INICIAR SESIÓNISADORA COSTI
A mensagem sobre Vicente não saía da minha cabeça. "ELE SABE QUEM VOCÊ É. " Passei a noite inteira tentando descobrir se aquilo era uma ameaça ou um aviso. Se Vicente conhecia minha verdadeira identidade, por que continuava me deixando circular pela empresa? E, principalmente, por que Matteo parecia tão interessado em testar meus limites? Eu precisava de respostas, e talvez elas estivessem atrás da porta que todos tinham me proibido de abrir. Na manhã seguinte, cheguei à Vasques Group antes do horário habitual. O prédio ainda estava silencioso, e poucos funcionários haviam chegado. Era a oportunidade perfeita para investigar os arquivos antigos. Eu sabia que estava arriscando meu disfarce, mas já havia esperado três anos, não pretendia voltar para casa de mãos vazias. A porta ficava no fim de um corredor pouco movimentado, no décimo quinto andar. Eu a havia visto no primeiro dia, mas nunca conseguira chegar perto o suficiente para ler a placa. Naquela manhã, descobri que não havia placa alguma. Apenas uma fechadura eletrônica e uma pequena câmera no canto superior da parede. O lugar parecia abandonado, mas eu não acreditava nisso. Olhei para os dois lados do corredor antes de me aproximar. Experimentei a maçaneta, embora já esperasse encontrá-la trancada. Nada. Eu precisava de uma alternativa. Voltei à minha mesa e procurei nos documentos de organização do evento. Entre as folhas, encontrei uma lista de salas reservadas para reuniões privadas. A porta misteriosa aparecia identificada como ARQUIVO EXECUTIVO — ACESSO RESTRITO. Abaixo do nome, havia um código de autorização. Eu não tinha como usá-lo sem chamar atenção. Foi então que ouvi duas funcionárias conversando perto da copa. — O senhor Vasques vai sair para o almoço com os investidores. — disse uma delas — E o pessoal da manutenção vai ficar no décimo quinto andar. A outra suspirou. — Espero que terminem logo, o orredor está interditado desde ontem. Meu coração acelerou. Manutenção. Talvez fosse minha única chance. Pouco depois das 10h, encontrei um funcionário da manutenção próximo ao elevador. Ele carregava uma caixa de ferramentas e parecia irritado com alguma coisa no celular. — Com licença. — falei — Você poderia me ajudar? Preciso levar alguns documentos para o arquivo executivo, mas não tenho acesso à sala. Ele olhou para mim. — Quem autorizou? — A senhora Vanessa, ela pediu que eu separasse alguns materiais para uma reunião. Eu odiava mentir usando o nome de outra pessoa, mas não tinha tempo para hesitar. O homem conferiu uma mensagem no aparelho. — Tenho uma autorização temporária para verificar a fechadura. Posso abrir a porta, mas não vou me responsabilizar pelo que você fizer lá dentro. Sorri, tentando parecer tranquila. — Não será necessário. Ele digitou o código e a fechadura emitiu um sinal. A porta se abriu. O ar frio do arquivo atingiu meu rosto. Prateleiras ocupavam as paredes, repletas de pastas, caixas e documentos antigos. Havia uma mesa no centro, iluminada por uma luminária pequena. Entrei enquanto o funcionário verificava o painel eletrônico. Não tinha muito tempo. Comecei a procurar por datas, sobrenomes e números de contratos. A maioria dos arquivos estava organizada por ano. Quando encontrei a seção referente a três anos atrás, minhas mãos começaram a tremer. COSTI. O nome do meu pai aparecia na etiqueta de uma caixa preta, abri-a com cuidado. Havia cópias de contratos, registros de pagamentos e relatórios sobre uma investigação financeira. Algumas páginas estavam marcadas com caneta vermelha, outras tinham trechos inteiros riscados. Então encontrei uma pasta fina, escondida sob os documentos. Na capa, alguém havia escrito: OPERAÇÃO CINZAS — 17 DE OUTUBRO A data da morte do meu pai. Senti o chão desaparecer sob meus pés. Abri a pasta. A primeira página continha um relatório de movimentação de veículos. A segunda registrava uma reunião entre representantes das famílias Costi e Vasques, realizada poucas horas antes do incêndio que destruiu nossa casa. Meu pai estivera naquela reunião e Matteo também. Mas o que me fez prender a respiração foi o terceiro documento. Era uma lista de nomes, acompanhados de horários e observações. Ao lado do nome de Matteo, alguém havia escrito: “RETIRADO DO LOCAL ÀS 23h40. NÃO INFORMADO SOBRE A SEGUNDA EQUIPE.” Abaixo, outro nome estava circulado, Vicente Vasques. Antes que eu pudesse ler a anotação seguinte, ouvi passos no corredor. Fechei a pasta e a escondi contra o corpo. — Senhorita Moura? — chamou o funcionário da manutenção — Já terminou? — Quase. Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia, olhei rapidamente para os documentos e percebi uma fotografia presa ao fundo da caixa. Puxei-a. Meu pai aparecia ao lado de Matteo, em frente a um carro preto. Os dois pareciam discutir. Ao fundo, quase escondido pela sombra, havia um homem cujo rosto eu conhecia. Meu irmão. Ele estava vivo naquela noite. E, pela data escrita no verso, a fotografia havia sido tirada depois do horário em que me disseram que ele desaparecera. Meu coração bateu tão forte que tive medo de alguém ouvi-lo, guardei a fotografia no bolso e devolvi a pasta à caixa. — Já terminei. — respondi. Saí do arquivo tentando manter a expressão neutra. O funcionário fechou a porta e se despediu sem desconfiar de nada. Mas, ao chegar à minha mesa, percebi que minhas mãos ainda tremiam. Eu tinha encontrado a primeira prova de que a história da minha família estava incompleta. Talvez Matteo não tivesse ordenado a morte do meu pai, talvez tivesse sido afastado antes de tudo acontecer. E meu irmão... meu irmão poderia estar vivo. Esperei até ficar sozinha para examinar a fotografia novamente. No verso, havia uma frase escrita à mão: “SE ALGO ACONTECER, PROCURE O HOMEM QUE SAIU ANTES DO INCÊNDIO.” Não havia assinatura, não havia explicação. Apenas aquelas palavras, capazes de destruir tudo o que eu acreditava saber. Ouvi uma voz atrás de mim. — Encontrou o que estava procurando? Virei-me tão depressa que quase deixei a fotografia cair. Matteo estava parado a poucos passos da minha mesa, seu olhar desceu até o papel que eu segurava. Depois voltou para o meu rosto. — Onde conseguiu isso? Escondi a fotografia atrás de uma pasta. — Não sei do que está falando. Ele se aproximou lentamente. — Isabela, vou perguntar apenas mais uma vez. — o tom tranquilo era muito pior do que um grito — Onde conseguiu essa fotografia? Eu poderia mentir. Poderia inventar uma história e tentar escapar, mas, pela primeira vez desde que entrara naquela empresa, decidi fazer uma pergunta em vez de fugir. — O que aconteceu na noite em que meu pai morreu? O rosto de Matteo mudou. Foi uma alteração pequena, quase imperceptível. Mas vi o reconhecimento em seus olhos. Ele sabia quem eu era. Talvez soubesse desde o começo. — Seu nome não é Isabela Moura. — disse ele. Meu coração parou por um instante. Matteo estendeu a mão. — Agora me entregue a fotografia, Isadora. O silêncio entre nós pareceu interminável. Eu havia entrado naquele império para descobrir seus segredos. Mas, naquele momento, compreendi que Matteo Vasques talvez estivesse esperando por mim havia muito mais tempo do que eu imaginava e eu não fazia ideia do motivo. 👑Isadora não conseguiu dormir.A frase de Matteo continuava presa em sua cabeça.Gabriel Costi.Durante anos, ela havia imaginado o irmão morto. Havia chorado sua ausência, odiado a si mesma por não ter conseguido protegê-lo e transformado aquela dor em combustível para sua vingança.Agora existia uma possibilidade diferente. Gabriel estava vivo e alguém queria mantê-lo escondido.O problema era que Isadora não sabia mais em quem confiar, nem mesmo em Matteo.Ela se levantou antes do amanhecer e foi até a cozinha do apartamento. Preparou um café, mas não conseguiu beber nem metade.Pegou o celular, nenhuma mensagem de Maya, nenhuma ligação, nenhuma notícia sobre Gabriel.Então a tela acendeu.Número desconhecido e uma nova mensagem.> PARE DE INVESTIGAR.Isadora franziu a testa.Outra mensagem chegou imediatamente.> VOCÊ JÁ DESCOBRIU MAIS DO QUE DEVERIA.Seu coração acelerou.Ela digitou:"QUEM É VOCÊ?"A resposta veio quase instantaneamente.> ALGUÉM TENTANDO MANTER VOCÊ VIVA.Isador
O nome de Matteo Vasques continuava diante dos meus olhos.Eu havia passado a última hora tentando encontrar uma explicação para aquele registro bancário. A conta era dele. O dinheiro havia passado por suas mãos. E, de alguma forma, aquela movimentação estava ligada à noite em que minha família foi destruída.Mas uma pergunta não saía da minha cabeça: se Matteo era o responsável, por que parecia tão interessado em descobrir a verdade?Meu celular vibrou sobre a mesa.Maya: Você precisa sair daí. Está se aproximando demais dele.Suspirei, bloqueando a tela.Se eu fosse embora agora, talvez nunca descobrisse o que realmente aconteceu.Guardei os documentos na bolsa e deixei o escritório. O corredor estava quase vazio, iluminado apenas pelas luzes discretas do andar executivo. Eu já estava perto do elevador quando ouvi uma voz atrás de mim.— Procurando alguma coisa, Isadora?Fechei os olhos por um instante.Matteo.Virei lentamente. Ele estava encostado à porta do próprio escritório, co
ISADORA COSTIEu não conseguia parar de pensar na última mensagem.“BOA MENTIRA, ISADORA. MAS AGORA MATTEO TAMBÉM ESTÁ PROCURANDO SEU IRMÃO.”Alguém sabia demais sobre mim, sabia da minha identidade falsa, da minha investigação e até dos meus sentimentos em relação ao desaparecimento do meu irmão.O pior era não saber se aquela pessoa estava tentando me ajudar ou me conduzir diretamente para uma armadilha.Naquela manhã, decidi procurar Maya.— Encontrei uma coisa. — ela disse assim que abri a porta do apartamento e colocou uma pasta sobre a mesa.— De onde veio?— Do contato que conseguiu algumas informações sobre os antigos negócios do seu pai.Abri a pasta e comecei a examinar os documentos. Havia registros bancários, cópias de contratos e relatórios de movimentações financeiras.Até que encontrei uma transferência suspeita.O pagamento havia sido realizado dois dias antes do incêndio que destruiu nossa casa, a empresa responsável pelo depósito pertencia a um grupo de fachada ligad
ISADORA COSTIA fotografia não saía da minha cabeça.Meu irmão estava vivo na época em que todos acreditavam que havia desaparecido. E, pior, estava ao lado de Vicente, o homem que parecia saber mais sobre a destruição da minha família do que qualquer outra pessoa.Mas havia outro detalhe que me perturbava: a pulseira de Maryssa.Eu já tinha visto aquele objeto antes. Minha mãe guardava uma fotografia antiga na qual meu pai aparecia segurando uma caixa de joias e entre elas estava uma pulseira idêntica.Por que Maryssa teria uma peça que pertencia à minha família?— Você precisa tomar cuidado. — Maya avisou, observando minha expressão — Se ela estiver envolvida no desaparecimento do seu irmão, pode perceber que estamos investigando.— É por isso que ninguém pode saber o que descobrimos.— Nem Matteo?Olhei para ela.— Principalmente Matteo.Na manhã seguinte, cheguei à Vasques Group decidida a agir normalmente.Maryssa estava no escritório de Matteo quando passei pelo corredor. A port
ISADORA COSTI Eu deveria ter imaginado que Matteo Vasques tinha um passado tão complicado quanto seu presente, mas não esperava encontrar uma mulher disposta a me lembrar disso.Cheguei à empresa pouco depois das nove. Ainda estava tentando entender a mensagem que havia encontrado em minha bolsa na noite anterior."MATTEO ESTÁ PROTEGENDO O HOMEM QUE DESTRUIU SUA FAMÍLIA. E SEU IRMÃO SABE DISSO."Aquelas palavras não saíam da minha cabeça.Eu precisava descobrir quem havia escrito o bilhete. E, principalmente, por que meu irmão estaria envolvido em algo tão perigoso.— Bom dia, Isabela.Levantei os olhos e encontrei Vanessa diante da minha mesa.— Bom dia.— O senhor Vasques pediu que você acompanhe a organização de uma reunião especial hoje.— Com os investidores?— Não exatamente. Uma convidada importante está chegando.Antes que eu pudesse perguntar quem era, o elevador privativo se abriu.E ela apareceu.A mulher era elegante, com cabelos castanhos perfeitamente arrumados, vestido
ISADORA COSTI— Agora me entregue a fotografia, Isadora.Meu verdadeiro nome nos lábios de Matteo soou como uma sentença.Durante alguns segundos, nenhum de nós se moveu. Eu segurava a fotografia com tanta força que sentia o papel dobrar entre meus dedos.— Há quanto tempo sabe? — perguntei.— Tempo suficiente.— Então por que me deixou entrar na sua empresa?Matteo não respondeu imediatamente, seus olhos permaneceram presos aos meus.— Porque queria descobrir o que você estava procurando.— Você destruiu minha família e ainda quer saber o que estou procurando? — perguntei, soltando uma risada amarga.A expressão dele endureceu.— Cuidado com as acusações que faz.— Meu pai morreu, meu irmão desapareceu e seu nome aparece nos documentos daquela noite. O que espera que eu pense?— A fotografia. — pediu, estendendo a mão novamente.— Não.Pela primeira vez, percebi algo diferente em seu olhar. Não era raiva, era uma espécie de preocupação que ele tentava esconder.— Isadora, você não en







