LOGINISADORA COSTI
— Agora me entregue a fotografia, Isadora. Meu verdadeiro nome nos lábios de Matteo soou como uma sentença. Durante alguns segundos, nenhum de nós se moveu. Eu segurava a fotografia com tanta força que sentia o papel dobrar entre meus dedos. — Há quanto tempo sabe? — perguntei. — Tempo suficiente. — Então por que me deixou entrar na sua empresa? Matteo não respondeu imediatamente, seus olhos permaneceram presos aos meus. — Porque queria descobrir o que você estava procurando. — Você destruiu minha família e ainda quer saber o que estou procurando? — perguntei, soltando uma risada amarga. A expressão dele endureceu. — Cuidado com as acusações que faz. — Meu pai morreu, meu irmão desapareceu e seu nome aparece nos documentos daquela noite. O que espera que eu pense? — A fotografia. — pediu, estendendo a mão novamente. — Não. Pela primeira vez, percebi algo diferente em seu olhar. Não era raiva, era uma espécie de preocupação que ele tentava esconder. — Isadora, você não entende o perigo em que está se metendo. — Então me explique. Matteo se aproximou, mas antes que pudesse responder, seu celular tocou. Ele olhou para a tela e atendeu imediatamente. — Fale. O silêncio do outro lado durou poucos segundos. Seu rosto mudou. — Onde? Ouvi apenas algumas palavras da conversa, mas foram suficientes para perceber que alguma coisa havia acontecido. — Estou indo. Ninguém toca em nada até eu chegar. — desligou e pegou as chaves sobre a mesa — Você vai ficar aqui. — Não sou sua funcionária para receber ordens. — Hoje, não estou pedindo. — me encarou. Saiu antes que eu pudesse responder. E, contra todas as minhas promessas, fui atrás dele. O destino era um hospital particular. Quando cheguei ao corredor, encontrei Matteo parado diante de uma porta. Dois homens de segurança estavam próximos, mas ninguém parecia disposto a falar. Ele estava com as mãos fechadas e os olhos fixos no chão, aquela não era a postura do homem que comandava um império, era a postura de alguém esperando uma notícia que poderia destruí-lo. — O que aconteceu? — perguntei. Matteo virou o rosto imediatamente. — Eu mandei você ficar na empresa. — E eu não obedeci. Ele respirou fundo, mas não discutiu. Uma enfermeira apareceu e chamou seu nome. — Senhor Vasques, ele acordou. Matteo fechou os olhos por um instante. — Posso vê-lo? — Por poucos minutos. Ele entrou no quarto, e eu permaneci do lado de fora. A porta ficou entreaberta. Não consegui evitar olhar. Um homem idoso estava deitado na cama, com o braço enfaixado e o rosto machucado. Matteo se aproximou da cabeceira e segurou sua mão. — Você me deu um susto, velho. — a voz dele estava diferente, sem arrogância, sem frieza. — Ainda não consegui me livrar de você, garoto. — o homem sorriu fracamente. — Não faça isso novamente. — Matteo abaixou a cabeça. — Você continua mandão. — E você continua teimoso. O homem tentou rir, mas sentiu dor. Matteo imediatamente chamou a enfermeira. Fiquei observando aquela cena, surpresa com a intimidade entre os dois. O homem segurou novamente sua mão. — Seu pai teria orgulho de você. Matteo ficou imóvel, e por um instante, pareceu ter perdido a capacidade de respirar. — Não fale dele. — Você não precisa carregar tudo sozinho. Matteo desviou o olhar. — Descanse. Aquela conversa terminou, mas as palavras permaneceram comigo. Seu pai. Eu não sabia que Matteo ainda tinha alguém que falava sobre o passado dele com tanta liberdade. Quando ele saiu do quarto, encontrou-me encostada na parede. — Você ouviu? — Algumas coisas. — Então esqueça. — Não é tão fácil esquecer o que vejo. Ele passou a mão pelo rosto, demonstrando um cansaço que eu nunca havia percebido antes. — Aquele homem se chama André, trabalha com minha família desde antes de eu assumir os negócios. Foi ele quem cuidou de mim quando meu pai morreu. Observei seu rosto. — Você era próximo do seu pai? Matteo soltou uma risada sem humor. — Próximo o suficiente para saber que ele não era o homem que todos imaginavam. A resposta me surpreendeu. — E o que ele era? Matteo demorou a responder. — Um homem que cometeu erros, alguns dos quais ainda estou tentando consertar. Pensei imediatamente no meu pai. — Você conhecia Antonio Costi? Ele virou o rosto para mim. — Conhecia. — Então sabe o que aconteceu naquela noite. — Sei que muita gente morreu por causa de decisões que não tomou. Senti um arrepio. — Meu pai foi uma dessas pessoas? — Matteo não respondeu — Olhe para mim e diga que não teve participação na morte dele. Ele sustentou meu olhar. — Eu não matei seu pai, Isadora. As palavras foram ditas com tanta firmeza que, por um instante, minha raiva vacilou. Mas eu não podia confiar nele. Não depois de tudo. — Então quem matou? Matteo olhou para a porta do quarto de André. — Essa é uma pergunta que também quero responder. A chuva começou quando saímos do hospital. Matteo insistiu em me levar até em casa, alegando que não era seguro eu andar sozinha depois do que havia acontecido. Dessa vez, não discuti. O silêncio dentro do carro era desconfortável. Eu ainda pensava na expressão dele quando segurou a mão de André. Havia uma tristeza profunda naquele gesto, algo que não combinava com o homem que eu conhecia. — Por que me deixou entrar na sua empresa? — perguntei. — Porque queria saber se você estava procurando respostas ou vingança. — ele manteve os olhos na estrada. — E qual é a diferença? — Quem procura respostas pode descobrir que estava errado, quem procura vingança geralmente não se importa com a verdade. Virei o rosto para a janela. A frase me atingiu porque, no fundo, eu sabia que ele tinha razão. Quando o carro parou diante do meu prédio, Matteo se virou para mim. — Fique longe de Vicente. Meu corpo ficou tenso. — Por quê? — Porque ele não é quem você pensa. — E você é? Ele não respondeu. Antes de sair, toquei na fotografia que ainda estava escondida dentro da minha bolsa. — Matteo... — ele me olhou — Naquela noite, meu irmão estava lá. Eu vi uma fotografia dele ao lado do meu pai, depois do horário em que disseram que havia desaparecido. A expressão de Matteo mudou imediatamente. — Onde conseguiu essa informação? — No arquivo. Ele apertou o volante. — Isadora, escute com atenção. Se seu irmão estava naquele lugar naquela noite, você precisa parar de procurar por ele. — Por quê? Matteo se aproximou um pouco, e sua voz saiu quase como um aviso desesperado. — Porque talvez ele não queira ser encontrado. Saí do carro sem responder. Subi para o apartamento com a cabeça cheia de perguntas. Eu havia descoberto que Matteo tinha um lado vulnerável. Um homem capaz de demonstrar carinho, medo e até arrependimento. Mas isso não apagava o passado. E, quando abri a bolsa para guardar a fotografia, encontrei um pequeno papel dobrado que não estava ali antes. Havia apenas uma frase: “MATTEO ESTÁ PROTEGENDO O HOMEM QUE DESTRUIU SUA FAMÍLIA. E SEU IRMÃO SABE DISSO.” Meu coração disparou. Talvez Matteo estivesse dizendo a verdade sobre a morte do meu pai, mas isso não significava que ele fosse inocente. E agora eu precisava descobrir por que meu irmão parecia ser a peça mais perigosa de toda aquela história. 👑Isadora não conseguiu dormir.A frase de Matteo continuava presa em sua cabeça.Gabriel Costi.Durante anos, ela havia imaginado o irmão morto. Havia chorado sua ausência, odiado a si mesma por não ter conseguido protegê-lo e transformado aquela dor em combustível para sua vingança.Agora existia uma possibilidade diferente. Gabriel estava vivo e alguém queria mantê-lo escondido.O problema era que Isadora não sabia mais em quem confiar, nem mesmo em Matteo.Ela se levantou antes do amanhecer e foi até a cozinha do apartamento. Preparou um café, mas não conseguiu beber nem metade.Pegou o celular, nenhuma mensagem de Maya, nenhuma ligação, nenhuma notícia sobre Gabriel.Então a tela acendeu.Número desconhecido e uma nova mensagem.> PARE DE INVESTIGAR.Isadora franziu a testa.Outra mensagem chegou imediatamente.> VOCÊ JÁ DESCOBRIU MAIS DO QUE DEVERIA.Seu coração acelerou.Ela digitou:"QUEM É VOCÊ?"A resposta veio quase instantaneamente.> ALGUÉM TENTANDO MANTER VOCÊ VIVA.Isador
O nome de Matteo Vasques continuava diante dos meus olhos.Eu havia passado a última hora tentando encontrar uma explicação para aquele registro bancário. A conta era dele. O dinheiro havia passado por suas mãos. E, de alguma forma, aquela movimentação estava ligada à noite em que minha família foi destruída.Mas uma pergunta não saía da minha cabeça: se Matteo era o responsável, por que parecia tão interessado em descobrir a verdade?Meu celular vibrou sobre a mesa.Maya: Você precisa sair daí. Está se aproximando demais dele.Suspirei, bloqueando a tela.Se eu fosse embora agora, talvez nunca descobrisse o que realmente aconteceu.Guardei os documentos na bolsa e deixei o escritório. O corredor estava quase vazio, iluminado apenas pelas luzes discretas do andar executivo. Eu já estava perto do elevador quando ouvi uma voz atrás de mim.— Procurando alguma coisa, Isadora?Fechei os olhos por um instante.Matteo.Virei lentamente. Ele estava encostado à porta do próprio escritório, co
ISADORA COSTIEu não conseguia parar de pensar na última mensagem.“BOA MENTIRA, ISADORA. MAS AGORA MATTEO TAMBÉM ESTÁ PROCURANDO SEU IRMÃO.”Alguém sabia demais sobre mim, sabia da minha identidade falsa, da minha investigação e até dos meus sentimentos em relação ao desaparecimento do meu irmão.O pior era não saber se aquela pessoa estava tentando me ajudar ou me conduzir diretamente para uma armadilha.Naquela manhã, decidi procurar Maya.— Encontrei uma coisa. — ela disse assim que abri a porta do apartamento e colocou uma pasta sobre a mesa.— De onde veio?— Do contato que conseguiu algumas informações sobre os antigos negócios do seu pai.Abri a pasta e comecei a examinar os documentos. Havia registros bancários, cópias de contratos e relatórios de movimentações financeiras.Até que encontrei uma transferência suspeita.O pagamento havia sido realizado dois dias antes do incêndio que destruiu nossa casa, a empresa responsável pelo depósito pertencia a um grupo de fachada ligad
ISADORA COSTIA fotografia não saía da minha cabeça.Meu irmão estava vivo na época em que todos acreditavam que havia desaparecido. E, pior, estava ao lado de Vicente, o homem que parecia saber mais sobre a destruição da minha família do que qualquer outra pessoa.Mas havia outro detalhe que me perturbava: a pulseira de Maryssa.Eu já tinha visto aquele objeto antes. Minha mãe guardava uma fotografia antiga na qual meu pai aparecia segurando uma caixa de joias e entre elas estava uma pulseira idêntica.Por que Maryssa teria uma peça que pertencia à minha família?— Você precisa tomar cuidado. — Maya avisou, observando minha expressão — Se ela estiver envolvida no desaparecimento do seu irmão, pode perceber que estamos investigando.— É por isso que ninguém pode saber o que descobrimos.— Nem Matteo?Olhei para ela.— Principalmente Matteo.Na manhã seguinte, cheguei à Vasques Group decidida a agir normalmente.Maryssa estava no escritório de Matteo quando passei pelo corredor. A port
ISADORA COSTI Eu deveria ter imaginado que Matteo Vasques tinha um passado tão complicado quanto seu presente, mas não esperava encontrar uma mulher disposta a me lembrar disso.Cheguei à empresa pouco depois das nove. Ainda estava tentando entender a mensagem que havia encontrado em minha bolsa na noite anterior."MATTEO ESTÁ PROTEGENDO O HOMEM QUE DESTRUIU SUA FAMÍLIA. E SEU IRMÃO SABE DISSO."Aquelas palavras não saíam da minha cabeça.Eu precisava descobrir quem havia escrito o bilhete. E, principalmente, por que meu irmão estaria envolvido em algo tão perigoso.— Bom dia, Isabela.Levantei os olhos e encontrei Vanessa diante da minha mesa.— Bom dia.— O senhor Vasques pediu que você acompanhe a organização de uma reunião especial hoje.— Com os investidores?— Não exatamente. Uma convidada importante está chegando.Antes que eu pudesse perguntar quem era, o elevador privativo se abriu.E ela apareceu.A mulher era elegante, com cabelos castanhos perfeitamente arrumados, vestido
ISADORA COSTI— Agora me entregue a fotografia, Isadora.Meu verdadeiro nome nos lábios de Matteo soou como uma sentença.Durante alguns segundos, nenhum de nós se moveu. Eu segurava a fotografia com tanta força que sentia o papel dobrar entre meus dedos.— Há quanto tempo sabe? — perguntei.— Tempo suficiente.— Então por que me deixou entrar na sua empresa?Matteo não respondeu imediatamente, seus olhos permaneceram presos aos meus.— Porque queria descobrir o que você estava procurando.— Você destruiu minha família e ainda quer saber o que estou procurando? — perguntei, soltando uma risada amarga.A expressão dele endureceu.— Cuidado com as acusações que faz.— Meu pai morreu, meu irmão desapareceu e seu nome aparece nos documentos daquela noite. O que espera que eu pense?— A fotografia. — pediu, estendendo a mão novamente.— Não.Pela primeira vez, percebi algo diferente em seu olhar. Não era raiva, era uma espécie de preocupação que ele tentava esconder.— Isadora, você não en







