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مؤلف: LuadMel
last update تاريخ النشر: 2024-03-04 03:15:32

Queria ter aquele tipo de relacionamento, de crescer juntos, ter um casamento apaixonado, dinheiro não lhe importava, ela tinha um emprego de meio-período na livraria da faculdade, e em breve estaria formada em direito com direito a chamadas para escritórios por conta de suas notas.

Ela seria tão importante quanto a família Tornneght, dentro ou fora dela.

Os fins de semana com os pais eram seu porto seguro. Em meio às cobranças da faculdade, ao trabalho e à intensidade do namoro, Clarisse gostava de voltar para aquela casa e reencontrar o tipo de amor que não exigia explicações. Ali, entre o cheiro do café, as brincadeiras do pai e o carinho da mãe, ainda conseguia se sentir protegida do resto do mundo. Mas as horas passam e os dias se vão, e logo a segunda aparece trazendo o vento frio da cidade para o seu conforto.

Tudo bem precisamos do sol, mas um na semana já é o suficiente. O frio, a neve do fim do ano, a semana para o Natal prometia.

Saiu de casa no mesmo horário e as aulas extras da faculdade estavam disponíveis como cursos e palestras. Ela não era obrigada, mas como uma boa Nerd que precisa defender sua tese é se formar mais rápido, iria em todas.

Assim como seu emprego, onde arrumava as prateleiras cheias de livros novos e velhos, clássicos e até os mais conhecidos. O cheiro do conhecimento muito lhe agradava, no entanto, não era o lugar preferido da maioria dos alunos, e com poucas pessoas no campus, Clarisse tinha mais tempo para organizar e ler sem ter que atender a todos, mas não estava livre de clientes.

Escutou quando a porta abriu e demorou a fechar, deixou o corredor quase correndo para receber quem tinha entrado e travou no mesmo passo ao encarar aquele homem ao pé da porta.

— Olá? — Clarisse olhou ao redor antes de voltar ao homem, estava sozinha, a loja não tinha câmera, o que ele estava fazendo ali? Foi para ameaçar?

— Oi. Aconteceu alguma coisa com o Ronny? O que você está fazendo aqui?

Ronny?

RONNY?

Sempre ele. Claro que seria ele.

— Poderia tomar um café comigo?

O choque em seus olhos era notório. Não tinha se recuperado da surpresa de ver aquele homem ali, e logo recebeu outra ainda mais forte. O que tinha que fazer? Sorrir?

O que Vicent queria? Oferecer dinheiro para que ela fosse embora? Como nos doramas? Ameaçar jogar toda sua família na rua da amargura até se mudarem para longe como nos livros de romance?

Voltou a respirar sem nem mesmo notar que havia prendido a respiração. Encarar aquele homem parecia no momento um desafio grande. Sabia que ele não gostava da presença dela, mas seu olhar… O olhar de desejo que sentia vir dele era promíscua, não parecia ser real ao mesmo tempo em que lhe dava curiosidade.

— Um café… Com você? — Gaguejou pelo menos duas vezes antes de seus pensamentos se formarem naquela pergunta engraçada. — Quer que eu tome café com você?

— Ao menos noto que não é surda. Podemos conversar em um lugar melhor. Gostaria de fazer um pedido. — Ele foi cordial, muito educado até com ele. Evitou olhá-la de verdade ainda que estivesse lhe observando do lado de fora desde que chegou.

Ela parecia feliz dentro daquela livraria. Era seu lugar preferido. Gostava de livros tanto assim? E as aulas? Vinha por que era obrigada? Precisava ser tão estudiosa? Até isso era atraente, seu jeito simples de viver.

— Eu presumo que não tenho nada para falar com o senhor — disse de forma tão calma. Parecia realmente ler seus pensamentos.

— Eu prometi ao Ronny que falaria contigo. Podemos conversar em um lugar melhor? — Insistiu em sair dali, o cheiro não lhe agradava, e fazer o pedido, dar um convite, tudo tinha que ser em lugar público. Talvez o silêncio em um cômodo pequeno o denunciasse.

— Ronny? Ah, tudo bem. Saio em 10 minutos.

Virou para ir terminar seus afazeres deixando o homem sozinho. Claro… agradar a garota parecia ser mesmo um desafio, no entanto, prometeu ao filho que faria isso. Deu alguns passos para dentro do lugar e não pôde evitar sentir o cheiro dela. Era doce e sagaz, tudo combinava perfeitamente. Andou mais entre os corredores até vê-la novamente.

Os cabelos amarrados pra trás e o olhar concentrado em fazer seu trabalho, como era bonita.

Não. Ele não podia ter esses pensamentos. Quando acordou naquela manhã de outro sonho quente justamente com Clarisse, ele só conseguia pensar em como iria fazer com que ela aceitasse o convite para a festa, precisava de Ronny lá. Ele tinha que manter sua cabeça no lugar.

Como prometido, 10 minutos depois Clarisse adentrou o carro de Vicent junto ao motorista. Assim que a porta fechou, ela pôde sentir o aroma vindo dele e não mentiria dizendo que não gostou.

Nunca pode pensar naquele homem do mal como uma pessoa legal. Só de estar no mesmo ambiente que ele, notava-se o descontentamento vindo de sua parte, lhe causava desconforto e a vontade de ir para qualquer lugar longe dele era grandiosa.

— O que é tão importante que não poderíamos ter conversado na livraria? — Ela quebrou o silêncio. Vicent a olhou de relance — Vai me mandar embora da vida de seu filho?

— Se eu pedisse isso, você iria?

— Por dinheiro nenhum no mundo, eu deixaria o Ronny. — Eles se encararam — Pode se adiantar se o assunto for esse.

Ela sabia que não era bem-vinda, que tinha ódio, que havia desprezo, mas por que não conseguia enxergar nada disso no olhar dele? Seus olhos claros e cinzas brilhavam em sua direção.

Que tipo de ódio era aquele? Pois podia jurar que conhecia aquele mesmo desejo dos olhos de Ronny.

— Chegamos. — O motorista avisou fazendo com que ambos quebrassem aquele contato visual e saiu do carro para abrir a porta. Primeiro para a dama que gostou do lugar escolhido. Já tinha vindo algumas vezes, afinal, como uma boa apreciadora de café, seria um erro não ter visitado todas da cidade.

Foi bem recebida pelos atendentes e colocada em uma mesa bonita e organizada. Sentou-se com toda sua elegância agradecendo ao garçom educado. Todos seus movimentos eram assistidos pelo homem mais velho.

O coração acelerado podia ser um problema, até mesmo suas mãos trêmulas lhe incomodavam. O que os pais não fazem por seus filhos.

— Agradeço por ter vindo. Sei que não nos damos muito bem. — Seu tom era baixo junto aos lábios que se moviam lentamente, aquilo era charmoso, ela não ia negar.

— Você não gosta de mim. E só vim, porque se o Ronny concordou então deve ser algo bom. Não que eu espere algo bom vindo de você.

— Eu não sou um monstro como acha, só não concordo com esse namoro.

— Por eu ser pobre? — Uma pergunta como aquela num lugar público, poderia ser motivo de ofensa, olhares feios dentre outras coisas. Sorte que as mesas ficavam afastadas, e o garçom que se aproximava com o pedido feito pouco antes ainda estavam longe.

Os olhares estavam vidrados um no outro e talvez avançassem um no outro a qualquer momento, porém com vontades diferentes, enquanto um arrancaria o rosto, o outro agarraria os cabelos longos agora soltos e a traria para mais perto.

Levantaria o vestido longo até poder ver tudo que havia escondido, a beijaria com força, sugaria sua pele, a teria para si em qualquer lugar, até mesmo o chão sujo da livraria, ou numa mesa recheada de café e doces. Ele não iria se importar, apenas iria tê-la.

— Está me escutando? — Ele despertou dos sonhos tornando a encarar a moça — Não sou boa para seu filho porque sou pobre?

— Não vim aqui para falar sobre isso. Mas para lhe fazer um convite, pessoalmente — Clarisse piscou algumas vezes, aquilo era sério? — Estarei oferecendo uma festa de Natal para meus sócios e nessa festa irei apresentar Ronny como meu novo sócio e herdeiro.

— Uau! — Sorriu orgulhosa. — Pode não parecer, mas o Ronny te respeita muito, ele te admira como o homem mais incrível do mundo… Isso vai dei-

— E você… me admira de algum jeito? — O sorriso que Clarisse dava se desmanchou sem saber de onde veio à pergunta, tampouco como daria aquela resposta. — Essa apresentação só vai acontecer se o Ronny for, e ele só vai, se você estiver presente.

— A última festa sua em que estive presente, você me ignorou e me tratou mal, apresentou outra garota ao seu filho como se eu não estivesse ali. Não quero passar por isso novamente.

— Se você ama o Ronny como diz que o ama, fará isso pelo futuro dele, se não, não precisa voltar a pisar na minha casa.

— Está dúvidando do meu amor?

— Duvido sim. Você é bonita demais para amar o meu filho — Sem filtrar suas palavras, soltou o que seus pensamentos informavam como resposta. E na mesma hora, se arrependeu.

O olhar dela de surpresa, a xícara parada no ar. Ele tinha mesmo que chamá-la de bonita? Não era uma mentira, mas soou estranho.

Sem dizer nada, tirou do bolso de seu paletó um envelope vermelho com enfeites natalinos e o empurrou em sua direção.

— Gostaria que estivesse na festa. Sua presença será apreciada.

E levantou deixando a conta paga.

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أحدث فصل

  • O Pai do meu Namorado   - 59 -

    No primeiro dia, Clarisse acreditou que morreria.Não de fome.De medo.Onde Jasper estava?Para onde Ronny o levara?Ele estava alimentando?Estava chorando?Sentia falta dela?— Meu filho…Clarisse ficou junto à porta.— Devolve meu filho.Ninguém respondia.Os empregados tinham sido demitidos.A casa estava vazia.Completamente vazia.Nenhuma Margaret.Nenhuma Melissa.Nenhuma voz.Nada.Apenas Clarisse.No segundo dia, a fome começou.Mas o pior era a sede.Havia água no banheiro.Bebeu.O estômago doía.Abriu gavetas.Nada.Nenhuma comida.— Desgraçado.Tentou a porta.Nada.Janela.Trancada.Procurou alguma coisa.Qualquer coisa.Passou horas mexendo em cada canto.Até encontrar uma pequena peça metálica solta na estrutura de uma gaveta.Tentou a fechadura.Não sabia o que estava fazendo.Tentou mesmo assim.Uma hora.Duas.As mãos começaram a doer.— Abre.Sussurrava.— Abre…Nada.No terceiro dia, conseguiu.Um clique.Clarisse congelou.Girou.A porta abriu.Ficou parada.Não

  • O Pai do meu Namorado   - 58 -

    Desceu pela lateral da casa.Não usou a porta principal.Tinha percebido durante semanas que a porta próxima à lavanderia nem sempre acionava o mesmo aviso que a entrada principal.Abriu devagar.O ar frio atingiu seu rosto.Liberdade.Por alguns segundos, Clarisse apenas respirou.Depois caminhou.Não correu.Ainda.Passou pelo jardim.Atrás das árvores.Chegou próximo ao portão lateral usado pelos funcionários.O coração parecia ensurdecedor.O segurança estava do outro lado, falando ao telefone.Clarisse esperou.Jasper começou a resmungar.— Shhh…Balançou-o.— Só mais um pouquinho.O homem virou.Clarisse congelou.Ele não a viu.Continuou andando.Quando desapareceu…Ela saiu.Atravessou.Um passo.Dois.Três.Clarisse olhou para trás.O portão.A casa.Ronny.Tudo ficou do outro lado.Começou a correr.Não tinha carro.Não confiava em motorista.Caminhou até uma avenida movimentada carregando Jasper e a bolsa.Conseguiu um táxi.Entrou quase tropeçando.— Rodoviária.O motorista

  • O Pai do meu Namorado   - 57 -

    — Isso foi uma punição?— Uma demonstração.Clarisse sentiu náusea.— Do quê?O sorriso veio.Pequeno.Carinhoso.Terrível.— Do que eu sou capaz de fazer por amor.Clarisse parou de respirar.Ronny tocou delicadamente o rosto de Jasper.Ela recuou.— Não encosta.O olhar dele mudou.Clarisse percebeu e corrigiu rapidamente:— Ele acabou de dormir.Ronny sorriu novamente.— Claro.Passou a mão pelos cabelos dela.Clarisse ficou imóvel.— Eu amo você.Ela fechou os olhos.— Amo Jasper.A mão desceu pelo rosto fragilizado.— Amo nossa família.Clarisse sentiu uma lágrima.— E não vou perder nenhum dos dois.Ronny beijou sua testa.Ela teve vontade de se afastar.Não fez.— Entendeu agora?Clarisse abriu os olhos.Olhou para Jasper.Era por ele.Sempre por ele.— Entendi.Ronny sorriu.— Ótimo.Saiu.Clarisse esperou os passos desaparecerem.Então sentou na poltrona.O corpo tremia.Não tinha comido.Estava fraca.Precisava de água.Precisava de banho.Precisava de médico talvez.Mas segu

  • O Pai do meu Namorado   - 56 -

    Depois daquilo, Clarisse passou a temer o anoitecer.Durante o dia ainda conseguia fingir.Tinha Jasper.Tinha o escritório.Tinha as páginas dos livros onde podia inventar mulheres que corriam, gritavam, quebravam portas e conseguiam escapar de homens poderosos.À noite, porém, existia Ronny.E existia a cama.Nos primeiros dias depois de recuperar a saúde, ele ainda fora cuidadoso.Perguntava se estava bem.Beijava sua testa.Abraçava-a.Dizia que não precisava fazer nada enquanto não se sentisse recuperada.Clarisse chegou a acreditar que talvez aquilo permanecesse assim.Não permaneceu.Com o passar das semanas, os abraços começaram a durar mais.As mãos demoravam onde ela não queria.Os beijos que ela evitava passaram a ser cobrados.— O que foi?Ronny perguntava.— Nada.— Então por que virou o rosto?Clarisse inventava.Dor de cabeça.Sono.Cansaço.Jasper havia chorado muito.O corpo ainda não estava completamente recuperado.Qualquer coisa.Ronny aceitava algumas vezes.Em out

  • O Pai do meu Namorado   - 55 -

    Maressa não dormia havia duas noites.Na terceira, desistiu de tentar.Ficou sentada na sala com o telefone apoiado sobre as pernas, olhando para o aparelho como se pudesse obrigá-lo a tocar apenas pela força do desespero.Nada.Nenhuma ligação.Nenhuma mensagem.Nenhuma resposta.Clarisse simplesmente havia desaparecido.Não literalmente.Maressa sabia onde a filha estava.Sabia a cidade.Sabia que estava com Ronny.Sabia que tinha uma casa, dinheiro, empregados, médicos e tudo aquilo que, na cabeça de qualquer pessoa olhando de fora, significaria segurança.Mas uma mãe não precisava enxergar a filha para saber quando havia alguma coisa errada.E havia.Alguma coisa estava terrivelmente errada.— Liga de novo.Gregori estava em pé próximo à janela.Não parecia melhor.O homem que durante toda a vida aprendera a controlar situações difíceis, lidar com criminosos, ameaças, acidentes e problemas que fariam outras pessoas perderem a cabeça agora parecia incapaz de lidar com o silêncio de

  • O Pai do meu Namorado   - 54 -

    Vicent soube do nascimento três dias depois.Três dias.Setenta e duas horas em que, em algum lugar distante, Clarisse havia entrado em trabalho de parto, sofrido, gritado, chorado e colocado uma criança no mundo enquanto ele seguia sua rotina sem saber de absolutamente nada. A notícia chegou de maneira quase ridícula. Uma ligação. Um comentário entre duas pessoas da empresa. Depois uma confirmação que Dylan conseguiu arrancar de alguém ligado à equipe de Ronny. Vicent estava sentado atrás da enorme mesa do escritório quando a secretária entrou sem bater.Não reclamou. Dylan só fazia aquilo quando havia algo realmente importante.— Tenho uma notícia.Vicent sequer ergueu os olhos dos documentos.— Se for sobre o contrato dos holandeses, já falei que—— O filho da Clarisse nasceu.A caneta parou. Vicent não respirou. Dylan ficou diante da mesa esperando. Devagar, muito devagar, ele levantou os olhos.— O quê?— O bebê nasceu. - A voz dela se tornou mais suave. — É um menino.Vicent cont

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