INICIAR SESIÓNISADORA COSTI
A fotografia não saía da minha cabeça. Meu irmão estava vivo na época em que todos acreditavam que havia desaparecido. E, pior, estava ao lado de Vicente, o homem que parecia saber mais sobre a destruição da minha família do que qualquer outra pessoa. Mas havia outro detalhe que me perturbava: a pulseira de Maryssa. Eu já tinha visto aquele objeto antes. Minha mãe guardava uma fotografia antiga na qual meu pai aparecia segurando uma caixa de joias e entre elas estava uma pulseira idêntica. Por que Maryssa teria uma peça que pertencia à minha família? — Você precisa tomar cuidado. — Maya avisou, observando minha expressão — Se ela estiver envolvida no desaparecimento do seu irmão, pode perceber que estamos investigando. — É por isso que ninguém pode saber o que descobrimos. — Nem Matteo? Olhei para ela. — Principalmente Matteo. Na manhã seguinte, cheguei à Vasques Group decidida a agir normalmente. Maryssa estava no escritório de Matteo quando passei pelo corredor. A porta estava entreaberta, e ouvi a voz dela. — Você não pode continuar fingindo que nada aconteceu. — Não estou fingindo nada. — Então por que ainda guarda aquela fotografia? Parei por um instante. — Maryssa, não comece. — Você sabe que ele não desapareceu por acaso. Meu coração disparou. Ele. Meu irmão? Antes que pudesse ouvir a resposta, alguém chamou meu nome. — Isabela! Virei-me rapidamente. Vanessa estava atrás de mim, segurando alguns documentos. — Preciso que organize estes contratos antes da reunião. — Claro. Afastei-me imediatamente, tentando esconder a agitação. Eu precisava descobrir de quem Maryssa estava falandoe precisava fazer isso sem levantar suspeitas. Pouco depois, Matteo me chamou ao escritório. Entrei segurando uma pasta. — Precisa de alguma coisa? Ele estava perto da janela, com o celular na mão. — Sente-se. — obedeci — Quero conversar sobre sua permanência na empresa. Meu corpo ficou tenso. — Aconteceu alguma coisa? — Depende. Você pretende continuar trabalhando aqui ou está apenas esperando a oportunidade de procurar mais documentos confidenciais? Ele sabia que eu havia voltado a investigar. — Não tenho interesse em problemas, senhor Vasques. Só quero fazer meu trabalho. Matteo caminhou até a mesa. — Curioso. Você parece muito interessada em assuntos que não fazem parte das suas responsabilidades. Sustentei seu olhar. — Talvez porque algumas pessoas nesta empresa gostem de deixar perguntas sem respostas. Ele ficou em silêncio. — Você está falando de mim? — Estou falando de pessoas que escondem informações. Matteo apoiou as mãos sobre a mesa. — Cuidado, Isadora. Sua curiosidade pode acabar colocando você em perigo. O uso do meu verdadeiro nome fez meu estômago se contrair. — Já estou acostumada ao perigo. Ele me observou por alguns segundos. — E o que encontrou até agora? A fotografia do meu irmão surgiu imediatamente em minha mente. Eu poderia contar sobre Maryssa, poderia mostrar a imagem e exigir explicações. Mas, se Matteo estivesse protegendo alguém, revelar minha descoberta seria um erro. Então sorri. — Nada importante. — Tem certeza? — perguntou, analisando minha resposta. — Absoluta. Era uma mentira perfeita, ou pelo menos eu esperava que fosse. No intervalo do almoço, encontrei Maryssa no restaurante do prédio. Ela estava sozinha, mexendo no celular. Pensei em me aproximar, mas decidi esperar. Precisava descobrir se ela carregava a pulseira que aparecia na fotografia. Quando se levantou, percebi que o pingente estava preso ao seu pulso. Era exatamente igual. — Isabela? — a voz dela me fez levantar os olhos. — Maryssa. — Venha se sentar comigo. — ela sorriu. Aceitei, mesmo sabendo que aquela conversa poderia ser perigosa. — Você parece distraída ultimamente.— comentou. — Muito trabalho. — Imagino. Trabalhar para Matteo exige bastante. — Ele parece gostar de controlar tudo. — falei, tomando um gole de água. Maryssa soltou uma risada. — Sempre gostou. Inclusive das pessoas. — Bonita. — olhei discretamente para sua pulseira. Ela acompanhou meu olhar. — Obrigada. É antiga. — Tem valor sentimental? O sorriso dela diminuiu. — Foi um presente de alguém que já não está entre nós. Meu coração acelerou. — Deve ser importante. Maryssa fechou a mão sobre o pingente. — Mais do que você imagina. Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, ela se levantou. — Preciso voltar. Foi bom conversar com você. Observei-a sair. Eu tinha acabado de confirmar que a pulseira estava com ela, mas ainda não sabia como havia chegado às suas mãos. No fim do expediente, encontrei um envelope sobre minha mesa. Não havia remetente, abri com cuidado e encontrei uma fotografia impressa. Era a mesma imagem que Maya havia encontrado, mas desta vez estava ampliada. Meu irmão aparecia ao lado de Vicente, e Maryssa estava logo atrás deles. No verso, havia uma frase: “VOCÊ ESTÁ PROCURANDO A PESSOA ERRADA. PERGUNTE A MARYSSA O QUE ACONTECEU COM A PULSEIRA.” Senti um arrepio. Olhei ao redor, procurando alguém que pudesse ter deixado aquilo ali, mas ninguém parecia prestar atenção em mim. Guardei a fotografia dentro da bolsa e naquele instante, meu celular vibrou. Uma mensagem de Matteo apareceu na tela. "PRECISO FALAR COM VOCÊ. AGORA". Meu coração acelerou. Caminhei até o escritório dele e encontrei a porta aberta. Matteo estava sentado atrás da mesa, com uma expressão séria. — Recebi uma informação sobre você. — começou. — Que tipo de informação? — perguntei tentando manter a tranquilidade. Ele empurrou uma folha na minha direção. Era uma cópia de uma fotografia antiga, meu irmão aparecia ao lado de Vicente. Senti o sangue desaparecer do meu rosto. — Conhece esse homem? — Matteo perguntou. Olhei para a imagem e depois para ele. Eu poderia dizer a verdade, mas ainda não sabia se Matteo era meu aliado ou meu inimigo. — Não. — respondi. — Tem certeza? — ele se levantou lentamente. — Nunca o vi. Matteo permaneceu em silêncio por alguns segundos e então recolheu a fotografia. — Interessante. Porque alguém me disse que você tem procurado informações sobre ele. Meu coração batia descontroladamente. — Quem disse isso? — Essa é uma pergunta que eu também gostaria de responder. — ele se aproximou. Olhei para Matteo, tentando encontrar alguma pista em sua expressão. Mas ele estava tão fechado quanto sempre. — Pode voltar ao trabalho. — disse finalmente. Saí do escritório sem olhar para trás. Eu havia escondido minha descoberta, havia mentido para Matteo e aparentemente, alguém estava acompanhando cada passo da minha investigação. Quando cheguei ao corredor, meu celular vibrou novamente. Uma última mensagem apareceu na tela: “BOA MENTIRA, ISADORA. MAS AGORA MATTEO TAMBÉM ESTÁ PROCURANDO SEU IRMÃO.” Parei de caminhar. Se Matteo encontrasse meu irmão antes de mim, eu poderia perder a única chance de descobrir a verdade e, pela primeira vez, tive medo de que minha vingança estivesse colocando a pessoa que eu mais queria proteger em perigo.O nome de Matteo Vasques continuava diante dos meus olhos.Eu havia passado a última hora tentando encontrar uma explicação para aquele registro bancário. A conta era dele. O dinheiro havia passado por suas mãos. E, de alguma forma, aquela movimentação estava ligada à noite em que minha família foi destruída.Mas uma pergunta não saía da minha cabeça: se Matteo era o responsável, por que parecia tão interessado em descobrir a verdade?Meu celular vibrou sobre a mesa.Maya: Você precisa sair daí. Está se aproximando demais dele.Suspirei, bloqueando a tela.Se eu fosse embora agora, talvez nunca descobrisse o que realmente aconteceu.Guardei os documentos na bolsa e deixei o escritório. O corredor estava quase vazio, iluminado apenas pelas luzes discretas do andar executivo. Eu já estava perto do elevador quando ouvi uma voz atrás de mim.— Procurando alguma coisa, Isadora?Fechei os olhos por um instante.Matteo.Virei lentamente. Ele estava encostado à porta do próprio escritório, co
ISADORA COSTIEu não conseguia parar de pensar na última mensagem.“BOA MENTIRA, ISADORA. MAS AGORA MATTEO TAMBÉM ESTÁ PROCURANDO SEU IRMÃO.”Alguém sabia demais sobre mim, sabia da minha identidade falsa, da minha investigação e até dos meus sentimentos em relação ao desaparecimento do meu irmão.O pior era não saber se aquela pessoa estava tentando me ajudar ou me conduzir diretamente para uma armadilha.Naquela manhã, decidi procurar Maya.— Encontrei uma coisa. — ela disse assim que abri a porta do apartamento e colocou uma pasta sobre a mesa.— De onde veio?— Do contato que conseguiu algumas informações sobre os antigos negócios do seu pai.Abri a pasta e comecei a examinar os documentos. Havia registros bancários, cópias de contratos e relatórios de movimentações financeiras.Até que encontrei uma transferência suspeita.O pagamento havia sido realizado dois dias antes do incêndio que destruiu nossa casa, a empresa responsável pelo depósito pertencia a um grupo de fachada ligad
ISADORA COSTIA fotografia não saía da minha cabeça.Meu irmão estava vivo na época em que todos acreditavam que havia desaparecido. E, pior, estava ao lado de Vicente, o homem que parecia saber mais sobre a destruição da minha família do que qualquer outra pessoa.Mas havia outro detalhe que me perturbava: a pulseira de Maryssa.Eu já tinha visto aquele objeto antes. Minha mãe guardava uma fotografia antiga na qual meu pai aparecia segurando uma caixa de joias e entre elas estava uma pulseira idêntica.Por que Maryssa teria uma peça que pertencia à minha família?— Você precisa tomar cuidado. — Maya avisou, observando minha expressão — Se ela estiver envolvida no desaparecimento do seu irmão, pode perceber que estamos investigando.— É por isso que ninguém pode saber o que descobrimos.— Nem Matteo?Olhei para ela.— Principalmente Matteo.Na manhã seguinte, cheguei à Vasques Group decidida a agir normalmente.Maryssa estava no escritório de Matteo quando passei pelo corredor. A port
ISADORA COSTI Eu deveria ter imaginado que Matteo Vasques tinha um passado tão complicado quanto seu presente, mas não esperava encontrar uma mulher disposta a me lembrar disso.Cheguei à empresa pouco depois das nove. Ainda estava tentando entender a mensagem que havia encontrado em minha bolsa na noite anterior."MATTEO ESTÁ PROTEGENDO O HOMEM QUE DESTRUIU SUA FAMÍLIA. E SEU IRMÃO SABE DISSO."Aquelas palavras não saíam da minha cabeça.Eu precisava descobrir quem havia escrito o bilhete. E, principalmente, por que meu irmão estaria envolvido em algo tão perigoso.— Bom dia, Isabela.Levantei os olhos e encontrei Vanessa diante da minha mesa.— Bom dia.— O senhor Vasques pediu que você acompanhe a organização de uma reunião especial hoje.— Com os investidores?— Não exatamente. Uma convidada importante está chegando.Antes que eu pudesse perguntar quem era, o elevador privativo se abriu.E ela apareceu.A mulher era elegante, com cabelos castanhos perfeitamente arrumados, vestido
ISADORA COSTI— Agora me entregue a fotografia, Isadora.Meu verdadeiro nome nos lábios de Matteo soou como uma sentença.Durante alguns segundos, nenhum de nós se moveu. Eu segurava a fotografia com tanta força que sentia o papel dobrar entre meus dedos.— Há quanto tempo sabe? — perguntei.— Tempo suficiente.— Então por que me deixou entrar na sua empresa?Matteo não respondeu imediatamente, seus olhos permaneceram presos aos meus.— Porque queria descobrir o que você estava procurando.— Você destruiu minha família e ainda quer saber o que estou procurando? — perguntei, soltando uma risada amarga.A expressão dele endureceu.— Cuidado com as acusações que faz.— Meu pai morreu, meu irmão desapareceu e seu nome aparece nos documentos daquela noite. O que espera que eu pense?— A fotografia. — pediu, estendendo a mão novamente.— Não.Pela primeira vez, percebi algo diferente em seu olhar. Não era raiva, era uma espécie de preocupação que ele tentava esconder.— Isadora, você não en
ISADORA COSTIA mensagem sobre Vicente não saía da minha cabeça."ELE SABE QUEM VOCÊ É. "Passei a noite inteira tentando descobrir se aquilo era uma ameaça ou um aviso. Se Vicente conhecia minha verdadeira identidade, por que continuava me deixando circular pela empresa? E, principalmente, por que Matteo parecia tão interessado em testar meus limites?Eu precisava de respostas, e talvez elas estivessem atrás da porta que todos tinham me proibido de abrir.Na manhã seguinte, cheguei à Vasques Group antes do horário habitual. O prédio ainda estava silencioso, e poucos funcionários haviam chegado. Era a oportunidade perfeita para investigar os arquivos antigos.Eu sabia que estava arriscando meu disfarce, mas já havia esperado três anos, não pretendia voltar para casa de mãos vazias.A porta ficava no fim de um corredor pouco movimentado, no décimo quinto andar. Eu a havia visto no primeiro dia, mas nunca conseguira chegar perto o suficiente para ler a placa.Naquela manhã, descobri que







