Mag-log inA manhã tinha começado como qualquer outra.Ou, pelo menos, era isso que Catherine tentava convencer-se.Desde que o novo gabinete fora instalado ao lado do de Máximo, trabalhar tornara-se simultaneamente mais fácil e mais perigoso.Mais fácil porque bastava abrir a porta para o encontrar.Mais perigoso pelo mesmo motivo.Naquela manhã, Catherine tinha uma reunião atrás da outra. Relatórios, campanhas, números, chamadas internacionais.Quando finalmente conseguiu alguns minutos sozinha, deixou-se cair na cadeira e fechou os olhos.— Precisas de um intervalo – disse Máximo e ela abriu os olhos.Máximo estava encostado à porta.— Há quanto tempo estás aí? – perguntou ela a olhar para ele— Tempo suficiente para perceber que estás a precisar de respirar – disse ele— Tenho uma reunião daqui a vinte minutos – disse ela— Vinte minutos são suficientes – disse ele e Catherine sorriu.— Para quê? – perguntou ela e ele entrou e fechou a porta.— Para te lembrar que não tens de carregar a empr
Mário nunca tinha prestado verdadeira atenção a Catherine.Até ela entrar na vida dos Santoro.Antes, para ele, era apenas a mulher que tinha desaparecido anos atrás e que, de repente, reaparecera com um filho que se parecia demasiado com Máximo.Uma complicação.Mais um problema para a família.Mas, quando começou a vê-la diariamente pelos corredores da empresa, alguma coisa mudou.Catherine não precisava de fazer esforço para chamar atenção.Era a forma como caminhava, sempre segura apesar dos olhares.A maneira como falava nas reuniões.A inteligência com que desmontava um problema sem levantar a voz.E havia a beleza.Uma beleza que Mário começou a notar demasiado.Naquela manhã, viu-a sair do elevador.Usava um vestido simples e um casaco claro. Trazia alguns documentos nas mãos e falava com um dos responsáveis do departamento.Mário parou.Ficou a observá-la.— Então é verdade — murmurou.O funcionário que estava ao lado dele olhou.— O quê? – perguntou o funcionário que o acomp
Catherine passou mais tempo diante do espelho naquela manhã do que gostaria de admitir.Não porque estivesse preocupada com a roupa.Nem com o cabelo.Estava preocupada com o que iria encontrar quando entrasse naquela sala.Era a primeira reunião importante desde que assumira oficialmente o cargo de Diretora de Marketing do Grupo Santoro.E sabia que seria observada.Não apenas pelos membros da direção.Por todos.Desde que a sua chegada à empresa tinha sido anunciada, os comentários não tinham parado.A mulher de Máximo.A mãe de Émile.A francesa que apareceu do nada.A responsável pelo escândalo que abalou o grupo.A amante.A mulher que tinha destruído o casamento de Máximo.Pouco importava que nenhuma dessas descrições fosse justa.As pessoas repetiam aquilo que ouviam.E Catherine começava a perceber que, numa empresa daquela dimensão, os rumores podiam ser mais perigosos do que qualquer número num relatório.Máximo entrou no quarto enquanto ela terminava de apertar o relógio.—
O telefone tocou às oito da manhã.Máximo estava no escritório, diante da janela, quando viu o nome do advogado no ecrã.Atendeu imediatamente.— Então? – perguntou MáximoDo outro lado, houve alguns segundos de silêncio.— Está concluído – respondeu o advogadoMáximo fechou os olhos.Por um instante, não conseguiu dizer nada.— O divórcio foi oficialmente finalizado — continuou o advogado — A decisão já foi registada, legalmente, deixou de ser marido de Andreia D’Angelo – disse e Máximo soltou o ar que parecia estar a prender há anos.— Finalmente – disse MáximoAquela palavra saiu baixa.Quase como uma confissão.Finalmente.Não era apenas o fim de um casamento que nunca deveria ter acontecido.Era o fim de uma obrigação.De uma mentira.De uma vida construída por outras pessoas.— Há mais alguma coisa que precise de assinar? — perguntou.— Apenas alguns documentos administrativos, o essencial está terminado – disse o advogadoMáximo agradeceu e desligou.Ficou alguns segundos sozin
Na primeira manhã de Catherine como Diretora de Marketing do Grupo Santoro, ela acordou antes do despertador.Ficou alguns segundos deitada, a olhar para o teto.Era o primeiro dia.Não como mulher de Máximo.Não como mãe de Émile.Como profissional.Era isso que repetia mentalmente enquanto se vestia.Tinha escolhido um fato simples, elegante, sem nada que pudesse chamar demasiado a atenção. Queria entrar naquela empresa e ser julgada pelo trabalho.Não pelo apelido.Não pela relação com Máximo.E muito menos pelo filho que tinham em comum.Quando chegou ao edifício do Grupo Santoro, percebeu imediatamente que seria mais difícil do que imaginara.As pessoas olhavam.Algumas discretamente.Outras nem sequer tentavam esconder.Catherine saiu do elevador e caminhou pelo corredor principal com uma pasta junto ao peito.— É ela? – perguntou uma funcionária— É – respondeu outra— A namorada do Máximo? – perguntou um funcionário— A mãe do filho dele – disse outro— Dizem que foi por isso
Catherine passou a noite quase sem dormir.A proposta de Pietro Santoro continuava a ecoar-lhe na cabeça.Diretora de Marketing do Grupo Santoro.Ainda lhe parecia estranho dizê-lo em voz alta.Não por causa do cargo. Catherine sabia o que valia. Sabia o que tinha estudado, o que tinha aprendido nos últimos anos e, sobretudo, sabia que não tinha chegado até ali por acaso.O problema era tudo o que vinha agarrado àquela oportunidade.O apelido Santoro.Máximo.A imprensa.A guerra com os D’Angelo.As pessoas que já tinham tentado destruir a sua reputação.E, acima de tudo, Émile.Na manhã seguinte, Catherine encontrou Máximo na cozinha da casa, sentado à mesa enquanto Émile tomava o pequeno-almoço à sua frente.— Mais uma colher — dizia Máximo, divertido.— Não quero – dizia Émile— Só mais uma – pedia Máximo— Não – dizia Émile— Duas? – perguntava Máximo e Émile olhou para ele com desconfiança.— Não – respondia Émile e Máximo riu.— Tens mesmo o feitio da tua mãe – dizia Máximo a ri







