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Capítulo 2

Author: Corvo da Kurumi
Quase engasguei.

Encarei, boquiaberto, a mulher linda diante de mim.

Cheguei até a duvidar se tinha ouvido direito.

Será que as mulheres da cidade grande eram todas tão abertas assim?

Então bastava salvar uma delas para ela querer pagar a dívida com o próprio corpo?

Minha cabeça virou um caos. Fiquei atordoado, sem saber como reagir.

O mais importante era que aquele ainda era o banheiro feminino.

Fazer sexo ali era mesmo uma boa ideia?

A mulher também pareceu perceber que o lugar não era muito adequado.

Agarrou minha mão, empurrou a porta de uma cabine, puxou meu corpo para dentro e pressionou o corpo dela contra o meu.

A pele dela era macia e elástica.

Ao prestar mais atenção ao cheiro, percebi uma fragrância suave, algo que eu nunca tinha sentido antes.

Ao ver que eu continuava parado, atordoado, ela franziu levemente a testa e, então, virou de costas, apoiando o corpo contra a parede.

— Vem!

Fiquei ali feito um idiota, sem saber que reação deveria ter.

— Por que está parado aí? Isso é o meu agradecimento por você ter salvado minha vida. — Ela disse, virando o rosto para mim.

Em seguida, murmurou em voz baixa.

— Prefiro entregar meu corpo a um desconhecido do que àquele desgraçado...

Não consegui ouvir direito a última frase.

Ao ver que eu continuava sem me mexer, ela insistiu outra vez:

— Você é homem ou não? Nem isso você tem coragem de fazer?

Isso eu não podia aceitar.

Eu era homem, sem dúvida.

Achava mesmo que minha fama de homem cheio de desejo tinha surgido do nada?

Além disso, se eu ainda conseguisse resistir naquela situação, aí sim eu não seria homem de verdade.

......

Ela foi ainda mais intensa do que eu imaginava.

De repente, um toque de celular soou de forma totalmente inconveniente.

Não era o meu celular. Era o dela.

Ela também ficou surpresa, sem esperar uma ligação naquele momento.

Virou o rosto para mim e indicou que eu não fizesse nenhum som.

Assenti, mostrando que tinha entendido.

Só então ela pegou o celular e atendeu.

— Alô, irmã...

Era uma ligação da irmã dela.

— O que você está fazendo? A mamãe não disse para você vir comigo hoje à noite? Por que ainda não chegou? — A mulher do outro lado da linha parecia um pouco insatisfeita.

— Uma amiga apareceu de repente para falar comigo, ai...

Ela soltou um grito repentino e virou para me encarar.

Eu fiz cara de inocente.

— Camila, o que aconteceu com você? Está tudo bem? — A mulher do outro lado da linha claramente também tinha ouvido aquele som e, preocupada que Camila estivesse em perigo, perguntou depressa.

— Não... não foi nada. Só tropecei sem querer. Está tudo bem. Não vou mais hoje à noite. É isso, vou desligar.

Ela disse tudo rápido, desligou a chamada às pressas e depois virou a cabeça para me encarar com raiva.

Seus dedos apertaram meu braço com força, fazendo meu rosto se contorcer de dor.

— Não imaginei que você fosse tão perverso. Fez de propósito para eu passar vergonha?

— Claro que não. — Respondi, inocente.

Ela lançou um olhar irritado para mim e murmurou:

— Então anda logo. Eu ainda preciso voltar rápido.

......

— Você sujou toda a minha roupa. — Ela murmurou baixinho.

Arrumei a roupa.

Mesmo rasgada, ainda dava para encarar a rua daquele jeito.

— Tchau. Talvez a gente nunca mais se veja.

Depois de dizer isso, ela acenou para mim e saiu de fininho.

— Qual é o seu nome? — Perguntei depressa, antes que ela fosse embora.

Eu não queria que, depois de tudo aquilo, eu continuasse sem saber nem o nome dela.

Ela ficou parada ali.

Depois de hesitar por um instante, finalmente abriu a boca:

— Meu nome é Camila Sampaio...

— Então...

— Tem mais alguma coisa? Se você quer que isso continue, pode esquecer. Hoje foi só uma coisa de uma noite. Não existe a menor chance entre nós. — Ela disse, mordendo os lábios.

— Não é isso. Eu só queria perguntar o caminho. Onde fica o Clube Atlântico Prime? — Perguntei, piscando os olhos.

Ela ficou completamente atônita, e o rosto inteiro ficou vermelho.

Antes, ela tinha achado que eu queria dar continuidade àquele envolvimento.

No fim, eu só queria perguntar o caminho.

Isso não significava que ela tinha pensado demais? Que vergonha.

— Aqui já é o Clube Atlântico Prime. O lugar por onde você entrou antes é a porta dos fundos, seu idiota...

Ela mostrou a língua para mim, fez uma careta e, em seguida, virou o corpo e foi embora.

Foi tudo rápido demais. Parecia sonho, parecia mentira.

Até ela desaparecer da minha vista, mancando um pouco, eu ainda não tinha conseguido voltar a mim.

Um vento frio passou, e meu corpo estremeceu.

Só então percebi que minhas roupas ainda estavam todas desarrumadas, com algumas marcas de batom.

Aquele era o banheiro feminino.

Eu não podia, de jeito nenhum, deixar que alguém pensasse que eu era um pervertido.

Quando arrumei as roupas às pressas para sair, percebi que havia algumas manchas de sangue no tecido.

Aquele sangue claramente não era meu.

Será que aquela mulher ainda era virgem?

A primeira vez dela tinha sido tão louca assim? Isso era estranho demais, não era?

Arrumei as roupas depressa e saí do banheiro feminino às escondidas.

Então descobri que ali realmente era o Clube Atlântico Prime, e o lugar por onde eu tinha entrado antes era a porta dos fundos.

Atravessando aquele corredor, cheguei à parte da frente do bar.

Diferente dos bares barulhentos e agitados que eu costumava frequentar, ali tudo era mais tranquilo, com uma música suave tocando ao fundo.

Fiquei um pouco ansioso.

Eu já estava atrasado.

A mulher tinha dito antes que não esperaria depois da hora marcada, então provavelmente já tinha ido embora.

Fiquei irritado comigo mesmo.

Por causa de um prazer momentâneo, acabei esquecendo o motivo que tinha levado meu corpo até ali.

Quando eu estava cabisbaixo, prestes a ir embora, uma voz soou de repente ao meu lado:

— Henrique Tavares?

Virei o corpo e olhei.

Perto da janela, uma mulher sexy, alta e vestida com um conjunto de uniforme, acenava para mim.

Era essa a mulher que estava à procura de um marido disposto a viver na casa dela?

Ela olhou para mim e disse com calma:

— Venha aqui. Não errei, é você mesmo. Meu nome é Laura Sampaio.
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