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Capítulo 3

Author: Corvo da Kurumi
Ela tinha o mesmo sobrenome da Camila que eu tinha encontrado pouco antes.

As duas eram Sampaio.

Pelo visto, hoje eu estava encontrando mulheres demais com esse sobrenome.

Esse pensamento passou rapidamente pela minha cabeça, e logo meu olhar caiu sobre Laura.

Observei a mulher por um instante.

Ela estava mesmo procurando um marido disposto a viver na casa dela?

Antes de vir até aqui, eu tinha imaginado que a mulher à procura de um marido talvez fosse muito feia, com uma personalidade péssima.

Mas, na realidade, ela era completamente diferente do que eu tinha imaginado.

Em tão pouco tempo, eu tinha encontrado as duas mulheres mais bonitas que já tinha visto na vida.

Camila tinha um ar brincalhão, com um pouco de fofura.

Laura, por outro lado, exalava sedução.

Ela usava um conjunto elegante e profissional.

Sob a barra da saia, apareciam pernas longas e bem torneadas, cobertas por uma meia fina preta.

Nos pés, ela usava sandálias pretas de salto alto.

Aquele rosto era ainda mais capaz de roubar a alma de qualquer um.

Lábios rosados como pétalas, olhos brilhantes, pele delicada.

Não havia como encontrar nenhum defeito nela. Era a obra-prima mais perfeita deste mundo.

Só que, por trás daquela aparência elegante e segura, também havia uma firmeza quase heroica.

Era o tipo clássico de mulher poderosa.

Quando vi Laura, finalmente entendi por que os maridos anteriores dela tinham morrido.

Ela era alta, cheia de curvas, e seu corpo exalava sedução.

Sexo não acabava com mulher nenhuma.

Quem ficava morto de cansaço era o homem.

Caminhei devagar até ela.

Laura bateu os dedos na mesa e disse com frieza:

— Sente-se. Que aparência é essa sua?

Sentei com certo constrangimento. Achei estranho.

Como ela sabia que eu era Henrique?

— Você está quase uma hora atrasado. — Ela disse, olhando para mim com frieza, claramente insatisfeita com esse tipo de falta de pontualidade.

Fiquei nervoso por dentro e expliquei depressa que tinha acabado de chegar ao centro, não conhecia as ruas e, por isso, acabei atrasando.

Felizmente, ela não insistiu muito nesse assunto.

— Ontem, investiguei você. Você tem dezoito anos. Abandonou a escola no segundo ano do ensino médio. Seus pais são viciados em jogo e acumularam uma dívida de cem mil dólares com agiotas. Agora, você deve estar sendo pressionado pelos cobradores até ficar sem saída, certo?

Enquanto falava, ela colocou uma foto minha sobre a mesa.

Em uma única noite, ela tinha levantado minha vida inteira.

Diante dela, senti que eu não tinha privacidade nenhuma.

E de onde tinha vindo aquela foto minha?

Essa mulher era assustadora.

Laura perguntou:

— Você veio por causa daqueles cem mil dólares, certo?

Assenti, sentindo uma humilhação difícil de engolir.

Nos olhos de Laura, passou claramente um traço de desprezo.

Quase todos os homens dispostos a viver na casa dela como marido estavam atrás de dinheiro.

— Já que não há mais ninguém aqui, vou falar direto. — Laura disse, batendo os dedos na mesa.

O olhar dela ficou fixo em mim, e sua voz ficou mais grave.

— Você e eu vamos fazer uma troca.

Fiquei atordoado.

— Uma troca?

Laura disse:

— Sim. Você veio por causa dos cem mil dólares. Se você tiver um menino, minha família vai lhe dar cem mil dólares.

Assenti.

Eu já tinha caído a esse ponto, então não havia nada que eu pudesse negar.

— Na verdade, esses cem mil dólares não são tão fáceis de conseguir. Você também não pode garantir que vai ter um filho, pode?

Ela tinha razão.

Ter menino ou menina dependia puramente da sorte.

Ela continuou:

— Sendo assim, faça uma troca comigo. Você será meu marido apenas no nome, mas não poderá tocar em mim.

Por um instante, não entendi o que ela queria dizer.

Ela olhou para mim com repulsa e continuou.

Em poucas palavras, nós dois teríamos o nome de marido e mulher, mas não a realidade de um casamento.

Ela não permitiria que eu fizesse sexo com ela.

Mas, nesse caso, como teríamos um filho?

Arregalei os olhos.

A expressão de Laura ficou ainda pior.

— Eu não preciso que você tenha um filho comigo. Você só precisa formar comigo um casal de fachada.

Deixei escapar na hora:

— E o dinheiro?

Eu tinha vindo justamente por causa do dinheiro.

Se houvesse sexo, talvez não nascesse um menino, mas pelo menos haveria cinquenta por cento de chance.

Sem sexo em um casamento, nem essa metade existiria.

Então como eu pagaria aqueles agiotas?

Talvez porque eu tivesse demonstrado tamanha obsessão por dinheiro, Laura passou a me desprezar ainda mais.

Ela olhava para mim como se eu fosse um lixo.

Mesmo assim, ela continuou:

— Você não precisa se preocupar com dinheiro. Todos os meses, vou dar mil dólares a você. Isso já é mais do que você ganharia trabalhando fora.

Aquele salário era realmente alto.

Mas, comparado à dívida com agiotas que eu carregava nas costas, ainda estava longe de ser suficiente.

Laura continuou:

— Claro que não é só isso. Se você conseguir guardar esse segredo por meio ano, eu te dou dez mil dólares de bônus. Se conseguir manter por um ano, dou vinte mil. Se conseguir manter por dois anos, eu pago toda a sua dívida com os agiotas. O que acha?

Minha garganta se moveu levemente, e engoli em seco.

Aquele era, de fato, um acordo muito tentador.

Pelo visto, Laura devia odiar muito os homens.

Provavelmente, ela não tinha a menor vontade de se casar, muito menos de deixar um homem tocar nela.

Por isso, tinha escolhido fazer aquele acordo comigo.

— Você odeia tanto os homens assim? — Perguntei.

Laura soltou um riso frio.

— Claro. Homem nenhum presta.

Aquilo não era uma simples aversão.

Até eu acabei soltando um sorriso amargo.

— E então? Você aceita? Na verdade, você não tem muita escolha. Se não aceitar, pode ir embora agora. Mas, quando voltar, quem vai estar esperando por você são os cobradores dos agiotas. Você sabe muito bem como isso vai acabar, não sabe?

Laura sorriu com frieza enquanto tomava o coquetel.

Ela não tinha medo de que eu recusasse.

Afinal, já tinha investigado tudo sobre mim.

— Eu tenho escolha? — Falei, largado na cadeira, sem forças.

Naquele momento, finalmente entendi: dinheiro não resolvia tudo, mas viver sem dinheiro era impossível.

Levantei e disse:

— Vou voltar agora para arrumar minhas coisas...

— Não precisa. Aquele lixo que você tem em casa nem vale o trabalho de arrumar. Assim está bom.

Enquanto dizia isso, ela levantou e chamou o garçom para pagar a conta.

Olhei de relance.

Mais de cem dólares, só por aquele coquetel que ela tinha tomado.

Depois de pagar, ela caminhou para fora, e eu fui atrás.

Laura tinha vindo de carro.

Quando aquele sedã de luxo apareceu diante de mim, senti meu coração tremer.

Eu ainda conhecia aquela marca.

Na frente do carro havia a estatueta de um anjo.

Era um carro de luxo.

— Entra. — Laura abaixou o vidro e indicou que eu sentasse atrás.

Sem exagero, por um momento achei que ela ia mandar eu sentar no porta-malas.

Era a primeira vez que eu entrava em um carro tão sofisticado.

Normalmente, eu só andava de ônibus.

A sensação era completamente diferente, como se eu também tivesse virado algum figurão.

O carro avançou com familiaridade pelas ruas do centro e, por fim, chegou a um condomínio de mansões luxuosas, parando diante de uma delas.

Se eu não lembrava errado, o preço médio dos imóveis no centro devia estar em torno de dois mil dólares por metro quadrado.

Na região central, parecia passar de cinco mil dólares.

Laura tinha uma mansão de três andares em um lugar daqueles.

Afinal, quão rica era a família dela?

Pelo tamanho, cada andar devia ter pelo menos quatrocentos ou quinhentos metros quadrados, além de jardim.

Uma casa daquelas não sairia por menos de dois milhões de dólares, certo?

Laura estacionou o carro e me chamou para sair.

— Vamos. Entre para conhecer minha mãe. Tenha modos e não faça eu passar vergonha.

Senti as palmas das mãos cheias de suor e assenti de forma rígida.

Imaginei que a mãe de Laura também devia ser uma mulher muito difícil de lidar.

Ela me levou até a casa, abriu a porta e entrou.

Ao olhar ao redor, vi uma sala espaçosa, com sofás luxuosos.

No sofá, havia apenas uma mulher sentada, assistindo à televisão.

Parecia uma bela mulher de pouco mais de trinta anos.

A pele era delicada, e ela tinha um ar nobre e elegante.

Seus traços lembravam um pouco os de Laura.

O vestido preto de tule delineava seu corpo perfeito.

Aquela mulher devia ser a irmã de Laura, certo?

Lembrando que Laura tinha pedido para eu ter modos, achei que deveria ser educado.

— Olá, meu nome é Henrique. A senhora é irmã da Laura, não é?

A mulher ficou claramente surpresa por um instante e, logo depois, cobriu a boca e riu com charme.

O corpo dela balançava de leve de tanto rir.

Ao lado, Laura lançou um olhar irritado para mim.

— Que bobagem você está dizendo? Ela é minha mãe!

Na hora, fiquei atordoado.

A diferença de idade entre as duas nem parecia tão grande assim.

— Haha, ele sabe mesmo falar. Eu pareço tão jovem assim? — A mãe de Laura, Sônia Sampaio, olhou para mim com um sorriso nos olhos.

Cocei a cabeça, com o rosto cheio de constrangimento.

— Eu realmente achei que vocês fossem irmãs.

— Que boca doce. — Sônia disse, sorrindo.

Esse elogio, que não parecia proposital, claramente agradou a ela.

Nenhuma mulher gosta de ouvir que parece velha.

— Mãe, onde está a Camila? — Laura perguntou de repente. — A Camila disse que uma amiga chamou ela para sair e não veio comigo. Ela já voltou?

Sônia respondeu casualmente:

— Voltou. Está lá em cima tomando banho.

Por que aquele nome parecia um pouco familiar? Onde eu tinha ouvido?

Enquanto eu ainda estava atordoado, uma sequência de passos veio do andar de cima.

Levantei a cabeça e olhei.

Uma jovem de corpo esguio, vestindo uma camisola branca de seda muito fina, descia a escada como se fosse um anjo.

Parecia ter acabado de tomar banho.

Nas mãos, segurava uma toalha branca como neve e enxugava os longos cabelos molhados.

— Laura, você trouxe meu cunhado? Vou ajudar você a avaliar e ver como ele é.

Enquanto falava, ela olhou na minha direção.

Nossos olhares se cruzaram naquele instante.

Naquele segundo, meu corpo ficou rígido.

Quanto a Camila, ela também ficou paralisada no lugar.

A toalha em suas mãos caiu sobre a escada.

— É você?

— Camila?
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