela sensação ruim que a gente reconhece mas não quer acreditar, e dói justament







