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Autor: LuadMel
last update Data de publicação: 2024-03-04 09:42:38

Sem dizer nada, tirou do bolso de seu paletó um envelope vermelho com enfeites natalinos e o empurrou em sua direção.

— Gostaria que estivesse na festa. Sua presença será apreciada.

E levantou deixando a conta paga.

Os olhos arregalados de Clarisse assistiram atentamente quando o homem atravessou a porta e saiu sem nem mesmo olhar para trás. Desviou para as notas em cima da mesa, os doces que pediu até sua mão que foi baixando aos poucos até chegar à mesa.

Por que ele iria elogiá-la? Seria um truque ruim para que fosse a festa depois do convite? Porque embora fosse importante para Ronny não seria o lugar que gostaria de estar na noite de Natal.

Também não terminou de comer ou tomar seu café. Pescou o convite na mesa e saiu pegando o primeiro táxi que lhe apareceu. Sua mente confusa a levou até a casa de sua melhor amiga a poucos metros da sua.

Tocou a campainha insistentemente até finalmente a porta ser aberta revelando a garota do lado de dentro. A expressão de ódio é felicidade ao mesmo tempo, Clarisse entrou mesmo assim.

— Sei que somos amigas, mas me interromper no meio do meu sono de beleza é complicado. — Praguejou fechando a porta.

— Já são quase seis da tarde, por favor. — Achou graça — Você é uma estudante de moda maravilhosa e tenho certeza que irá gostar de me ajudar a achar uma roupa incrível para a festa de Natal dos Tornneght.

— O que? — A surpresa veio junto ao convite exibido — Oh meu Deus! Você vai participar da festa de Natal do Ronny. Hmmm, espera, qual é a condição? Vai servir alguém?

— O que? Não. Não. Dessa vez quem me convidou e deu o convite foi o senhor Tornneght, pessoalmente. — De repente, os olhos de Vivian, que brilhavam em cima do convite foram pra Clarisse, sorriu na esperança de ser compreendida.

— Você não pode ir nessa festa porque aquele homem te convidou. Ele pode ter preparado uma armadilha. — Clarisse revirou os olhos antes de se jogar no sofá — Estou falando sério, se lembra do que aconteceu na última festa? Ele apresentou uma garota pro seu namorado, na sua frente, como se você fosse invisível.

— Ronny disse que só vai nessa festa se eu for sua acompanhante e é muito importante a presença dele para o pai — Omitiu algumas coisas, afinal não era da sua vontade contar todos os segredos daquela família.

— Eu vou te ajudar. Vou te vestir como uma princesa. E aquele cara ridículo, não vai ter como negar a sua beleza e a perfeição que é para o filho dele.

Clarisse sorriu ao se lembrar do elogio que ganhou. Vicent não parecia ser uma pessoa normal ou que contava mentiras, sempre foi muito sincero em dizer que não lhe aprovava, então porque mentiria sobre sua beleza?

Afinal, por que ele a achava tão bonita para o filho?

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O sol já tinha ido embora quando Ronny chegou em casa. Deixou o carro para guardarem depois e correu para dentro. A sala de jantar estava vazia, logo encontraria seu pai no escritório.

E era onde estava, sentado atrás de sua mesa trabalhando como sempre, mas dessa vez, havia um ar divertido.

— Espero que tenha cumprido sua promessa. — Vicent apenas ergueu um canto de sua boca num sorriso. Ter aquela garota por perto deixava mesmo o filho feliz. Ah, deixaria ele feliz também se pudesse tê-la.

— A convidei pessoalmente e deixei o convite. Ela decide se vai ou não.

— Ela vem, vem porque vou reforçar. Vou chamá-la para jantar hoje e deixar claro que quero sua presença e você aprova nosso namoro.

— Contará mentiras a sua namorada agora? — Ronny perdeu o sorriso na mesma hora. — Não estou aprovando nada, apenas a convidei para a festa.

— Clarisse é uma garota incrível. Ela é a melhor da turma. — Se apoiou na mesa tendo finalmente a atenção de seu pai — Me diz um defeito e o motivo de não ter gostado dela, sendo que você nunca questionou as minhas outras namoradas.

E realmente, não se importava com quem seu filho namorava, não até conhecer Clarisse. Foi atração à primeira vista? Paixão? Fogo? Desejo? Tesão?

Desejar ter nua a namorada do seu filho na sua cama já é um motivo ótimo pra não querer vê-la com ele.

— Fique feliz por ela ter gostado da ideia de ir para a festa. Contente-se com isso.

Avisou seco, voltando rapidamente pra seu computador.

Ele não tinha mais o que falar ao filho que embora quisesse discutir mais esse assunto, estava na cara que era um caso perdido.

Ronny voltou para a sala subindo as escadas degrau por degrau. O pensamento voando longe. Vicent nunca implicou com suas amizades ou namoradas de antes. Embora sua condição financeira deixasse uma grande brecha para o mundo dos negócios, onde casamentos por contratos eram mencionados em todo momento.

Seria esse tipo de relacionamento que Vicent estava buscando? Só assim para entender o motivo de não gostar de Clarisse, seria claramente uma escolha que não iria acrescentar na empresa, mas adoçaria grandemente a sua vida. Isso não era o suficiente?

Já no quarto, mandou uma mensagem apaixonada para a namorada que embora tivesse dúvidas, confirmou na mesma que estaria em sua casa em poucos minutos.

Ao menos enquanto tentava entender os pensamentos do pai ele poderia se deleitar da companhia de sua querida.

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De todos os seus antigos namorados que nunca passaram de semanas, dormir e acordar com Ronny era totalmente diferente, como se fosse uma experiência gostosa de viver. Não saberia dizer se isso era normal, mas vê-lo dormir ou sorrir em sua direção ao acordar, tudo aquilo fazia seu coração acelerar.

Isso era paixão, com certeza era paixão. Sua cabeça poderia estar no lugar, mas seria voar ao vê-lo se aproximar com devoção, a tratando como uma dama, uma linda mulher. Ela merecia isso, certo? Ser tratada com tanto amor.

A intensidade apaixonante que vinha daquele homem lhe deixava mole, um beijo, um carinho… Poderiam continuar aquilo no chuveiro como um café da manhã, certo?

— Espero que seu dia seja muito bom. Preciso ir cedo para o trabalho — Disse rapidamente ao se afastar da garota para sair da cama. Clarisse sorriu conformada.

Não ia negar que vê-lo tão empenhado em seguir os passos do pai lhe deixava alegre. Isso queria dizer que ela não estava atrapalhando nada e que Vicent poderia gostar dela sim, pois incentivava seu filho a fazer coisas boas e a obedecê-lo.

Já achava ela bonita, por que não poderia achá-la também uma boa influência?

Iria trabalhar nisso, Vicent iria aceitá-la.

Se arrumou ao lado do namorado que por sua vez, apenas mencionou o quanto aquela semana iria ser importante, ficar na empresa e ser reconhecido como filho do chefe era muito bom, porém, aprender coisas simples sem estar sob o olhar do seu pai também era bom.

Ao sair do quarto foi guiada para a mesa do café e agradeceu quando avistou um de seus bolos preferidos. Ronny era de fato uma boa companhia, engraçado, divertido, carinhoso, tudo aquilo que uma garota iria querer em um namorado. No entanto, sua presença jamais seria tão implacável como a de Vicent Tornneght.

Bastou aparecer no cômodo para ser o centro das atenções. Bem vestido com seu cabelo arrumado para o lado, no penteado charmoso para sua idade. Os olhos claros como estrelas do céu que brilharam em direção a garota assim que a avistou.

Não sabia que a teria naquele café da manhã será que precisava ter se arrumado mais?

Não, não. Ele não poderia demonstrar.

Era a namorada de seu filho e graças a ela, Ronny estaria na festa. Tinha que pensar apenas nisso.

— Bom dia pai — Ronny foi o primeiro a se manifestar, fingiu não notar o olhar do pai para a namorada. Tudo bem ele não gostar de vê-la em sua casa, mas não podia disfarçar? — Clarisse se juntou a mim, espero que não se importe.

Tentou amenizar qualquer palavreado que viesse, não gostaria de ver sua namorada passando por aquele tipo de constrangimento, no entanto, Vicent apenas ajeitou sua gravata tomando seu lugar central na mesa ao lado de Clarisse, assim que escutou seu "bom dia".

Bom dia seria, se ele tivesse acordado com ela.

Bom dia seria, se tivesse sido ele a dormir com ela.

Bom dia seria, se os gemidos que escutou do quarto ao lado, fosse ele o motivo.

Bom dia seria TAMBÉM se fosse ele a dar pedaços de bolo na boca dela e vê-la sorrir.

Aquele dia também seria bom, se estivesse sozinho naquela mesa, e o café da manhã fosse aquela garota que sorria como uma boa menina.

Será que ela seria uma boa menina na sua cama?

Ah, uma droga mesmo, o sabor dos lábios dela deveriam ser doces. Bem doces, mais doces que ele bolo dado em sua boca…

— Você não tem que… — sua voz travou assim que assustou os jovens ganhando sua atenção. Limpou a garganta tentando não parecer tão… — Se você não for agora, chegará atrasado ao seu estágio.

— Achei que iria com você. E pretendo deixar minha namorada em casa ainda.

— É assim que quer levar as coisas a sério? Sua namorada é mais importante que o trabalho? Não é só porque é filho do chefe que tem que chegar a hora que quiser.

— Pai. — A súplica do garoto fez Vicent amenizar seu olhar. Não brigava por ele chegar atrasado. Não era por isso…

Até porque quem seria louco de chamar atenção de Ronny Tornneght na empresa?

Não era por isso.

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Último capítulo

  • O Pai do meu Namorado   - 59 -

    No primeiro dia, Clarisse acreditou que morreria.Não de fome.De medo.Onde Jasper estava?Para onde Ronny o levara?Ele estava alimentando?Estava chorando?Sentia falta dela?— Meu filho…Clarisse ficou junto à porta.— Devolve meu filho.Ninguém respondia.Os empregados tinham sido demitidos.A casa estava vazia.Completamente vazia.Nenhuma Margaret.Nenhuma Melissa.Nenhuma voz.Nada.Apenas Clarisse.No segundo dia, a fome começou.Mas o pior era a sede.Havia água no banheiro.Bebeu.O estômago doía.Abriu gavetas.Nada.Nenhuma comida.— Desgraçado.Tentou a porta.Nada.Janela.Trancada.Procurou alguma coisa.Qualquer coisa.Passou horas mexendo em cada canto.Até encontrar uma pequena peça metálica solta na estrutura de uma gaveta.Tentou a fechadura.Não sabia o que estava fazendo.Tentou mesmo assim.Uma hora.Duas.As mãos começaram a doer.— Abre.Sussurrava.— Abre…Nada.No terceiro dia, conseguiu.Um clique.Clarisse congelou.Girou.A porta abriu.Ficou parada.Não

  • O Pai do meu Namorado   - 58 -

    Desceu pela lateral da casa.Não usou a porta principal.Tinha percebido durante semanas que a porta próxima à lavanderia nem sempre acionava o mesmo aviso que a entrada principal.Abriu devagar.O ar frio atingiu seu rosto.Liberdade.Por alguns segundos, Clarisse apenas respirou.Depois caminhou.Não correu.Ainda.Passou pelo jardim.Atrás das árvores.Chegou próximo ao portão lateral usado pelos funcionários.O coração parecia ensurdecedor.O segurança estava do outro lado, falando ao telefone.Clarisse esperou.Jasper começou a resmungar.— Shhh…Balançou-o.— Só mais um pouquinho.O homem virou.Clarisse congelou.Ele não a viu.Continuou andando.Quando desapareceu…Ela saiu.Atravessou.Um passo.Dois.Três.Clarisse olhou para trás.O portão.A casa.Ronny.Tudo ficou do outro lado.Começou a correr.Não tinha carro.Não confiava em motorista.Caminhou até uma avenida movimentada carregando Jasper e a bolsa.Conseguiu um táxi.Entrou quase tropeçando.— Rodoviária.O motorista

  • O Pai do meu Namorado   - 57 -

    — Isso foi uma punição?— Uma demonstração.Clarisse sentiu náusea.— Do quê?O sorriso veio.Pequeno.Carinhoso.Terrível.— Do que eu sou capaz de fazer por amor.Clarisse parou de respirar.Ronny tocou delicadamente o rosto de Jasper.Ela recuou.— Não encosta.O olhar dele mudou.Clarisse percebeu e corrigiu rapidamente:— Ele acabou de dormir.Ronny sorriu novamente.— Claro.Passou a mão pelos cabelos dela.Clarisse ficou imóvel.— Eu amo você.Ela fechou os olhos.— Amo Jasper.A mão desceu pelo rosto fragilizado.— Amo nossa família.Clarisse sentiu uma lágrima.— E não vou perder nenhum dos dois.Ronny beijou sua testa.Ela teve vontade de se afastar.Não fez.— Entendeu agora?Clarisse abriu os olhos.Olhou para Jasper.Era por ele.Sempre por ele.— Entendi.Ronny sorriu.— Ótimo.Saiu.Clarisse esperou os passos desaparecerem.Então sentou na poltrona.O corpo tremia.Não tinha comido.Estava fraca.Precisava de água.Precisava de banho.Precisava de médico talvez.Mas segu

  • O Pai do meu Namorado   - 56 -

    Depois daquilo, Clarisse passou a temer o anoitecer.Durante o dia ainda conseguia fingir.Tinha Jasper.Tinha o escritório.Tinha as páginas dos livros onde podia inventar mulheres que corriam, gritavam, quebravam portas e conseguiam escapar de homens poderosos.À noite, porém, existia Ronny.E existia a cama.Nos primeiros dias depois de recuperar a saúde, ele ainda fora cuidadoso.Perguntava se estava bem.Beijava sua testa.Abraçava-a.Dizia que não precisava fazer nada enquanto não se sentisse recuperada.Clarisse chegou a acreditar que talvez aquilo permanecesse assim.Não permaneceu.Com o passar das semanas, os abraços começaram a durar mais.As mãos demoravam onde ela não queria.Os beijos que ela evitava passaram a ser cobrados.— O que foi?Ronny perguntava.— Nada.— Então por que virou o rosto?Clarisse inventava.Dor de cabeça.Sono.Cansaço.Jasper havia chorado muito.O corpo ainda não estava completamente recuperado.Qualquer coisa.Ronny aceitava algumas vezes.Em out

  • O Pai do meu Namorado   - 55 -

    Maressa não dormia havia duas noites.Na terceira, desistiu de tentar.Ficou sentada na sala com o telefone apoiado sobre as pernas, olhando para o aparelho como se pudesse obrigá-lo a tocar apenas pela força do desespero.Nada.Nenhuma ligação.Nenhuma mensagem.Nenhuma resposta.Clarisse simplesmente havia desaparecido.Não literalmente.Maressa sabia onde a filha estava.Sabia a cidade.Sabia que estava com Ronny.Sabia que tinha uma casa, dinheiro, empregados, médicos e tudo aquilo que, na cabeça de qualquer pessoa olhando de fora, significaria segurança.Mas uma mãe não precisava enxergar a filha para saber quando havia alguma coisa errada.E havia.Alguma coisa estava terrivelmente errada.— Liga de novo.Gregori estava em pé próximo à janela.Não parecia melhor.O homem que durante toda a vida aprendera a controlar situações difíceis, lidar com criminosos, ameaças, acidentes e problemas que fariam outras pessoas perderem a cabeça agora parecia incapaz de lidar com o silêncio de

  • O Pai do meu Namorado   - 54 -

    Vicent soube do nascimento três dias depois.Três dias.Setenta e duas horas em que, em algum lugar distante, Clarisse havia entrado em trabalho de parto, sofrido, gritado, chorado e colocado uma criança no mundo enquanto ele seguia sua rotina sem saber de absolutamente nada. A notícia chegou de maneira quase ridícula. Uma ligação. Um comentário entre duas pessoas da empresa. Depois uma confirmação que Dylan conseguiu arrancar de alguém ligado à equipe de Ronny. Vicent estava sentado atrás da enorme mesa do escritório quando a secretária entrou sem bater.Não reclamou. Dylan só fazia aquilo quando havia algo realmente importante.— Tenho uma notícia.Vicent sequer ergueu os olhos dos documentos.— Se for sobre o contrato dos holandeses, já falei que—— O filho da Clarisse nasceu.A caneta parou. Vicent não respirou. Dylan ficou diante da mesa esperando. Devagar, muito devagar, ele levantou os olhos.— O quê?— O bebê nasceu. - A voz dela se tornou mais suave. — É um menino.Vicent cont

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