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POV Isaque
Bar do Jack.
Dizia a placa torta do lado de fora com uma luz amarela piscando em cima.
Do lado de dentro: um lugar decadente, fedendo a mofo, óleo velho e sangue seco no piso de madeira.
Para os humanos, é só mais um boteco de beira de estrada caindo aos pedaços. Para quem fareja, fede a latrina. Um ponto neutro entre as criaturas conhecidas como sobrenaturais. Vampiros perdidos e lobos mortos de fome dividem o mesmo balcão, sem se matar.
Era um bar como qualquer outro dos que costumo frequentar. Mas aquele em especial tinha uma razão para eu ir. Era o bar que o meu alvo sempre vai, de acordo com a minha investigação.
Escolhi a mesa do fundo, de costas para a parede. Era um lugar privilegiado que me oferecia a visão total de quem entrava e saía do bar, além de ser próxima ao canto do balcão, de onde eu pedi a minha bebida sem chamar muita atenção.
A jaqueta de couro pesava no meu corpo. Uma gota de suor escorreu pela minha testa, apesar do frio do lugar. Não havia aquecimento no bar. E o frio de fora era daqueles que entrava no osso, com neblina forte e vidro embaçado. Suava porque o frio já não me afetava tanto.
Não depois de vários invernos dormindo em grutas úmidas em Oníria, comendo o que conseguia encontrar.
O corpo aprendeu.
Trinta e dois anos. É o que o espelho quebrado do banheiro me disse hoje. Barba de três dias, cabelo castanho grande demais, cicatriz grossa branca subindo do pulso até o ombro direito por baixo da jaqueta — lembrança de um desgraçado que tentou arrancar meu braço na mordida. Outra fina cortando minha sobrancelha esquerda. E as tatuagens no pescoço descendo para o peito, que adquiri no plano da lua de sangue e outras mais que adquiri perdido por aí.
Um dia. Que parecia distante demais para ser real. O Alfa Orium disse que eu poderia ser um general.
Joguei meu futuro fora. Hoje sou um mercenário. 10 mil por cabeça. Faço o que não é qualquer um que tem estômago para fazer.
Fui mimado, fui preconceituoso, fui traidor. Acreditei na mulher errada e ajudei a ferrar com a minha luna. A verdadeira companheira do meu alfa. Fui expulso como um cão sarnento. Merecido.
A porta abriu.
Finalmente, meu alvo chegou. Minha mão foi automaticamente para a pistola no coldre. Sujeito asqueroso. Pele oleosa, cabelo oleoso grudado na cabeça. Suor e cheiro de azedo. Baixo. Alguém que merece morrer. Ossos do ofício. Em alguns momentos esse trabalho é satisfatório. Afinal, estou sendo muito bem pago para fazer algo que eu faria de graça.
Ele sentou diante do balcão não muito distante, como se fosse o dono do lugar, pediu um uísque barato rindo alto com seus comparsas.
Não demorou muito para o lixo de gente se afastar para o corredor dos banheiros.
Perfeito. Não preciso fazer barulho. Tirei a mão que estava sobre a arma e me abaixei devagar até a bota. O cabo da lâmina já estava gelado. Meu lobo, que quase não interage comigo há anos, apenas fungou de tédio, acostumado com o que já tinha se tornado a minha rotina.
Dois passos. Era só levantar e dar dois passos até o corredor do banheiro.
Me levantei pronto para agir. E acabar logo com mais um "dia de trabalho". Mas antes que eu desse um passo, a porta se abriu de novo.
O vento gelado entrou, e com ele um cheiro suave de shampoo barato de maçã.
Mas não foi esse cheiro que me fez travar. Foi um cheiro que não devia estar ali. E que só minha alma podia reconhecer. Algo que eu nem pensava mais que pudesse encontrar.
Algo que eu desejava não poder encontrar.
Meu coração errou. Errou feio. Deu um soco tão forte na costela que achei que o bar inteiro ouviu. Depois acelerou que nem doido.
O desgraçado do meu lobo, que se fazia de morto a maior parte do tempo. Enterrado em meu âmago desde que fui expulso. Levantou a cabeça e rosnou uma palavra que eu não queria ouvir.
— Puta que pariu! — sussurrei. — Não. Grande Deusa, não me fode agora! Agora não!
Estava no meio do caminho. Mão na faca. Alvo a três metros. E eu travei.
Quando ela entrou, contra a minha vontade meu corpo agiu, virando minha cabeça devagar.
Miúda. Deve ter 1,60m no máximo. Afogada em uma jaqueta amarela de chuva grande demais para o seu corpo. Cabelo castanho preso de qualquer jeito, úmido da neblina, alguns fios grudados na bochecha vermelha de frio. Olhos castanhos claros, grandes demais para o rosto fino. Narizinho arrebitado, vermelhinho. Lábio inferior tremendo. Carregava uma bolsa atravessada e um celular com a tela toda trincada.
Ela parou no meio do caminho, e sua voz suave, baixa de frio cortou o silêncio:
— Oi? Desculpa... meu carro enguiçou ali na curva. Meu celular está sem sinal e está muito frio lá fora. Alguém poderia me ajudar? Eu não entendo nada de carro. Eu posso pagar o conserto.
Fechei os olhos e me virei para o bar. Não queria mais olhar.
O bar inteiro calou e olhou para ela. Os três vampiros perdidos no canto pararam de beber e sorriram, mostrando a ponta da presa. Os dois lobos mortos de fome da sinuca largaram o taco e lamberam os beiços. O cheiro de tesão doente subiu no ar.
O que uma humana frágil está fazendo nesse lugar a uma hora dessas, sozinha e fazendo questão de falar que não tem nem como se comunicar com ninguém?
Minha mão fechou em punho dentro da jaqueta até as juntas estalarem.
Não olha! Não olha para o pescoço branco dela aparecendo entre o cabelo bagunçado. Que humana tola, ingênua e burra! Entrou no pior bar da estrada com essa carinha de coelhinha assustada diante de um monte de predadores.
Não é um problema meu! Não mandei a Deusa botar ninguém no meu caminho, muito menos agora. Eu tenho um trabalho a fazer, um desgraçado para matar. Não sou babá de humanas burras.
Tentei forçar meus olhos de volta para o meu alvo. Foco, Isaque. Trabalho. Dinheiro.
Mas meus olhos voltaram sozinhos. Para o jeito que ela apertava a alça da bolsa com dedo gelado. Para o jeito que o peito dela subia e descia rápido de medo. Para o cheiro de maçã que agora estava entranhado no meu nariz e não saía mais.
MINHA. Meu lobo de novo, mais alto. Possessivo. Furioso.
Alguns homens se aproximaram dela sem responder, apenas a olhando de cima a baixo, fazendo com que ela ficasse ainda mais nervosa.
Aí o Orelha Rasgada levantou. Lobo morto de fome, sujo, cheirando a bebida. Um dos que eu mataria de graça.
— Eu te ajudo, princesinha — ele disse com aquela voz melosa que me dá vontade de arrancar a língua. — Vamos lá fora que o tio vê teu carrinho.
Ela sorriu. Aliviada. Ingênua que só a porra.
— Ai, obrigada! Muito obrigada mesmo!
O sangue ferveu no meu pescoço. Eu sei o que um cara daquele faz com humana sozinha na estrada à noite. Já limpei muito corpo de menina que acreditou em "princesinha".
O meu alvo estava no banheiro escuro. Era a minha chance perfeita. Se eu fosse naquele momento, o matava de forma limpa e rápida, sem testemunha, contrato cumprido, 10 mil na minha conta.
Se fosse atrás daquela jaqueta amarela, eu perdia tudo.
Fiquei um segundo plantado no meio do bar. Corredor escuro para a esquerda. Porta aberta para o frio e para a humana burra para a direita.
Meu lobo rosnou tão alto que minha cabeça doeu.
"MINHA!"
Fechei os olhos.
"Humana burra do caral..."
POV IsaqueFechei os olhos e respirei fundo. Sua essência invadiu os meus pulmões e tomou conta de mim. Nenhum perfume se compara a essência da minha fêmea. Eu sou um desgraçado por não me dar conta de que estava agindo como um cretino com a desculpa de que a estaria protegendo.Segurei o seu rosto com as duas mãos, sentindo a delicadeza da sua pele sob os meus dedos, e aproximei-me devagar. Meus lábios tocaram em sua testa, respirando fundo mais uma vez. o perfume que emanava do seu cabelo; aquele cheiro doce que sempre acalmava a minha natureza desde que o cheiro de ervas estranhas sumiu.— Desculpa — sussurrei, mantendo a minha testa colada à dela, sentindo o meu peito se apertar de verdade. — Você tem razão, eu fui um idiota.Meus sentidos captaram a mudança imediata nela. O ritmo do coração , que antes batia acelerado pelo estresse da briga, suavizou. Os olhos dela me encararam com uma compreensão que quase me pôs de joelhos.— Tudo bem — ela respondeu baixinho. — So não faz de
Olá, amores!Já está acabando!BJKS!*****Acordei com a boca seca e a cabeça latejando. Era como se estivesse de ressaca. Sem ter bebido.Me espreguicei, bocejei de novo e esfreguei os olhos. O lado dele da cama estava vazio e frio. Onde ele tinha ido?Desci da cama, meus pés encostaram no chão gelado, me dando um arrepio, e esfreguei meus braços.Meus olhos encontraram a caneca em cima da mesinha. Ainda estava ali, suja de chocolate quente.Fui até lá, peguei e inspirei o cheiro de chocolate que ainda perfumava o ar.Engoli em seco, meu sorriso diminuiu e meu coração apertou.Foi depois de beber o chocolate quente que ele preparou pra mim que fiquei sonolenta. Ele tinha sido tão carinhoso fazendo, tão cuidadoso me entregando na cama. E foi justamente aquele carinho que ele usou para me tirar de cena. Pesada demais, rápido demais, esquecendo o que ia falar no meio da frase, a língua dormente.Eu sabia.Aquela sensação ruim que a gente reconhece mas não quer acreditar, e dói justament
Lorde Aarão levantou ainda no escuro. A ansiedade não o deixara dormir direito. Queria chegar nas primeiras horas da manhã.A esposa se mexeu entre os lençóis, sonolenta. Ele se inclinou e beijou a testa dela.— Preciso ir ver a rainha — murmurou. — Pode ser hoje que ela finalmente autorize aquilo que a gente quer fazer nos laboratórios.Ela só resmungou um "hum, sim" e se virou para o outro lado, afundando no sono de novo.Ele sorriu e saiu.O laço dele com a Rainha vinha desde a infância. Ter crescido junto com a princesa herdeira lhe garantia algo que poucos tinham: recepção antes mesmo do sol nascer.Quando os portões se abriram, o sol começava a riscar o horizonte e o peito dele apertou.O castelo era o mesmo de sempre. Pedra fina, corredores compridos que ecoavam os passos, e aquele cheiro inconfundível no ar — chá antigo e rosas vermelhas, as favoritas dela.Lembrou-se da primeira vez que estivera ali, ainda menino, de mãos dadas com o pai. O que aconteceu naquele dia, ele não
Olá, amores!Trago uma notícia,Mês que vem começarei Herança Sangrenta IIBJKS!*****— Cassete!Percebi na hora. As marcas de mordida de vampiro no pescoço do rapaz.— Tem certeza que esse é o irmão dela? — o Hector perguntou.— Não. Nunca vi o rosto dele.Na foto que encontrei, num dos meus alvos, o rosto dele estava cortado. Não tinha como eu ter certeza. No entanto, a arrogância do Thane me faz acreditar que é ele mesmo.— Foi o que o Thane falou. Não apenas falou, como me deu o pendrive. Por mais que seja um imbecil, não ia me dar isso se não fosse verdade.Hector coçou a barba imaginária.— Você vai mostrar isso pra Beatriz?Fiquei olhando para o notebook. Ainda não tinha decidido. Não queria que ela visse, porque eu detestava a ideia dela sofrer. No entanto, seria a única maneira de ter certeza se ele era ou não irmão dela. Só ela poderia reconhecer o próprio sangue.— Vamos continuar o vídeo — falei e dei play de novo.A cena cortou e foi para um outro momento. O rapaz agora
Cheguei em casa encharcado. A garoa tinha virado chuva na volta. Minh camisa colada no corpo, com sangue nas mãos e sei lá onde mais.Desliguei a caminhonete e desci apoiando um pouco o lado do corpo. Provavelmente tinha alguma costela quebrada. Meu lobo já estava cicatrizando, mas nem por isso parava de doer.Ao me aproximar da porta, me deparei com Hector. Ele estava de braços cruzados, encharcado também, me esperando na chuva.Quando me viu, veio rápido na minha direção, como um touro irritado.— Seu filho da puta! — chegou já gritando. — Você foi lá sozinho mesmo? Por que você não me chamou pra te ajudar?Ele avançou e tentou um direto na minha cara. Desviei por um triz, senti o vento passar, e respondi com um empurrão seco no peito que jogou ele dois passos pra trás no barro escorregadio.Ele voltou com um gancho no meu ombro, pegou de raspão. Travei o braço dele, girei o corpo e joguei ele contra a parede da casa.Ele usou a parede como impulso, veio baixo, me agarrou pela cintu
Olá, amores!Vcs estão bem? Espero que sim!Já add o meu perfil? Curtiram o livro?Já conhecem os meus outros livros?Muitas perguntas, amores, respondam nos comentários e me contem qual o personagem favorito de vcs!Espero que gostem,BJKS!*****Beatriz finalmente dormiu e eu quase senti remorso por ter colocado calmante nao leite que preparei para ela. Quase...Depois de me contar tudo, ela desabou de tanto chorar, com a cara no meu peito. Fiquei com a mão no cabelo dela até a respiração ficar pesada.Levantei devagar, a cobri com o lençol. Na mesinha, peguei o papel amassado, li umas vinte vezes aquelas poucas frases, amassei de novo e joguei no lixo da casa.Tinha decidido o que fazer, peguei a Glock, duas cargas e a faca de caça.Quando abri a porta pra sair, Maia me parou no corredor.— Tem certeza que você pensou bem no que vai fazer?— Tenho que acabar logo com isso. A gente tem que viver em paz. Não vou ficar deixando aquele lobo cretino infernizando a gente, não. Cuida del







