ログインCAPÍTULO 40 — O RETORNO DA RAINHA E A SOMBRA DO DESESPERO Helena O jato executivo da Vance Global Capital aterrissou na pista privativa do Aeroporto de Congonhas sob uma cortina de chuva fina que embaçava as luzes da pista paulistana. Assim que a porta da aeronave se abriu, o ar abafado e úmido da capital brasileira invadiu a cabine, misturando-se ao perfume sofisticado de sândalo que Julian usava. — Preparada para enfrentar os lobos da imprensa local, majestade? — perguntou Julian, recostando-se na poltrona de couro com um sorriso irônico e magnético, ajeitando os punhos do paletó com aquela calma típica de quem é dono do próprio destino. Virei-me para ele, ajustando o cinto do meu sobretudo cinza-escuro e erguendo o queixo com a firmeza de quem não teme nenhuma tempestade. — Os lobos costumavam governar esta cidade, Julian — respondi, o tom gélido carregado de uma segurança cortante. — Agora, eles vão aprender quem é que alimenta a matilha. Descemos a escada retrátil juntos. O
CAPÍTULO 39 — O BANQUETE DE GALA E A SEDUÇÃO DO LOBO DE MAYFAIR Helena As luzes de cristal do salão principal do Hotel Beau-Rivage, às margens do Lago Lemán, projetavam reflexos dourados sobre os painéis de madeira antiga e as mesas cobertas de linho branco. O ar estava impregnado pelo perfume sutil de rosas brancas importadas e pelo murmúrio polido da elite financeira europeia e latino-americana. Era o banquete de celebração pela homologação da presidência da Martins & Cia, um evento que eu havia planejado como uma demonstração fria e calculista de poder corporativo. Mas, à medida que a noite avançava, percebi que o controle daquela noite já não pertencia inteiramente a mim. Vestindo um longo vestido de alta-costura em tom de verde-esmeralda, com um decote nas costas discreto e uma fenda lateral que revelava a sobriedade dos meus sapatos de salto agulha, eu caminhava entre os convidados com a postura rígida de quem construiu uma armadura impenetrável. Cada aperto de mão era medid
CAPÍTULO 38 — O ECO DA SUCESSÃO GLOBAL Helena O vento cortante que soprava das montanhas nevadas sobre o Lago Lemán não era nada comparado ao gelo que eu precisava manter nas veias para lidar com a nova burocracia do comitê arbitral. Na manhã seguinte, a sala de reuniões anexa à Junta Comercial de Genebra estava ainda mais tensa do que na nossa primeira tentativa. O Dr. Meier, com sua expressão habitual de rigidez inflexível, cruzou os braços sobre a mesa de carvalho, encarando os papéis da nova perícia médica que os advogados de Otávio haviam conseguido estorvar de última hora. — Compreendo a frustração da senhora, Dra. Helena — ponderou o presidente da corte, ajustando os óculos de grau. — As contestações sobre a sanidade do senhor Augusto Martins podem ser infundadas, mas o regimento internacional exige que o perito nomeado pela corte realize uma bateria presencial de entrevistas e exames cognitivos de trinta e seis horas. Infelizmente, o nosso perito titular sofreu um imprevis
CAPÍTULO 37 — AS SOMBRAS DE GENEBRA Helena O tapete aclamado do saguão VIP do Aeroporto Internacional de Genebra parecia absorver o som dos meus saltos enquanto caminhávamos em direção à saída privativa. Eram exatamente cinco horas da manhã. O céu lá fora começava a adquirir um tom cinza-azulado, rompendo a penumbra da madrugada com a promessa de um dia que deveria coroar a nossa vitória na junta comercial arbitral. Ao meu lado, meu pai, Augusto, vestia um sobretudo de lã escura impecável. Apesar das marcas profundas que os anos de isolamento e o cativeiro impuseram ao seu rosto, a postura dele era firme, o olhar lúcido e focado. Ele apoiava a mão direita em uma bengala de mogno com detalhes em prata, mas caminhava com a dignidade própria de quem recuperou não apenas a liberdade, mas o peso do próprio nome. A alguns passos de distância, Camila e o Dr. Valadares conferiam as últimas vias dos dossiês consulares e os laudos médicos de sanidade mental exigidos pelo comitê internacion
CAPÍTULO 36 — O VOO PARA GENEBRA Helena O tapete aclamado do saguão VIP do Aeroporto Internacional de Guarulhos parecia absorver o som dos meus saltos enquanto caminhávamos em direção ao portão de embarque privativo. Eram exatamente cinco horas da manhã. O céu lá fora começava a adquirir um tom cinza-azulado, rompendo a penumbra da madrugada com a promessa de um dia que mudaria os rumos do Grupo Martins para sempre. Ao meu lado, meu pai, Augusto, vestia um sobretudo de lã escura impecável. Apesar das marcas profundas que os anos de isolamento e o cativeiro impuseram ao seu rosto, a postura dele era firme, o olhar lúcido e focado. Ele apoiava a mão direita em uma bengala de mogno com detalhes em prata, mas caminhava com dignidade própria de quem recuperou não apenas a liberdade, mas o peso do próprio nome. A alguns passos de distância, Camila e o Dr. Valadares conferiam as últimas vias dos dossiês consulares e os laudos médicos de sanidade mental exigidos pela junta arbitral intern
CAPÍTULO 35 — O DESABAMENTO DO IMPÉRIO DE VIDRO Helena O silêncio que se instalou na sala de reuniões após a saída de Arthur Sterling não tinha nada a ver com o vazio. Era um silêncio denso, pesado, impregnado pelo cheiro de café frio e pelo suor frio do desespero corporativo. Otávio Almeida continuava com as palmas das mãos cravadas sobre a madeira escura da mesa de mogno. O homem que, até vinte e quatro horas antes, ditava as regras do mercado financeiro da capital com um estalar de dedos, parecia ter encolhido dentro do próprio terno de grife. Os ombros curvados, a respiração sôfrega e o tremor visível nos nós dos dedos revelavam a fragilidade de um império construído sobre fundações de mentira, chantagem e sangue. — Você... você não tem ideia do que acabou de fazer, Helena — a voz de Otávio saiu num sussurro rasgado, falho, perdendo toda a empáfia que o caracterizava. Ele ergueu o rosto, os olhos injetados de sangue cravados em mim com uma mistura patética de ódio e pavor. — S







